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"“Domar” o Filho Mais Rebelde do Chefe da Máfia" Capítulo 2 — O Celular Dentro do Vaso

正文开头

Na manhã seguinte, Vicente esperou vinte e sete minutos antes de atacar.

Beatriz percebeu porque ele olhava mais para o telefone sobre a mesa do que para o desenho que fingia colorir. Ela não comentou. Dobrou três camisetas pequenas, conferiu o horário da escola e organizou os lápis quebrados.

“Você chegou atrasada”, disse ele.

“Cheguei às oito.”

“Eu acordei às sete.”

“Esse problema é do relógio, não meu.”

Vicente fez uma linha preta atravessar o papel.

“Minha outra babá chegava quando eu acordava.”

“E onde ela está?”

Ele apertou o lápis.

“Foi embora.”

Beatriz não perguntou por quê. Pegou a mochila e caminhou até a mesa de jantar para conferir os cadernos. Pelo reflexo do vidro, viu Vicente se levantar.

Ele caminhou sem ruído, pegou o celular dela e o escondeu atrás de um vaso alto de cerâmica azul. Depois voltou ao sofá e retomou o desenho.

Beatriz terminou de organizar a mochila. Retornou à mesa e tocou o lugar vazio.

“Perdeu alguma coisa?”, perguntou Vicente.

“Meu celular.”

“Que pena.”

Ela olhou para ele por dois segundos. Em seguida, tirou o tablet das mãos do menino.

Vicente sentou depressa.

“Me devolve.”

“Que pena.”

“É meu.”

“O celular também é meu.”

“Eu não peguei.”

“Então você pode esperar enquanto procuro.”

Beatriz colocou o tablet sobre a prateleira mais alta da biblioteca. Não revirou almofadas. Não abriu gavetas. Sentou-se e começou a costurar o botão solto de uma camisa.

Vicente andou pela sala.

“Você não vai procurar?”

“Vou esperar.”

“Esperar o quê?”

“Meu celular voltar.”

“Celulares não andam.”

“Tablets também não.”

Ele tentou alcançar a prateleira. Não conseguiu. Arrastou uma cadeira, mas Beatriz segurou o encosto.

“Subir nisso é perigoso.”

“Então pega para mim.”

“Quando meu celular voltar, o seu também.”

Vicente chutou a perna da cadeira. Beatriz não reagiu além de afastá-la.

“Você é irritante.”

“Já me disseram.”

“Eu vou contar para o meu pai.”

“Conte tudo. Inclusive onde colocou o telefone.”

Ele se calou.

Dante entrou vinte minutos depois, acompanhado de Rafael Moura. O segurança negro parecia ocupar metade da porta. Vicente correu até o pai.

“Ela roubou meu tablet.”

Dante olhou para Beatriz.

“Roubou?”

“Coloquei naquela prateleira.”

“Sem minha autorização.”

“Vicente escondeu meu celular.”

“Você viu?”

“Vi.”

O menino ficou imóvel.

Dante virou-se para ele.

“Onde está?”

“Não sei.”

“Sabe, sim”, respondeu Beatriz. “Mas eu disse que esperaria.”

“Está chamando meu filho de mentiroso?”

“Estou dizendo que ele sabe onde colocou o aparelho.”

Rafael disfarçou uma expressão de surpresa. Dante não gostava que ninguém encurralasse Vicente. Também não gostava de mentiras.

“Devolva”, ordenou Dante.

Vicente foi até o vaso, retirou o celular e o colocou na mesa com força. Beatriz pegou o tablet e devolveu na mesma hora.

“Quando meu celular volta, o seu também.”

Vicente segurou o aparelho contra o peito.

“Você podia ter contado antes.”

“Podia.”

“Por que não contou?”

“Porque quero que você devolva as coisas por entender a regra, não porque está com medo do seu pai.”

正文1

Dante cruzou os braços.

“E acha que uma troca resolve?”

“Hoje resolveu.”

“Ele precisa aprender a obedecer.”

“Ele obedece ao senhor. O problema é o que faz quando o senhor sai da sala.”

Dante não respondeu.

Rafael recebeu uma ligação e se afastou. Vicente ligou o tablet, mas não abriu nenhum jogo. Continuou ouvindo.

“Você fala como se conhecesse meu filho”, disse Dante.

“Não conheço. Estou prestando atenção.”

“Doze profissionais também prestaram.”

“Talvez estivessem prestando atenção no salário.”

Dante deu um passo na direção dela.

