"A Técnica Prendeu o Chefe da Máfia no Elevador" Capítulo 2 — Não Encoste em Mim
Dante Montenegro não demonstrava medo.
Marina percebeu isso nos primeiros dez segundos depois de dizer que alguém podia estar tentando derrubar o elevador.
Nenhum grito.
Nenhuma pergunta desesperada.
Nenhum movimento inútil.
Ele simplesmente ficou mais perigoso.
— Tem uma saída pelo teto?
— Tem um alçapão de inspeção.
— Abra.
— Não.
Dante virou o rosto.
— Você acabou de dizer que alguém está em cima.
— Exatamente.
Marina colocou a maleta no chão e abriu os compartimentos.
Pegou uma lanterna menor, uma chave e um multímetro.
— Se eu abrir o alçapão sem saber o que está acontecendo, entrego nossa posição e talvez facilite o trabalho de quem está lá.
— Nossa posição é dentro de uma caixa de metal parada entre dois andares.
— Décimo sétimo e décimo oitavo.
— Isso deveria me tranquilizar?
— Não estou aqui para tranquilizar você.
O teto rangeu.
Dante olhou para cima.
Marina encostou dois dedos na parede e sentiu a vibração.
Nada.
A pessoa havia parado.
— Seu segurança sabe que você entrou comigo?
— Bruno sabe onde estou o tempo inteiro.
— Então ele já deve ter percebido.
— Se o sistema não estiver dizendo que cheguei ao trigésimo oitavo.
Marina levantou os olhos.
Aquilo era possível.
Se alguém havia alterado os sensores, podia ter falsificado também a posição da cabine.
Ela abriu o painel interno.
— Preciso verificar uma coisa.
Dante se aproximou.
— O quê?
— Espaço.
— Explique.
— Espaço, Dante.
Ele ficou imóvel.
Marina virou-se.
— Quer sair vivo?
— Sim.
— Então, por cinco minutos, tenta suportar a experiência traumática de não mandar em ninguém.
Ele recuou.
Marina voltou ao painel.
Um minuto depois, encontrou.
O sinal de posição estava errado.
— Filho da mãe.
— O quê?
— Para o sistema central, este elevador provavelmente está em outro andar.
— Então Bruno pode estar procurando no lugar errado.
— Pode.
Dante tirou o paletó.
Marina viu sangue na manga da camisa.
— Seu braço.
Ele olhou.
Um corte longo atravessava o antebraço, provavelmente causado pela chapa solta quando a cabine parou.
— Não é nada.
— Está sangrando.
— Já percebi.
Marina puxou o estojo de primeiros socorros.
— Senta.
Dante olhou para ela como se ninguém tivesse pronunciado aquela palavra em sua direção nos últimos vinte anos.
— Não.
— Então continua em pé e desmaia depois.
— Eu não vou desmaiar.
— Todo homem diz isso antes de ficar branco.
— Eu não estou branco.
— Porque a luz é vermelha.
Ele soltou o ar pelo nariz.
Marina apontou para o chão.
— Senta.
Dante sentou-se.
Ela ajoelhou diante dele.
Pegou gaze e antisséptico.
Quando segurou seu pulso, Dante recuou.
— Não encoste em mim.
Marina levantou os olhos.
— Você prefere uma infecção?
— Eu disse para não encostar.
Ela largou a gaze sobre a perna dele.
— Ótimo. Sangra em silêncio.
Marina voltou para o painel.
Três segundos depois:
— Marina.
Ela não respondeu.
— Marina.
— O quê?
Dante estendeu o braço.
— Termine.
Ela voltou.
— Você é insuportável.
— Já me disseram.
— Pouco, aparentemente.
Marina limpou o corte.
Dante contraiu a mandíbula, mas não reclamou.
— Quem poderia querer matar você?
Ele olhou para ela.
— Quanto tempo você tem?
— Considerando a situação, talvez pouco.
— Concorrentes. Inimigos. Pessoas que confundiram minha paciência com fraqueza.
— Família?
O olhar dele mudou.
— Por que perguntou isso?
— Porque quem fez isso conhecia o prédio.
— Você conhece o prédio.
Marina apertou a gaze com mais força.
Dante fez uma careta.
— Foi sem querer?
— Não.
Ele quase riu.
Um estrondo veio do alto.
Marina se levantou imediatamente.
A cabine desceu alguns centímetros.
Dante também ficou de pé.
