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"A Menina no Quarto Proibido" Capítulo 2 — As Duas Ficam

正文开头

“Você trouxe uma criança escondida para dentro da minha casa?”

A voz de Dante ainda estava rouca.

Mesmo assim, fez o escritório inteiro silenciar.

Marina permanecia de pé perto da janela, com Luna agarrada à sua mão.

Henrique havia insistido que Dante deveria ir ao hospital.

Dante recusara.

O médico então transformara um dos quartos do andar térreo em uma enfermaria improvisada e ficara monitorando seus sinais.

Duas horas depois, Dante já estava novamente dando ordens.

Marina achava aquilo absurdo.

“Eu não tinha com quem deixá-la.”

“Então deveria ter avisado.”

“E perder meu emprego?”

Dante não respondeu.

Marina soltou uma risada sem humor.

“Foi o que eu pensei.”

Teresa desviou os olhos.

Bruno permaneceu imóvel perto da porta.

Luna estava sentada numa poltrona, abraçada a Nina.

Parecia menor do que antes.

Dante percebeu.

“Ela comeu?”

Marina franziu a testa.

“O quê?”

“A menina.”

“Minha filha.”

Dante sustentou o olhar.

“Sua filha comeu?”

“Comeu o que eu trouxe de casa.”

Ele olhou para Bruno.

“Quero a cozinha limpa.”

Bruno não entendeu.

“Limpa?”

“Tudo que tiver os alérgenos dela sai.”

Marina deu um passo à frente.

“Não.”

Dante virou o rosto.

“Não?”

“Minha filha não vai ficar aqui.”

“Vai até termos a medicação.”

“Não cabe ao senhor decidir.”

O silêncio ficou pesado.

Teresa conhecia Dante havia vinte e dois anos.

Nunca ouvira uma funcionária falar com ele daquela forma.

Bruno também não.

Dante se levantou devagar.

Henrique imediatamente protestou.

“Senta.”

Dante ignorou.

Marina ficou parada.

Ele era muito mais alto do que ela.

E, mesmo abatido, ainda tinha aquela presença que fazia homens adultos escolherem palavras com cuidado.

Marina não recuou.

“Quanto custa?”

Ela piscou.

“O quê?”

“A medicação.”

“Isso não importa.”

“Eu perguntei quanto custa.”

“E eu disse que não importa.”

Dante estreitou os olhos.

“Por quê?”

“Porque eu não estou vendendo o que minha filha fez.”

A frase atingiu o cômodo como um tapa.

Dante ficou imóvel.

Marina continuou.

“Ela viu uma pessoa sem conseguir respirar e ajudou. Só isso.”

“Só isso?”

“Sim.”

“Ela gastou a última dose dela.”

“Eu sei.”

“Pra me salvar.”

“Eu sei muito bem.”

A voz de Marina falhou pela primeira vez.

Ela respirou fundo.

“E é exatamente por isso que eu não quero transformar isso numa dívida.”

Dante observou-a por alguns segundos.

Então olhou para Luna.

A menina desenhava alguma coisa no braço do coelho com o dedo.

“Você está demitida.”

Teresa fechou os olhos.

Marina empalideceu.

Mas não implorou.

“Tudo bem.”

Ela pegou a mochila de Luna.

“Vamos.”

Dante olhou para Bruno.

“A menina fica.”

Marina parou.

Virou-se devagar.

“O quê?”

“Até a medicação chegar.”

“Não.”

“Marina…”

Foi a primeira vez que ele disse seu nome.

“Minha filha não fica sem mim.”

“É por segurança.”

“Então deveria ter pensado nisso antes de me demitir.”

Bruno quase desviou o rosto para esconder a reação.

Dante ficou em silêncio.

Luna ergueu a mão.

“Mãe?”

“Vamos embora, meu amor.”

正文1

Dante falou:

“As duas ficam.”

Marina virou-se.

“Eu acabei de ser demitida.”

“Foi recontratada.”

“Isso não funciona assim.”

“Na minha casa funciona.”

“Então sua casa tem regras muito estranhas.”

Por um instante, Teresa teve certeza de que Dante explodiria.

Em vez disso, algo quase imperceptível passou pelo rosto dele.

Não era sorriso.

Dante Montenegro parecia ter esquecido como sorrir havia muito tempo.

Mas chegava perto.

“Teresa.”

“Sim?”

“Prepare um quarto para as duas.”

Marina abriu a boca.

“Eu não pedi quarto.”

“Não estou oferecendo conforto. Estou garantindo que a criança que acabou de gastar a última dose de adrenalina fique a menos de trinta segundos de uma equipe médica.”

Henrique interferiu.

“Ele tem razão nessa parte.”

Marina olhou para o médico.

Henrique se aproximou.

“Uma nova caixa deve chegar ainda hoje. Até lá, é melhor que Luna permaneça aqui.”

Marina abaixou o olhar para a filha.

Era isso que a derrotava.

Não Dante.

Não dinheiro.

Não poder.

Medo.

