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"A Menina no Quarto Proibido" Capítulo 3 — O Quarto Proibido

正文开头

Luna descobriu a porta branca na manhã seguinte.

Não havia placa.

Não havia fechadura eletrônica.

Não havia segurança parado diante dela.

Mesmo assim, todos na Mansão Montenegro se comportavam como se aquela porta pudesse explodir caso alguém chegasse perto demais.

Marina percebeu primeiro.

Uma funcionária carregava lençóis pelo corredor quando Luna apontou.

“O que tem ali?”

A mulher quase deixou a pilha cair.

“Nada.”

“Mas tem uma porta.”

“Luna.”

Marina segurou a mão da filha.

“Não mexe.”

“Eu só perguntei.”

A funcionária saiu rapidamente.

Luna acompanhou-a com os olhos.

“Ela ficou com medo.”

“Você pergunta demais.”

“Você também.”

Marina tentou não sorrir.

“Eu sou adulta.”

“Quando eu for adulta posso perguntar?”

“Pode.”

“Tudo?”

“Não.”

Luna fez uma careta.

Desde a noite anterior, Marina tentava descobrir como sair dali sem parecer ingrata.

A medicação havia chegado.

Duas canetas novas.

Ela já não tinha motivo médico para permanecer.

Mas Dante ordenara que Bruno investigasse a reação antes que mãe e filha deixassem a propriedade.

Marina odiava a palavra “ordenara”.

Não trabalhava mais para ele.

Ou trabalhava.

Nem ela sabia.

Naquela manhã, Dante havia desaparecido para uma reunião no Edifício Montenegro, na Avenida Paulista.

Antes de sair, deixou apenas uma instrução:

“Ninguém toca na comida da menina sem autorização da mãe.”

A cozinha inteira passou a tratar Luna como se ela fosse uma chefe de Estado.

Marina achou exagerado.

Uma parte dela também sentiu alívio.

No almoço, Luna comeu arroz, feijão, carne e cenoura preparados em utensílios separados.

Depois, pediu para desenhar.

Teresa entregou papel.

Luna desenhou a mansão.

Era enorme.

Havia uma mulher pequena perto da cozinha.

Uma menina.

Um homem muito alto.

E um coelho maior que todos.

“Por que o coelho é desse tamanho?”, Teresa perguntou.

“Porque ele protege a gente.”

Teresa ficou em silêncio.

“E esse é o Dante?”

Luna apontou para o homem.

“Ele não sorri.”

“Não.”

“Por quê?”

Marina interveio.

“Luna.”

“Eu só perguntei.”

Teresa tocou o desenho.

“Talvez ele tenha esquecido.”

“Como esquece?”

“Ninguém esquece de verdade.”

Luna pareceu pensar.

“Então ele não quer.”

Teresa olhou para Marina.

“Ela é sempre assim?”

“Infelizmente.”

“Eu ouvi.”

“Ótimo.”

À tarde, Marina ajudou Teresa a organizar roupas no andar superior.

Não precisava.

Mas ficar parada a incomodava.

Luna permaneceu numa pequena sala próxima.

Nina estava com ela.

Ou deveria estar.

Quando Marina voltou, a menina estava ajoelhada procurando debaixo do sofá.

“O que foi?”

“Nina sumiu.”

“De novo?”

“Ela gosta de andar.”

“Coelhos não andam sozinhos.”

“Esse anda.”

Marina procurou.

Nada.

“Fica aqui. Eu encontro.”

Ela saiu.

Luna esperou.

Um minuto.

Talvez dois.

Então ouviu uma música.

Muito baixa.

Parecia vir do corredor.

A menina levantou.

A porta branca estava entreaberta.

No chão, diante dela, estava Nina.

Luna correu até o coelho.

Pegou-o.

A música continuava.

Ela olhou para a fresta.

“Tem alguém?”

Ninguém respondeu.

Luna empurrou a porta.

O quarto parecia estar esperando.

Havia uma cama pequena.

Cortinas claras.

正文1

Uma estante cheia de livros infantis.

Sobre uma cadeira estava dobrado um vestido rosa.

Na parede havia desenhos de flores, casas e animais.

Luna entrou devagar.

O cheiro era diferente do resto da mansão.

Fechado.

Parado.

Como uma caixa que ninguém abria havia muito tempo.

Sobre uma cômoda estava um porta-retratos.

Luna se aproximou.

Na fotografia havia Dante.

Mas era outro Dante.

Sorria.

Uma mulher estava ao lado dele.

E entre os dois havia uma menina.

A criança parecia ter quase a idade de Luna.

“Quem é você?”

Luna falou com a fotografia.

Não houve resposta.

Ela colocou Nina sobre a cama.

Então viu o pequeno objeto perto do travesseiro.

Uma caixa de madeira.

Abriu.

A melodia ficou mais alta.

Um pequeno carrossel começou a girar.

Luna sorriu.

Foi nesse instante que Dante apareceu na porta.

Ele havia voltado mais cedo.

Parou.

Não respirou.

