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"A Filha da Empregada Levou Uma Lancheira Para a Filha Morta do Chefe da Máfia" Capítulo 5 — A Chamada Que Deveria Ser Impossível

正文开头

Dante chegou à sede da Fundação Lívia Montenegro às vinte horas e cinquenta e dois minutos.

Augusto sorriu ao vê-lo entrar.

"Pensei que escolheria perseguir fantasmas."

"Eu vim impedir que use o nome da minha filha para roubar o que pertence a ela."

Doze conselheiros aguardavam ao redor da mesa. Alguns conheciam apenas a versão pública: Dante sofrera uma crise durante a homenagem e acusava pessoas próximas de esconder uma criança morta. Outros evitavam seus olhos porque Augusto lhes prometera cargos depois da votação.

Mariana estava numa sala técnica do outro lado do edifício com Rafael. Nina permanecia na mansão sob os cuidados de Teresa. A chamada de Lívia fora curta demais para rastreamento, mas o aplicativo escolar registrara a conexão com uma antena próxima à Marginal Tietê.

Rafael distribuíra equipes por acessos a Guarulhos e pela Rodovia Presidente Dutra. Procuravam uma van branca, um caminhão azul ou qualquer veículo associado às empresas de Augusto.

O problema era que Augusto controlava quarenta e sete caminhões azuis.

Na sala do conselho, um advogado abriu a reunião.

"O primeiro item é a transferência emergencial dos ativos portuários para a Montenegro Participações."

"Empresa presidida por Augusto", disse Dante.

"A medida protegerá a fundação da instabilidade criada por suas acusações", respondeu o tio.

Dante colocou sobre a mesa a fotografia escolar de Lívia.

"Esta menina está viva."

Os conselheiros se inclinaram. Augusto nem sequer olhou a imagem.

"A polícia confirmou a morte há três anos."

"Um laudo confirmou. Assinado por um laboratório financiado pela fundação."

"Está acusando médicos, policiais e sua própria família porque uma empregada encontrou uma pulseira?"

"A filha dela encontrou minha filha."

A expressão empregada provocou a reação esperada. Alguns homens sorriram com desprezo. Dante identificou cada um.

"Tragam Mariana", ordenou Augusto. "Se ela criou esta história para extorquir a família, deve responder diante do conselho."

Dante apoiou as mãos na mesa.

"Você não dá ordens a ela."

"Está protegendo uma desconhecida acima do legado de Lívia?"

"Estou protegendo a única pessoa que não ganhou dinheiro com a morte dela."

Na sala técnica, Mariana ouviu a frase. Não sentiu gratidão. Sentiu o peso de se tornar visível para homens que preferiam empregados sem rosto.

Um alerta apareceu no computador de Rafael.

O perfil de Beatriz estava online outra vez.

Mariana atendeu à chamada.

A imagem tremia. Lívia estava deitada no chão de uma van, com as mãos aparentemente livres e o rosto pálido. A câmera devia ter sido ativada dentro da mochila.

"Lívia", sussurrou Mariana.

A menina abriu os olhos.

"Você é a mãe da Nina?"

"Sou. Estamos procurando você."

"Meu pai está aí?"

Mariana olhou para Rafael. Ele conectou o áudio ao sistema da sala do conselho.

O rosto de Lívia apareceu no grande monitor atrás de Augusto.

Dante parou de respirar.

"Papai?"

Ele se virou.

Não via uma fotografia. Via a filha mais velha, magra demais, assustada e viva.

正文1

"Eu estou aqui."

"Tio Augusto disse que você parou de me procurar."

Todos olharam para o homem sentado à direita de Dante.

Augusto permaneceu imóvel.

"Lívia, escute minha voz", disse Dante. "Eu nunca parei. Nunca."

"Ele falou que você escolheu a empresa."

"Eu escolheria você todas as vezes."

Uma porta bateu perto da menina. Lívia escondeu o aparelho sob o casaco.

Rafael digitava rapidamente, tentando localizar torres de transmissão.

"Pergunte o que ela ouve", orientou Mariana.

Dante conteve o impulso de prometer uma salvação que ainda não controlava.

"Filha, consegue ouvir alguma coisa fora do carro?"

"Aviões. E um sino. Toca duas vezes."

Rafael marcou três possíveis locais próximos a igrejas e corredores aéreos.

"Vê alguma placa?"

