localização atual: Novela Mágica Meu Refúgio Era um Bilionário Parte 2 — Você sempre pede permissão?
标题上

"Meu Refúgio Era um Bilionário" Parte 2 — Você sempre pede permissão?

正文开头

Parte 2 — Você sempre pede permissão?

“Você pretende desmontar a mesa ou só assustá-la?”

Parei com a espátula na mão.

Samuel estava encostado no batente da oficina, segurando duas canecas. Olhava para a superfície onde eu havia começado a raspar o verniz.

“Você disse que eu podia ajudar.”

“Disse. Não disse que a mesa tinha cometido um crime.”

Baixei a ferramenta.

“Achei que precisava tirar essa parte.”

“Precisa, mas aos poucos.”

Ele colocou meu café num canto livre da bancada e pegou uma espátula mais estreita.

Naquela manhã, a chuva havia diminuído, mas um deslizamento bloqueava o acesso principal. Samuel tinha falado com um vizinho que acompanhava as informações da Defesa Civil. A recomendação era permanecer onde estávamos.

Eu avisara Bianca, reorganizara duas reuniões e passara quarenta minutos tentando trabalhar no quarto.

Depois fui procurar o homem que me oferecera abrigo.

Samuel se posicionou ao meu lado.

“A madeira está levantando aqui. Se forçar, leva uma lasca junto.”

Mostrou o movimento com calma e me devolveu a ferramenta.

Tentei novamente.

“Assim?”

“Melhor.”

“Você fala isso para todo mundo que ameaça seus móveis?”

“Só para quem parece capaz de me demitir.”

Olhei para ele.

“Eu não tenho essa cara.”

Samuel ergueu uma sobrancelha.

Ri antes que pudesse impedir.

Ele tinha um jeito irritante de me fazer perceber quando eu estava levando a mim mesma a sério demais.

Observei a mesa.

“Não seria mais fácil substituir a parte de cima?”

“Seria.”

“E por que não faz?”

“O pai da dona dessa mesa escrevia cartas aqui. Ela lembra de sentar no chão enquanto ele trabalhava.”

Samuel apontou uma marca perto da borda.

“Ela pediu que essa ficasse.”

Passei o dedo pela madeira.

No escritório, eu havia aprovado a troca de móveis perfeitamente utilizáveis porque já não combinavam com uma nova proposta visual. Nunca tinha pensado em perguntar a alguém o que existia naquela superfície além de arranhões.

“Quanto tempo leva?”

“Depende do estado.”

“Você nunca responde com um número?”

“Respondo quando sei.”

Meu celular vibrou sobre a bancada.

Ricardo.

Deixei tocar.

Samuel continuou trabalhando sem olhar para a tela.

“Pode atender.”

“Eu sei.”

“Está com cara de quem precisa ouvir isso.”

Peguei a caneca.

“Meu irmão acha que qualquer decisão minha precisa passar por ele.”

“E passa?”

“Não deveria.”

Samuel apoiou a espátula.

“Essa resposta é diferente de não.”

Antes que eu encontrasse o que dizer, alguém chamou do portão.

Um homem de capa de chuva trazia a notícia de que a água havia entrado na casa de dona Célia, duas ruas abaixo. Ela precisava tirar alguns móveis antes que o piso ficasse ainda mais encharcado.

Samuel pegou as chaves.

“Você pode ficar. Tem comida na geladeira.”

“Eu vou.”

Ele olhou para os meus pés.

Eu havia calçado um par de chinelos emprestados.

“Assim, você vai perder um chinelo e culpar a rua.”

Acabamos encontrando botas antigas de Luana. Ficaram um pouco grandes, mas serviram.

正文1

Na casa de dona Célia, quatro pessoas tentavam mover um armário pesado. O corredor estava cheio de caixas, e uma cadeira bloqueava a passagem até a varanda.

Pedi que parassem.

Samuel me olhou, esperando.

“Se tirarmos as caixas primeiro, vocês não precisam girar o armário aqui. A cadeira pode ir pela cozinha.”

Dona Célia apontou para uma pilha.

“Essas estão molhadas.”

“Então vamos separar as secas. A senhora tem algum lugar coberto?”

Em poucos minutos, organizamos a passagem. Carreguei caixas, fiz uma lista dos móveis danificados e pedi a Bianca contatos de empresas locais que poderiam recolher itens maiores quando as vias fossem liberadas.

Samuel e os vizinhos levaram o armário.

Quando voltou, ele encontrou dona Célia me dando instruções sobre um saco de fotografias.

“Essa aqui é do casamento. Não pode misturar.”

“Não vou misturar.”

Samuel sorriu para mim sem dizer nada.

Foi um sorriso diferente do que usara na oficina.

