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"O Número na Conta do Chefe da Máfia" Capítulo 4 — Dentro da Casa Montenegro

正文开头

Marina recusou-se a entrar no carro.

“Não.”

Dante estava diante de uma SUV blindada.

“Não foi um convite.”

“Então a resposta continua sendo não.”

Bruno desviou o rosto para esconder uma reação.

Dante não achou graça.

“Alguém sabe onde você mora.”

“Provavelmente.”

“Sabe onde trabalha.”

“Claramente.”

“Tem uma gravação que deveria ter sido destruída seis anos atrás.”

“Também percebi.”

“E você quer voltar para casa?”

“Quero.”

Dante aproximou-se.

“Isso é coragem ou estupidez?”

“Depende. Levar uma desconhecida para sua casa quando sua irmã disse para procurar o traidor lá dentro é qual dos dois?”

Dante parou.

Bruno olhou para Marina.

Ela tinha razão.

“Ela vai para outro lugar”, Bruno sugeriu.

Dante recusou.

“Se colocarmos Marina em um hotel, quem estiver observando vai saber.”

“E na sua mansão ninguém vai perceber?”, ela perguntou.

“Na minha mansão eu controlo quem entra.”

Marina sustentou os olhos dele.

“Seu problema é achar que controla tudo.”

Dante abriu a porta.

“Entre.”

“Não.”

“Marina.”

“Dante.”

Bruno finalmente tossiu para esconder o riso.

Dante lançou um olhar mortal.

Marina entrou.

A Mansão Montenegro ficava no Morumbi, escondida atrás de muros altos, árvores antigas e segurança suficiente para proteger uma embaixada.

Marina odiou o lugar imediatamente.

Não pela riqueza.

Pelo silêncio.

Casas grandes demais tinham ecos.

E ecos escondiam coisas.

Uma mulher elegante apareceu no hall.

Cabelos grisalhos impecáveis.

Vestido escuro.

Postura reta.

Helena Montenegro olhou primeiro para Dante.

Depois para Marina.

“Quem é ela?”

“Marina Duarte.”

O nome não provocou reação.

“E por que está aqui?”

Dante tirou a fotografia do bolso.

Entregou à mãe.

Helena olhou.

Sua mão tremeu.

Só uma vez.

Marina percebeu.

“De onde você tirou isso?”

“Foi entregue hoje.”

“Por quem?”

“Marcelo Ferraz.”

A expressão de Helena mudou.

“Esse homem ainda está vivo?”

Marina respondeu:

“Está.”

Helena finalmente a encarou.

“Você conhece Marcelo?”

“Conheci.”

“De onde?”

“COPOM.”

O rosto de Helena perdeu a cor.

Marina percebeu.

Dante também.

“Mãe.”

Helena devolveu a fotografia.

“Estou cansada.”

“Você conhece Marina?”

“Não.”

“Mas conhece o nome.”

“Conheço milhares de nomes.”

Marina falou:

“Renata ligou para mim na noite em que desapareceu.”

Helena parou.

Nenhum movimento.

Nenhuma palavra.

Então se virou.

“Dante, precisamos conversar.”

“Na frente dela.”

“É assunto de família.”

Marina pegou sua bolsa.

“Ótimo. Eu não sou família.”

Dante segurou seu braço.

“Você fica.”

Ela olhou para a mão.

Ele soltou.

Helena observou os dois.

“Renata estava investigando contratos.”

“Que contratos?”, Dante perguntou.

“Do grupo.”

“Por que nunca me contou?”

“Porque seu pai ainda estava vivo.”

O nome do pai alterou o rosto de Dante.

Augusto Montenegro morrera quatro anos antes.

“Continue.”

“Renata acreditava que alguém usava nossas empresas para movimentar cargas que não pertenciam ao Grupo Montenegro.”

“Vasconcelos?”

“Ela suspeitava.”

“E dentro da família?”

Helena ficou em silêncio.

Marina ouviu.

Não a resposta.

O silêncio.

Era o mesmo tipo de silêncio que ouvira milhares de vezes ao telefone.

Silêncio de alguém escolhendo qual verdade poderia contar.

正文1

“Dona Helena.”

A mulher a encarou.

“A senhora está escondendo alguma coisa.”

Dante virou-se para a mãe.

“Está?”

Helena endureceu.

“Você não conhece minha mãe.”

“Não preciso.”

“Marina”, Dante advertiu.

Ela ignorou.

“Quando falei que Renata ligou, a senhora não perguntou o que ela disse.”

Helena permaneceu imóvel.

“Uma mãe que passou seis anos sem saber o que aconteceu com a filha perguntaria.”

Dante olhou para Helena.

Marina continuou:

“A senhora perguntou de onde veio a fotografia.”

Silêncio.

“Porque já sabia da ligação.”

Helena fechou os olhos.

Dante deu um passo.

“Mãe.”

“Eu sabia que ela tinha tentado ligar para a polícia.”

“Como?”

“Marcelo me contou.”

Marina sentiu um choque.

“Marcelo?”

“Dois dias depois.”

“Ele falou com a senhora?”

“Sim.”

“E nunca me procurou?”

Helena respondeu:

“Ele disse que você corria perigo.”

Marina avançou.

“Então a senhora sabia quem eu era.”

“Sabia seu nome.”

“E me deixou acreditar durante seis anos que eu tinha falhado sozinha.”

“Eu estava tentando encontrar minha filha!”

“E eu estava tentando sobreviver!”

Dante entrou entre as duas.

“Chega.”

Marina respirava rápido.

Helena virou o rosto.

“Marcelo disse que a operadora precisava desaparecer. Eu concordei.”

