"A Técnica Prendeu o Chefe da Máfia no Elevador" Capítulo 3 — Se Cair, Cai Comigo
— Ninguém toca no elevador!
A voz de Marina atravessou o interfone.
Do outro lado, Bruno Almeida respondeu com a mesma falta de paciência:
— Temos uma equipe de resgate no décimo oitavo.
— Manda todo mundo parar.
— Senhor Montenegro?
Dante estendeu a mão.
Marina não entregou o aparelho.
— Se abrirem a porta sem isolar o sistema, podem liberar a cabine.
Bruno ficou em silêncio.
— Ela está certa — Dante disse.
Marina virou o rosto para ele.
Foi a primeira vez naquela noite que Dante Montenegro concordou com ela sem discutir.
— Façam o que ela mandar — completou.
Marina voltou ao interfone.
— Desliguem a alimentação principal e confirmem o bloqueio antes de qualquer abertura.
— Entendido.
Ela soltou o aparelho.
Dante cruzou os braços.
— Não se acostume.
— Com o quê?
— Comigo obedecendo.
— Não se preocupa. Foi tão estranho que não pretendo criar expectativa.
Um ruído veio do teto.
Marina olhou para o alçapão.
Agora precisava subir.
— Vou verificar a parte superior.
— Não.
Ela pegou as luvas.
— Não foi uma pergunta.
— Tem alguém lá fora.
— Tinha. Se Bruno chegou ao andar, provavelmente fugiu.
— Provavelmente não é suficiente.
Marina encaixou a chave no alçapão.
Dante segurou sua mão.
— Você não vai subir.
Ela olhou para os dedos dele sobre os seus.
Depois para o rosto dele.
— Vai me impedir como?
— Se for necessário.
— Vai me demitir de um emprego que você nem me deu?
— Posso comprar sua empresa e demitir você depois.
Marina soltou uma risada.
— Você é sempre tão agradável quando está assustado?
O rosto de Dante endureceu.
— Eu não estou assustado.
— Então sai da frente.
Ela abriu o alçapão.
Ar quente entrou na cabine.
Marina colocou a lanterna entre os dentes e subiu.
Dante segurou sua perna.
Ela olhou para baixo.
— Se essa mão subir mais cinco centímetros, eu quebro seus dedos.
Ele soltou.
— Só estava ajudando.
— Péssimo momento para descobrir generosidade.
Marina colocou metade do corpo sobre o teto da cabine.
Iluminou os componentes ao redor.
Não havia ninguém.
Mas havia marcas recentes.
Ferramentas.
Alguém estivera ali.
— Achou alguma coisa? — Dante perguntou.
— Sim.
— O quê?
— A confirmação de que eu estava certa.
— Tente sobreviver ao prazer.
Marina avançou mais um pouco.
Então viu o cabo preso a um dispositivo estranho.
— Dante.
O tom dela mudou.
Ele percebeu.
— O quê?
— Tem um acionador preso aqui.
— Você consegue tirar?
— Talvez.
— Talvez?
— Você prefere que eu minta?
Marina estendeu a mão.
A cabine se moveu.
De repente.
Seu corpo deslizou.
A ferramenta caiu no poço.
— Marina!
Ela perdeu o apoio.
Uma perna entrou pelo alçapão.
A outra ficou presa no teto.
Dante agarrou seu antebraço.
O peso dela puxou-o para frente.
— Me solta! — Marina gritou.
— Cala a boca.
— Se a cabine mover de novo, vai puxar você também!
— Eu disse para calar a boca.
Dante segurou com as duas mãos.
Marina olhou para baixo.
O vazio sob a cabine parecia engolir toda a luz.
— Dante, escuta.
— Não.
— Você não consegue me segurar se ela se mover.
— Consigo.
— Não seja idiota.
Ele puxou.
— Um pouco tarde para pedir isso.
Marina conseguiu apoiar o joelho na borda.
A cabine gemeu.
— Solta!
Dante apertou os dentes.
— Se cair, cai comigo.
Ela congelou.
Não pelo sentido das palavras.
Pelo jeito como ele disse.
Como uma decisão.
Marina reuniu força e se impulsionou.
Dante puxou.
Ela caiu de volta dentro da cabine.