Eu quis merecer outro.

Voltamos perto das três. Havia barro nas minhas calças, meu cabelo estava preso de qualquer jeito e a mão ardia.

Eu havia raspado os dedos numa dobradiça.

Samuel percebeu quando fui lavar uma caneca.

“Deixa eu ver.”

“É pequeno.”

“Ótimo. Pequeno é mais fácil de limpar.”

Pegou uma caixa de primeiros socorros e puxou uma cadeira.

Sentei.

Ele segurou minha mão com delicadeza, examinando a pele.

A proximidade parecia maior sem o barulho da água, sem a urgência de sair de um carro. Eu podia observar a concentração no rosto dele, a barba ainda úmida perto do maxilar.

“Vai arder um pouco.”

“Você sempre avisa?”

“Quando dá tempo.”

“Ontem não deu.”

Ele levantou os olhos.

“Ontem você estava ocupada tentando levar uma bolsa para dentro de um rio.”

“Era uma bolsa boa.”

“Espero que saiba nadar.”

Ri, e ele começou a limpar o corte.

Seu polegar apoiava a parte interna do meu pulso. Não havia motivo para eu reparar tanto naquilo.

Reparei mesmo assim.

Samuel colocou o curativo e soltou minha mão.

“Pronto.”

Tive vontade de perguntar se precisava conferir mais alguma coisa.

Em vez disso, agradeci.

Naquela noite, fizemos o jantar juntos. Eu piquei os tomates, ele cuidou dos ovos e do arroz que sobrara do almoço.

“Você cozinha sempre?”

“Na maior parte dos dias.”

“Eu peço comida.”

“Na maior parte dos dias?”

“Nos dias em que lembro de comer.”

Samuel parou de mexer a panela.

“Isso não parece uma boa organização.”

“Eu administro hotéis. Não prometi administrar a minha geladeira.”

Meu celular recebeu uma ligação de vídeo.

Bianca precisava confirmar a mudança de uma apresentação. Atendi na cozinha, expliquei os ajustes e pedi que a equipe enviasse os números revisados antes de uma nova reunião.

Quando encerrei, Samuel estava colocando os pratos na mesa.

“Grupo Bastos?”

Assenti.

“Você conhece?”

“Conheço os hotéis.”

Eu já tinha dito que trabalhava com propriedades. Agora aquela descrição parecia uma maneira covarde de deixar uma parte importante de mim do lado de fora.

正文2

“Sou diretora de operações. A empresa era do meu pai. Hoje meu irmão e eu temos funções diferentes.”

“E você achou que precisava esconder isso?”

“Não queria que fosse a primeira coisa que soubesse.”

Samuel puxou a cadeira.

“Não foi.”

Sentei devagar.

“Mas é uma parte grande da minha vida.”

“Então vai me contando.”

A simplicidade da resposta me deixou sem defesa.

Jantamos falando sobre meu trabalho. Ele fez perguntas específicas, quis saber como uma equipe lidava com hóspedes quando havia falta de energia, ouviu uma história sobre um casamento que quase perdera a festa por causa de um gerador.

Não tentou transformar cada resposta numa oportunidade de mencionar dinheiro.

Mais tarde, o telefone dele tocou.

Samuel olhou o nome na tela e foi até a varanda.

Ouvi apenas algumas frases.

“Não hoje, André.”

Uma pausa.

“Eu vi o resumo. A reunião continua marcada. Amanhã eu retorno.”

Quando voltou, encontrou meu olhar.

“Problema?”

“Trabalho.”

Eu poderia ter perguntado que tipo de trabalho exigia uma reunião tão urgente àquela hora. Não perguntei. Ele também não havia exigido todas as respostas de uma vez.

Ricardo ligou pouco depois.

Um motorista estaria na região na manhã seguinte.

“Quando a estrada abrir, eu volto”, respondi.

“Helena, você não está de férias.”

“Eu sei. Você recebeu as revisões que mandei?”

“Não é disso que estou falando.”

“Então podemos conversar amanhã.”

Desliguei.

Samuel estava recolhendo os pratos.

“Vai embora cedo?”

“Se liberarem o acesso.”

Ele assentiu.

Ajudei a secar a louça. Nossas mãos se encontraram quando pegamos o mesmo pano, e nenhum dos dois o soltou imediatamente.

Samuel foi o primeiro a afastar os dedos.

Na porta do corredor, virei.

“Você não perguntou se gostei daqui.”

“Gostou?”

“Gostei.”

Ele apoiou o ombro na parede.

“E quando voltar para a sua vida, vai continuar gostando?”

A pergunta me acompanhou até o quarto.

Dessa vez, não parecia que ele falava da casa.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部