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"Eles Acharam Que Era o Espírito de Uma Menina. Então o Pai Começou a Aparecer Ferido." Capítulo 1 — Os Brinquedos Voltaram ao Chão

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Capítulo 1 — Os Brinquedos Voltaram ao Chão

Os três bichos de pelúcia estavam sentados no chão, formando um círculo.

Tony Pickman tinha acabado de colocá-los de volta na prateleira.

A luz do quarto também estava acesa outra vez.

No andar de baixo, Deborah e a irmã dela disseram que não tinham subido. Nenhuma das duas havia mexido nos brinquedos. O bebê não poderia tê-los tirado de onde estavam, muito menos organizado daquela maneira.

Segundo o relato da família, aquela foi a primeira noite em que a casa deixou de parecer apenas uma construção antiga com problemas comuns.

Até então, havia sempre alguma explicação possível. Uma lâmpada que perdia intensidade. Uma corrente que balançava. Um bebê que não conseguia dormir. Coisas incômodas, mas pequenas o suficiente para serem colocadas de lado.

Agora, porém, Tony estava diante de um resultado que contrariava o que acabara de fazer com as próprias mãos.

Os brinquedos estavam novamente no chão.

Para entender como os Pickman chegaram àquela noite, era preciso voltar algumas semanas, a uma época em que o endereço ainda representava uma mudança de vida.

No início da década de 1990, Tony e Deborah se instalaram no número 508 da North Second Street, em Atchison, no estado americano do Kansas. Esperavam o primeiro filho. A casa seria o lugar onde começariam a criar a própria família.

Deborah tinha interesse por assuntos paranormais, embora não relatasse experiências pessoais importantes antes de morar ali. Tony, por sua vez, não costumava procurar histórias de fantasmas. Fora criado como católico, mas isso não significava que esperasse encontrar alguma presença invisível dentro de casa.

A diferença entre os dois ainda não tinha importância.

Havia tarefas muito mais concretas: organizar os cômodos, acomodar os pertences, preparar o espaço do bebê e estabelecer uma rotina. Quando uma família chega a um imóvel, os barulhos desconhecidos fazem parte da adaptação. Um estalo pode vir da madeira. Uma vibração pode ser causada por um aparelho. É preciso algum tempo para aprender como a casa se comporta.

Os primeiros acontecimentos cabiam nessa categoria.

As luzes diminuíam enquanto o casal assistia à televisão. Não acontecia apenas uma vez. Em algumas noites, a mudança se repetia, chamando a atenção deles mesmo quando tentavam se concentrar no programa.

As correntes dos ventiladores de teto também se moviam.

O ventilador podia estar desligado, mas a corrente parecia girar ou receber pequenos toques. Um movimento breve, fácil de perder se ninguém estivesse olhando naquela direção.

Tony e Deborah não começaram chamando aquilo de assombração.

Procuraram uma explicação prática e entraram em contato com o proprietário. Conforme contaram posteriormente, não foi encontrado um problema elétrico que resolvesse o conjunto das ocorrências.

Isso não transformava cada oscilação de luz em um fenômeno sobrenatural. Apenas deixava o casal sem a resposta simples que esperava receber.

Com o nascimento do bebê, outro problema ocupou a casa.

O menino acordava repetidamente durante a noite.

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Era colocado no quarto, adormecia e, pouco depois, começava a chorar. Tony e Deborah voltavam para atendê-lo. A sequência se repetia até transformar o descanso em intervalos curtos demais.

Qualquer pessoa que tenha cuidado de um recém-nascido reconheceria parte daquela situação. Bebês choram, acordam e nem sempre seguem uma rotina previsível.

O que chamou a atenção da família foi uma diferença de lugar.

A irmã de Deborah foi visitá-los para ajudar. Em uma dessas noites, levou o bebê para o andar de baixo. Ali, segundo o relato, ele dormiu sem as interrupções que estavam desgastando os pais.

No quarto infantil, o sono era difícil.

Fora dele, parecia melhorar.

Ainda não havia motivo para concluir que alguém estivesse incomodando o menino. Mas o quarto passou a receber uma atenção que os outros cômodos não recebiam. Os pais começaram a observar o que acontecia naquele espaço, e pequenos detalhes deixaram de passar despercebidos.

Foi nesse período que Tony encontrou os brinquedos.

Ao passar pelo quarto, percebeu que a luz estava ligada. A família havia chegado havia pouco tempo, e aquilo lhe pareceu estranho.

No centro do chão, três bichos de pelúcia estavam posicionados em círculo.

Não estavam espalhados como objetos que caíram de uma prateleira. A disposição era o que tornava a cena difícil de ignorar. Pareciam ter sido colocados ali, um depois do outro.

Tony desceu para falar com Deborah e a irmã dela.

As duas negaram ter mexido nos brinquedos.

Os três voltaram ao andar de cima. Examinaram o quarto, tentando entender o que poderia ter acontecido. Depois, recolocaram os bichos de pelúcia nas prateleiras e apagaram a luz.

Desceram juntos.

Segundo a família, antes que pudessem deixar o assunto para trás, ouviram a luz ser acionada novamente.

Voltaram.

Os brinquedos estavam no chão.

A luz estava acesa.

A repetição mudou o significado da primeira descoberta. Um objeto fora do lugar poderia ser resultado de distração. Três objetos reorganizados depois de serem guardados, durante um intervalo em que os adultos diziam estar juntos, criavam um problema diferente.

Eles repetiram o procedimento.

Guardaram os brinquedos.

Apagaram a luz.

Desceram.

Dessa vez, a iluminação não voltou a se acender imediatamente. Durante alguns minutos, o silêncio poderia ter sido interpretado como o encerramento do episódio.

Cerca de quinze minutos depois, Deborah subiu outra vez.

Encontrou os bichos de pelúcia no chão, dentro do quarto escuro.

A ausência de luz não trouxe alívio. Ao contrário, eliminou o sinal que antes os avisara de que algo havia mudado.

Agora, os objetos podiam estar sendo deslocados sem que ninguém percebesse.

Naquela noite, a família ficou reunida no quarto principal. A porta permaneceu fechada. O cachorro ficou por perto, como se sua presença pudesse oferecer uma proteção que os adultos não sabiam como organizar.

O animal já demonstrava resistência ao quarto do bebê. Segundo os Pickman, evitava entrar e, em algumas ocasiões, permanecia na porta, latindo para um ponto onde eles não conseguiam identificar nada.

Não era possível perguntar ao cachorro o que o incomodava.

Também não era possível descobrir, apenas olhando para os brinquedos, quem os havia movimentado.

Mas a rotina daquela casa havia mudado.

O quarto preparado para receber uma criança passara a ser o cômodo do qual os adultos se afastavam.

E, quando se acomodaram juntos atrás de uma porta fechada, já não estavam tentando apenas fazer o bebê dormir.

Estavam tentando não deixá-lo sozinho lá em cima.

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