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"O Filho do Chefe da Máfia Atacou a Babá" Capítulo 1 — O Cavalo de Bronze

正文开头

O cavalo de bronze voou pelo corredor de mármore antes que alguém conseguisse impedir Lucas Montenegro.

Marina Oliveira viu a estátua vindo em sua direção. Tentou se proteger, mas o objeto atingiu suas costelas e caiu no chão com um estrondo.

A dor foi tão forte que ela perdeu o ar.

"Lucas!"

A voz de Dante Montenegro ecoou pela mansão.

O homem mais temido de São Paulo estava parado na entrada do corredor, vestido com um terno preto impecável. Dois seguranças surgiram atrás dele.

"Afaste-se dele!", ordenou um dos homens.

"Não!", Marina conseguiu dizer.

Lucas, de apenas cinco anos, estava diante dela. Seu rosto estava vermelho, os olhos cheios de lágrimas e os pequenos punhos cerrados.

Ele correu novamente em sua direção e golpeou sua perna.

Marina poderia ter gritado. Poderia ter pedido que os seguranças levassem o menino embora.

Em vez disso, ajoelhou-se lentamente.

Uma pontada atravessou suas costelas.

"Isso doeu, Lucas."

O menino parou.

Ninguém naquela casa falava assim com ele.

Os adultos gritavam, ameaçavam ou prometiam presentes para fazê-lo obedecer. Quando nada funcionava, simplesmente desapareciam.

Marina colocou uma mão sobre o próprio peito.

"Você está sentindo alguma coisa muito grande aqui dentro, não está?"

Lucas ergueu o punho novamente.

Dante deu um passo.

"Lucas, abaixe essa mão!"

O menino se encolheu.

Marina levantou a palma aberta na direção do patrão.

"Por favor, senhor Montenegro. Deixe comigo."

Dante ficou imóvel.

Marina voltou a olhar para Lucas.

"Eu não vou gritar com você."

O menino respirava depressa.

"E não vou fugir."

A mão de Lucas começou a tremer.

"Você vai", ele murmurou.

"Por que acha isso?"

"Porque todo mundo vai!"

A última palavra saiu como um grito.

Então Lucas avançou.

Dante se preparou para agarrá-lo, mas o menino não tentou bater novamente.

Ele se jogou nos braços de Marina.

O impacto arrancou dela um gemido de dor. Mesmo assim, ela o abraçou.

"Não me deixa!", Lucas soluçou.

Marina sentiu seus dedos apertarem desesperadamente o uniforme cinza.

"Estou aqui."

"Não me deixa, por favor!"

"Estou aqui com você, Lucas."

O menino enterrou o rosto em seu ombro.

"Todo mundo fala isso."

Dante baixou os olhos.

Pela primeira vez, percebeu que seu filho não estava tentando machucar aquela mulher.

Estava tentando descobrir se ela também iria embora.

Uma voz fria interrompeu o silêncio.

"Senhor Montenegro, vou ligar imediatamente para a agência."

Evelina Ferraz, governanta da mansão havia quase vinte anos, apareceu junto à escadaria.

"Essa situação passou de todos os limites. Podemos contratar outra babá amanhã."

Lucas apertou Marina com mais força.

Dante observou a reação.

"Não."

Evelina franziu a testa.

"Senhor?"

"Ninguém vai ligar para agência nenhuma."

"Mas o menino já atacou oito funcionárias!"

"Eu disse que não."

A governanta fechou os lábios.

Marina continuava ajoelhada, tentando controlar a dor.

Dante se aproximou.

"Você precisa de um médico."

"Primeiro, precisamos acalmar Lucas."

"Eu posso cuidar do meu filho."

Marina olhou para o menino agarrado ao seu pescoço.

正文1

"Então fique aqui com ele."

Dante não respondeu.

Estava acostumado a homens armados obedecendo às suas ordens. Não estava acostumado a receber instruções de uma babá que trabalhava havia apenas três dias em sua casa.

Mas ficou.

Naquela noite, um médico particular examinou Marina. A radiografia não mostrou fraturas, apenas uma contusão profunda.

Dante ofereceu uma semana de descanso remunerado.

"Você pode voltar para sua casa amanhã."

Marina estava sentada na cama do quarto de funcionários.

"Eu agradeço, mas prefiro continuar."

"Não precisa provar nada."

"Não estou tentando provar nada, senhor Montenegro."

"Então por quê?"

Ela hesitou.

"Porque seu filho acredita que as pessoas vão embora por culpa dele."

Dante desviou o olhar.

"Lucas tem problemas de comportamento."

"Lucas tem medo."

"Você o conhece há três dias."

"E nesses três dias ele me perguntou onze vezes se eu iria embora."

Dante ficou em silêncio.

Marina continuou:

"Ele não precisa de mais uma pessoa desaparecendo sem explicação."

