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"A Filha da Empregada Desenhou Uma Porta na Parede do Chefe da Máfia… E Ele Mandou Quebrar a Mansão" Capítulo 4 — A Voz de Bianca

正文开头

Helena bateu na porta de ferro com as duas mãos.

"O que minha filha tem a ver com isso?"

A gravação continuou, indiferente ao desespero dela.

"Não deixe que Artur encontre o caderno. A menina não sabe o que carrega, e assim deve continuar."

Depois veio um clique. O silêncio voltou.

Dante segurou Helena pelos braços antes que ela golpeasse o metal outra vez.

"Respire. Vamos abrir."

"Bianca sabia o nome da minha filha antes de ela nascer. André mentiu para mim durante anos. E você quer que eu respire?"

"Quero que fique viva para ouvir a resposta."

Helena o encarou. Não havia doçura na frase, mas havia algo mais útil: certeza.

Rafael chamou um técnico e um serralheiro da equipe interna. Enquanto trabalhavam na fechadura, Dante conduziu Helena e Luna para uma pequena sala ao lado da adega. Dalva trouxe água e um cobertor.

Luna permanecia calada.

"Você sabia que seu pai colocou alguma coisa no caderno?" perguntou Dante.

A menina negou.

"Ele só falou que eu nunca devia jogar fora os desenhos feios."

Helena folheou cada página. Havia casas, animais, mapas infantis e números escondidos em flores. André transformara informações em brincadeiras para que ninguém percebesse.

Numa folha, sete pétalas continham algarismos. Noutra, placas de caminhões apareciam como dentes de um monstro. Dante fotografou tudo.

"Esses prefixos pertencem à Montenegro Logística", disse. "São veículos registrados como destruídos."

"Destruídos quando?"

"Nas semanas anteriores ao acidente de Bianca."

Helena sentiu a culpa mudar de forma. Durante dois anos, acreditara que André assumira um serviço perigoso para ganhar dinheiro extra. Talvez ele tivesse tentado protegê-la e falhado em contar a verdade.

Um estrondo anunciou a abertura da porta.

O cômodo escondido era maior do que esperavam. Monitores antigos cobriam uma parede. Pastas estavam empilhadas em prateleiras, e um painel elétrico alimentava câmeras espalhadas pela mansão.

No centro havia uma mesa com dois gravadores idênticos ao encontrado no escritório.

Rafael verificou o ambiente antes de permitir a entrada. Não havia ninguém. A única outra saída, uma porta baixa, estava trancada por dentro.

Helena viu uma fotografia presa ao mural. Bianca aparecia ao lado de André num galpão, ambos usando capacetes. Atrás deles, caixas marcadas com o logotipo da fundação beneficente dos Montenegro eram carregadas num caminhão.

"Eles se conheciam", disse Helena.

Dante retirou a foto com cuidado.

"E investigavam meus veículos sem me contar."

Dalva encontrou uma pasta com o nome de Bianca. Dentro havia cópias de transferências bancárias, notas fiscais e listas de medicamentos comprados pela fundação, mas nunca entregues aos hospitais.

As assinaturas de autorização eram de Dante.

Ele examinou os papéis.

"São falsas."

"Artur tinha autorização para assinar documentos na sua ausência", lembrou Rafael.

"Mas não acesso aos lacres dos caminhões. Precisava de alguém na operação."

Um som mecânico interrompeu a conversa. Um dos monitores acendeu. Mostrou o escritório no andar de cima, com a parede quebrada e homens recolhendo entulho.

正文1

Outro monitor exibiu a cozinha. Um terceiro, o corredor dos quartos.

As imagens eram ao vivo.

"O sistema ainda funciona", disse Rafael.

Dante encontrou no teclado uma sequência de arquivos organizados por data. Abriu o mais antigo. Bianca apareceu diante da câmera, pálida, com um corte no lábio.

"Se alguém estiver assistindo, Artur descobriu que André e eu rastreamos os desvios. Ele não trabalha sozinho. Há alguém dentro da segurança e alguém na polícia."

Dante ficou imóvel.

Na gravação, Bianca consultou o relógio.

"Meu acidente será amanhã. Ele acredita que eu vou pegar a Rodovia dos Bandeirantes às oito. Se eu desaparecer, não procure apenas o carro. Procure o depósito 43, em Santos."

Helena levou a mão à boca.

Bianca soubera que seria atacada. Mesmo assim, o laudo policial afirmava que ela morrera por excesso de velocidade numa pista molhada.

