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"O Número na Conta do Chefe da Máfia" Capítulo 5 — A Voz de Renata

正文开头

Dante arrancou o celular da mão de Marina.

Leu a mensagem uma vez.

Depois outra.

E Renata também está.

Não houve surpresa em seu rosto.

Nem esperança.

Marina reconheceu aquilo.

Era medo.

O tipo mais cruel, porque não vinha da possibilidade de perder alguém.

Vinha da possibilidade de descobrir que alguém perdido talvez nunca tivesse morrido.

“Dante.”

Ele ampliou a fotografia enviada segundos antes.

A imagem mostrava os três no escritório.

Marina.

Helena.

Dante.

“Foi tirada de fora.”

Bruno entrou quase imediatamente.

Dante entregou o telefone.

“Quero saber de onde.”

Bruno analisou a fotografia.

“Segundo andar. Ângulo alto.”

“Drone?”

“Provavelmente.”

Helena continuava segurando o envelope.

Marina voltou sua atenção para ele.

“Quantas cartas?”

Helena demorou a responder.

“Seis.”

“Uma por ano?”

“Todo mês de outubro.”

“Mesmo dia?”

“Não.”

“Mesmo tipo de envelope?”

“Sim.”

“Correio?”

“As três primeiras. Depois começaram a aparecer dentro da propriedade.”

Dante virou-se.

“Dentro?”

Helena percebeu tarde demais o que revelara.

“Você nunca me contou isso.”

“Porque eu sabia como reagiria.”

“Minha irmã desapareceu e alguém entrou na minha casa três anos seguidos para deixar mensagens dela.”

“Você teria iniciado uma guerra.”

“Talvez eu devesse ter iniciado.”

“E talvez estivesse morto.”

Marina pegou o papel.

**038471.**

“Os outros números eram iguais?”

Helena balançou a cabeça.

“Não.”

“Você lembra?”

“Guardei todos.”

“Os que acabaram de roubar.”

“Sim.”

Marina fechou os olhos.

Tentou organizar as informações.

Uma carta anual.

Um número diferente.

Nenhuma mensagem direta.

“Por que acredita que eram de Renata?”

Helena abriu uma pequena gaveta.

Tirou uma fotografia antiga.

Duas adolescentes apareciam sentadas na areia.

Uma delas era claramente Renata.

A outra, Marina não conhecia.

No verso havia uma sequência escrita à mão.

**03-84-71.**

A mesma forma de separar números.

“A letra?”, Marina perguntou.

“Renata escrevia números assim desde menina. O quatro sempre aberto. O sete cortado.”

Dante observou.

“Isso pode ser copiado.”

“Eu sei.”

Helena respirou fundo.

“Por isso nunca tive certeza.”

Marina aproximou o papel da luz.

Não havia apenas números.

Havia uma pequena marca no canto inferior.

Quase invisível.

Uma linha horizontal e duas verticais.

“Isso estava nos outros?”

Helena olhou.

“Sim.”

“Você sabe o que significa?”

“Não.”

Marina virou o papel.

Pensou em códigos.

Endereços.

Coordenadas.

Placas.

Horários.

Nada encaixava.

Dante falou:

“Se Renata estivesse viva, teria encontrado outra maneira.”

Marina olhou para ele.

“Talvez não pudesse.”

“Durante seis anos?”

“Você não sabe onde ela está.”

“Nem você.”

“Exatamente.”

Dante se afastou.

“Não vou acreditar em uma mensagem anônima.”

Marina conhecia aquele mecanismo.

“Você quer acreditar.”

Ele virou-se.

“Não diga o que eu quero.”

“Então pare de agir como se esperança fosse fraqueza.”

Os olhos dele endureceram.

Helena observou os dois.

Bruno interrompeu:

“Consegui localizar o ponto aproximado do envio.”

Dante se aproximou.

“Onde?”

“Não foi longe.”

“Quanto?”

Bruno levantou o celular.

“Menos de dois quilômetros.”

Marina sentiu o corpo inteiro ficar alerta.

“A pessoa está perto.”

“Ou deixou um aparelho perto”, Bruno corrigiu.

正文1

Dante já caminhava para a porta.

Marina foi atrás.

“Não.”

Ele parou.

“Não o quê?”

“É isso que querem.”

“Querem o quê?”

“Que você saia correndo.”

“Minha irmã pode estar viva.”

“E alguém acabou de provar que consegue fotografar você dentro da sua própria casa.”

Dante ficou em silêncio.

