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"A Filha da Empregada Desenhou Uma Porta na Parede do Chefe da Máfia… E Ele Mandou Quebrar a Mansão" Capítulo 1 — A Porta Que Não Existia

正文开头

O giz vermelho riscou a parede proibida antes que Helena Azevedo pudesse impedir.

Luna estava ajoelhada no tapete persa do escritório de Dante Montenegro, desenhando uma porta torta na madeira clara. Ao redor dela, vinte convidados da família ficaram imóveis. O quarteto de cordas parou no meio de uma nota.

Helena deixou a bandeja de café sobre a primeira mesa que encontrou.

"Luna! Saia daí agora."

A menina de seis anos não se levantou. Acrescentou uma maçaneta redonda ao desenho e encostou a orelha na parede.

Artur Vilela, advogado da família, foi o primeiro a recuperar a voz.

"Como essa criança entrou no escritório? Este cômodo fica trancado durante as recepções."

Helena sentiu o rosto queimar. Havia começado a trabalhar na mansão naquela manhã. Precisava do salário, do quarto de serviço e, acima de tudo, da chance de manter Luna perto enquanto procurava uma escola nova.

Agora sua filha havia invadido o único lugar que Dalva, a governanta, proibira até aos empregados antigos.

Do outro lado do salão, Dante Montenegro pousou lentamente a taça de vinho.

Ele não precisou levantar a voz. A presença do homem de preto bastou para abrir um corredor entre os convidados. Aos trinta e seis anos, Dante comandava empresas de transporte que apareciam nos jornais e negócios que jamais apareciam em lugar algum.

Helena conhecia os rumores. Homens perigosos pediam licença antes de entrar numa sala onde ele estivesse.

Luna, porém, continuou desenhando.

Dante parou a dois passos dela.

"Quem deixou você entrar?"

Luna olhou para cima. O giz manchava seus dedos pequenos.

"A mulher."

Um murmúrio atravessou o escritório.

"Que mulher?" perguntou Dante.

"A que mora atrás da parede."

Artur soltou uma risada curta demais para ser verdadeira.

"É uma criança inventando histórias. Helena, leve sua filha embora. As duas estão dispensadas."

Dois seguranças avançaram. Helena se colocou entre eles e Luna.

"Senhor Montenegro, eu sinto muito. Ela nunca faria isso por mal."

Dante não olhou para Helena. Observava a porta vermelha como se tentasse reconhecer uma lembrança.

"O que a mulher disse?"

Luna fechou os olhos e pressionou a orelha contra o painel.

"Ela chama você de meu amor. Toda noite."

A mão de Dante se fechou ao lado do corpo.

Na parede, acima do desenho, havia uma fotografia de Bianca Montenegro. A esposa de Dante morrera dois anos antes, num acidente de carro na Rodovia dos Bandeirantes. Helena conhecia o rosto porque Dalva lhe mostrara a foto ao explicar quais objetos nunca deveriam ser tocados.

Luna apontou para o retrato.

"É ela. Só que a voz está triste."

Artur se aproximou com a expressão paciente de quem falava com alguém doente.

"Dante, chega. A menina viu a fotografia e construiu uma fantasia. Não transforme isso num espetáculo."

Luna franziu a testa.

"Ela falou seu nome antes de eu ver a foto."

O silêncio mudou. Já não era constrangimento. Era medo.

Dante se agachou diante da menina.

正文1

"Quando você ouviu essa voz?"

"Quando a mamãe estava limpando os copos. Eu procurei o banheiro e escutei alguém chorando aqui."

"Ela disse mais alguma coisa?"

Luna assentiu.

"Disse que a porta foi fechada pelo homem do anel preto."

Os olhos de Helena foram, involuntariamente, para a mão direita de Artur. Um anel quadrado de pedra negra brilhava sob o lustre.

Ele escondeu a mão no bolso.

"Isso é absurdo."

Dante percebeu o gesto. Sua expressão permaneceu imóvel, mas a temperatura do cômodo pareceu cair.

"Rafael", chamou.

O chefe da segurança se aproximou. Era um homem negro, alto, de ombros largos, que observava as saídas desde o início da recepção.

"Esvazie esta ala. Ninguém sai da propriedade."

Artur perdeu a paciência.

"Você vai deter sua própria família por causa do desenho de uma garota?"

Dante se levantou.

"Vou descobrir por que você está com tanta pressa para tirá-la daqui."