O vídeo avançou alguns segundos. André entrou no quadro.

Ele parecia mais magro do que Helena lembrava, mas estava vivo e assustado.

"Minha esposa não sabe de nada", disse ele. "Se acontecer alguma coisa comigo, Luna terá o mapa. Ela aprende desenhos mais rápido do que adultos aprendem mentiras."

Helena tocou a tela.

"Por que você não me contou?"

A gravação não podia responder.

André colocou sobre a mesa um crachá e uma chave. Era a chave retirada do invasor.

"Ela abre a sala de escuta no depósito 43. As provas definitivas estão lá. Não tragam Dante até confirmar quem da equipe dele foi comprado."

Dante pausou o vídeo.

"Eles não confiavam em Rafael."

O chefe da segurança não desviou o olhar.

"Nem deveriam. Bianca não sabia quem era o traidor."

Antes que Dante respondesse, o monitor do corredor mostrou movimento. Artur saía do quarto de hóspedes acompanhado por um segurança. O homem que deveria vigiá-lo caminhava normalmente, como se estivesse obedecendo a uma ordem legítima.

Rafael acionou o rádio.

"Equipe três, detenha Artur no corredor leste."

Nenhuma resposta.

No vídeo, Artur olhou diretamente para a câmera e ergueu a mão sem o anel. Depois sorriu.

O monitor apagou.

Um alarme soou no painel. A porta baixa no fundo da sala destrancou sozinha.

Dante sacou a arma.

"Helena, pegue Luna e fique atrás de mim."

A menina não estava mais ao lado da mãe.

O cobertor caíra no chão. A porta que dava para a adega permanecia aberta apenas alguns centímetros.

"Luna?" Helena gritou.

Uma nova imagem surgiu no monitor central.

Luna estava sozinha no escritório de Dante, diante da parede quebrada.

"Como ela chegou lá?" perguntou Dalva.

Helena correu para a saída, mas Dante a segurou. Na tela, algo se moveu atrás da menina.

Uma placa de madeira deslizou silenciosamente.

Um homem saiu de dentro da parede.

Usava o mesmo uniforme do invasor capturado. O rosto estava coberto. Na mão, segurava um pano branco e um pequeno frasco.

Luna se virou tarde demais.

O homem avançou.

Dante apertou o rádio.

正文2

"Todos ao escritório. Agora!"

O desconhecido ergueu o pano em direção ao rosto da menina.

Então Luna fez algo que ninguém esperava.

Ela tocou um ponto vermelho desenhado perto do rodapé.

O piso se abriu sob os pés do invasor.

Ele caiu até a cintura num compartimento estreito, gritando. Luna correu para a porta, mas outra sombra apareceu no corredor.

Artur.

Ele estendeu a mão para ela e sorriu como um homem gentil.

"Venha comigo, querida. Seu pai deixou uma última mensagem."

Luna hesitou.

Atrás de Artur, fora do alcance da câmera, alguém fechou a porta do escritório.

Helena tentou se soltar de Dante.

"Ele vai levá-la!"

"Se você entrar no corredor sem cobertura, dará a ele duas reféns."

Dante apontou para Rafael.

"Escada norte. Eu vou pela passagem. Dalva fica com Helena."

Rafael abriu a porta baixa. Um túnel inclinado seguia sob as tubulações e subia na direção da ala oeste. Dante entrou sem esperar.

Na tela, Artur se agachou diante de Luna. Falava alguma coisa, mas o áudio fora cortado. A menina olhou para a mão dele e balançou a cabeça.

Então tirou do bolso o giz vermelho.

Com rapidez, marcou um X no sapato do advogado.

Artur perdeu o sorriso. Agarrou o pulso dela.

Helena soltou um grito. Dalva a segurou, chorando.

"Confie nela. Dona Bianca ensinava que, quando não pudesse pedir ajuda, deveria deixar uma marca."

"Luna nunca conheceu Bianca."

Dalva olhou para o caderno aberto.

"Mas André conheceu. E ensinou a filha do jeito dele."

No corredor oculto, Dante encontrou uma bifurcação sem indicação. À esquerda vinha o som abafado do rádio de Rafael. À direita, uma linha vermelha recém-desenhada apontava para cima.

Luna deixara o caminho para ele.

Dante seguiu a marca, sabendo que a menina de seis anos acabara de transformar a própria captura numa caçada.

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