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"A Filha da Empregada Desenhou Uma Porta na Parede do Chefe da Máfia… E Ele Mandou Quebrar a Mansão" Capítulo 3 — O Homem do Anel Preto

正文开头

Helena leu a frase três vezes.

As letras eram inclinadas para a direita, com o A de André sempre aberto no alto. Ela conhecia aquela caligrafia dos bilhetes que ele deixava na geladeira, das listas de compras e do último cartão de aniversário.

"Ele escreveu isto", disse, quase sem voz.

Artur estendeu a mão para o papel.

"Ou alguém imitou a letra."

Dante afastou o desenho antes que o advogado o tocasse.

"Você não vai contaminar a única prova que temos."

Artur olhou para o próprio anel, percebeu o gesto e fechou o punho.

"Metade dos homens ricos de São Paulo usa ônix. Quer me condenar por uma joia?"

"Ainda não", respondeu Dante. "Mas você vai permanecer onde eu possa vê-lo."

Rafael fotografou frente e verso da folha. Depois colocou-a num envelope transparente. Helena tentou lembrar quando o desenho entrara no caderno.

Luna usava aquele bloco havia meses. Algumas páginas tinham vindo de uma caixa guardada desde a morte de André. Helena reaproveitara papéis porque não percebera que havia algo escrito no verso.

"Seu marido fazia desenhos com Luna?" perguntou Dante.

"Ele desenhava mapas para ela encontrar presentes pela casa. Chamava de caça ao tesouro."

Luna assentiu com entusiasmo tímido.

"Papai dizia que um mapa fala sem fazer barulho."

Dante se abaixou junto à mesa.

"Você sabe se este desenho também é um mapa?"

A menina virou o caderno e apontou para três traços ao lado da casa.

"Aqui é a escada. Aqui é a cozinha. E esta bolinha é onde a gente tem que parar."

Dalva levou a mão à boca.

"A despensa de prata."

O cômodo ficava dois andares abaixo, entre a cozinha principal e uma escada usada pelos empregados. Dante ordenou que Rafael levasse apenas dois seguranças. Helena tentou deixar Luna na biblioteca, mas a menina agarrou sua saia.

"A moça falou para eu não ficar sozinha."

Dante não discutiu. Colocou mãe e filha no centro do grupo e seguiu na frente.

Na despensa, armários antigos ocupavam três paredes. A quarta parecia lisa, coberta por papel floral. Luna caminhou até uma pequena marca perto do rodapé.

"A bolinha."

Rafael pressionou o local. Um clique respondeu dentro da estrutura. Parte do armário deslizou alguns centímetros, revelando outra entrada para a passagem.

O ar que saiu de lá era frio.

Dante iluminou o interior. O corredor seguia para cima, na direção do escritório, e para baixo, rumo ao subsolo.

Havia uma câmera minúscula presa ao teto. Sua luz vermelha estava acesa.

"Estão nos vendo", disse Rafael.

Ele arrancou o cabo. No mesmo instante, uma porta bateu no fundo da passagem.

Os seguranças correram. Dante ficou com Helena, Luna e Dalva. Artur, que fora obrigado a acompanhá-los, encostou-se no armário.

"Tudo isso pode ter sido instalado por André", declarou. "Um eletricista teria conhecimento suficiente."

Helena virou-se para ele.

"Meu marido morreu num depósito administrado por uma empresa que você representa."

正文1

Artur não respondeu de imediato.

Essa pausa foi a primeira confirmação de que ela acertara.

"Represento centenas de empresas", disse enfim.

"Mas se lembrou do depósito sem eu dizer onde foi."

Dante encarou o advogado. Artur abriu a boca, porém um grito veio da passagem.

Rafael reapareceu arrastando um homem magro, vestido com uniforme de manutenção. Havia sangue em sua testa e uma chave de fenda na mão.

"Encontrei este sujeito tentando abrir a saída do porão."

O invasor olhou para Artur.

Foi um movimento mínimo, rápido demais para parecer deliberado. Dante viu.

"Quem mandou você?" perguntou.

O homem permaneceu calado.

Rafael retirou dos bolsos dele um rádio, uma chave e um frasco de perfume cítrico. A mesma fragrância do corredor.

Artur deu um passo para trás.

"Nunca vi esse homem."

"Ninguém perguntou", disse Helena.

Dante quase sorriu, mas seus olhos continuaram frios.

O rádio chiou. Uma voz distorcida falou apenas duas palavras:

"Plano dois."