“Só até a medicação chegar.”

Dante assentiu.

“Só até chegar.”

Luna puxou a manga da mãe.

“Ele tá bravo comigo?”

Marina se abaixou.

“Não.”

Dante respondeu antes dela.

“Não estou.”

Luna olhou para ele.

“Porque eu entrei no seu quarto.”

“Escritório.”

“É.”

“Não estou bravo.”

“Minha mãe falou que eu não podia sair.”

Marina fechou os olhos.

“Obrigada, Luna.”

Dante se agachou com alguma dificuldade.

Ficou na altura dela.

“Você sempre desobedece sua mãe?”

“Não.”

“Hoje desobedeceu.”

“Porque o Nina caiu.”

Dante olhou para o coelho.

“Esse é Nina?”

“É menina.”

“Entendi.”

“E você caiu também.”

Bruno tossiu para disfarçar.

Luna continuou:

“Então eu ajudei você primeiro.”

Dante não respondeu.

Ela inclinou a cabeça.

“Você tem filha?”

O ar mudou.

Teresa ficou rígida.

Bruno olhou para Dante.

Marina percebeu imediatamente que havia algo errado.

“Luna, chega.”

A menina baixou a cabeça.

Dante se levantou.

“Teresa.”

“Sim, senhor.”

“Leve as duas.”

Marina pegou Luna pela mão.

Antes de sair, olhou para Dante.

“Obrigada.”

Ele não sabia se ela estava agradecendo pelo quarto ou por não ter respondido à pergunta da criança.

Quando a porta fechou, Henrique voltou a examiná-lo.

“Você teve sorte.”

Dante olhou para ele.

“Não acredito em sorte.”

“Então acredita em quê?”

“Erro.”

Henrique parou.

“Como assim?”

Dante apontou para a bandeja sobre a mesa.

Uma xícara de café permanecia ali.

“Eu não tenho uma reação desse nível há quinze anos.”

Henrique se aproximou.

“Você comeu alguma coisa diferente?”

“Não.”

“Medicamento?”

“Não.”

“Contato com alguma substância?”

“Não.”

Henrique olhou para a xícara.

“Quem trouxe isso?”

Dante não respondeu.

Bruno entendeu.

Pegou a bandeja.

“Vou mandar analisar.”

“Não.”

Bruno parou.

“Faz aqui.”

“Dante…”

“Se alguém colocou alguma coisa nisso, eu não quero que saiba que percebemos.”

Bruno assentiu.

Henrique fechou a maleta.

“Então tem outra coisa que você precisa saber.”

“O quê?”

“O tipo de reação que você teve é compatível com exposição significativa. Não foi simplesmente alguém usando a mesma colher.”

Dante olhou para a xícara.

“Você está dizendo que foi proposital.”

“Estou dizendo que é uma possibilidade que você não deveria ignorar.”

Dante ficou em silêncio.

Horas depois, Luna dormia no quarto de hóspedes.

Marina estava sentada ao lado da cama quando Teresa entrou.

“A medicação chegou.”

Marina se levantou imediatamente.

Teresa entregou uma caixa.

Havia duas canetas.

Marina segurou-a como se fosse ouro.

“Quanto foi?”

“Não sei.”

“Preciso pagar.”

Teresa sorriu com tristeza.

“Boa sorte tentando.”

Marina olhou para a caixa.

“Não quero dever nada a ele.”

“Então não deva.”

“Ele pagou.”

“Dante tem dinheiro demais. Você não precisa transformar tudo em dívida só porque ele transforma.”

Marina ergueu os olhos.

“Ele sempre foi assim?”

Teresa demorou a responder.

“Não.”

“Quando mudou?”

Teresa olhou para Luna dormindo.

“Há três anos.”

Antes que Marina pudesse perguntar, Bruno apareceu na porta.

“Teresa.”

A governanta saiu.

No corredor, Bruno falou baixo.

“Temos um problema.”

“Qual?”

“A câmera da cozinha.”

“O que tem?”

“Ficou fora do ar.”

“Por quanto tempo?”

Bruno mostrou o tablet.

Teresa leu.

Onze minutos.

“Isso acontece?”

“Nunca.”

No escritório, Dante assistiu ao mesmo trecho.

11h17.

Imagem normal.

11h18.

Tela preta.

11h29.

Imagem restaurada.

Às 11h31, a bandeja com seu café saía da cozinha.

Dante apoiou os dedos na mesa.

“Quem entrou durante esses onze minutos?”

Bruno respondeu:

“É isso que estamos tentando descobrir.”

Dante voltou o vídeo.

Uma vez.

Duas.

Três.

Então percebeu um detalhe.

Poucos segundos antes da câmera apagar, uma sombra atravessava a porta de serviço.

Um homem de terno.

Dante congelou a imagem.

“Amplia.”

Bruno ampliou.

O rosto não aparecia.

Mas no pulso havia um relógio.

Um modelo raro.

Dante conhecia aquele relógio.

Porque ele próprio o havia dado de presente.

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