“Você também aceitou por dinheiro.”

“Aceitei. A diferença é que não finjo que foi por amor.”

A resposta o atingiu de maneira inesperada. Naquela casa, todos transformavam interesse em lealdade. Beatriz era a primeira a admitir que precisava do dinheiro e, ainda assim, não aceitava qualquer coisa por ele.

Vicente interrompeu.

“Posso jogar agora?”

“Depois da atividade”, disse Beatriz.

Ele olhou para Dante.

“Pai?”

Dante demorou um instante.

“Depois da atividade.”

Vicente marchou até a mesa e abriu o caderno. Não gostava da regra, mas o pai acabara de confirmar que Beatriz podia criá-la.

Durante a hora seguinte, ele errou contas de propósito, quebrou a ponta de três lápis e deixou cair a borracha seis vezes. Beatriz devolveu cada objeto sem comentário.

Quando a tarefa terminou, permitiu o tablet pelo tempo combinado.

“Só isso?”, Vicente perguntou.

“Só.”

“Você não vai falar do celular de novo?”

“Você devolveu.”

“E se eu esconder amanhã?”

“Amanhã resolvemos amanhã.”

Ele pareceu desconcertado. As outras mulheres acumulavam seus erros e os repetiam durante dias. Beatriz encerrava o conflito quando ele assumia a consequência.

À tarde, ela voltou à lavanderia para trocar o uniforme. Enquanto colocava o avental sujo do dia anterior de molho, o celular vibrou.

Havia uma mensagem de número desconhecido.

“Saia dessa casa enquanto ainda pode.”

Beatriz releu. Antes que respondesse, a mensagem desapareceu da tela.

O aplicativo indicava que a conversa havia sido apagada.

Ela verificou as configurações. Seu código estava alterado.

Vicente aparecia na porta, segurando o tablet.

“Você mexeu no meu telefone antes de esconder?”

“Não.”

“Vicente.”

“Eu só vi uma mensagem.”

“De quem?”

Ele desviou os olhos.

“Não sei.”

“O que dizia?”

“Que você devia ir embora.”

Beatriz se aproximou.

“Foi por isso que escondeu?”

O menino levantou o queixo.

“Eu queria ver se você ia obedecer.”

“A uma mensagem anônima?”

“Todo mundo obedece quando mandam ir embora.”

Beatriz percebeu que ele não falava apenas do telefone.

“Eu não.”

“Você disse que fica uma semana.”

“E ainda é o segundo dia.”

Vicente pareceu aliviado por uma fração de segundo. Depois tornou a fechar o rosto.

“Amanhã meu pai vai demitir você.”

“Então espero que ele me avise antes do café.”

O menino saiu.

Beatriz tornou a olhar para a tela. A mensagem poderia ser uma brincadeira de Vicente, mas ele não teria apagado uma conversa sem saber a senha anterior. Alguém mexera no aparelho enquanto estivera escondido junto ao vaso.

Ela abriu a lixeira do aplicativo. Restava apenas uma sequência incompleta enviada antes do aviso:

“Pergunte à décima segunda babá por que ela…”

O restante havia sido eliminado.

Na porta da lavanderia, uma sombra se moveu.

Beatriz correu para o corredor.

Não encontrou ninguém.

No chão, porém, havia uma fotografia dobrada. Mostrava Vicente ao lado da última babá. O rosto da mulher estava riscado por um grande X preto.

Beatriz levou a fotografia para o quarto de Vicente. Ele montava uma pista de carrinhos e fingiu não notar sua entrada.

“Foi você quem deixou isto no corredor?”

“Não.”

“Foi você quem riscou o rosto dela?”

O menino lançou um carrinho pela pista. O brinquedo bateu na parede.

“Daniela dizia que gostava de mim.”

“E depois foi embora.”

“Ela pediu para ir.”

“Talvez estivesse assustada.”

“Todo mundo fica assustado.”

Beatriz colocou a fotografia sobre a cômoda.

“Eu também sinto medo. A diferença é que não deixo o medo decidir tudo.”

Vicente finalmente olhou para ela.

“Você tem medo do meu pai?”

“Às vezes.”

“Mas responde para ele.”

“Coragem não é ausência de medo.”

“É ficar mesmo assim”, completou Beatriz.

Ele ficou pensativo naquela mesma noite, como se a possibilidade de Beatriz sentir medo sem fugir quebrasse uma regra antiga. Quando ela saiu, Vicente guardou a fotografia numa caixa, sem acrescentar um novo risco.

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