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"A Técnica Prendeu o Chefe da Máfia no Elevador" Capítulo 4 — A Mulher Que Dante Não Conseguia Demitir

正文开头

Marina saiu do Edifício Montenegro às quatro e vinte da manhã.

Não foi presa.

Não havia prova suficiente.

Bruno confirmou que as câmeras mostravam Marina chegando ao prédio apenas naquela noite, muito depois de dois dos acessos registrados em seu nome.

Mesmo assim, ela saiu furiosa.

Dante tentou falar com ela no saguão.

— Marina.

Ela continuou andando.

— Marina.

— Vai mandar seus homens me revistarem de novo?

— Não.

Ela apertou o botão da porta giratória.

— Então não temos assunto.

— Temos três registros falsificados.

— Problema seu.

— Usaram seu nome.

Marina virou.

— E mesmo assim você ficou parado enquanto seus homens me tratavam como criminosa.

— Eu tinha acabado de sair de um elevador sabotado.

— Eu também!

Alguns funcionários olharam.

Dante não pareceu se importar.

— Eu precisava eliminar possibilidades.

— Parabéns. Eliminou uma.

Ela apontou para si mesma.

— Eu.

E foi embora.

Às nove da manhã, Marina entrou na Elevatec sem ter dormido.

Rafael Tavares levantou-se assim que a viu.

— Meu Deus. Você está bem?

— Depende da definição.

— Disseram que o elevador quase caiu.

— Não caiu.

— Porque você parou?

Marina jogou a maleta sobre a mesa.

— E sabe qual foi meu prêmio?

Rafael esperou.

— Segurança particular me esmagando contra uma parede.

— Montenegro?

— Quem mais?

Ela foi até o computador.

— Cancela o contrato.

Rafael piscou.

— Que contrato?

— Edifício Montenegro.

— Marina...

— Cancela.

— É uma das maiores contas da empresa.

— Então deixa outro técnico assumir.

— Você sabe que o diretor não vai aceitar.

Marina encarou-o.

— Eu não volto naquele prédio.

Às dez e quinze, o diretor chamou Marina à sala.

Às dez e dezessete, ela descobriu que Dante Montenegro estava esperando.

Sentado na cadeira diante da mesa.

Como se fosse dono do lugar.

Marina parou na porta.

— Não.

Dante levantou os olhos.

— Bom dia.

— Não para você.

O diretor pigarreou.

— Marina, o senhor Montenegro veio discutir o contrato.

— Pode discutir sem mim.

Ela se virou.

— Marina — Dante chamou.

Ela parou.

— Sete dias.

Marina virou lentamente.

Dante colocou uma pasta sobre a mesa.

— Quero você trabalhando comigo durante sete dias.

Ela riu.

— Prefiro ficar presa naquele elevador de novo.

— Posso providenciar.

O diretor ficou pálido.

Marina cruzou os braços.

— Não trabalho para mafioso.

O silêncio na sala foi instantâneo.

O diretor quase engasgou.

Dante apenas inclinou a cabeça.

— Ontem trabalhou.

— Ontem eu tentei impedir que um idiota morresse.

O diretor fechou os olhos.

Dante se levantou.

— Seu código foi usado três vezes.

— Eu sei.

— Quero descobrir por quem.

— Contrata um investigador.

— Já tenho.

— Então por que está aqui?

Dante empurrou a pasta na direção dela.

— Porque meu investigador não sabe a diferença entre um freio e uma máquina de tração.

正文1

Marina não tocou na pasta.

— E eu não sou sua funcionária.

— Não pedi que fosse.

— Parece bastante com um pedido de trabalho.

— É uma proposta.

— Não.

— Você nem abriu.

— Se tiver seu nome, já sei a resposta.

Dante respirou devagar.

— Alguém usou seu acesso para sabotar meu prédio.

— Exato. Meu acesso. Então eu também sou vítima.

— Finalmente concordamos.

— Não significa que vou trabalhar com você.

— Não precisa trabalhar comigo.

Ele se aproximou.

— Precisa descobrir quem está usando seu nome.

Aquilo acertou.

Marina odiou que tivesse acertado.

Dante percebeu.

— Sete dias. Acesso completo aos registros do prédio, às câmeras, às ordens de serviço e aos contratos anteriores.

— Sem seus homens me seguindo.

— Não.

— Então acabou.

— Marina.

— Sem seus homens me seguindo.

Dante sustentou seu olhar.

— Um.

— Nenhum.

— Um.

— Bruno não.

— Bruno.

— Então nenhum acordo.

Dante apertou a mandíbula.

— Um segurança que você escolhe.

Marina pensou.

— Fica longe enquanto eu estiver trabalhando.

— Fechado.

— Eu não respondo a você.

— Todo mundo responde a alguém.

— Eu não.

Dante quase sorriu.

