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"O Filho do Chefe da Máfia Apontou Para Mim Entre Todas as Mulheres… E Disse: “Ela Estava Comigo Naquele Dia”" Capítulo 2 — Os 47 Minutos

正文开头

“Eu não vou ficar presa aqui.”

Isabela falou assim que a porta do escritório se fechou.

Dante permaneceu atrás da enorme mesa de madeira, enquanto Gabriel se sentava no sofá ao lado de Teresa.

“Você não está presa.”

“Seu segurança acabou de trancar o portão.”

“Porque alguém mentiu sobre o desaparecimento do meu filho.”

“E isso não fui eu.”

“É justamente o que vamos descobrir.”

Isabela soltou uma risada nervosa.

“Eu vim entregar flores.”

“E meu filho reconheceu você.”

Dante abriu uma gaveta.

Retirou uma pasta.

Colocou-a sobre a mesa.

Na capa havia uma data.

Isabela reconheceu imediatamente.

Era o dia em que encontrara Gabriel.

Dante abriu o relatório.

“Às dezesseis horas e doze minutos, Gabriel desapareceu da propriedade da minha família em Cotia.”

Virou uma página.

“Às dezesseis e cinquenta e nove, foi localizado.”

“Quarenta e sete minutos.”

“Exatamente.”

Isabela olhou para Gabriel.

“Eu não sabia.”

“Às dezessete e cinco, Bruno informou que havia encontrado meu filho perto de uma estrada rural.”

Dante empurrou o documento na direção dela.

“Essa estrada.”

Isabela leu.

Seu rosto mudou.

“É perto de onde eu estava.”

Dante chamou Bruno.

O segurança entrou acompanhado de dois homens.

Dante apontou para uma cadeira.

“Senta.”

Bruno obedeceu.

“Vamos começar de novo. Quem encontrou Gabriel?”

“Uma equipe.”

“Não foi isso que você escreveu.”

“Eu coordenei a equipe.”

Dante bateu o dedo sobre a folha.

“Está escrito: ‘Localizei pessoalmente o menor e realizei seu transporte de volta à propriedade’.”

Bruno respirou fundo.

“Foi uma simplificação operacional.”

Isabela encarou-o, incrédula.

“Você chama isso de simplificação?”

Bruno não respondeu.

Dante virou-se para ela.

“Conte tudo.”

Isabela respirou lentamente.

Naquela tarde, havia visitado a tia em São Roque. Na volta para São Paulo, seu carro começou a falhar numa estrada secundária.

Ela encostou.

O sinal do celular era quase inexistente.

Enquanto tentava ligar para o seguro, ouviu um som vindo do mato.

Choro.

“Eu achei que fosse um animal primeiro.”

Gabriel olhava para ela em silêncio.

“Entrei alguns metros e vi um menino sentado no chão.”

“Meu filho”, disse Dante.

“Sim.”

“Estava machucado?”

“Não.”

“Algum sangue?”

“Não.”

“Marcas?”

“Nada.”

Dante apoiou as mãos na mesa.

“Ele disse como chegou lá?”

“Não conseguia explicar.”

Isabela contou que Gabriel repetia “papai” e “casa”, mas não sabia dizer endereço.

Ela o levou até uma pequena lanchonete de estrada.

Comprou água.

Tentou ligar para a polícia.

Sem sinal.

“E então?”

Isabela hesitou.

“Eu vi um carro.”

Bruno ergueu os olhos.

Dante percebeu.

“Que carro?”

“Uma SUV preta.”

“Placa?”

“Não lembro.”

“Marca?”

“Também não.”

“Quem estava dentro?”

“Dois homens.”

Dante ficou atento.

“Eles estavam com Gabriel?”

“Não exatamente.”

“Explique.”

“Quando encontrei Gabriel, o carro estava parado mais adiante.”

“Quanto?”

“Uns cem metros. Talvez menos.”

“Eles viram você?”

“Acho que sim.”

“E?”

“Foram embora.”

Dante franziu a testa.

“Abandonaram uma criança?”

“Foi o que achei estranho.”

Bruno esfregou as mãos.

Isabela continuou.

“Uns quinze ou vinte minutos depois, apareceu outro carro. Dois homens desceram e disseram que eram seguranças da família.”

正文1

“Você pediu identificação?”

“Pedi.”

“Mostraram?”

“Um deles mostrou um crachá rapidamente. Tinha o sobrenome Montenegro.”

Dante olhou para Bruno.

“Minha equipe usava crachás assim?”

“Na época, sim.”

“Quem eram?”

“Não sei.”

“Descubra.”

Bruno ficou em silêncio.

Dante estreitou os olhos.

“Eu mandei descobrir.”

“Alguns funcionários foram desligados desde então.”

“Não me interessa.”

Gabriel desceu do sofá.

Caminhou até Isabela.

