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"A Filha da Empregada Chamou o Chefe da Máfia de “Bravo”… E a Mansão Inteira Ficou em Silêncio" Capítulo 2 — O Quarto Fechado Há Doze Anos

正文开头

Marina ficou olhando para Dante como se tivesse ouvido errado.

“Desculpe?”

“Sofia.”

Dante puxou uma cadeira.

“Onde ela está?”

Marcelo levantou os olhos do tablet.

Bruno interrompeu o que fazia.

Marina apertou o bule entre os dedos.

“Com minha irmã.”

Dante serviu café.

“Entendi.”

Só isso.

Mas alguma coisa naquela resposta incomodou Marina.

Parecia decepção.

Era absurdo.

Dante Montenegro não sentia falta de uma criança que conhecera por vinte minutos.

Naquela tarde, porém, Sofia voltou.

A irmã de Marina precisaria trabalhar novamente, e Teresa havia dito que o quarto estava pronto.

Marina levou a filha até a ala oeste.

Sofia parou na porta.

“É meu?”

“Não.”

“Tem minha cama.”

“Também não é sua.”

“Então é um pouco meu.”

Marina desistiu.

O quarto era maior que o apartamento onde as duas moravam.

Havia uma estante baixa cheia de livros, caixas de brinquedos, uma pequena mesa branca e almofadas espalhadas pelo chão.

Mas Marina percebeu algo estranho.

Tudo era novo.

Menos o quarto.

O piso tinha marcas antigas.

Na parede havia um retângulo mais claro, como se um quadro tivesse ficado pendurado ali durante muitos anos.

E perto da janela havia riscos de altura feitos a lápis.

Datas.

Treze anos atrás.

Doze anos atrás.

Depois, nada.

Teresa entrou trazendo suco.

Marina apontou.

“Esse quarto já era de criança?”

Teresa parou.

“Foi usado há muito tempo.”

“Por quem?”

A governanta colocou o copo sobre a mesa.

“Isso não importa.”

Sofia já estava diante da parede.

“Quem é Lívia?”

Teresa congelou.

Marina se aproximou.

Ao lado de uma das marcas havia um nome quase apagado.

**Lívia.**

Teresa passou a mão sobre a escrita.

“Não mexam nisso.”

A voz dela saiu mais dura do que Marina já ouvira.

“Teresa?”

“Só cuide da sua filha.”

A mulher saiu.

Marina ficou olhando para a porta.

No fim da tarde, Dante apareceu.

Sofia estava desenhando.

Ele parou do lado de fora.

Não entrou.

“Sr. Bravo!”

Dante franziu a testa.

“Meu nome é Dante.”

“Eu sei.”

“Então use.”

Sofia pegou um papel.

“Fiz você.”

Dante entrou.

Marina observou.

Aquilo era ainda mais estranho do que no dia anterior.

Sofia entregou o desenho.

Um homem enorme, sobrancelhas gigantes e braços finos.

“Por que minhas pernas são tão pequenas?”

“Acabou o papel.”

Marina abafou uma risada.

Dante olhou para ela.

Ela ficou séria imediatamente.

“Desculpe.”

Ele colocou o desenho sobre a mesa.

“Está melhor.”

“Eu falei.”

Por alguns minutos, tudo pareceu leve.

Até Marcelo surgir à porta.

“Dante.”

O tom fez Marina levantar os olhos.

“Precisamos conversar.”

Dante saiu para o corredor.

Marcelo não se afastou o suficiente.

Marina ouviu.

“Isso precisa parar.”

“O quê?”

“Uma funcionária circulando na ala privada. A filha dela usando um quarto da família.”

“Foi uma decisão minha.”

“Exatamente.”

Silêncio.

Marcelo continuou:

“Ela não deveria ter acesso à sua vida pessoal.”

Dante respondeu sem elevar a voz.

“Ela não tem.”

Marcelo olhou para Sofia.

“A filha dela tem.”

正文1

Dante deu um passo na direção dele.

“Cuidado.”

Marcelo sorriu sem humor.

“Estou tentando cuidar.”

Os dois se afastaram.

Marina fingiu que não ouvira.

Mas naquela noite, quando já se preparava para ir embora, Sofia se recusou a sair.

“Meu coelho sumiu.”

As duas procuraram.

Debaixo da cama.

Atrás da estante.

Dentro das caixas.

Sofia ajoelhou-se perto de um armário embutido.

“Ali.”

O coelho estava parcialmente preso sob o móvel.

Marina puxou.

Algo caiu junto.

Uma pequena caixa de madeira.

Coberta de poeira.

Sofia abriu.

Uma melodia fraca começou a tocar.

Era uma caixa de música.

“Bonita.”

Marina virou o objeto.

Parecia antigo.

Sofia mexeu dentro dele.

“Tem papel.”

“Não puxa.”

Tarde demais.

Uma fotografia caiu.

Marina pegou.

Um rapaz de aproximadamente dezesseis anos estava sentado em um gramado.

Mesmo mais jovem, era impossível não reconhecer Dante.

Ao lado dele havia uma menina de cabelos escuros.

Talvez nove anos.

Os dois sorriam.

Marina nunca tinha visto Dante sorrir daquele jeito.

Virou a fotografia.

Havia uma frase escrita à mão.

**Para Lívia. Nunca deixe Dante sozinho.**

Marina sentiu um arrepio.

Sofia apontou para o garoto.

“É o Sr. Bravo?”

“É.”

“Ele era feliz.”

Marina não respondeu.

Uma sombra surgiu atrás delas.

Teresa.

A governanta viu a fotografia.

Seu rosto ficou branco.

“Me dê isso.”

Marina se levantou.

“Quem é Lívia?”

“Me dê.”

“Teresa…”

A mulher arrancou a foto da mão dela.

“Você não encontrou isso.”

Sofia abraçou o coelho.

“Mas encontrou.”

Teresa fechou os olhos.

“Marina, escute.”

A voz agora era baixa.

Assustada.

“Você precisa esquecer esse nome.”

“Por quê?”

Teresa olhou para o corredor.

“Porque essa casa ficou em silêncio por doze anos por causa dele.”

Marina sentiu o estômago apertar.

“Lívia morreu?”

Teresa não respondeu.

Guardou a fotografia no bolso.

“Leve Sofia para casa.”

Na manhã seguinte, Marina entrou pela porta dos funcionários.

Sofia caminhava ao seu lado.

Teresa apareceu imediatamente.

“Você trouxe ela?”

“Minha irmã não podia…”

“Leve-a para o quarto.”

Marina percebeu o nervosismo.

“O que aconteceu?”

“Nada.”

Sofia escapou da mão da mãe.

“Dante!”

Marina virou.

Dante vinha pelo corredor.

A menina correu até ele.

E Marina viu, tarde demais, o que Sofia segurava.

Outra fotografia.

Ela havia ficado presa dentro do forro da caixa de música.

Sofia levantou-a para Dante.

“Olha. É você e a Lívia.”

Dante parou.

O corredor inteiro pareceu perder o ar.

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