"O Filho do Chefe da Máfia Apontou Para Mim Entre Todas as Mulheres… E Disse: “Ela Estava Comigo Naquele Dia”" Capítulo 4 — A Foto Que Isabela Nunca Apagou
“Me mostre.”
Dante estendeu a mão.
Isabela não entregou o telefone.
“Está em outro aparelho.”
“Onde?”
“Na minha casa.”
Dante pegou o próprio celular.
“Bruno, prepare o carro.”
Isabela imediatamente reagiu.
“Eu vou junto.”
“Não.”
“A casa é minha.”
“Justamente.”
“Você não pode entrar lá sem mim.”
Dante aproximou-se.
“Alguém acabou de mandar uma mensagem perguntando por uma fotografia que só você sabia que existia.”
“Por isso eu vou.”
“Por isso você fica.”
Isabela ergueu o queixo.
“Você manda em muita gente, Dante Montenegro. Em mim, não.”
Por um instante, Teresa, Bruno e até Henrique ficaram em silêncio.
Poucas pessoas falavam com Dante daquela maneira.
Ele a encarou.
“Cinco minutos.”
“Para quê?”
“Pegue um casaco.”
***
Vinte minutos depois, três carros deixavam Jardim Europa.
Isabela seguia no banco traseiro ao lado de Dante.
Bruno estava no veículo da frente.
“Gabriel ficou com Teresa?”, perguntou ela.
“Sim.”
“Ele ficou assustado.”
“Eu sei.”
“Não deixe ninguém interrogá-lo.”
Dante olhou pela janela.
“Eu não interrogo meu filho.”
“Você faz perguntas como se estivesse numa reunião.”
“É assim que eu falo.”
“Então aprenda outro jeito.”
Dante virou o rosto.
Isabela sustentou o olhar.
Estranhamente, ele não ficou irritado.
“Você sempre fala assim com pessoas que acabou de conhecer?”
“Só com as que trancam o portão quando eu tento ir embora.”
Quase surgiu um sorriso.
Quase.
O carro parou diante de um pequeno prédio na Vila Mariana.
Bruno desceu primeiro.
A porta do apartamento estava fechada.
Nenhum sinal evidente de invasão.
Isabela abriu.
Acendeu a luz.
Parou.
“Não.”
Dante entrou atrás dela.
Gavetas abertas.
Almofadas no chão.
Papéis espalhados.
O pequeno apartamento havia sido completamente revistado.
“Não toque em nada”, Bruno disse.
Isabela correu para o quarto.
“Isabela!”
Dante foi atrás.
Ela abriu um armário.
No fundo havia uma caixa de sapatos.
Vazia.
“Estava aqui.”
“O telefone?”
“Sim.”
Dante fechou os olhos por um instante.
“Então levaram.”
“Não.”
Isabela ajoelhou-se.
Passou a mão sob a parte inferior de uma cômoda.
Retirou um pequeno envelope preso com fita adesiva.
Dentro havia um cartão de memória.
“Eu fiz uma cópia.”
Dante olhou para ela.
“Por quê?”
“Porque depois daquele dia fiquei com uma sensação ruim.”
Bruno trouxe um notebook.
Isabela inseriu o cartão.
A pasta tinha poucas imagens.
Ela abriu uma.
Uma estrada.
Outra.
Gabriel sentado numa cadeira de plástico diante da pequena lanchonete, segurando uma garrafa de água.
Dante ficou olhando para a imagem.
Seu filho parecia tão pequeno.
Tão sozinho.
Isabela abriu a seguinte.
A SUV preta aparecia ao fundo.
Borrada.
Parcialmente escondida por árvores.
“Essa.”
Bruno aproximou o rosto da tela.
Dante também.
A placa era ilegível.
Mas havia algo na porta.
Um símbolo prateado.
Bruno ficou imóvel.
Dante reconheceu imediatamente.
O antigo emblema da Montenegro Logística.
“É nosso.”
Isabela assentiu.
“Foi isso que achei estranho depois.”
Dante olhou para Bruno.
“Quero todos os registros daquele veículo.”
“Vou precisar identificar a unidade.”
“Faça.”
Bruno ampliou a imagem.
Havia uma pequena sequência numérica perto do para-lama.
Parte dela estava visível.
“Talvez dê.”
Enquanto Bruno trabalhava, Dante abriu outra fotografia.
“Espera.”
A imagem fora tirada segundos depois.
Um homem aparecia próximo ao carro.
De costas.
Terno escuro.
Não era possível ver o rosto.
Mas ele segurava o telefone junto ao ouvido.
Isabela apontou.
“Acho que foi ele que falou ‘deu errado’.”
Dante ampliou.
Nada.
Bruno, porém, pareceu reconhecer alguma coisa.
“Que foi?”
“Nada.”
Dante olhou para ele.
“Você ainda não aprendeu?”
Bruno respirou fundo.
“Esse relógio.”
No pulso do homem havia uma peça grande, com pulseira escura.
“É raro.”
“Você conhece?”
“Já vi um parecido.”
“Onde?”
Bruno não respondeu imediatamente.
Dante já sabia.
“Ricardo?”
“Talvez.”
Isabela se aproximou da tela.
“Isso não prova que seja ele.”
“Não.”
Dante fechou o notebook.
“Mas prova que meu filho não saiu sozinho daquela propriedade.”
O celular de Bruno tocou.
