"O Cachorro do Milionário Rasgou Meu Vestido de Noiva… Até Algo Cair da Costura Diante de Todos" Capítulo 4 — O Perfume no Estojo
Rafael colocou o notebook sobre a mesa.
Ninguém se sentou.
Dante ficou atrás dele.
Isabela permaneceu ao lado, ainda usando o vestido de noiva rasgado.
Valentina ficou perto da porta.
Bruno deitou no chão, mas não tirava os olhos do grupo.
“Eu estava fazendo imagens para o vídeo do casamento”, explicou Rafael. “A ideia era mostrar os preparativos antes da cerimônia.”
“Por que filmou o corredor?”, perguntou Dante.
“Eu deixei uma câmera fixa enquanto gravava a equipe montando a área externa.”
Rafael abriu uma pasta.
“Não era uma câmera de segurança. Então não ficou ligada a noite inteira.”
“Qual horário?”
“Mais ou menos das oito e quarenta até dez da noite.”
Camila segurou o braço de Isabela.
“É exatamente o horário.”
Rafael abriu o arquivo.
O corredor apareceu na tela.
Data da noite anterior.
Dante aproximou-se.
“Tem som?”
“Não.”
“Não importa.”
Rafael avançou o vídeo.
Às 21h16, Camila apareceu.
Ela saiu do quarto da noiva falando ao celular.
“Sou eu”, disse.
Às 21h17, desapareceu pela escada.
Isabela apareceu dois minutos depois.
Estava de roupão e carregava uma pequena nécessaire.
“Eu estava indo para o banheiro.”
Rafael pausou.
O corredor ficou vazio.
Isabela sentiu os dedos de Camila apertarem seu braço.
“Continua.”
21h20.
Nada.
21h21.
Nada.
21h22.
Uma figura apareceu no fundo do corredor.
Valentina.
Camila soltou:
“Eu sabia.”
Valentina avançou.
“Isso não significa nada.”
No vídeo, ela olhava para os dois lados.
Depois caminhava até a porta do quarto.
Isabela sentiu o coração bater mais forte.
Valentina entrou.
Rafael pausou.
Todos olharam para ela.
Dante foi o primeiro a falar.
“O que você estava fazendo no quarto?”
“Eu já disse. Os preparativos estavam acontecendo na casa inteira.”
“Você entrou no quarto onde estava o vestido de Isabela.”
“Porque eu precisava verificar uma coisa.”
“O quê?”
“O véu.”
Isabela franziu a testa.
“Meu véu?”
“Vi um fio solto à tarde.”
“Por que não falou comigo?”
“Porque você estava nervosa.”
“Eu não estava nervosa.”
Valentina respirou fundo.
“Todo mundo fica nervoso antes de casar.”
Camila apontou para a tela.
“Continua.”
Rafael apertou a tecla.
O corredor permaneceu vazio.
Um minuto.
Dois.
Três.
Dante olhou para o relógio do vídeo.
“Quanto tempo ela ficou lá?”
Rafael avançou.
21h27.
Valentina ainda não havia saído.
21h29.
Nada.
21h31.
A porta finalmente se abriu.
Valentina apareceu.
E havia algo em sua mão.
Camila inclinou-se para a tela.
“Pausa.”
Rafael congelou a imagem.
Isabela sentiu o estômago apertar.
Valentina segurava um pequeno estojo retangular.
“Amplia”, pediu Dante.
Rafael aumentou a imagem.
Não era o estojo preto do broche.
Era uma caixa de costura.
A mesma que Camila jurava ter guardado na gaveta.
Dante virou-se lentamente.
“Nove minutos.”
Valentina manteve o queixo erguido.
“Eu consertei o véu.”
Isabela respondeu:
“O véu estava em outro quarto.”
O rosto de Valentina perdeu parte da cor.
“Não.”
“Estava.”
“Eu vi o véu lá.”
“Não viu.”
Isabela aproximou-se.
“Camila levou meu véu para o quarto dela depois da última prova porque eu tinha medo de amassá-lo.”
Camila confirmou.
“Ficou comigo a noite inteira.”
Valentina ficou muda.
Dante apontou para a tela.
“Então vou perguntar uma vez.”
