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"Amarraram Minha Filha. Disseram Que Ela Era Louca." Parte 6 — Usaram o Nome Dela

正文开头

Parte 6 — Usaram o Nome Dela

Quando André chegou, Camila já havia colocado o telefone sobre a mesa e se afastado dele.

Não havia tocado no café.

“Eu lembro desse relatório”, disse assim que ele sentou. “Mas não desse jeito.”

O advogado abriu o anexo no próprio computador.

“Vamos separar o que você reconhece do que não reconhece.”

Camila puxou uma folha.

Escreveu o número do projeto no alto.

Depois fez uma lista de lotes.

“Eu conferi esses dois. Os documentos pareciam completos. Nesse terceiro, faltava comprovação de parte da entrega.”

“Você registrou a pendência?”

“Registrei.”

“Onde?”

“No campo de observações e num e-mail para o gerente. Copiei Rodrigo porque ele tinha pedido que eu avisasse quando encontrasse outro problema.”

“Você tem esse e-mail?”

“Talvez no meu pessoal.”

Ela pegou o celular.

Sua mão tremia tanto que errou a busca.

Coloquei um prato com torradas ao lado dela.

“Come alguma coisa enquanto procura.”

“Não estou com fome.”

“Então deixa aí.”

Não insisti.

Camila pesquisou o número do projeto.

Apareceram três resultados.

O primeiro era uma mensagem enviada por ela a Rodrigo.

O assunto dizia: “Pendências antes do fechamento”.

Camila soltou o ar.

“Eu mandei do meu pessoal porque estava fora do escritório. O relatório estava anexado.”

André pediu que abrisse sem alterar nada e encaminhasse uma cópia para o endereço indicado por ele.

Lemos juntos.

A mensagem dizia que o projeto não deveria ser encerrado enquanto os comprovantes ausentes não fossem conferidos.

No anexo, a ressalva estava lá.

Camila apoiou os cotovelos na mesa.

“Eu sabia.”

Meu primeiro impulso foi abraçá-la.

Mas André levantou um dedo, pedindo um momento.

“Isso é importante. Ainda precisamos comparar os arquivos e saber como a versão enviada pela empresa foi produzida.”

Ele telefonou para Lígia.

A perita combinou de receber os materiais pelos meios que já vinha usando com o advogado.

Camila encaminhou a mensagem preservando o que conseguia do conteúdo original e autorizou os pedidos de verificação.

Depois abriu o segundo resultado.

Rodrigo havia respondido naquele mesmo dia.

“Recebi. Vou verificar com o Marcelo. Não encaminhe para mais ninguém até alinharmos.”

Fiquei olhando para a tela.

Ele recebera o aviso.

Não podia alegar que minha filha aprovara sem questionar.

“Você cobrou uma resposta?”, perguntei.

“Várias vezes. Ele dizia que o financeiro estava resolvendo.”

O terceiro resultado era outra mensagem de Camila, enviada duas semanas depois.

Ela perguntava por que a pendência aparecia como encerrada.

Não havia resposta.

André anotou as datas.

“Vamos apresentar esses documentos junto com seu relato. E pedir acesso aos registros que permitam verificar as versões e as ações realizadas.”

Camila olhou para mim.

A tensão ainda estava no rosto, mas alguma coisa tinha mudado.

Até aquela manhã, tentava lembrar se havia cometido um erro.

Agora podia mostrar onde havia se recusado a aceitar o que não estava comprovado.

O telefone dela vibrou.

Uma mensagem de uma antiga colega.

正文1

“Soube que você está afastada. Você está bem?”

Camila mostrou a André.

“É a Patrícia. Trabalhou comigo até o mês passado.”

“Você quer falar com ela?”

Minha filha pensou.

“Quero. Mas não quero pedir que ela faça nada escondido.”

“Pode perguntar sobre fatos que ela presenciou e deixar que decida se deseja relatá-los.”

Camila respondeu que estava em recuperação e precisava esclarecer alterações feitas num relatório.

Patrícia ligou minutos depois.

Minha filha pediu autorização para colocar no viva-voz.

A mulher concordou.

“Camila, eu estranhei quando tiraram você da pasta de fechamento.”

Camila endireitou as costas.

“Quando?”

“Depois daquela reunião com o Marcelo. Você ainda conseguia abrir alguns arquivos, mas não podia concluir o processo. Eu lembro porque pediu para conferir sua permissão.”

“Disseram que era atualização do sistema.”

“Foi o que me falaram também.”

André se apresentou e perguntou se Patrícia aceitaria conversar em outro momento sobre o que havia observado.

Ela ficou em silêncio.

“Eu tenho receio de me envolver.”

Camila respondeu antes dele.