Ele atendeu.
“Fala.”
Seu rosto mudou.
“Tem certeza?”
Dante observou.
Bruno desligou.
“Identificaram o veículo.”
“E?”
“Era da unidade executiva.”
“Quem solicitou?”
“Estamos puxando a autorização.”
Isabela olhou para Dante.
Ele permaneceu parado no meio do apartamento destruído.
Então ouviu um ruído no corredor.
Bruno levou a mão para dentro do paletó.
Dante colocou Isabela atrás de si.
Passos.
A maçaneta mexeu.
Dois seguranças se posicionaram.
A porta abriu.
Era uma senhora do apartamento ao lado.
Ela levantou as mãos, assustada.
“Meu Deus!”
Isabela correu.
“Dona Célia, calma.”
“Eu vi a porta aberta…”
“Está tudo bem.”
Não estava.
Mas Isabela não queria assustá-la.
A vizinha olhou para Dante e para os homens.
“Você chamou a polícia?”
“Vamos chamar.”
“Eu ouvi barulho mais cedo.”
Dante se aproximou.
“Que horas?”
“Talvez sete e meia.”
“Viu alguém?”
“Um homem.”
Bruno prestou atenção.
“Como era?”
“Bem vestido. Achei que fosse alguém do trabalho dela.”
“Idade?”
“Quarenta e poucos.”
“Carro?”
“Um sedã cinza.”
“Rosto?”
“Não vi direito.”
Ela pensou.
“Mas ele estava falando no telefone.”
Isabela ficou tensa.
“O que ele disse?”
“Só ouvi uma frase quando passei.”
Dona Célia tentou lembrar.
“Algo sobre uma reunião.”
“Que reunião?”
“Ele falou… ‘Diz ao Ricardo que ela encontrou’.”
Ninguém se moveu.
Dante sentiu a mandíbula endurecer.
Bruno fechou os olhos.
Agora havia mais que suspeitas.
Havia um nome.
***
Quando voltaram à mansão, já passava da meia-noite.
Gabriel dormia.
Isabela recusou a ideia de voltar ao apartamento.
Não porque Dante ordenara.
Porque agora sabia que alguém havia entrado lá procurando a fotografia.
Teresa preparou um quarto para ela.
Antes que Isabela subisse, Dante apareceu no corredor.
“Você fica aqui esta noite.”
“Esta noite.”
“Até eu descobrir quem entrou no apartamento.”
“Não transforme isso numa ordem.”
“Então considere um pedido.”
Ela pareceu surpresa.
“Você sabe pedir?”
“Estou aprendendo.”
Isabela quase sorriu.
Quase.
“Boa noite, Dante.”
“Boa noite.”
Ela começou a subir.
“Isabela.”
Parou.
“Obrigado.”
“Por quê?”
Dante demorou.
“Por ter ficado com Gabriel naquela estrada.”
O rosto dela suavizou.
“Ele estava sozinho.”
“Mesmo assim.”
“Qualquer pessoa teria feito.”
Dante balançou a cabeça.
“Não.”
Ela esperou.
“Não qualquer pessoa.”
Isabela subiu sem responder.
Dante permaneceu no corredor.
Seu telefone vibrou.
Bruno.
“Encontramos a autorização do veículo.”
Dante voltou imediatamente ao escritório.
Bruno já estava diante do computador.
“Mostre.”
Na tela aparecia o registro interno da Montenegro Logística.
Data.
Horário.
Veículo.
Destino.
Cotia.
Dante leu o nome do responsável.
**Ricardo Vasconcelos.**
Ele não piscou.
“Ligue para Caio.”
“Agora?”
“Agora.”
Bruno pegou o telefone.
Dante olhou novamente para o registro.
Quinze anos de amizade.
Negócios.
Viagens.
Casamentos.
Funerais.
Ricardo segurara Gabriel no colo quando ele nasceu.
Era seu padrinho.
Então uma voz pequena veio da porta.
“Pai?”
Dante virou-se.
Gabriel estava de pijama.
“Por que você acordou?”
“Tive sonho.”
Dante foi até ele.
“Quer dormir comigo?”
Gabriel balançou a cabeça.
“Quero a Isabela.”
Dante ficou em silêncio.
O menino olhou para a tela do computador.
Havia uma fotografia de Ricardo anexada ao registro corporativo.
Gabriel parou.
Seu rosto mudou.
Dante percebeu imediatamente.
“Gabriel?”
O menino apontou para a tela.
Bruno ficou rígido.
Dante se abaixou.
“Você conhece o tio Ricardo.”
Gabriel não respondeu.
“Filho?”
O menino recuou.
“Ele estava lá.”
O coração de Dante disparou.
“Onde?”
Gabriel começou a chorar.
Dante segurou seus ombros com cuidado.
“Não precisa ter medo.”
Gabriel olhou novamente para a fotografia.
“Eu ouvi ele.”
Bruno deu um passo.
Dante levantou a mão, impedindo-o de se aproximar.
“Ouviu o quê?”
Gabriel soluçou.
“Meu nome.”
“Quem falou seu nome?”
O menino apontou para Ricardo.
“Ele.”
Dante ficou imóvel.
Gabriel então pronunciou uma frase que nenhum relatório dos últimos oito meses havia registrado:
“Ele falou que você ia fazer tudo quando descobrisse que eu tinha sumido.”
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