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"A Filha da Empregada Levou Uma Lancheira Para a Filha Morta do Chefe da Máfia" Capítulo 4 — A Casa Onde Crianças Não Tinham Nome

正文开头

O fogo consumiu o segundo andar antes da chegada dos bombeiros.

Dante permaneceu sob a chuva com as cartas de Lívia protegidas dentro do paletó. Assistiu às chamas atravessarem o telhado sem dizer uma palavra.

Mariana reconheceu aquela imobilidade.

Não era calma. Era a parte mais perigosa da raiva.

"Se entrar lá, vai morrer sem encontrá-la", disse.

Dante não desviou os olhos do incêndio.

"Havia três anos da vida dela naquela casa."

"Não. Havia provas. A vida dela está onde a levaram."

Rafael aproximou-se com um aparelho queimado dentro de um saco.

"Conseguimos retirar o módulo de gravação. Talvez a perícia recupere os acessos. Também encontramos pneus recentes na saída dos fundos. Uma van e um sedã."

"Quanto tempo de vantagem?"

"Duas horas, talvez menos."

"Bloqueie estradas, aeroportos e empresas de transporte ligadas a Augusto."

"Sem ordem judicial, não seguramos todos."

"Não pedi autorização."

Mariana interveio.

"Se Augusto perceber uma operação enorme, muda a menina de veículo ou a machuca."

Dante virou-se.

"Então o que sugere?"

"Que pare de agir como se ele não o conhecesse. Augusto sabe exatamente como o senhor reage. Talvez tenha preparado rotas para sua raiva, não para uma busca silenciosa."

Rafael concordou.

"Podemos divulgar internamente que a pulseira era falsa e que encerramos a investigação. Enquanto isso, seguimos Cecília."

Dante odiou a ideia porque exigia parecer derrotado.

Por isso sabia que podia funcionar.

Na manhã seguinte, Augusto voltou à mansão. Alegou que desligara o celular para descansar e mostrou indignação ao descobrir que fora procurado.

Dante o recebeu no escritório diante de um copo de uísque intocado.

"A menina se confundiu", disse. "A fotografia era antiga. A pulseira, uma cópia."

Augusto não demonstrou alívio.

Mas seus ombros baixaram menos de um centímetro.

"Eu avisei."

"Avisou."

"E a empregada?"

"Demitida."

No quarto de serviço, Mariana assistia à conversa por uma câmera instalada por Rafael. Nina estava na escola, cercada discretamente por agentes que ela acreditava serem funcionários novos.

"Ele perguntou por mim antes de perguntar por Lívia", observou Mariana.

Rafael assentiu.

"Porque você é a variável que ele não controla."

Augusto deixou a mansão e fez três ligações. Duas foram para advogados. A terceira usou um aparelho descartável detectado por uma antena próxima.

A ligação durou onze segundos.

Pouco depois, Cecília saiu de um apartamento nos Jardins carregando uma mala. Rafael a seguiu até um galpão desativado pertencente à Fundação Lívia Montenegro.

Dante e Mariana chegaram separadamente. Do lado de fora, não havia sinal da menina, apenas caixas de arquivos e equipamentos médicos.

No subsolo, encontraram uma sala com prontuários de crianças identificadas por letras e números. B-27 correspondia a Beatriz Nunes.

O arquivo continha prescrições de sedativos, relatórios de isolamento e avaliações escritas por Cecília.

Paciente mantém memória persistente do pai. Recomenda-se reforçar narrativa de abandono.

Dante rasgou a folha ao meio.

"Não", disse Mariana. "Isso é prova."

Ele soltou o papel imediatamente.

Em outra pasta, constava a autorização para matricular Lívia no Santa Amélia. A assinatura do responsável era ilegível, mas o pagamento saíra de uma conta da fundação.

正文1

"Augusto pagava a escola usando o nome dela", disse Rafael.

"Por que permitir que ela estudasse?", perguntou Mariana.

"Cecília escreveu que o isolamento estava prejudicando o desenvolvimento", respondeu Dante. "Deram a ela uma vida pequena o suficiente para ser controlada."

Um barulho surgiu no corredor.

Cecília tentava fugir pela garagem.

Rafael a interceptou antes que alcançasse o carro. Dante desceu devagar, sem arma aparente. A médica recuou até bater na parede.

"Onde está minha filha?"

"Lívia morreu."

Dante colocou diante dela a fotografia escolar.