— Marina.
— Não se mexe.
— Parou de me chamar de senhor Montenegro.
— Se a gente sobreviver, eu volto a ser educada.
Ela examinou a fresta da porta.
Precisava saber onde exatamente estavam.
Retirou uma pequena ferramenta da maleta e tentou acessar o mecanismo interno.
Dante observava cada movimento.
— Você sempre quis trabalhar com isso?
Marina continuou concentrada.
— Isso é entrevista de emprego?
— Curiosidade.
— Meu pai trabalhava com elevadores.
— Trabalhava?
Ela hesitou.
— Morreu.
Dante não perguntou mais.
Marina conseguiu abrir uma pequena fresta.
Viu concreto.
Estavam mesmo entre dois andares.
— Péssimo.
— Quanto?
— De zero a dez?
— Sim.
— Oito.
— Você é péssima em tranquilizar pessoas.
— Já estabelecemos isso.
Ela fechou a fresta.
Algo caiu no chão.
Tinido metálico.
Marina olhou.
Um pequeno parafuso.
Ela se abaixou.
Não era da porta.
Pegou-o com a ponta dos dedos.
Havia uma marca gravada.
ELEVATEC.
Marina ficou imóvel.
Dante percebeu imediatamente.
— O que é?
Ela fechou a mão.
— Nada.
Ele levantou.
— Mostre.
— Não.
— Marina.
— Não começa.
Dante segurou seu pulso.
Ela tentou puxar.
Ele abriu os dedos dela.
Viu o parafuso.
— Elevatec.
Marina ficou em silêncio.
— Sua empresa.
— Sim.
— Então uma peça da sua empresa aparece dentro do mecanismo depois que alguém sabota meu elevador.
— Não significa que foi instalada hoje.
— Significa que alguém da Elevatec teve acesso.
— Centenas de peças passam pela nossa oficina.
— E quantos técnicos vieram aqui esta semana?
Marina não respondeu.
Dante entendeu.
— Você.
— Não fui a única.
— Quem mais?
— Rafael esteve aqui terça-feira.
— Sobrenome.
— Tavares.
— Quem mais?
— Não vou entregar meus colegas para você começar uma caça às bruxas dentro da empresa.
Dante deu um passo.
— Alguém tentou me matar.
— E alguém tentou me matar junto!
O silêncio caiu.
Marina apontou para o próprio peito.
— Você continua esquecendo essa parte.
Dante a encarou.
Ela continuou:
— Se eu tivesse planejado isso, não teria entrado na cabine.
— Talvez não estivesse previsto que ela parasse.
Marina riu, sem humor.
— Claro. Talvez meu plano genial fosse despencar trinta andares ao seu lado.
A cabine estremeceu.
Desta vez, violentamente.
Marina foi lançada contra Dante.
Ele segurou sua cintura.
Por um segundo, ficaram imóveis.
Próximos demais.
Ela sentiu a respiração dele no rosto.
Dante olhou para sua boca.
Marina percebeu.
E empurrou-o.
— Tira a mão.
— Você caiu em cima de mim.
— Continua sendo minha cintura.
Antes que ele respondesse, o interfone estalou.
Uma voz surgiu entre chiados.
— Senhor Montenegro?
Dante avançou.
— Bruno?
— Senhor? Está me ouvindo?
— Estamos entre o décimo sétimo e o décimo oitavo. Não movam a cabine.
Marina tomou o interfone.
— Bruno, ninguém toca no sistema até eu autorizar. Entendeu?
Silêncio.
— Quem está falando?
— A técnica que está tentando impedir seu chefe de virar decoração do poço do elevador.
Dante fechou os olhos por um segundo.
Bruno respondeu:
— Estamos chegando.
Marina respirou aliviada.
Então viu uma coisa.
No canto do painel interno, quase escondido atrás dos fios, havia um pequeno módulo eletrônico.
Não pertencia ao elevador.
Ela puxou-o.
Uma luz verde piscava.
Dante se aproximou.
— O que é isso?
Marina virou o dispositivo.
Seu alívio desapareceu.
— Um transmissor.
— Para quê?
— Para enviar comandos ao sistema.
Dante olhou para ela.
— Remotamente?
— Sim.
A luz verde piscou novamente.
Marina entendeu.
Alguém ainda estava conectado.
Alguém ainda podia controlar aquela cabine.
E sabia exatamente onde eles estavam.
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