"A Filha da Empregada Chamou o Chefe da Máfia de “Bravo”… E a Mansão Inteira Ficou em Silêncio" Capítulo 4 — Ele Não Era Bravo Por Inteiro
Marina passou a noite pensando no cartão.
Às seis da manhã, ainda estava acordada.
Sofia dormia ao lado dela, abraçada ao coelho.
Marina colocou o cartão dentro da bolsa.
Não sabia se deveria entregá-lo a Dante.
Também não sabia por que ele carregava aquilo.
Talvez já conhecesse a anotação.
Talvez não.
Às oito, chegou à mansão.
Dante estava na sala de jantar.
Sofia viu primeiro.
Imediatamente segurou a mão da mãe.
Dante percebeu.
Marina também.
Ele fechou o jornal.
“Bom dia, Sofia.”
“Bom dia.”
“Só isso?”
Sofia olhou para Marina.
Marina ergueu as sobrancelhas.
“Pode responder.”
A menina encarou Dante.
“Você mandou fechar meu quarto.”
“Não era seu.”
“Você falou que era.”
“Eu nunca falei.”
“Mas tinha meus lápis.”
Dante pareceu não encontrar resposta.
Sofia cruzou os braços.
“E você gritou comigo.”
“Eu não gritei.”
“Falou bravo.”
Dante respirou fundo.
Marcelo entrou naquele momento.
“Dante, o pessoal da Faria Lima…”
“Depois.”
Marcelo olhou para Sofia.
Depois para Marina.
“É urgente.”
“Eu disse depois.”
Marcelo saiu.
Sofia observou Dante.
“Você fez a cara.”
“Qual?”
Ela imitou as sobrancelhas dele.
Por um segundo, Marina achou que Dante riria.
Não riu.
Em vez disso, tirou algo de dentro de uma pasta.
Um papel dobrado.
Colocou sobre a mesa.
“Isso é seu.”
Sofia abriu.
Era o primeiro desenho que ela havia feito dele.
As sobrancelhas enormes.
As orelhas absurdas.
Dante havia guardado.
Sofia tentou não sorrir.
“Está feio.”
“Eu disse isso.”
“Você falou que precisava melhorar.”
“Continuo achando.”
Ela finalmente sorriu.
Dante apontou para as orelhas.
“Isso aqui é ofensivo.”
Sofia soltou uma risadinha.
A tensão desapareceu.
Marina sentiu algo estranho no peito.
Dante não sabia pedir desculpas.
Mas estava tentando.
Sofia se aproximou.
“Você ainda está bravo comigo?”
“Não.”
“Promete?”
Dante hesitou.
“Prometo.”
“Então abre o quarto.”
“Não.”
Sofia fez uma careta.
Dante quase sorriu.
“Negociação encerrada.”
“Você é difícil.”
“Já me disseram.”
“Minha mãe também é.”
Marina arregalou os olhos.
“Obrigada.”
Sofia correu até Teresa.
Dante acompanhou a menina com o olhar.
Marina percebeu.
Aproximou-se da mesa.
“Encontrei uma coisa ontem.”
Colocou o cartão do hospital diante dele.
Dante ficou imóvel.
“Estava no chão.”
Ele pegou.
Marina observou o instante em que seus olhos encontraram a anotação no verso.
A cor desapareceu do rosto dele.
Então ele não sabia.
“Onze dias.”
Marina falou baixo.
“Eu vi.”
“Mas o senhor disse que…”
“Eu sei o que eu disse.”
Dante levantou-se.
Chamou Bruno imediatamente.
O segurança chegou minutos depois.
Dante entregou o cartão.
“Descubra quem autorizou isso.”
Bruno leu.
Seu rosto mudou.
“De onde veio?”
“Não importa.”
“Importa.”
“Bruno.”
O homem assentiu.
“Vou verificar.”
Dante guardou o cartão.
Marina percebeu que ele estava respirando diferente.
“Talvez tenha uma explicação.”
“Tem.”
“Como sabe?”
“Porque sempre tem uma explicação.”
A voz dele ficou fria.
“O problema é quem inventou.”
Marcelo apareceu novamente.
Dessa vez, Dante mandou Marina sair.
Ela obedeceu.
Mas no corredor encontrou Teresa.
A governanta havia ouvido o suficiente.
“Você mostrou?”
“Mostrei.”
Teresa ficou pálida.
“Não devia.”
“Por quê?”
“Porque algumas verdades não libertam ninguém.”
“Isso não faz sentido.”
“Faz quando você vive nesta casa há tempo suficiente.”
Marina segurou o braço dela.
“Teresa, quem saiu daquele hospital?”
A mulher não respondeu.
“Foi Lívia?”
Teresa olhou para a porta do escritório.
“Eu não sei.”
Marina soltou seu braço.
“Mas acha possível.”
Teresa fechou os olhos.
“Eu nunca vi o corpo.”
Marina sentiu um frio atravessar a espinha.
Antes que pudesse perguntar mais, Sofia apareceu correndo.
“Mamãe!”
“O que foi?”
“Olha!”
Ela carregava a velha caixa de música.
Marina ficou assustada.
“De onde tirou isso?”
“Bruno trouxe minhas coisas.”
Sofia abriu.
A melodia começou.
Teresa tentou pegar.
“Me dá isso.”
“Espera.”
Sofia virou a caixa.
“Tem barulho.”
Ela sacudiu.
Algo bateu no fundo.
Marina pegou a caixa.
Passou os dedos pela madeira.
Havia uma pequena divisão quase invisível.
Pressionou.
O fundo se soltou.
Uma chave minúscula caiu na palma de sua mão.
Todos ficaram em silêncio.
Na cabeça da chave havia uma pequena placa metálica.
Três números.
**317.**
Dante apareceu na porta do escritório.
Seus olhos foram direto para a mão de Marina.
“Que chave é essa?”
Ela mostrou.
Dante se aproximou.
Pegou o objeto.
Ao ver o número, seu rosto endureceu.
Bruno chegou atrás dele.
Também viu.
“Não pode ser.”
Marina olhou de um para o outro.
“O que significa 317?”
Dante não respondeu.
Bruno respondeu por ele.
“Hospital Santa Cecília.”
Marina sentiu o coração acelerar.
“Um quarto?”
Dante fechou a mão sobre a chave.
“Não.”
Olhou para Bruno.
“Um armário.”
“Como sabe?”
Dante continuou olhando para o número.
“Porque fui eu quem colocou as coisas de Lívia lá dentro.”
Marina prendeu a respiração.
“Que coisas?”
Dante ergueu os olhos.
E pela primeira vez desde que ela o conhecia, Marina viu medo verdadeiro no rosto do homem que todos temiam.
“Tudo o que me disseram que ela deixou antes de morrer.”
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