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"Debaixo da Cama, Ouvi Meu Marido Planejar Minha Ruína." Parte 2 — Assine Por Nós

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Parte 2 — Assine Por Nós

Não peguei a caneta.

Puxei uma cadeira e me sentei diante das folhas.

Bruno ficou atrás de mim, com uma das mãos no meu ombro. Até algumas horas antes, aquele gesto teria me acalmado.

"É uma autorização para quê?"

"Para o Diego levantar as possibilidades de organização do nosso patrimônio."

Li a primeira página inteira. Depois virei.

A palavra

garantia

aparecia na segunda.

"Por que tem o endereço do apartamento?"

"Porque é o nosso principal bem."

"O apartamento é meu."

A mão saiu do meu ombro.

Quando me virei, ele ainda sorria, mas tinha parado de brincar com a caneta.

"Eu sei em nome de quem está, Lara. Estou falando da nossa vida."

Voltei para o papel.

Não entendi todos os termos. Entendi o suficiente para saber que aquilo não era uma simples atualização de cadastro.

"Quero ler amanhã, descansada."

"Você está desconfiando de mim na nossa noite de núpcias?"

"Estou cansada na nossa noite de núpcias. É diferente."

Ele me observou por alguns segundos.

Então recolheu as folhas.

"Claro. Não vou estragar a noite por causa disso."

Deixou a pasta na bancada e entrou no banheiro.

Eu fotografei as páginas antes que voltasse.

Quando nos deitamos, disse que estava com dor de cabeça. Bruno apagou a luz e me abraçou por trás.

Fiquei acordada até o céu clarear na janela.

Às sete, mandei uma mensagem para um cliente perguntando se podia antecipar uma reunião prevista para a semana seguinte. Ele respondeu que seria ótimo.

Eu precisava de uma razão verdadeira para sair.

No café da manhã, contei a Bruno que a entrega de um projeto tinha mudado.

Ele baixou a xícara.

"Lara, nossa viagem é depois de amanhã."

"Eu sei. Vou resolver hoje."

"Você prometeu que desligaria do trabalho."

"Prometi que viajaria com o trabalho organizado. Ainda não está."

A discussão terminou porque Sônia chegou.

Ela me beijou perto do rosto e perguntou se eu havia dormido bem.

"Como uma pedra", respondi.

Bruno contou da reunião antes que eu pudesse escolher outro assunto.

"Ela casou, mas continua achando que precisa resolver tudo sozinha."

Sônia passou manteiga numa torrada.

"Vai se acostumar. Algumas mulheres demoram a entender que agora existe um marido para ajudar."

Eu mantive as mãos debaixo da mesa.

Não queria que vissem como tremiam.

Saí do hotel às nove e encontrei meu pai e Renata no escritório dela.

Papai se levantou assim que entrei.

Não perguntou por que eu não tinha escutado seus conselhos. Não falou de dinheiro.

Só me abraçou.

Aquilo quase me fez perder a coragem que eu juntara desde a madrugada.

"Eu achei que ele me amava", falei contra a camisa dele.

"Eu sei."

Renata esperou que eu me sentasse.

Tinha ouvido o vídeo, mas pediu que eu contasse os pagamentos na ordem em que haviam acontecido.

Abri o aplicativo do banco.

Mostrei a entrada da herança, minhas transferências para Bruno e os comprovantes que ele encaminhara do vendedor.

正文1

Depois procurei as mensagens.

Havia valores, datas, pedidos para que eu enviasse o restante e confirmações de recebimento. Eu passara meses agradecendo pela atenção dele. Cada agradecimento estava acompanhado de alguma informação útil.

Renata organizou os arquivos sem me interromper.

Quando entreguei as fotografias da autorização, ela se inclinou sobre a tela.

"Você assinou alguma versão anterior disso?"

"Não."

"Alguma procuração? Algum pedido de crédito?"

"Também não."

"Ele conhece suas senhas bancárias?"

"Não. Mas tem cópias dos meus documentos. Usou na compra."

Ela anotou.

Meu pai estava sentado ao meu lado, em silêncio. Eu conhecia aquele silêncio. Era o esforço que fazia para não decidir por mim quando estava preocupado.