“Eu entendo. Não quero que você arrisque nada por telefone. Só não apaga nossas mensagens, por favor.”

“Não vou apagar.”

Quando a ligação terminou, minha filha ficou olhando para o aparelho.

“Ela me ajudou naquele dia. Eu tinha esquecido.”

“Você está lembrando agora”, falei.

Camila pegou uma torrada.

Comeu metade sem perceber.

Foi a primeira coisa que conseguiu engolir naquela manhã.

À tarde, André voltou com Lígia.

A perita havia feito uma comparação inicial entre os documentos disponíveis.

A versão guardada no e-mail de Camila continha a ressalva. O arquivo enviado pela empresa não.

Havia diferenças em outros campos.

Lígia explicou que os materiais, por si só, não permitiam atribuir todas as alterações a uma pessoa. Precisariam dos registros correspondentes e de outras fontes.

Camila ouviu atentamente.

“Mas não são a mesma versão.”

“Não”, respondeu Lígia. “E seu e-mail registra que você comunicou a pendência.”

André começou a preparar uma manifestação contestando a alegação de aprovação integral.

Minha filha ditou o que reconhecia e o que negava.

Eu saí da cozinha para atender uma ligação.

Era um colega do trabalho, avisando que alguém havia procurado informações sobre o incidente no hospital.

Pedi que qualquer questionamento fosse tratado pelos canais adequados e informei que apresentaria minha versão quando solicitada.

Não mencionei os documentos de Camila.

Quando voltei, ela percebeu meu rosto.

“Já chegaram até você?”

“Perguntaram sobre o corredor.”

“Desculpa.”

Sentei ao lado dela.

“Você não fez o homem segurar meu braço. E não escreveu a reclamação.”

Ela passou a ponta da unha pelo prato.

“Eles sempre fazem parecer que a gente provocou.”

André ergueu os olhos, mas deixou que eu respondesse.

“Então vamos continuar registrando o que cada pessoa fez.”

Camila assentiu.

Lígia ainda tinha uma parte dos arquivos para examinar.

Abriu uma sequência de mensagens relacionadas ao fechamento do projeto.

Algumas estavam incompletas. Outras repetiam anexos já vistos. Ela organizava o que podia ser associado a cada data, sem tentar preencher as lacunas.

正文2

Um nome apareceu diversas vezes.

Marcelo Vasconcelos.

Camila se aproximou da tela.

“Ele aprovava os pagamentos.”

Havia cobranças sobre documentos faltantes e pedidos para encerrar pendências antes de uma revisão externa.

Uma resposta mencionava a auditoria.

Lígia abriu o arquivo associado.

O remetente era Beatriz.

A mensagem estava dirigida a Marcelo, com Rodrigo em cópia.

Minha filha não disse nada.

Eu li em voz alta a primeira linha.

“Não quero esse problema chegando à revisão.”

A segunda era mais curta.

“O fechamento precisa continuar ligado à Camila. Foi a auditoria que validou.”

Camila colocou a mão sobre a boca.

Na parte final, Beatriz exigia que não houvesse mais circulação de versões diferentes.

Olhei para André.

Ele já anotava a identificação do arquivo.

“Isso também precisa ser verificado com as fontes originais”, disse. “Mas dá uma direção clara para os pedidos.”

Minha filha afastou a mão do rosto.

“Ela sabia que eu tinha deixado a pendência.”

“Por que você diz isso?”, perguntou Lígia.

“Porque eu levei esse relatório para ela.”

Eu me virei.

“Você falou com Beatriz?”

“Rodrigo disse que a mãe conseguiria obrigar o financeiro a responder. Eu levei uma cópia.”

A lembrança pareceu feri-la mais do que a mensagem.

“Ela me agradeceu pela atenção. Disse que era bom ter alguém cuidadoso na família.”

Camila ficou alguns segundos sem falar.

Depois apontou para o número do projeto no documento aberto.

“Esse é o contrato que não queriam me deixar consultar.”

André puxou uma folha limpa.

“Qual parte?”

“O contrato principal. Eu só tinha acesso às notas e aos relatórios de entrega. Quando pedi o restante, Marcelo disse que era assunto da diretoria.”

Lígia voltou à listagem.

Camila indicou uma pasta com o mesmo número.

Dentro havia um documento de pagamento e uma referência a uma instituição beneficiária.

Minha filha tocou a tela.

“Espera.”

Seu dedo ficou parado sobre o nome.

A entidade aparecia vinculada à Boa Vista.

A mesma clínica para onde tentaram levá-la naquela madrugada.

Olhei para o medalhão vazio sobre a mesa.

Beatriz não estava apenas protegendo o filho de uma acusação.

Minha filha tinha encontrado um caminho que passava pelos pagamentos da família e terminava no lugar onde pretendiam trancá-la.

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