Em cima dele.
Os dois atingiram o chão.
Por alguns segundos, ninguém falou.
Marina estava sobre o peito de Dante.
Ele ainda segurava sua cintura.
— Você é completamente maluco — ela sussurrou.
— E você pesa mais do que parece.
Marina bateu no ombro dele.
Dante riu.
Foi rápido.
Quase imperceptível.
Mas ela ouviu.
E aquilo a irritou mais do que deveria.
— Para de rir.
— Não estou rindo.
— Está.
— Prove.
Ela saiu de cima dele.
— Idiota.
O interfone estalou.
— Energia isolada — Bruno informou. — Podemos abrir.
Marina respirou fundo.
— Agora podem.
Minutos depois, uma abertura surgiu acima deles.
Luz branca invadiu a cabine.
Uma equipe de resgate apareceu.
Dante deixou Marina subir primeiro.
Quando ela finalmente pisou no décimo oitavo andar, respirou como se tivesse acabado de voltar à superfície depois de horas submersa.
Então dois homens a agarraram.
— Ei!
Bruno surgiu à frente.
Alto, barba curta, expressão dura.
— Soltem minha maleta!
Um segurança empurrou Marina contra a parede.
— O que vocês estão fazendo?
Dante saiu da abertura.
Marina virou o rosto.
— Dante!
Ele olhou para Bruno.
— Explique.
Bruno mostrou um tablet.
— Encontramos o registro do comando que alterou o circuito.
Marina parou de lutar.
— E?
Bruno virou a tela.
Um código de funcionário aparecia no relatório.
MO-2714.
Marina conhecia aquele número.
Seu número.
Ela ficou pálida.
— Não.
Dante aproximou-se.
— É seu?
Marina não respondeu.
— Marina.
— É meu código.
Bruno fez sinal.
O segurança começou a revistá-la.
— Não encosta em mim!
Ela tentou se soltar.
Dante ficou imóvel.
Marina olhou diretamente para ele.
Esperou.
Por um segundo absurdo, acreditou que ele mandaria os homens pararem.
Ele não mandou.
A expressão dela mudou.
— Então é isso?
Dante sustentou seu olhar.
— Precisamos saber o que aconteceu.
— Eu salvei sua vida.
— E alguém usou sua identificação para tentar tirá-la.
— Você acha que fui eu?
— Eu acho que ainda não sei quem foi.
Marina riu, mas seus olhos estavam úmidos de raiva.
— Engraçado. Lá dentro você sabia exatamente em quem confiar.
Dante não respondeu.
Bruno abriu a maleta dela.
Encontrou ferramentas.
Peças.
O pequeno transmissor.
— Isso estava com ela?
— Eu tirei do painel! — Marina explodiu.
Bruno ergueu os olhos.
— Muito conveniente.
— Foi exatamente o que seu chefe disse.
Marina encarou Dante.
— Vocês combinam.
Dante se aproximou.
— Até eu descobrir a verdade, ninguém sai daqui.
Marina chegou tão perto que Bruno se moveu, preparado para afastá-la.
Ela não tirou os olhos de Dante.
— Então descobre rápido.
— Vou descobrir.
— E quando descobrir, não espera que eu esqueça isso.
Dante baixou a voz.
— Eu não espero que você esqueça nada.
Bruno recebeu uma ligação.
Afastou-se por alguns segundos.
Quando voltou, sua expressão estava ainda pior.
— Senhor.
Dante virou.
— O quê?
— Verificamos o histórico.
— E?
Bruno olhou para Marina.
— O código dela não foi usado apenas hoje.
Marina sentiu o estômago afundar.
— Como assim?
— Houve outros acessos.
Dante ficou imóvel.
— Quantos?
— Três nos últimos seis meses.
Marina balançou a cabeça.
— Impossível.
Bruno virou o tablet.
Três datas.
Três intervenções.
Todas registradas como autorizadas por Marina Oliveira.
Ela nunca estivera naquele prédio em nenhuma delas.
E na última linha havia uma observação:
**Falha de segurança corrigida. Responsável técnico: Marina Oliveira.**
Marina levantou os olhos.
Alguém não tinha começado a incriminá-la naquela noite.
Alguém vinha preparando aquilo havia meses.
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