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"A Filha da Empregada Desenhou Uma Porta na Parede do Chefe da Máfia… E Ele Mandou Quebrar a Mansão" Capítulo 2 — Alguém Caminhava Dentro das Paredes

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Dante entrou no corredor antes que Rafael pudesse impedi-lo.

O espaço cheirava a madeira úmida, fios queimados e perfume. Não um perfume antigo preservado por acaso, mas uma fragrância recente, cítrica, que Helena havia sentido no salão durante a recepção.

"Volte", ordenou Rafael. "Não sabemos quem está aí."

Dante ergueu a lanterna.

"Por isso vou na frente."

Helena puxou Luna para longe da abertura. A menina encarava a escuridão sem chorar, o que preocupava a mãe ainda mais.

"Você ouviu passos antes?" Helena perguntou.

"Só a moça. Às vezes ela dizia para eu não chegar perto."

"Às vezes?"

Luna percebeu o medo da mãe e baixou os olhos.

"Eu ouvi ontem também, quando a gente veio falar com dona Dalva."

Helena sentiu um arrepio. Tinham passado apenas vinte minutos na mansão no dia anterior. Enquanto preenchia documentos na cozinha, Luna desenhara sozinha junto à escada de serviço.

Alguém a observara desde então.

Rafael enviou dois homens para acompanhar Dante e manteve outro no escritório. Dalva conduziu Helena e Luna até a biblioteca, onde as janelas não davam acesso ao jardim.

"Fiquem aqui", disse o segurança. "Ninguém entra sem minha autorização."

Helena se virou para ele.

"Nós somos prisioneiras?"

"Por enquanto, são as únicas pessoas que o senhor Montenegro ordenou proteger."

A diferença não a tranquilizou.

No corredor oculto, Dante encontrou um trilho estreito de metal. Devia ter servido a carrinhos de roupa quando a mansão fora construída, décadas antes. Cabos novos corriam pelas paredes, presos com braçadeiras modernas.

Rafael tocou um deles.

"Câmeras. Talvez áudio."

A passagem se dividia em duas. As pegadas molhadas seguiam para a esquerda. À direita, um pequeno nicho continha garrafas de água, pilhas e um carregador de celular.

Não era um esconderijo abandonado.

Alguém o usava.

Um dos seguranças encontrou um pedaço de papel amassado. Dante o abriu. Era a programação daquela noite, com horários da recepção, nomes dos convidados e uma anotação circulando o momento do discurso dele.

Às 22h15, Dante anunciaria a transferência de parte das empresas para um novo conselho independente.

Artur se opusera à mudança durante meses.

"Localize Vilela", ordenou Dante.

Rafael falou pelo rádio e aguardou. A resposta veio em segundos.

"Ele está no salão. Diz que nunca saiu de lá. Trinta convidados confirmam."

Dante guardou o papel.

"Então não estava sozinho."

Na biblioteca, Luna abriu a mochila. Tirou lápis, um caderno amassado e um coelho de pano sem uma orelha.

Helena se ajoelhou diante dela.

"Você precisa contar tudo. Mesmo que ache que vou ficar brava."

"Eu não queria estragar a parede."

"Não estou falando do giz. A voz chamou você?"

Luna abraçou o brinquedo.

"Ela disse que você ia achar uma coisa do papai."

O coração de Helena pareceu falhar.

André morrera havia dois anos, eletrocutado durante um serviço num depósito em Santos. A empresa alegara que ele desobedecera aos protocolos. Helena nunca acreditara, mas não tinha dinheiro para enfrentar os advogados.

正文1

"O que ela disse sobre seu pai?"

"Que ele tentou abrir a porta."

Antes que Helena perguntasse mais, Dante voltou. Havia poeira no ombro do terno e raiva controlada no rosto.

Ele colocou sobre a mesa um crachá plastificado.

Helena reconheceu a fotografia antes de ler o nome.

ANDRÉ AZEVEDO — MANUTENÇÃO ELÉTRICA.

Ela segurou o encosto de uma cadeira.

"Onde encontrou isso?"

"Dentro da passagem."

"Não pode ser. André nunca trabalhou aqui."

Dante virou o crachá. No verso havia um registro impresso de acesso à mansão.

A data era de seis meses atrás.

Um ano e meio depois da morte de André.

Helena balançou a cabeça.

"Isso é falso."