Helena segurou a mão de Luna. Queria agradecer ao homem por não tê-las expulsado, mas ainda não sabia se estavam sendo protegidas ou mantidas como suspeitas.

Rafael ordenou que os convidados fossem conduzidos ao salão principal. Artur permaneceu perto da porta, contrariando a ordem, até Dante virar o rosto para ele.

"Você também."

Quando ficaram apenas Dante, Rafael, Helena, Luna e Dalva, a governanta se aproximou da parede. Seus lábios estavam pálidos.

"Dona Bianca dizia que ouvia correntes de ar neste lado", murmurou. "Mandou um marceneiro examinar tudo poucos dias antes de morrer."

"Por que nunca me contou?" perguntou Dante.

Dalva baixou os olhos.

"Porque, depois do enterro, seu doutor Artur disse que ela estava paranoica. Disse que mencionar aquilo só aumentaria sua dor."

Dante tocou a moldura da fotografia. Depois passou os dedos sobre a parede, acompanhando a linha que Luna desenhara.

"Rafael, traga as ferramentas."

Helena arregalou os olhos.

"Senhor Montenegro, talvez seja apenas um cano."

"Minha esposa não está atrás desta parede", respondeu ele, sem emoção. "Mas alguma coisa está."

Artur voltou ao escritório, ignorando o segurança que tentava detê-lo.

"Dante, pense. Essa parede é original. Você vai destruir a casa por uma brincadeira."

Dante ficou diante dele.

"Quebrem a parede."

Rafael retirou a primeira placa de madeira. Atrás dela havia tijolos mais novos que os do restante da construção. Um segurança usou uma marreta. O golpe ecoou pela mansão.

No terceiro impacto, abriu-se um buraco escuro.

Um fio elétrico desceu pelo vão. Ligado a ele havia um pequeno alto-falante coberto de poeira.

Luna apertou a mão da mãe.

"É dali que ela fala."

Rafael afastou mais dois tijolos e encontrou um aparelho antigo, preso entre vigas. Dante reconheceu a caixa de metal.

"Um gravador digital", disse. "Bianca usava um igual nas reuniões da fundação."

O visor estava apagado. Mesmo assim, quando Rafael tocou o cabo, uma luz verde surgiu.

O aparelho ligou sozinho.

Primeiro veio um chiado. Depois, uma respiração feminina.

Dante perdeu a cor.

"Dante... meu amor... se você encontrou isto, significa que eu não consegui voltar."

正文2

Helena sentiu Luna se esconder atrás de sua saia.

A voz continuou, trêmula e urgente.

"Não confie em Artur."

Todos olharam para o advogado.

Ele já não estava na porta.

Rafael levou a mão ao rádio.

"Fechem os portões. Agora."

Um ruído veio do interior da abertura. Não era eletrônico. Parecia um passo arrastado sobre cimento.

Dante tomou a lanterna de um segurança e iluminou o buraco.

Atrás da parede havia um corredor estreito, largo o bastante para uma pessoa passar. No chão, sobre a poeira antiga, marcas de sapatos seguiam para a escuridão.

As pegadas estavam molhadas.

Chovia lá fora havia menos de dez minutos.

Alguém estivera dentro das paredes naquela noite.

Rafael ajoelhou-se e tocou a água acumulada numa das marcas. Havia pequenos grãos de terra avermelhada misturados à lama.

"O jardim foi coberto com pedrisco branco há três meses", disse. "Isto não veio do terreno da mansão."

Dante apontou a lanterna para uma fibra presa num prego. Era um fio de tecido azul-escuro, igual ao uniforme usado pelos motoristas da Montenegro Logística.

"Revistem os veículos de serviço. Ninguém liga um motor sem minha ordem."

Do escritório, ouviu-se o barulho de vidro quebrando. Dante voltou imediatamente. Luna estava parada junto à janela, olhando o jardim. Uma pedra atravessara a vidraça e caíra perto de seus sapatos.

Enrolado nela havia um pedaço de papel.

Helena chegou antes de todos e puxou a filha para o peito. Rafael abriu o bilhete usando um lenço.

DEVOLVA O CADERNO OU A MENINA ENTRA NA PAREDE.

"Que caderno?" perguntou Helena.

Luna apertou a mochila contra o corpo. O coelho de pano e um caderno antigo apareciam pela abertura do zíper.

Dante observou o jardim escuro. O invasor não apenas conhecia as passagens. Sabia o que a criança carregava.

E estava perto o bastante para vê-la.

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