Marina continuou:

“Se eu quisesse tirar você daqui, mandaria exatamente essa mensagem.”

“Então o que sugere?”

“Que a gente descubra primeiro por que os números existem.”

Helena falou:

“Tem uma coisa.”

Os dois olharam.

“Renata gostava de quebra-cabeças.”

Dante perdeu a paciência.

“Isso não ajuda.”

“Ela e Augusto brincavam com códigos quando ela era criança.”

“Que códigos?”

“Contêineres.”

Marina franziu a testa.

Helena explicou:

“Seu pai a levava ao porto. Inventava jogos com números de cargas. Dizia um código e ela tinha que descobrir de qual navio vinha.”

Dante voltou-se para Marina.

Ela já tinha entendido.

“Porto de Santos.”

Bruno digitou a sequência.

“038471 sozinho não é um código completo de contêiner.”

“Talvez seja parte.”

Marina lembrou da marca desenhada.

Uma linha.

Duas verticais.

“Ou uma posição.”

Dante perguntou:

“Posição de quê?”

Ela pegou uma folha.

Desenhou a marca.

“Isso parece um cais visto de cima.”

Bruno aproximou o mapa do porto.

Marina comparou.

Nada.

Tentaram terminais antigos.

Galpões.

Armazéns.

Até que Bruno encontrou um mapa de seis anos antes.

Marina apontou.

“Ali.”

Um antigo terminal tinha três estruturas exatamente naquela disposição.

O terminal fora desativado quatro anos antes.

Dante reconheceu o nome.

“Terminal Santa Cecília.”

Bruno ampliou.

“Galpão 03. Setor 84. Posição 71.”

Marina olhou para Helena.

Os números não eram mensagens.

Eram coordenadas internas.

Dante pegou o paletó.

“Agora eu vou.”

Desta vez, Marina não impediu.

“Eu também.”

“Não.”

“Eu decifrei.”

“E isso não torna você imortal.”

“Nem você.”

Dante encarou-a.

“Marina.”

“Se a voz de Renata estiver lá, eu sou a única pessoa nesta casa que pode confirmar.”

Ele não gostou.

Mas sabia que era verdade.

Duas horas depois, chegaram a Santos.

O antigo terminal parecia abandonado.

Portões enferrujados.

Concreto rachado.

Luzes distantes do porto iluminando o céu.

Bruno entrou primeiro.

Marina caminhava atrás de Dante.

“03.”

Encontraram o galpão.

“84.”

Uma fileira de antigas divisões.

“71.”

Dante parou diante de uma porta metálica.

Cadeado novo.

Bruno cortou.

O cheiro de poeira saiu primeiro.

Depois veio o silêncio.

Entraram.

O lugar parecia vazio.

Até Marina ver a parede.

“Dante.”

Ele ergueu a lanterna.

Fotografias.

Dezenas.

Talvez centenas.

Dante entrando no Grupo Montenegro.

Dante saindo da mansão.

Helena em um restaurante.

Bruno dirigindo.

Ricardo em um evento.

Algumas tinham seis anos.

Outras, meses.

Então Marina encontrou uma fotografia do Restaurante Estrada 47.

Seu coração parou.

Ela estava nela.

Uniforme.

Bandeja na mão.

A data aparecia no canto.

**Três anos antes.**

O primeiro mês em que começara a trabalhar lá.

“Eles sabiam”, Marina sussurrou.

Dante aproximou-se.

“Sabiam o quê?”

“Onde eu estava.”

Ela olhou para todas as fotografias.

“Eu não me escondi.”

A verdade era pior.

“Eles me deixaram escondida.”

Bruno chamou do outro lado.

“Tem um gravador.”

Sobre uma mesa havia um aparelho antigo.

Uma única fita.

Dante apertou o botão.

Chiado.

Silêncio.

Depois uma voz feminina.

“Dante?”

Ele congelou.

Marina fechou os olhos.

Não precisou de mais.

Era ela.

Renata.

A mesma voz da ligação.

Mais velha.

Mais cansada.

Mas viva.

“Se você está ouvindo isso, encontrou os números.”

Dante deu um passo em direção ao aparelho.

“Eu não posso voltar para casa.”

Respiração.

“Não ainda.”

Dante apertou os punhos.

Então Renata disse:

“E, Dante…”

A gravação falhou por um segundo.

“…não confie na garçonete.”

Dante virou lentamente o rosto.

Marina abriu os olhos.

Os dois se encararam.

A fita continuou girando.

Mas não havia mais nada.

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