Lívia ergueu discretamente a mochila. Pela janela apareceu o reflexo de um letreiro vermelho: ESTACIONAMENTO CARGAS 4.

Rafael encontrou o ponto.

Terminal logístico próximo ao aeroporto de Guarulhos.

Um homem abriu a porta da van. Lívia fingiu dormir. A imagem ficou escura, mas o áudio continuou.

"O caminhão sai às vinte e uma e vinte", disse uma voz.

Outra respondeu:

"Augusto quer confirmação da votação antes."

O conselho inteiro ouviu.

Augusto levantou-se.

"Isso é uma montagem."

Dante bloqueou sua saída.

"Sente."

"Não pode me manter aqui."

"Posso mantê-lo longe de um telefone por vinte minutos."

O advogado tentou interferir, mas dois conselheiros se afastaram de Augusto. A relação de poder começava a mudar.

Rafael enviou a localização às equipes. Um grupo estava a nove minutos do terminal. Outro, a doze.

Na chamada, Lívia respirava com dificuldade.

"Mãe da Nina?"

"Estou aqui."

"Fala para ela que eu não perdi a fita."

"Você mesma vai falar."

"Promete?"

Mariana hesitou. Não queria mentir para uma criança presa.

"Prometo que ninguém vai parar de procurar."

Lívia ficou em silêncio.

"É diferente do que meu pai falou."

"Seu pai acredita que vai buscar você. Eu acredito que precisa continuar ajudando até ele chegar."

Dante ouviu sem se ofender. Mariana oferecia à menina algo mais útil que esperança vazia: uma tarefa.

"Tem uma alavanca vermelha perto da porta?", perguntou Rafael por meio dela.

Lívia moveu a câmera. Uma trava de emergência aparecia junto ao piso.

"Quando o veículo começar a andar, puxe somente se estiver devagar", explicou Mariana. "Não faça agora."

Uma mão surgiu na imagem.

O aparelho foi arrancado.

Cecília apareceu por um instante.

"Com quem você está falando?"

O vídeo terminou.

Rafael continuou recebendo dados por cinco segundos. Depois, nada.

"Temos o terminal", disse. "Mas há seis galpões e quatro saídas."

Dante olhou para os conselheiros.

"A votação acabou."

O advogado ergueu um documento.

"Sem deliberação, os ativos ficam vulneráveis."

"Congele todos. Nenhum caminhão da fundação deixa Guarulhos."

Augusto riu sem humor.

"Você vai parar a própria operação por uma gravação. Perderá contratos, milhões e o conselho."

Dante tirou do bolso o telefone de Augusto, recolhido por Rafael na entrada. O aparelho recebera uma mensagem silenciosa durante a chamada.

VOTAÇÃO CONFIRMADA? PRECISAMOS SAIR.

Ele mostrou a tela aos presentes.

"Quem votar com ele será tratado como cúmplice."

Augusto atacou.

Não com uma arma, mas com a pasta pesada sobre a mesa. Dante desviou e o segurou pelo colarinho. Durante um segundo, todos esperaram que o chefe da família o matasse.

Dante apenas o empurrou de volta para a cadeira.

"Você vai assistir enquanto eu trago minha filha para casa."

Mariana entrou na sala.

"O caminhão azul não é um caminhão."

Rafael vinha atrás dela com a fotografia ampliada do desenho.

No canto da imagem, Lívia pintara um pequeno cavalo azul com asas. Era o logotipo de uma empresa de transporte infantil chamada Cavalo Azul, contratada pela clínica.

Um micro-ônibus com esse símbolo acabava de deixar o terminal.

Dante caminhou para a porta.

Augusto sorriu outra vez.

"Você ainda não entendeu. Se chegar perto, eles têm ordem para sedá-la. Lívia pode não sobreviver à dose."

Dante parou.

A frase era uma confissão.

Também era uma ameaça.

Rafael recebeu a rota do veículo. Seguia em direção à Rodovia Dutra, acompanhado por um sedã preto.

Mariana lembrou-se da alavanca vermelha.

"Ela sabe como abrir a porta."

No mapa, o micro-ônibus reduziu a velocidade diante de uma praça de pedágio.

O ponto de rastreamento oscilou.

Depois saiu da pista.

No áudio ainda aberto, ouviu-se o alarme de uma porta e a voz de Lívia gritando uma única palavra:

"Agora!"

Mariana entendeu que a menina não esperava mais ser salva sem participar da própria fuga.

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