"A Filha do Chefe da Máfia Se Recusava a Sobreviver… Até a Babá Pobre Cantar Uma Canção Que Ninguém Deveria Conhecer" Capítulo 5 — Foi Ela
Quando Isabela voltou à mansão Montenegro, havia dois carros de segurança diante da entrada e Bruno esperava por ela com a porta aberta.
“Ela está no quarto?”
“Não.”
Isabela parou.
“Onde está?”
“Na sala pequena.”
“Por quê?”
“Ela saiu do quarto sozinha.”
Aquilo deveria ser uma boa notícia.
Mas a expressão de Bruno dizia o contrário.
“Quem está com ela?”
“Dante.”
Isabela subiu.
Encontrou Sofia sentada no sofá da sala íntima, abraçada ao coelho de pelúcia que Valentina havia levado.
Dante estava agachado diante dela.
Não tocava na filha.
“Isabela chegou”, disse ele.
Sofia levantou os olhos.
“Isabela.”
Era a primeira vez que dizia o nome dela claramente.
Isabela se aproximou devagar.
“Estou aqui.”
Sofia estendeu a mão.
Isabela sentou-se no tapete e deixou que a menina segurasse dois de seus dedos.
“Bruno disse que você lembrou de alguém.”
Dante levantou o olhar imediatamente.
Isabela percebeu.
“Não precisa falar agora.”
Sofia apertou sua mão.
“Eu lembrei.”
“Tudo bem.”
“Tinha uma mulher.”
Dante ficou imóvel.
“Que mulher, filha?”
Sofia se encolheu.
Isabela olhou para ele.
“Dante.”
Ele entendeu e recuou.
Isabela voltou a atenção para Sofia.
“Ela estava no carro?”
A menina balançou a cabeça negativamente.
“Antes.”
“Antes de você sair com sua mãe?”
Sofia assentiu.
“Ela estava na nossa casa.”
Dante franziu a testa.
“Quem?”
Sofia não respondeu.
Em vez disso, soltou a mão de Isabela e apontou para a própria orelha.
“Ela tinha isso.”
“Um brinco?”
Sofia assentiu.
“Como era?”
“Branco.”
Isabela lembrou imediatamente.
Pérola.
Valentina.
Mas não disse o nome.
“Você lembra de mais alguma coisa?”
Sofia olhou para a porta.
O rosto perdeu a cor.
Valentina estava entrando.
“Dante, o que aconteceu? Bruno me ligou e—”
Sofia levantou-se num salto.
O coelho caiu.
Ela correu para trás de Isabela.
Valentina parou.
“Sofia?”
A menina agarrou a roupa da babá.
“Meu amor, sou eu.”
Sofia escondeu o rosto.
Valentina pareceu devastada.
“Por que ela está fazendo isso?”
Dante levantou-se.
“Sofia lembrou de uma mulher.”
Valentina ficou imóvel.
“Que mulher?”
“Não sabemos.”
Isabela observou.
Por apenas um segundo, os dedos de Valentina tocaram o brinco de pérola.
Depois ela o retirou.
“Talvez isso esteja assustando ela.”
Colocou o brinco sobre a mesa.
“Sofia, olha. Tirei.”
A menina não saiu de trás de Isabela.
Valentina começou a chorar.
“Eu jamais faria alguma coisa contra você.”
Isabela sentiu Sofia apertar sua cintura.
“Talvez seja melhor você sair.”
Valentina olhou para ela.
“Você acha que ela tem medo de mim?”
“Eu acho que ela precisa de espaço.”
Valentina virou-se para Dante.
“Você também acha?”
Ele demorou.
“Hoje, sim.”
Aquilo pareceu feri-la.
Valentina saiu.
Quando a porta fechou, Sofia espiou.
“Ela foi embora?”
“Foi”, disse Isabela.
Sofia soltou o ar.
Então sussurrou:
“Ela cantou.”
Isabela sentiu o corpo inteiro gelar.
“A música?”
Sofia assentiu.
“Quando?”
“Antes do carro.”
Dante se aproximou um passo.
“Sofia.”
A menina olhou para o pai.
“Foi a tia Val?”
Sofia fechou os olhos.
Isabela segurou a mão dela.
“Você não precisa responder.”
Mas Sofia respondeu.
“Foi.”
***
Dante saiu da sala sem dizer nada.
Bruno o encontrou no escritório.
“Fecha a porta.”
Bruno fechou.
Dante abriu o bar, mas não serviu bebida.