A voz dele estava perigosamente baixa.
“O que você fez durante nove minutos dentro do quarto da minha noiva com uma caixa de costura?”
Valentina olhou para Isabela.
Depois para Dante.
“Eu não coloquei o broche naquele vestido.”
“Não foi isso que eu perguntei.”
“Mas é isso que vocês estão pensando.”
“Você entrou escondida.”
“Eu não estava escondida.”
“Olhou para os dois lados antes de entrar.”
“Porque achei que Isabela estivesse trocando de roupa.”
Camila riu.
“E mesmo assim entrou?”
Valentina perdeu a paciência.
“Eu não preciso me explicar para você!”
“Precisa se explicar para ele.”
Camila apontou para Dante.
“E principalmente para ela.”
Isabela continuava observando a gravação.
Alguma coisa incomodava.
Não era apenas Valentina.
Era o movimento no fundo da imagem.
“Rafael.”
“Sim?”
“Volta.”
“Para onde?”
“Antes de ela sair.”
Ele voltou vinte segundos.
“Mais.”
Voltou.
Isabela apontou.
“Ali.”
Havia uma sombra no extremo do corredor.
Rafael pausou.
Dante aproximou-se.
“Isso é uma pessoa?”
“Parece.”
Rafael aumentou o brilho do vídeo.
A imagem perdeu qualidade.
Mas a forma ficou mais clara.
Um homem.
Terno escuro.
Ele apareceu por poucos segundos no final do corredor.
Depois desapareceu.
Camila perguntou:
“Ele entrou no quarto?”
“Não dá para ver”, respondeu Rafael.
Dante olhou para Valentina.
Ela estava branca.
“Quem é?”
“Não sei.”
“Valentina.”
“Eu disse que não sei.”
Bruno se levantou.
O cachorro soltou um latido curto.
Valentina se assustou.
Isabela percebeu que ela estava mentindo.
Não sabia ainda sobre o quê.
Mas sabia.
Rafael avançou quadro a quadro.
O homem reapareceu.
Dessa vez, virou parcialmente o rosto.
Dante ficou imóvel.
Isabela nunca tinha visto aquela expressão nele.
Não era surpresa.
Era reconhecimento.
“Dante?”
Ele não respondeu.
Rafael ampliou mais.
O rosto ficou granulado, mas suficiente.
Camila olhou para Dante.
“Você conhece ele?”
Dante fechou os olhos por um instante.
Quando tornou a abri-los, olhou diretamente para Valentina.
“Você não entrou naquele quarto sozinha.”
“Dante…”
“Quem estava com você?”
“Ninguém.”
Ele apontou para a tela.
“Então me explica isso.”
Valentina começou a respirar mais rápido.
Isabela olhou novamente para a imagem.
Já tinha visto aquele homem dezenas de vezes.
Nos almoços de domingo.
Nas reuniões da fundação.
Na cabeceira oposta à de Dante durante os jantares na Mansão Montenegro.
Era impossível confundir.
“Ricardo?”, murmurou Isabela.
Dante não desviou os olhos da tela.
“Sim.”
Ricardo Montenegro.
Seu irmão mais velho.
Dante saiu da sala imediatamente.
Isabela levantou a saia e foi atrás dele.
“Dante!”
Eles atravessaram o corredor e voltaram ao salão.
Os convidados ainda estavam reunidos.
Alguns falavam ao telefone.
Outros observavam.
Dante procurou entre as mesas.
Primeira fileira.
Segunda.
Mesa da família.
Então parou.
A cadeira de Ricardo estava vazia.
“Cadê meu irmão?”
Ninguém respondeu.
Dante olhou para um dos seguranças.
“Ricardo saiu?”
O homem hesitou.
“Há poucos minutos.”
“Por onde?”
“Saída lateral.”
Bruno começou a latir.
Dante olhou para a porta.
Isabela sentiu o coração acelerar.
Valentina apareceu atrás deles.
“Dante, espera.”
Ele virou o rosto.
“Por quê?”
Ela não respondeu.
E naquele silêncio, Isabela percebeu algo ainda pior.
Valentina não estava com medo de que Dante encontrasse Ricardo.
Estava com medo do que Ricardo poderia contar quando fosse encontrado.
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