As luzes da despensa se apagaram.

Luna gritou. Helena a abraçou e se abaixou. Um corpo bateu contra o seu ombro; alguém tentava alcançar a menina.

Dante agarrou o agressor no escuro. Houve um golpe seco, uma respiração cortada e o som de metal caindo no piso.

As luzes de emergência acenderam em vermelho.

O invasor estava desacordado. Dante o mantinha contra o chão. Rafael verificou os outros e fechou a passagem.

Artur continuava junto ao armário, mas seu anel havia desaparecido.

"Onde está a pedra preta?" perguntou Luna.

Ele examinou a própria mão e fingiu surpresa.

"Deve ter caído quando as luzes apagaram."

Helena viu um brilho sob o carrinho de prata. Abaixou-se e encontrou o anel. Na parte interna, havia um pequeno símbolo gravado: duas letras entrelaçadas, B e M.

Bianca Montenegro.

Dante tomou a joia.

"Isso pertencia à minha esposa."

Artur empalideceu.

"Ela me deu. Um presente pelo trabalho na fundação."

Dalva finalmente levantou a cabeça.

"Mentira. Dona Bianca perdeu esse anel na noite em que disse ter descoberto quem roubava dinheiro da fundação."

"Você está confundindo as coisas", rebateu Artur.

"Eu procurei a joia em todos os quartos. Ela jurava que o homem que a ameaçou havia arrancado da mão dela."

Dante fechou os dedos sobre o anel.

"Rafael, tranque Artur no quarto de hóspedes. Sem telefone e com dois homens na porta."

"Você enlouqueceu", gritou o advogado. "Eu protegi esta família por vinte anos. Seu pai confiava em mim."

"Meu pai também confiava em Bianca. E você passou dois anos dizendo que ela morreu paranoica."

Os seguranças levaram Artur. Sua máscara de elegância caiu por um segundo. Ele olhou para Luna com um ódio tão puro que Helena a escondeu atrás do corpo.

Dante percebeu.

"Se ele chegar perto de vocês, eu mesmo resolvo", disse.

Não era conforto. Era promessa.

Rafael tentou interrogar o invasor, mas o homem despertou apenas para convulsionar. Havia mordido uma cápsula escondida entre os dentes. O médico da família conseguiu estabilizá-lo, porém ele não falaria naquela noite.

正文2

No rádio, os técnicos rastrearam o sinal até uma sala no subsolo.

Luna abriu o caderno outra vez e apontou para a última página. Ali, André desenhara linhas que formavam um retângulo com três círculos.

"É o lugar onde a moça guarda a voz", explicou.

Dante comparou o desenho à planta antiga da mansão. O retângulo correspondia a um cômodo selado atrás da adega. Os três círculos marcavam tubulações desativadas.

O grupo desceu. A adega estava intacta, mas atrás de uma estante encontraram uma porta de ferro sem maçaneta.

Rafael tentou a chave recolhida do invasor. Não serviu.

Dante aproximou o ouvido do metal.

Do outro lado, um telefone começou a tocar.

Uma vez.

Duas.

Três.

Então alguém atendeu.

A voz de Bianca atravessou a porta:

"André, se você está ouvindo, eles descobriram Luna."

Helena recuou como se tivesse recebido um golpe.

O telefone atrás da porta permaneceu aberto por mais alguns segundos. Ao fundo da gravação, ouviu-se o apito grave de um navio e três pancadas metálicas em sequência.

Rafael gravou o som no celular.

"Isso foi feito perto do porto", disse. "Talvez dentro de um contêiner."

Dante aproximou-se da fechadura e notou riscos recentes ao redor do cilindro. Alguém tentara abrir a sala naquela semana.

No chão, Helena encontrou um botão cinza. Não era de uniforme de segurança. Trazia gravado o nome de uma alfaiataria cara dos Jardins.

Artur usava um paletó daquela marca.

"Ele esteve aqui", disse ela.

Dante guardou o botão num saco transparente.

"Ou quer que pensemos que esteve."

Helena percebeu que ele não estava defendendo o advogado. Estava recusando uma conclusão fácil. Pela primeira vez, compreendeu por que tantos homens temiam Dante Montenegro: ele não reagia apenas ao que via. Procurava a mão que organizara a cena.

Luna tocou a porta e sussurrou:

"A moça não está falando com a gente. Está falando com alguém que ainda não chegou."

Do interior da sala veio um novo clique, como se um temporizador acabasse de iniciar.

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