— Já percebi.

Marina finalmente abriu a pasta.

Havia relatórios de manutenção.

Fotografias.

Cópias de ordens de serviço.

Três registros destacados.

Ela passou as páginas.

— Isso aqui está errado.

Dante aproximou-se.

— O quê?

— A nomenclatura.

— Explique.

— Quem preencheu isso tentou escrever como técnico, mas não é técnico.

Ela apontou.

— Ninguém da Elevatec usaria essa descrição.

Dante se inclinou sobre a mesa.

O perfume dele irritou Marina pelo simples fato de ela notar.

Ela afastou-se.

— E tem outra coisa.

Virou a página.

Um relatório antigo.

— Esse código de peça deixou de ser usado anos atrás.

— Quantos?

— Pelo menos dez.

Dante ficou sério.

— Então por que está num registro atual?

— Não sei.

Marina continuou folheando.

Parou.

Seus dedos congelaram sobre o papel.

O sangue sumiu de seu rosto.

Dante percebeu.

— O que foi?

Ela não respondeu.

Na parte inferior de uma ordem de manutenção datada de três meses antes havia uma assinatura digital.

**Responsável técnico: Eduardo Oliveira.**

Marina leu uma vez.

Depois outra.

Não podia ser.

— Marina?

Ela afastou a cadeira.

— Onde conseguiu isso?

— Nos arquivos internos.

— Quem colocou isso aqui?

— Não sei.

— Quem?

A voz dela subiu.

Dante observou o nome.

— Você conhece esse homem?

Marina ergueu os olhos.

Toda a raiva desaparecera.

No lugar havia algo que Dante ainda não tinha visto nela.

Medo.

— Eduardo Oliveira era meu pai.

Dante ficou em silêncio.

— Era?

Marina apertou o papel.

— Ele morreu num acidente de trabalho.

— Quando?

Ela olhou novamente para a data do relatório.

Três meses antes.

Depois respondeu:

— Há doze anos.

O silêncio na sala pareceu crescer.

Dante pegou a folha.

正文2

Leu a assinatura.

— Então alguém está usando o nome de um morto.

— Não é só o nome.

Marina apontou para uma sequência numérica abaixo da assinatura.

Sua mão tremia.

— Esse era o registro profissional dele.

Dante ergueu os olhos.

— Você tem certeza?

— Eu cresci vendo esse número nas ordens de serviço dele.

Marina puxou outra folha.

Depois outra.

Sua respiração ficou mais rápida.

Ali estava novamente.

Eduardo Oliveira.

Em uma inspeção realizada quatro meses antes.

Outra.

Cinco meses.

Dante pegou os documentos.

— Quantos são?

Marina encontrou mais um.

— Quatro.

Ela sentou-se.

Rafael apareceu à porta.

— Marina?

Ela não respondeu.

Rafael viu Dante e parou.

— O que ele está fazendo aqui?

Marina levantou a folha.

— Você já viu isso?

Rafael se aproximou.

Leu.

Seu rosto mudou.

Foi rápido.

Rápido demais.

Mas Dante viu.

Marina também.

— Rafael?

— Não.

— Olha para mim.

Ele levantou os olhos.

— Eu nunca vi isso.

Marina se levantou.

— Tem certeza?

— Claro.

Dante ficou em silêncio.

Observando.

Rafael devolveu o papel.

— Deve ser algum erro de sistema.

Marina apertou a folha.

— Sistema nenhum ressuscita morto.

Rafael abriu a boca.

O celular de Dante vibrou.

Era Bruno.

Ele atendeu.

— Fala.

Ouviu por alguns segundos.

Seu rosto endureceu.

— Quando?

Mais silêncio.

— Não toca em nada. Estou indo.

Dante desligou.

Marina percebeu imediatamente.

— O que aconteceu?

Ele pegou o paletó.

— Encontraram outra coisa no arquivo do prédio.

— O quê?

Dante hesitou.

Marina chegou perto.

— Dante.

Ele olhou para ela.

— Uma ordem de serviço de doze anos atrás.

Marina parou de respirar por um instante.

— Assinada por quem?

Dante respondeu:

— Seu pai.

— Isso não faz sentido.

— Faz menos ainda quando você vê o endereço.

— Que endereço?

Dante manteve os olhos nela.

— O prédio onde Eduardo Oliveira morreu.

Marina ficou imóvel.

Dante continuou:

— O cliente responsável pelo serviço naquela noite era uma empresa do Grupo Montenegro.

E, pela primeira vez desde que conhecera Dante, Marina não encontrou nenhuma resposta afiada.

Porque o homem que ela culpava por tê-la tratado como suspeita talvez carregasse um sobrenome ligado ao segredo que sua família enterrara havia doze anos.

E alguém tinha acabado de usar o nome de seu pai morto para trazê-lo de volta.

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