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"Cinco Mortos numa Feira, um Único Sobrevivente num Avião e Dois Acidentes Fatais Ligados a “Combat!”: Três Histórias Reais que Parecem Ficção" Capítulo 7 — O diretor e o rotor que ainda girava

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Capítulo 7 — O diretor e o rotor que ainda girava

O helicóptero já estava no chão quando Boris Sagal saiu da cabine.

A parte mais visível do voo havia terminado. A aeronave havia pousado perto do Timberline Lodge, no monte Hood, no estado americano do Oregon. Sagal precisava apenas se afastar dela.

Mas os rotores continuavam girando.

Ao caminhar em direção à traseira do helicóptero, o diretor entrou no alcance do rotor de cauda. Foi atingido e sofreu ferimentos gravíssimos. Levado a um hospital em Portland, morreu naquela noite.

Era 22 de maio de 1981.

O acidente interrompeu a produção de

World War III

, uma minissérie feita para a televisão americana. Também encerrou a trajetória de um profissional que havia passado décadas trabalhando com atores, câmeras e equipes de produção.

Para quem acompanhava seu trabalho, a notícia parecia incompatível com a imagem de um diretor experiente. Sagal estava acostumado a locações e a operações de filmagem. Naquele dia, porém, a experiência acumulada não impediu que alguns passos o colocassem diante de uma máquina em funcionamento.

A câmera precisava de imagens da montanha.

O helicóptero havia sido incorporado ao trabalho para obtê-las.

Sagal não estava interpretando um personagem nem participando de uma cena de ação. Havia embarcado numa aeronave usada pela produção e, depois do pouso, precisava sair dela com segurança.

Esse detalhe torna a morte especialmente perturbadora.

O perigo apareceu na transição entre uma atividade técnica e um gesto cotidiano: descer de um veículo e caminhar.

A produção utilizava a região do monte Hood para representar o cenário de um conflito envolvendo o Alasca. A paisagem oferecia montanhas, neve e a sensação de isolamento necessária à história.

O Timberline Lodge acrescentava outra associação que seria lembrada depois do acidente. O exterior do hotel havia sido utilizado em

O Iluminado

, filme que transformara uma construção nas montanhas em uma imagem de ameaça e confinamento.

A ligação era visual e cinematográfica.

Não explicava o que aconteceu com Sagal.

Ainda assim, quando uma tragédia ocorre em um lugar já associado a uma obra de terror, essa associação costuma acompanhar a notícia. O público reconhece o cenário e o insere numa história anterior.

A montanha deixa de ser apenas uma locação.

O hotel passa a carregar uma atmosfera que pertence ao filme.

No caso de Sagal, essa camada se acrescentou à violência de uma morte provocada por um equipamento usado no trabalho. A familiaridade do ambiente cinematográfico tornava fácil imaginar que havia algo mais naquele encontro.

Os fatos disponíveis apontavam para um percurso muito concreto.

O helicóptero pousou. Sagal saiu. Caminhou para a região traseira e foi atingido pelo rotor de cauda.

Uma pessoa observando um helicóptero de longe pode concentrar a atenção nas grandes pás acima da cabine. São elas que dominam a silhueta da aeronave. O rotor de cauda ocupa uma área menor e pode ficar fora do foco de quem se aproxima ou se afasta.

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Em funcionamento, ele representa um risco imediato.

Sua rotação pode dificultar a percepção das pás como objetos separados. O espaço que parece livre pode estar sendo atravessado continuamente por elas.

Ao redor de uma aeronave com os rotores girando, orientação e controle de circulação têm uma função prática. A pessoa precisa saber por onde passar e respeitar as indicações da equipe responsável. O trajeto seguro também depende do modelo, do terreno e das condições da operação.

Depois de um acidente, poucos metros podem ganhar um significado enorme.

Antes dele, esses mesmos metros parecem apenas o caminho até o restante da equipe.

Os relatos contemporâneos não permitem reconstruir com segurança tudo que Sagal pensava. Não há necessidade de atribuir sua direção a uma discussão sobre orçamento, a uma irritação com um fotógrafo ou a uma distração específica.

Essas explicações tornam a cena mais completa na imaginação.

Não tornam o registro mais confiável.

O que se pode afirmar é que ele caminhou para uma área perigosa enquanto o rotor ainda estava em movimento. A consequência foi imediata. O resgate e a transferência para o hospital não conseguiram reverter os ferimentos.

A morte também deixou uma ausência no trabalho que estava em andamento.

Uma produção audiovisual reúne tarefas que continuam dependendo umas das outras. Cenas precisam ser organizadas, equipes precisam receber orientações e decisões precisam ser tomadas. Quando o diretor morre durante a filmagem, o projeto perde a pessoa responsável por coordenar parte importante desse processo.

Para a família, a perda ultrapassava qualquer produção.

Sagal era marido e pai. Seus créditos profissionais podiam ser relacionados em jornais, mas não descreviam o que sua morte significava dentro de casa.

Para os atores com quem havia trabalhado, ele também era uma presença conhecida.

Entre esses atores estava Vic Morrow.

Quase vinte anos antes, Sagal havia participado da construção de uma série que daria a Morrow um lugar marcante na televisão americana:

Combat!

.

A produção, lançada em 1962, acompanhava soldados durante a Segunda Guerra Mundial. Sua força vinha dos conflitos vividos pelo grupo, das decisões em situações de perigo e das relações formadas entre homens expostos ao combate.

Morrow interpretava o sargento Saunders.

O personagem se tornou uma das imagens mais reconhecidas de sua carreira. Sagal havia dirigido o episódio piloto e ajudado a estabelecer o caminho visual da série.

Essa ligação não significava que os dois passariam a vida trabalhando juntos.

Significava que seus nomes já estavam unidos em uma obra conhecida.

Quando Sagal morreu, Morrow continuava sua carreira. O acidente no Oregon era uma tragédia com circunstâncias próprias, ocorrida durante outra produção.

Não havia motivo factual para tratá-lo como um aviso sobre o futuro do ator.

Essa interpretação surgiria apenas depois.

A memória humana costuma trabalhar voltando do acontecimento mais recente para aquilo que veio antes. Uma morte posterior pode transformar uma lembrança antiga em presságio. Uma frase ganha outra leitura. Uma colaboração profissional parece adquirir um destino que ninguém poderia ter conhecido naquele momento.

Em maio de 1981, porém, havia uma família enlutada, uma equipe atingida e um diretor morto.

O rotor de cauda não precisava de uma explicação extraordinária para oferecer perigo.

Estava girando.

Sagal havia entrado em seu alcance.

O fato de esse acontecimento ser compreensível não o tornava menos terrível. Talvez aumentasse a inquietação: o risco estava numa máquina visível, num espaço real, durante uma atividade organizada por profissionais.

A vida do diretor terminara entre o pouso e a saída do local.

Um intervalo pequeno demais para ser lembrado como parte importante do trabalho até que se tornasse o instante decisivo de toda a história.

Pouco mais de um ano depois, em outra locação e sob outro diretor, Vic Morrow estaria diante de uma câmera. Duas crianças participariam da cena com ele.

Dessa vez, o helicóptero continuaria no ar.

E as pessoas embaixo dele estariam exatamente onde a filmagem precisava que estivessem.

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