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"A Menina Que Dançou Diante do Chefe da Máfia Paralisado" Capítulo 3 — A Empregada Conhecia Minha Esposa

正文开头

Marina queimaria a fotografia naquela noite.

Pensou nisso durante quase uma hora.

Acendeu o fogão pequeno da copa.

Segurou a ponta do papel perto da chama.

Não conseguiu.

Helena sorria na fotografia.

Mais jovem.

Viva.

Uma mão sobre a barriga.

Marina desligou o fogo.

Guardou a foto no fundo da bolsa.

Na manhã seguinte, Bruno entrou no escritório de Dante com uma pasta.

“Tem alguma coisa errada.”

Dante não levantou os olhos.

“Com Marina?”

“Com o passado dela.”

Bruno abriu a pasta.

“Antes de oito anos atrás, existem registros. Depois também. Mas durante seis meses, quase nada.”

“Ela desapareceu.”

“Parece.”

“Por quê?”

“Não sei ainda.”

Dante fechou a pasta.

“Descubra.”

Bruno não saiu.

“Tem outra coisa.”

“Fala.”

“O Hospital Municipal de Santos confirmou atendimento.”

Dante ergueu o rosto.

“Motivo?”

“Crise de ansiedade. Desidratação. Ela chegou sozinha.”

“Quando?”

“Três dias depois da emboscada.”

Dante ficou em silêncio.

Coincidência era uma palavra que ele aprendera a odiar.

Na área externa, Sofia tentava fazer uma flor com guardanapo.

Dante passou pelo corredor.

Ela o viu.

“Dante!”

Marina apareceu imediatamente.

“Sofia, não.”

Dante parou.

A menina correu até ele.

“Olha.”

Mostrou a flor torta.

“O que é?”

“Uma rosa.”

“Parece um repolho.”

Sofia ficou ofendida.

“É uma rosa.”

“Então é uma rosa.”

Ela colocou o guardanapo sobre a bandeja presa à cadeira.

Marina chegou.

“Desculpe.”

“Você pede desculpas demais.”

“Tenho motivos.”

Dante olhou para Sofia.

“Vai brincar.”

“Posso ir no jardim?”

“Não.”

Ela fez cara triste.

Dante completou:

“Hoje.”

Sofia sorriu e saiu correndo.

Marina encarou Dante.

“Você não devia dar esperança.”

A frase o atingiu de maneira inesperada.

“Sobre o jardim?”

“Sobre qualquer coisa.”

Dante percebeu que ela não falava apenas da filha.

“Você está planejando fugir?”

Marina ficou tensa.

“Não tenho motivo para fugir.”

“Tem vários.”

Ele passou por ela.

Mais tarde, Henrique voltou para outra sessão.

Dante tentou mover o pé.

Nada.

Tentou contrair a perna.

Nada.

A irritação cresceu.

“Chega.”

Henrique guardou o aparelho.

“Seu corpo não trabalha por ordem.”

“O meu costuma trabalhar.”

“Talvez esse seja parte do problema.”

Dante lançou um olhar mortal.

Henrique sorriu.

“Quer tentar a música?”

“Não.”

Uma voz apareceu na porta.

“Eu posso dançar.”

Sofia.

Marina surgiu atrás dela.

“Não pode.”

Henrique olhou de Sofia para Dante.

“Então essa é a famosa terapeuta.”

“Não sou terapeuta.”

Sofia entrou.

“Eu danço.”

Dante quase sorriu.

Marina segurou a mão da filha.

“Vamos.”

“Espere.”

Dante olhou para Sofia.

“Fique ali.”

Ela ficou a dois metros.

Henrique posicionou sensores no tornozelo de Dante.

“Sem tocar nele.”

Sofia assentiu.

A música começou.

Ela girou.

Os gráficos mudaram.

Henrique se aproximou da tela.

“De novo.”

Sofia repetiu.

Uma contração.

Dante viu.

Marina também.

Sofia parou.

“Mexeu?”

Ninguém respondeu.

Ela se aproximou por impulso.

Marina percebeu tarde demais.

Sofia se agachou diante da cadeira.

“Talvez esteja acordando.”

Tocou de leve a ponta do sapato de Dante.