"Eu também quero que seja", disse Dante. "Mas o código pertence ao nosso sistema."

Artur apareceu acompanhado por Rafael. Já recuperara a compostura.

"Encontraram um objeto do marido dela e ainda não perceberam o óbvio? Essa mulher planejou tudo."

Helena avançou um passo.

"Eu nem sabia que existia esta passagem."

"Sua filha sabia."

"Minha filha ouviu uma gravação."

Artur apoiou as mãos na mesa.

"Ou você ensinou a menina a repetir uma história e plantou o crachá. Sua contratação foi aprovada há três dias. Tempo suficiente para preparar a encenação."

Dante encarou Helena.

"Quem indicou você?"

"Uma agência em Vila Mariana. Dona Dalva fez a entrevista."

Dalva apertou o terço preso ao pescoço.

"A agência enviou três nomes. Escolhi Helena porque precisava de alguém que pudesse morar aqui temporariamente."

"E quem pediu urgência na contratação?" perguntou Rafael.

Dalva demorou a responder.

"Doutor Artur. Disse que haveria muitos convidados e pouca gente."

O advogado ficou vermelho.

"Isso não prova nada."

Luna se aproximou da mesa. Pegou o crachá do pai e tocou a foto com o polegar.

"Esse é o homem que abriu a porta para a moça."

Helena a segurou pelos ombros.

"Você nunca esteve nesta casa com seu pai."

"Eu vi no sonho."

Artur soltou o ar, impaciente.

"Dante, você está deixando uma criança traumatizada comandar uma investigação."

"Não", respondeu Dante. "Estou deixando você falar até esquecer quais mentiras já contou."

Rafael recebeu uma mensagem no celular. Mostrou a tela a Dante.

As câmeras externas registravam Artur chegando às 19h40. Nenhuma imagem mostrava sua saída. Contudo, às 20h12, exatamente quando Luna ouvira a gravação, uma câmera do corredor de serviço ficara escura por quarenta e sete segundos.

O sistema fora desativado com uma senha administrativa.

Havia quatro pessoas com essa senha: Dante, Rafael, Artur e Bianca.

Bianca estava morta.

"Recolham os celulares", disse Dante. "E tragam o servidor das câmeras para cá."

Artur riu sem humor.

"Você não pode revistar seus convidados como criminosos."

"Posso dentro da minha casa."

Enquanto os homens discutiam, Luna abriu o caderno de desenhos. Uma folha caiu no chão.

Helena se abaixou para pegá-la, mas Dante chegou primeiro.

Era um desenho antigo, feito com lápis azul desbotado. Mostrava uma casa, uma mulher de vestido branco e um homem dentro de uma parede. Na mão dele, Luna pintara um quadrado preto.

No canto da folha havia uma data escrita por adulto.

Helena reconheceu a caligrafia.

Era de André.

A data era da semana anterior à morte dele.

Dante virou o papel. No verso, André escrevera uma única frase:

SE LUNA DESENHAR A PORTA, ACREDITE NELA.

Antes que alguém falasse, Rafael recebeu a confirmação de uma busca no estacionamento. Um dos carros de serviço tinha lama vermelha nos pneus, embora não tivesse saído oficialmente naquele dia.

No banco do motorista encontraram uma fotografia de Helena levando Luna à escola, tirada dois meses antes de ela se candidatar ao emprego.

No verso estava escrito: ELA AINDA TEM O MAPA.

Helena sentiu as pernas fraquejarem.

"Eles nos observavam antes de sabermos que esta casa existia."

Dante examinou a fotografia. A imagem fora feita de dentro de um veículo alto, provavelmente um caminhão. Ele pediu a Rafael a lista de rotas que passavam diante da escola.

Artur tentou se afastar da mesa.

"Isto virou assunto de polícia. Vou ligar para o delegado Brandão."

"Ninguém telefona para a polícia ainda", disse Dante.

"Por quê?"

"Porque quem montou este sistema conhecia minhas senhas, meus horários e os pontos cegos da segurança. Até descobrirmos o tamanho da infiltração, uma ligação pode avisar a pessoa errada."

Dante entregou a fotografia a Rafael e olhou para Helena.

"A partir de agora, você e Luna não saem do meu campo de visão."

Helena ouviu a ordem como uma prisão. Depois olhou para a ameaça escrita contra sua filha e percebeu que, naquela noite, a prisão talvez fosse o único lugar seguro.

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