"A Filha da Empregada Desenhou Uma Porta na Parede do Chefe da Máfia… E Ele Mandou Quebrar a Mansão" Capítulo 5 — A Menina Que Viu o Morto
Artur apertou o pulso de Luna quando ela tentou recuar.
"Seu pai confiava em mim", disse ele, ainda sorrindo para a câmera. "Vou levar você até a mensagem que ele deixou."
Luna olhou para o X vermelho que desenhara no sapato dele.
"Meu pai falou para eu não seguir homem que conta segredo sorrindo."
O rosto de Artur endureceu.
Ele puxou a menina em direção à parede aberta. Antes de chegar ao vão, uma placa de madeira explodiu atrás dele. Dante saiu da passagem, coberto de poeira, e atingiu o advogado no ombro.
Artur soltou Luna. Dante a empurrou para trás do próprio corpo.
"Rafael, leve a menina."
O chefe da segurança entrou pela porta principal com dois homens. Luna correu para ele, mas Artur retirou do bolso um pequeno controle e pressionou um botão.
O escritório mergulhou na escuridão.
Uma detonação abafada sacudiu o piso. Fumaça branca avançou pelo corredor oculto, acionando o alarme de incêndio. Os seguranças se dividiram entre proteger Luna e encontrar uma rota de saída.
Quando as luzes de emergência acenderam, Artur havia desaparecido.
Dante encontrou uma abertura no fundo do compartimento onde o invasor caíra. O advogado preparara uma segunda fuga sob o assoalho.
"Ele conhecia todas as saídas", disse Rafael.
"Porque ajudou a esconder algumas delas", respondeu Dante.
Helena chegou ao escritório e abraçou a filha com tanta força que Luna reclamou. A mãe não afrouxou os braços.
"Ele machucou você?"
"Só apertou. Eu marquei o sapato para o senhor Dante achar."
Dante se aproximou. Havia um corte em sua testa.
"Foi uma boa marca."
Luna observou o sangue.
"Você também precisa de um curativo."
Por um instante, a dureza dele cedeu. Depois o rádio de Rafael anunciou que um veículo deixara a garagem subterrânea antes do bloqueio total.
Não era Artur ao volante. As câmeras mostravam o segurança Marcos Vieira, homem que trabalhava para os Montenegro havia sete anos.
O traidor dentro da equipe tinha nome.
Dante ordenou que todas as entradas fossem lacradas e que ninguém deixasse a propriedade. Em seguida, levou Helena e Luna para uma suíte sem acesso às passagens antigas.
"Duas pessoas ficarão na porta", explicou. "Rafael escolheu homens que entraram na equipe depois da morte de Bianca e não tinham acesso ao sistema antigo."
Helena limpou o corte de Dante com gaze.
"Isso deveria me tranquilizar?"
"Não. Deve manter você desconfiada."
"Inclusive de você?"
Ele sustentou o olhar dela.
"Principalmente de mim, se eu pedir que entregue o caderno sem explicar por quê."
Helena percebeu que era a primeira vez que alguém poderoso lhe dava permissão para não obedecer cegamente.
Luna adormeceu no sofá, ainda segurando o giz vermelho. Dante analisou as fotografias das páginas enquanto Helena comparava os números a notas antigas de André.
Uma sequência se repetia: 43, 11 e 06.
"Depósito 43", disse Dante. "Onze pode ser o corredor. Seis, o compartimento."
Helena encontrou algo sob a encadernação. Um cartão de memória minúsculo estava colado à lombada.
Rafael trouxe um computador isolado da rede. O cartão continha apenas um vídeo, gravado no interior da sala oculta.
Bianca apareceu diante da câmera com o braço enfaixado.
"Hoje é 18 de agosto", disse ela.
Dante interrompeu a reprodução.
O acidente de Bianca ocorrera em 7 de agosto. O enterro, três dias depois.
O vídeo fora gravado onze dias após sua morte oficial.
Rafael criou duas cópias e verificou os metadados. O relógio fora sincronizado com o sistema da fundação, e o arquivo continha a assinatura digital usada por Bianca.
"Não é montagem recente", concluiu. "Existe desde aquela data e nunca foi alterado."