O pé dele se moveu.

正文1

Pouquíssimo.

Mas se moveu.

Henrique congelou.

Dante olhou para baixo.

Bruno, na porta, ficou imóvel.

Marina arrancou Sofia dali.

“Eu mandei você nunca tocar nele!”

A força de sua voz fez Sofia assustar.

“Mãe…”

“Nunca!”

Os olhos da menina encheram de lágrimas.

Dante observou Marina.

Não era medo de ele machucar Sofia.

Era outra coisa.

“Por quê?”

Marina percebeu que todos olhavam para ela.

“Porque… porque ela precisa aprender limites.”

“Não foi isso que pareceu.”

“Eu sou a mãe dela.”

“E eu perguntei por quê.”

Marina segurou a filha.

“Vamos.”

Dante não impediu.

Ainda.

Henrique se abaixou diante da cadeira.

“Tenta de novo.”

Dante concentrou-se.

Nada.

“Eu vi.”

“Eu também.”

Henrique parecia perturbado.

“Isso muda alguma coisa?”

“Muda.”

“Quanto?”

“Não sei.”

Dante odiava essa resposta.

Na cozinha, Sofia chorava.

“Você gritou comigo.”

Marina se ajoelhou.

“Desculpa.”

“Eu só toquei no sapato.”

“Eu sei.”

“Ele não ficou bravo.”

“Não é sobre ele ficar bravo.”

“Então é sobre o quê?”

Marina abraçou a filha.

“Sobre eu não querer que nada aconteça com você.”

“Por causa do Dante?”

Marina não respondeu.

Naquela tarde, Teresa entrou para buscar uma bandeja.

Sofia estava sozinha.

A menina havia prendido o cabelo de outra forma, deixando algumas mechas soltas junto ao rosto.

Teresa parou.

A bandeja escapou de suas mãos.

Caiu no chão.

Sofia deu um pulo.

“Dona Teresa?”

A governanta não respondeu.

Olhava para ela como se tivesse visto um fantasma.

“Vira o rosto.”

“O quê?”

“Para a janela.”

Sofia obedeceu.

A luz atingiu seus olhos.

Teresa levou a mão à boca.

“Meu Deus…”

Marina entrou.

Viu a expressão da governanta.

Seu corpo endureceu.

“Teresa?”

A mulher apontou para Sofia.

“Esses olhos.”

Marina foi imediatamente até a filha.

“Vamos.”

“Espera.”

Teresa segurou o braço dela.

“Eu conheço esses olhos.”

Marina puxou-se.

“Solta.”

“Helena tinha exatamente…”

“Não.”

A palavra saiu forte demais.

Teresa congelou.

Marina percebeu.

Sofia também.

“Helena?”, a menina perguntou.

Marina pegou sua mão.

“Vamos.”

Quando saíram, Teresa ficou olhando.

Naquela noite, bateu à porta do escritório de Dante.

“Entre.”

Teresa entrou.

“Preciso lhe contar uma coisa.”

Dante fechou o notebook.

“Sobre o quê?”

“Sobre Sofia.”

Ele esperou.

Teresa engoliu em seco.

“Hoje eu olhei para aquela menina perto da janela.”

Dante ficou imóvel.

“E?”

“Por um segundo, achei que estava olhando para Helena quando era criança.”

O silêncio se alongou.

Dante abriu a gaveta.

Tirou uma fotografia antiga de Helena.

Colocou ao lado de uma imagem impressa de Sofia retirada da câmera.

Os olhos.

O formato do sorriso.

A inclinação da cabeça.

Não eram iguais.

Mas havia alguma coisa.

“Teresa.”

“Sim?”

“Você tem certeza de que Marina nunca trabalhou aqui?”

“Absoluta.”

“E Helena nunca mencionou uma Marina Oliveira?”

Teresa demorou.

Foi pouco.

Mas Dante viu.

“Teresa.”

A governanta baixou os olhos.

“Uma vez.”

Dante ficou gelado.

“Quando?”

“Poucas semanas antes de morrer.”

“E o que ela disse?”

Teresa respirou fundo.

“Ela disse que precisava encontrar Marina antes que fosse tarde demais.”

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