Por um segundo, o passado e o presente se confundiram.

Uma menina de quatro anos estava sentada na cama de Cecília.

Uma música tocava.

Um coelho de pelúcia descansava perto dela.

Dante sentiu o sangue desaparecer do rosto.

“Desliga.”

Luna olhou para ele.

“Oi.”

“Desliga isso.”

Ela percebeu o tom.

Fechou a caixa imediatamente.

O silêncio foi pior.

Passos correram pelo corredor.

Marina surgiu.

“Luna!”

Ela parou ao ver Dante.

Depois viu o quarto.

O rosto de Teresa apareceu logo atrás.

“Meu Deus.”

Marina correu até a filha.

“Eu falei para você não sair!”

“Eu achei Nina.”

“Quantas vezes…”

“Saia.”

A voz de Dante cortou a frase.

Marina levantou.

“Ela não sabia.”

“Saia do quarto.”

“Dante…”

“Agora.”

Marina pegou Luna.

Mas a menina estendeu o braço para Nina.

“Meu coelho.”

Marina voltou e pegou a pelúcia.

Luna olhou para a fotografia.

Depois para Dante.

“É sua filha?”

Ninguém se moveu.

“Luna, chega.”

Marina tentou levá-la.

Dante falou:

“Era.”

A menina parou.

Marina também.

Luna olhou novamente para a fotografia.

“Qual o nome dela?”

“Cecília.”

“Ela tem quatro?”

Dante fechou os olhos por um instante.

“Tinha.”

Luna conhecia aquela palavra.

Tinha.

Seu pai também tinha idade.

Tinha uma voz.

Tinha uma jaqueta.

Tinha um lugar à mesa.

Quando alguém morria, as pessoas começavam a falar dele no passado.

“Ela morreu?”

Marina segurou o braço da filha.

“Luna.”

Dante abriu os olhos.

“Morreu.”

A menina ficou quieta.

Depois abraçou Nina.

“Meu pai também.”

A expressão de Dante mudou.

Luna se aproximou um passo.

“Ele morreu trabalhando.”

Marina perdeu a cor.

“Vamos.”

Mas Luna continuou.

“Minha mãe chora escondida.”

Dante olhou para Marina.

Ela virou o rosto.

“Chega, filha.”

Dante voltou os olhos para a fotografia.

“Cecília tinha quatro anos.”

“Como eu?”

“Como você.”

“Ela gostava de coelho?”

Dante olhou para Nina.

“Gostava de urso.”

Luna pensou.

“É quase igual.”

Não era.

Mas ninguém corrigiu.

Ela apontou para a caixa.

“Posso guardar?”

“Não.”

“Tá.”

A resposta simples pareceu surpreendê-lo.

Luna colocou a caixa exatamente onde estava.

Depois pegou a mão da mãe.

Antes de sair, virou-se.

“Desculpa.”

Dante não respondeu.

A porta fechou.

Ele ficou sozinho.

Ou tentou.

Teresa ainda estava ali.

“Você deixou a porta aberta.”

“Eu sei.”

“Por quê?”

Dante olhou para o vestido rosa.

“Não sei.”

Teresa entrou.

Era a primeira vez em três anos.

Ela tocou a cadeira.

“Beatriz escolheu esse vestido.”

Dante ficou imóvel.

“Não.”

“Você não pode manter esse quarto morto para sempre.”

“Saia.”

“Dante…”

“Teresa.”

Ela conhecia aquele tom.

Saiu.

Dante permaneceu diante da cama.

Então viu uma folha no chão.

Um desenho.

Provavelmente caíra das coisas de Luna.

Ele pegou.

Três pessoas de mãos dadas.

Uma mulher.

Uma menina.

Um homem.

No canto, um coelho gigante.

Dante observou o homem.

Não havia sorriso.

Luna havia desenhado uma linha reta em seu rosto.

Ele quase amassou o papel.

Não conseguiu.

Naquela noite, Bruno entrou no escritório.

Dante ainda segurava o desenho.

Guardou-o numa gaveta.

“Descobriu?”

Bruno fechou a porta.

“Sim.”

Colocou uma fotografia sobre a mesa.

Era o homem que aparecera segundos antes do apagão das câmeras.

O relógio estava visível.

Dante olhou para o rosto.

Conhecia-o havia doze anos.

Confiara contratos.

Empresas.

Dinheiro.

Segredos.

Marcelo Ferraz.

Diretor de operações do Grupo Montenegro.

Bruno falou baixo:

“Foi ele quem entrou na cozinha.”

Dante ergueu os olhos.

“Tem certeza?”

“Absoluta.”

“Ele sabe que sabemos?”

“Não.”

Dante empurrou a fotografia de volta.

“Então continua assim.”

Bruno assentiu.

Antes de sair, parou.

“Tem mais uma coisa.”

Dante esperou.

“Marcelo pediu acesso aos arquivos antigos da segurança.”

“De quando?”

Bruno respirou fundo.

“Da semana em que Beatriz e Cecília morreram.”

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