“Você concordou?”

“Não sabíamos quem estava envolvido.”

Dante falou:

“Nem dentro da nossa casa.”

Helena não respondeu.

Aquilo foi resposta suficiente.

Mais tarde, Marina recebeu um quarto no andar superior.

Não conseguiu dormir.

Às duas e vinte da manhã, ouviu alguma coisa.

Uma voz.

Baixa.

Masculina.

Vinha do corredor.

Marina abriu a porta.

Nada.

Saiu.

A voz veio novamente.

Do escritório de Dante.

Ela caminhou devagar.

A porta estava entreaberta.

Dentro, uma gravação tocava no computador.

Marina reconheceu o áudio.

Não era Renata.

Era um homem.

“…o caminhão chega antes das quatro. Não deixa ela falar com ninguém.”

Marina parou.

O coração disparou.

Ela conhecia aquela voz.

Não sabia de onde.

Ainda.

Entrou.

Voltou o áudio.

Ouviu outra vez.

Passos surgiram atrás dela.

“Gostou do meu escritório?”

Marina virou.

Dante estava na porta.

“De onde veio essa gravação?”

“Você invadiu meu escritório.”

“Responde.”

“Primeiro você.”

Marina apontou para o computador.

“Eu ouvi essa voz antes.”

Dante fechou a porta.

“Quando?”

“Na ligação da Renata.”

Ele se aproximou.

“Tem certeza?”

“Não esqueço vozes.”

“Essa gravação é de três meses depois do desaparecimento dela.”

“Quem gravou?”

“Meu pai.”

Marina olhou para ele.

“Augusto?”

“Ele suspeitava de alguém.”

“Quem está falando?”

Dante ficou em silêncio.

“Dante.”

Ele caminhou até o computador.

“Ricardo Montenegro.”

“Parente?”

“Meu padrinho.”

Marina sentiu o estômago apertar.

“Ele estava na ligação de Renata.”

“Você pode estar enganada.”

“Não estou.”

“Seis anos é muito tempo.”

“Para você.”

Ela se aproximou.

“Para mim, aquela voz repetiu na minha cabeça todas as noites durante meses.”

Dante não respondeu.

Marina colocou o áudio novamente.

Desta vez, concentrou-se no fundo.

A voz de Ricardo.

Um caminhão.

Uma porta.

Depois um som pequeno.

Um tilintar.

Marina voltou.

Ouviu.

Voltou novamente.

“Espera.”

“O quê?”

“Tem outra pessoa.”

正文2

Dante aproximou-se.

Ela aumentou o volume.

Quase escondida sob a voz masculina, uma mulher dizia alguma coisa.

Dante não conseguiu entender.

Marina conseguiu.

“Ela disse ‘não confie nele’.”

Dante ficou rígido.

“Renata?”

“Não sei.”

Marina reproduziu novamente.

Dante fechou os olhos.

Desta vez também ouviu.

Seu telefone vibrou.

Bruno.

Dante atendeu.

“Fala.”

O rosto dele mudou.

“Quando?”

Silêncio.

“Não toque em nada.”

Desligou.

Marina perguntou:

“O que aconteceu?”

“Entraram no arquivo particular da minha família.”

“Agora?”

“Há vinte minutos.”

“Roubaram o quê?”

Dante olhou para ela.

“Uma caixa.”

“Que caixa?”

“Tudo que meu pai guardou sobre o desaparecimento de Renata.”

Marina sentiu um arrepio.

“Quem sabia que estava lá?”

“Quatro pessoas.”

“Você.”

“Sim.”

“Bruno?”

“Sim.”

“Helena?”

“Sim.”

Dante ficou em silêncio.

Marina terminou:

“E Ricardo Montenegro.”

Os dois se encararam.

Então um grito atravessou o corredor.

Helena.

Dante correu.

Marina foi atrás.

Encontraram Helena no escritório particular.

Um cofre estava aberto.

Papéis espalhados.

Helena segurava um envelope vazio.

“Levaram.”

“O quê?”, Dante perguntou.

Ela ergueu o rosto.

Pela primeira vez, a mulher parecia realmente apavorada.

“As cartas.”

“Que cartas?”

Helena hesitou.

Marina imediatamente percebeu.

Mais um segredo.

Dante perdeu a paciência.

“Que cartas, mãe?”

Helena abriu uma gaveta.

Retirou um único envelope que aparentemente estivera escondido separado dos demais.

Colocou-o sobre a mesa.

Não havia remetente.

No interior, apenas um pedaço de papel.

Um número.

**038471.**

Marina pegou.

“Quem mandou isso?”

Helena respondeu quase num sussurro:

“Renata.”

Dante congelou.

“Renata morreu.”

Helena balançou a cabeça.

“Eu nunca disse isso.”

O silêncio caiu sobre os três.

“Há seis anos”, Helena continuou, “recebo uma carta como essa todo mês de outubro.”

Marina olhou para os números.

“Por que nunca contou?”

“Porque cada carta vinha acompanhada da mesma frase.”

“Qual?”

Helena abriu a boca.

Antes que respondesse, o celular de Marina vibrou.

Número desconhecido.

Uma fotografia.

Marina abriu.

Era uma imagem tirada poucos segundos antes.

Ela, Dante e Helena dentro daquele escritório.

Fotografados através da janela.

Alguém estava do lado de fora da mansão.

Observando.

Abaixo da imagem havia uma mensagem:

A voz que você procura ainda está viva.

Marina levantou lentamente os olhos para Dante.

Uma segunda mensagem chegou.

Desta vez, apenas quatro palavras:

E Renata também está.

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