“Quero tudo sobre Valentina.”
Bruno ficou sério.
“Tudo?”
“Telefone. Cartões. Carros. Entradas e saídas da mansão. Contas. Câmeras.”
“Ela é amiga da família há quinze anos.”
“Eu sei há quanto tempo conheço Valentina.”
“Dante, se ela descobrir—”
“Ela não vai descobrir.”
Bruno assentiu.
Dante apoiou as duas mãos na mesa.
“E não trate isso como prova.”
“Entendido.”
“É memória de uma criança traumatizada.”
“Sim.”
“Ela pode estar confundindo.”
“Pode.”
Dante olhou para Bruno.
Mas nenhum dos dois parecia acreditar completamente nisso.
Na cozinha, Isabela encontrou Teresa lavando uma xícara que já estava limpa.
“Você sabia que Valentina conhecia a música?”
Teresa deixou a xícara.
“Não.”
“Ontem, quando cantamos, ela reconheceu.”
“Como sabe?”
“Pelo rosto.”
Teresa respirou fundo.
“Valentina e Helena cresceram juntas.”
“Então Helena poderia ter ensinado.”
“Poderia.”
“Mas Marta disse que não era uma canção de ninar.”
Teresa ficou imóvel.
“Você falou com sua mãe?”
“Falei.”
“O que ela contou?”
“Quase nada.”
“Isso parece com Marta.”
Isabela se aproximou.
“Ela disse que a música era um aviso.”
Teresa olhou imediatamente para a porta.
“Baixe a voz.”
“Por quê?”
“Porque há coisas nesta casa que sobreviveram mais tempo do que as pessoas que tentaram descobri-las.”
“Isso não é resposta.”
“É a única que tenho.”
“Então me diga pelo menos o que significa a música.”
Teresa fechou os olhos.
“Não sei.”
“Mas você reconheceu.”
“Reconheci porque Beatriz cantava.”
“A mãe de Helena.”
“Sim.”
“Para Helena?”
Teresa balançou a cabeça.
“Não.”
“Então para quem?”
Antes que respondesse, Bruno entrou.
“Isabela.”
“O quê?”
“Dante quer falar com você.”
Dante estava sozinho no escritório.
“Feche a porta.”
Isabela fechou.
“Se vai me mandar parar de fazer perguntas, economize tempo.”
“Não.”
Ele empurrou uma fotografia pela mesa.
Era uma imagem de uma câmera de segurança.
Valentina.
Garagem da mansão.
Data do ataque.
Horário: 17h43.
“E daí?”
“O carro de Helena saiu às dezoito.”
Isabela olhou para a foto.
“Valentina disse que não esteve aqui naquele dia.”
“Eu sei.”
“Então mentiu.”
“Sim.”
“E Sofia lembra dela.”
“Sim.”
“E ela conhecia a música.”
Dante ergueu os olhos.
“Isso não prova que matou Helena.”
“Eu não disse isso.”
“Mas pensou.”
Isabela ficou em silêncio.
Dante pegou outra folha.
“A rota de Helena foi alterada onze minutos antes da saída.”
“Quem podia alterar?”
“Eu. Bruno. Helena.”
Ele parou.
“E Valentina.”
Isabela sentiu um arrepio.
“Por quê?”
“Ela organizava um evento beneficente com Helena. Tinha acesso à agenda dela.”
“Dante…”
“Não.”
“O quê?”
“Não diga ainda.”
“Dizer o quê?”
“Que Sofia está certa.”
Ele olhou para a fotografia.
“Porque se ela estiver…”
A voz falhou pela primeira vez.
Isabela entendeu.
Valentina não era apenas uma amiga.
Era família.
Dante havia enterrado a esposa ao lado daquela mulher.
Tinha deixado Valentina abraçar Sofia no hospital.
Confiara nela.
Isabela falou baixo:
“Descobrir a verdade não muda o fato de que você confiou nela.”
“Para mim muda.”
“Para Sofia não.”
Ele levantou os olhos.
“Ela precisa de você agora. Não de um chefe da máfia procurando alguém para punir.”
Dante ficou em silêncio.
No corredor, ouviu-se um pequeno barulho.
Sofia estava na porta.
Nas mãos, segurava um desenho.
Ela entrou.
Colocou o papel sobre a mesa.
Havia um carro preto.
Helena.
Sofia.
E uma mulher com dois círculos brancos nas orelhas.
Abaixo da mulher, Sofia havia desenhado uma seta.
Depois olhou para Dante.
“Foi ela.”
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