“Você ficou comigo.”

Ela sorriu tristemente.

“Fiquei.”

“Eu estava chorando.”

“Estava.”

“Você falou que meu pai ia me achar.”

Dante desviou o rosto por um instante.

Aquela frase atingiu um lugar que ele não esperava.

Durante meses carregara a culpa de não ter encontrado o próprio filho.

E agora descobria que, enquanto procurava desesperadamente, uma desconhecida estava ajoelhada numa estrada dizendo a Gabriel que o pai viria buscá-lo.

“Por que você entregou meu filho àqueles homens?”

A pergunta saiu mais dura do que pretendia.

Isabela levantou os olhos.

“Porque eles sabiam o nome completo dele.”

“Isso não prova nada.”

“Eu sei disso agora.”

“Você deveria ter esperado a polícia.”

Ela se levantou.

“Eu tentei ligar!”

Gabriel assustou-se com o tom.

Isabela imediatamente baixou a voz.

“Desculpa.”

Depois olhou para Dante.

“Eu estava sozinha numa estrada, sem sinal, com uma criança chorando. Dois homens chegaram num carro com identificação da sua empresa, sabiam o nome dele, sabiam o nome do pai e disseram que dezenas de pessoas estavam procurando por ele. O que você queria que eu fizesse?”

Dante não respondeu.

Porque, colocado daquela maneira, sabia que ela tinha razão.

Teresa tocou o ombro de Gabriel.

“Vamos buscar alguma coisa para comer?”

O menino segurou a mão de Isabela.

“Ela vem?”

Dante observou.

“Depois.”

Gabriel não gostou.

Mas acompanhou Teresa.

Assim que saíram, Dante fechou a porta.

“Agora sem meu filho aqui.”

Ele encarou Bruno.

“Quem eram os dois homens?”

“Eu não sei.”

Dante avançou.

“Você estava comandando a segurança.”

“Sim.”

“Você escreveu que encontrou Gabriel.”

“Sim.”

“Então por que não sabe quem o pegou?”

Bruno permaneceu calado.

Isabela percebeu algo.

“Espera.”

Os dois homens olharam para ela.

“Quando eles chegaram à lanchonete, não pareciam procurar uma criança.”

Dante virou-se.

“Como assim?”

“Eles não estavam nervosos.”

“Continue.”

“Se uma criança de uma família importante desaparece, você imagina gente correndo, perguntando, ligando.”

Ela fechou os olhos, reconstruindo a cena.

“Eles chegaram tranquilos.”

Bruno ficou pálido.

“E um deles falou uma coisa.”

“Qual?”

Isabela levou alguns segundos para lembrar.

“Quando viu Gabriel comigo, ele disse para o outro: ‘Deu errado’.”

Silêncio.

Dante sentiu o sangue esfriar.

“Tem certeza?”

“Na época achei que estivesse falando da busca.”

Bruno se levantou.

“Dante—”

“Senta.”

“Você precisa entender—”

“Senta!”

Bruno obedeceu.

Isabela olhou de um para o outro.

“Vocês achavam que ele tinha se perdido sozinho, não é?”

Dante respondeu sem desviar os olhos do segurança.

“Era o que todos os relatórios diziam.”

“Então talvez ele não tenha se perdido.”

Bruno fechou os olhos.

Dante percebeu.

Aproximou-se lentamente.

“Você sabe.”

“Dante…”

“Você sabe o que aconteceu.”

Bruno ficou em silêncio.

Dante pegou o relatório e o lançou sobre a mesa.

“Durante oito meses meu filho acordou gritando.”

Nada.

“Durante oito meses eu me perguntei como ele atravessou quilômetros sozinho.”

Nada.

“Durante oito meses você me deixou acreditar nisso.”

Bruno levantou os olhos.

Havia culpa ali.

Mas havia outra coisa também.

Medo.

“Eu não podia contar.”

Dante soltou uma risada sem humor.

“Não podia?”

“Não.”

“Por quê?”

Bruno olhou para Isabela.

“Porque ela estava viva.”

Isabela congelou.

“Eu?”

Bruno assentiu.

Dante agarrou-o pelo paletó.

“Que diabos isso significa?”

Bruno não reagiu.

“Alguém soube que havia uma testemunha naquela estrada.”

Isabela recuou.

“Quem?”

Bruno não respondeu.

Dante apertou mais o tecido.

“Quem sabia?”

Bruno falou quase num sussurro:

“A mesma pessoa que mandou colocar o nome dela na lista desta noite.”

Dante soltou-o.

“Que lista?”

“A lista das mulheres convidadas.”

Dante ficou imóvel.

Isabela também.

Ela balançou a cabeça.

“Eu não fui convidada. Vim entregar flores.”

Bruno olhou diretamente para ela.

“Você acha que entrou aqui por engano?”

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