"Tente outra mentira."

Cecília olhou para Mariana.

"Foi você que encontrou a caixa?"

"Foi uma criança que você subestimou."

"Nina não entende o que fez."

"Então explique."

Cecília respirou depressa.

"Eu mantive Lívia viva. Se não fosse por mim, Augusto teria resolvido o problema de outro modo."

Dante deu um passo.

"Você a drogou e disse que eu a abandonei."

"Eu obedeci porque ele tinha provas contra mim. No começo seria por alguns meses. Só até você assinar a reorganização do fundo. Depois tudo ficou grande demais."

"Onde ela está?"

"Não sei. Augusto mudou a rota quando a escola apagou o cadastro."

Rafael mostrou a ela o aparelho queimado da chácara.

"Você ativou o incêndio?"

"O sistema respondia a uma central. Eu não tinha acesso."

Mariana examinou os prontuários. Uma folha recente trazia uma lista de medicamentos e o horário de uma dose programada para aquela noite. No rodapé aparecia o código GRU-4.

"Guarulhos", disse. "Pode ser um terminal."

Cecília perdeu a cor.

Dante percebeu.

"Qual terminal?"

"Não é aeroporto. É uma clínica de transferência perto da Rodovia Ayrton Senna. Eles mantêm pacientes por algumas horas antes de viagens."

"Nome."

"Casa Horizonte."

Rafael mobilizou a equipe.

Na clínica, encontraram um quarto ainda quente, uma seringa usada e uma mochila infantil. Uma câmera externa registrara Lívia sendo colocada numa van branca quarenta minutos antes.

A menina mal conseguia caminhar.

Dante assistiu ao vídeo duas vezes.

Na segunda, Mariana percebeu que Lívia movia a mão junto ao corpo. Não era um espasmo. Eram três gestos repetidos.

"Ela está indicando alguma coisa."

Nina foi chamada por vídeo. Ao ver os movimentos, respondeu imediatamente.

"É nosso sinal para biblioteca."

"Que biblioteca?", perguntou Rafael.

"A da escola. Quando a Bia queria falar sem a professora ouvir, fazia isso."

A equipe correu ao Santa Amélia. Atrás do mesmo livro usado pelas meninas havia agora um cartão de memória.

O arquivo continha apenas seis segundos de áudio. A voz de Lívia estava fraca.

"Vinte e uma horas. Caminhão azul. Não deixem a Nina vir."

Ao fundo, um homem dizia que levariam a menina para o sul.

Rafael verificou o relógio.

Faltavam três horas.

Dante recebeu uma convocação para uma reunião extraordinária da fundação exatamente às vinte e uma horas. Augusto exigia sua presença para votar a venda de ativos ligados ao porto de Santos.

Era uma armadilha e um álibi.

Rafael cruzou os pedágios com os registros da fundação. Um caminhão refrigerado saíra de Atibaia pouco depois do incêndio, embora a empresa declarasse transportar apenas documentos. A placa fora trocada duas vezes, mas uma câmera captara o mesmo amassado na porta traseira.

O veículo passara por Guarulhos e seguira para um terminal de cargas. Dante mandou bloquear a saída discretamente, usando uma fiscalização sanitária para não revelar a busca.

Ao mesmo tempo, Mariana ligou para a professora substituta que tirara a fotografia. A mulher recordou que Lívia perguntara como enviar uma imagem sem deixar o endereço. Também tentara decorar o número da van que a buscava.

"Ela repetia quatro, sete, dois", contou.

Os números correspondiam ao final da placa do caminhão refrigerado.

Mais uma vez, a menina deixara uma pista que os adultos só compreenderam depois.

Se Dante comparecesse, Lívia desapareceria.

Se faltasse, Augusto tomaria o controle das rotas marítimas capazes de tirá-la do país.

Mariana encarou a fotografia da menina.

"Ele está obrigando o senhor a escolher entre o império e sua filha."

Dante rasgou a convocação.

"Então Augusto ainda não entendeu o que escolhi há três anos."

O telefone de Mariana vibrou.

Era uma chamada de vídeo enviada pelo perfil escolar de Beatriz.

Quando atendeu, Lívia apareceu por menos de um segundo, chorando dentro de um veículo escuro.

Depois a tela ficou preta.

Uma mensagem surgiu:

AMANHÃ, ELA NÃO TERÁ MAIS NOME.

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