"Quero entender o que ele consegue fazer", pedi.

"Primeiro vamos separar o que ele disse do que existe", Renata respondeu. "O imóvel está registrado em seu nome. Precisamos conferir o registro atualizado e todos os documentos. Esses comprovantes ajudam a mostrar de onde veio o dinheiro."

"Ele pode dizer que pagou porque fez as últimas transferências?"

"Pode dizer muita coisa. Nós vamos guardar o caminho completo, não só a última etapa."

Encostei na cadeira.

Desde a noite anterior, eu imaginava a fechadura do apartamento sendo trocada, minhas roupas no corredor, a voz de Bruno dizendo que eu não tinha entendido o que assinara.

Ainda havia problemas.

Mas não estava tão indefesa quanto eles pensavam.

Renata me passou uma lista curta. Documentos da compra. Conversas completas. Comprovantes originais. Cópias dos arquivos em lugares aos quais Bruno não tivesse acesso.

Também me orientou a não preencher novos formulários nem permitir que ninguém confirmasse informações em meu nome.

Passei a manhã fazendo aquilo.

Pela primeira vez desde o casamento, minhas mãos pararam de tremer.

Papai me ofereceu o quarto de casa.

"Você pode ficar comigo hoje."

"Quero cancelar a viagem primeiro. Depois buscar minhas coisas do hotel."

Ele assentiu.

"E você não precisa ficar sozinha com ele para descobrir mais nada."

"Eu sei."

Era importante dizer aquilo.

Meu pai podia me apoiar. Renata podia me orientar.

Mas eu teria que falar com Bruno.

Voltei ao hotel no começo da tarde.

Ele estava com a mala aberta sobre a cama.

"Resolveu?"

"Não vou conseguir viajar agora."

A camisa que segurava ficou suspensa entre nós.

"Você está brincando."

Expliquei a antecipação da reunião e a entrega do projeto. Não inventei um desastre. Disse apenas que precisava ficar em São Paulo.

Ele jogou a camisa dentro da mala.

"Eu gastei dinheiro nessa viagem."

"Vou pagar minha parte dos custos que não conseguirmos recuperar."

"Não é disso que estou falando."

"Então do que é?"

Bruno fechou a mala com força.

"Você escolheu seu cliente em vez de mim."

Esperei que terminasse.

Ele parecia aguardar uma desculpa, um pedido para que não ficasse bravo, uma promessa de compensação.

Eu costumava oferecer os três.

Dessa vez, fui arrumar minha bolsa.

No carro, ele não falou comigo.

Já no apartamento, deixou as malas no corredor e saiu dizendo que precisava trabalhar.

A ausência me deu duas horas.

Guardei meus documentos pessoais, conferi os arquivos da compra e alterei as senhas dos serviços que usávamos juntos. Não mexi nas coisas dele.

Naquela noite, Bruno trouxe comida do restaurante de que eu gostava.

Beijou minha testa.

"Desculpa. Fiquei frustrado. Esperei tanto por esses dias."

Eu também.

Servi a comida e escutei enquanto ele falava da empresa. Pela primeira vez, percebi quantas respostas evitava.

Quando perguntei se alguma obra estava atrasada, disse que era burocracia.

Quando perguntei sobre pagamentos, disse que eu não precisava carregar preocupações dele.

Depois tirou a mesma pasta da bolsa.

"Mas você podia me ajudar com isso."

Deixei os talheres no prato.

"Vou pedir que a Renata leia."

A expressão dele mudou.

"Por quê?"

"Porque ela entende de documentos patrimoniais."

"Eu também entendo."

"Então vocês vão se entender."

Bruno puxou a pasta de volta.

Não voltou a me dirigir a palavra durante o jantar.

Na manhã seguinte, saiu sem se despedir.

Eu estava na cozinha quando meu telefone tocou.

Uma mulher perguntou por Lara Nogueira e confirmou meu endereço.

"Estamos entrando em contato para complementar a documentação da sua solicitação de crédito."

Olhei para a pasta que Bruno deixara sobre o aparador.

"Que solicitação?"

Houve uma pausa.

"A que recebemos por intermédio do senhor Diego Bastos. Consta uma autorização com a sua assinatura."

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