Dante permaneceu de pé, mas seus dedos tremiam. Durante dois anos, culpara-se por insistir naquela viagem. Agora descobria que Bianca sobrevivera e passara dias escondida perto de homens que trabalhavam para ele.
"Por que ela não falou comigo?"
Helena respondeu antes de Dalva.
"Talvez alguém filtrasse tudo o que chegava até você."
A frase doeu mais do que uma acusação. Dante lembrou-se de mensagens descartadas por Artur, reuniões canceladas por Marcos e relatórios entregues já resumidos. Construíra um império baseado em controle, enquanto outros escolhiam o que ele podia enxergar.
No vídeo, Bianca mostrou o jornal daquele dia. Depois revelou a aliança na mão ferida.
"Não quero que pense que abandonei você", disse. "Estou tentando voltar sem levar a morte comigo."
Helena olhou para ele.
"Então o corpo no carro não era dela."
Dante retomou o vídeo.
"Se Dante estiver vendo isto, preciso que saiba que eu sobrevivi", continuou Bianca. "André me tirou do carro antes que ele queimasse. Mas Marcos nos encontrou. Não posso voltar para casa enquanto Artur controlar a segurança."
Ela ergueu uma folha com fotografias de quatro homens.
"Eles falsificaram mortes para criar uma equipe invisível. Homens mortos não recebem salário, não cruzam fronteiras e não aparecem numa investigação. Mas continuam trabalhando para Artur."
Uma das imagens mostrava o invasor capturado naquela noite.
Rafael ampliou a fotografia. O nome abaixo dela era César Tavares, ex-segurança declarado morto havia três anos num incêndio.
"O homem na enfermaria", disse. "Ele está oficialmente morto."
Bianca se aproximou da câmera.
"Dante, o dinheiro desviado é só a superfície. Artur quer assumir suas empresas e entregar os portos a uma aliança que seu pai recusou. Se ele descobrir que estou viva, vai terminar o serviço."
O vídeo falhou. Quando retornou, André estava ao lado dela.
"Luna carrega a única cópia do caminho", declarou. "Se eu não voltar, procure Dalva. Ela sabe onde Bianca passou a última noite."
A gravação terminou.
Todos olharam para a governanta, que permanecia junto à porta.
Dalva começou a chorar.
"Eu queria contar. Juro por Deus."
"Onde Bianca passou a última noite?" perguntou Dante.
"No quarto da antiga costureira. Depois, André a levou para Santos. Ela estava viva quando saiu daqui."
Dante se aproximou devagar.
"Você me viu enterrar uma desconhecida."
"Artur tinha meu filho. Disse que mataria os dois se eu abrisse a boca."
Antes que ela explicasse, as luzes piscaram. O computador apagou, e as fechaduras eletrônicas dispararam ao mesmo tempo.
Rafael correu para o corredor. Um dos guardas estava desacordado; o outro havia sumido.
Helena se virou para o sofá.
O cobertor estava no chão.
Luna não estava mais ali.
O pânico de Helena virou uma certeza gelada: quem entrara conhecia até o novo quarto seguro.
Na parede, escrito com o giz vermelho, havia apenas um recado:
NÃO FUI LEVADA. ESTOU SEGUINDO O MORTO.
Helena tocou as letras. Luna ainda confundia o R e o L quando tinha pressa. No recado, todas as palavras estavam perfeitas.
"Alguém ditou isto."
Dante encontrou no tapete uma conta azul arrancada do coelho de pano. A abertura secreta do armário estava entreaberta.
Rafael examinou o guarda desacordado. Ele respirava, mas tinha uma marca de agulha no pescoço. No bolso, havia uma credencial com a fotografia de César e o nome de outro homem morto.
"A equipe invisível", murmurou Dante.
O rádio do guarda chiou. Uma voz informou que o pacote seguia pelo elevador de serviço.
Helena correu, mas Dante indicou o rodapé. Quase escondida na sombra, uma seta vermelha apontava na direção oposta.
Luna não apenas fugira. Percebera que os homens escutavam o rádio e criara uma pista falsa para eles.
Dante seguiu a seta sem esperar reforços.
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