O empresário passou a mão pelo rosto.

"Você não conhece a história desta família."

"Então talvez esteja na hora de alguém me contar."

Dante se levantou.

"Boa noite, Marina."

Quando a porta se fechou, ela percebeu que ele havia evitado responder.

Na manhã seguinte, Marina acordou antes das seis.

Cada movimento ainda provocava dor.

Abriu a porta cuidadosamente e quase tropeçou.

Lucas estava dormindo no corredor, enrolado em uma manta azul.

Um segurança permanecia perto da escada.

"Ele está aqui desde as duas da manhã", explicou o homem, constrangido. "Não quis voltar para o quarto."

Marina se agachou.

"Lucas?"

Os olhos do menino se abriram imediatamente.

Ele olhou para a mala ao lado da porta.

"Você vai embora?"

"Não."

"Você arrumou a mala?"

"Não, meu amor."

Lucas tocou o tecido do uniforme dela.

"As outras arrumavam quando eu dormia."

Marina sentou-se ao lado dele.

"Quantas foram embora?"

Lucas abaixou a cabeça.

"Sete."

"E você acha que todas foram embora por sua causa?"

O menino assentiu.

Marina sentiu o coração apertar.

"Escute uma coisa. Quando um adulto vai embora, a responsabilidade não é de uma criança."

Lucas pareceu não compreender.

"Mesmo quando eu fico bravo?"

"Mesmo quando você fica bravo."

Ele encostou a cabeça em seu braço.

"Você promete?"

Marina pensou antes de responder.

"Prometo que não vou desaparecer sem conversar com você."

Lucas permaneceu quieto.

Depois de alguns minutos, aceitou acompanhá-la até a cozinha.

No café da manhã, Marina procurou Evelina.

"Preciso consultar os registros das babás anteriores."

A governanta organizava uma bandeja de prata.

"Isso não faz parte das suas funções."

"Sou responsável pelos cuidados de Lucas."

"Você é responsável pelas refeições, roupas, brincadeiras e horários. Não pelos assuntos particulares da família."

"Por que sete profissionais foram embora?"

Evelina pousou uma xícara com força.

"Porque todas acreditavam que poderiam consertar aquele menino."

Marina endureceu a expressão.

"Ele não está quebrado."

"Então descubra sozinha por que ninguém conseguiu ficar."

A governanta se aproximou.

"E um conselho: não entre nos quartos trancados do segundo andar."

正文2

"Quartos trancados?"

"Existem portas nesta casa que devem permanecer fechadas."

Antes que Marina respondesse, Dante entrou.

Lucas estava no tapete, organizando carrinhos por tamanho.

Ao ver o pai, ficou imediatamente rígido.

Dante percebeu.

"Lucas, seu professor chega às nove."

O menino empurrou um carrinho com força.

"Não quero."

"Não foi uma pergunta."

Marina observou os ombros pequenos se contraírem.

Dante respirou fundo.

"Marina, preciso conversar com você."

No escritório, ele fechou a porta.

"Você está fazendo perguntas demais."

"Seu filho está sofrendo."

"Eu sei disso."

"Então por que ninguém me conta o que aconteceu?"

Dante caminhou até a janela.

"Minha esposa morreu há três anos."

Marina permaneceu imóvel.

"Lucas tinha dois anos."

"Sinto muito."

"Desde então, ele mudou."

"Uma criança de dois anos não consegue compreender uma perda dessa maneira. Mas consegue sentir medo, ausência e insegurança."

Dante virou-se.

"Está dizendo que eu falhei como pai?"

"Estou dizendo que ele precisa do senhor."

Uma batida interrompeu a conversa.

Lucas entrou segurando um papel dobrado.

Foi diretamente até Marina.

"Fiz pra você."

Era um desenho.

Havia um menino pequeno, uma mulher de uniforme cinza e um homem de terno azul.

No canto, aparecia outra mulher.

O rosto dela estava coberto por tantos riscos amarelos que o papel havia rasgado.

Marina apontou delicadamente.

"Quem é essa mulher, Lucas?"

Dante ficou pálido.

O menino olhou para o pai.

Depois, para a porta do escritório.

"É a mamãe."

Marina sentiu um arrepio.

"Por que você riscou o rosto dela?"

Lucas apertou o desenho contra o peito.

"Porque ela me deixou sozinho."

"Quando?"

Os olhos do menino se encheram de lágrimas.

Ele apontou para o corredor do segundo andar.

"Naquele quarto escuro."

Dante deu um passo brusco.

"Lucas, chega."

Mas o menino começou a chorar.

"Ela estava gritando, papai!"

Marina segurou suas mãos.

"Quem estava gritando?"

Lucas olhou para a porta fechada.

Sua voz saiu quase inaudível.

"A mamãe. E uma mulher mandou eu nunca contar."

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