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"A Filha do Chefe da Máfia Se Recusava a Sobreviver… Até a Babá Pobre Cantar Uma Canção Que Ninguém Deveria Conhecer" Capítulo 4 — A Foto Escondida

正文开头

O closet ainda cheirava ao perfume de Helena.

Roupas permaneciam alinhadas por cor.

Sapatos estavam organizados nas prateleiras.

Uma echarpe branca repousava sobre uma cadeira, como se sua dona pudesse voltar a qualquer momento.

Isabela parou na entrada.

“Dante sabe que estamos aqui?”

“Não.”

“Ótimo. Meu segundo dia e já estou invadindo o quarto da esposa morta do meu patrão.”

“Você pode fazer piada depois.”

Teresa foi até um armário baixo.

Retirou uma caixa de madeira.

“Helena me pediu para guardar isso.”

“Quando?”

“Três semanas antes de morrer.”

Isabela ficou séria.

Teresa abriu a caixa.

Havia fotografias, cartas e um pequeno caderno.

Ela começou a procurar.

“Helena estava estranha nos últimos meses.”

“Estranha como?”

“Assustada.”

“Com Marcelo Ferraz?”

“Talvez.”

Teresa encontrou uma fotografia.

Parou.

Entregou-a a Isabela.

A imagem parecia ter mais de vinte anos.

Três mulheres estavam diante de uma casa em Campos do Jordão.

Uma delas era Teresa, muito mais jovem.

Outra era uma senhora elegante que Isabela não reconheceu.

A terceira fez seu coração parar.

“Mãe.”

Marta.

Jovem.

Sorrindo.

Vestindo uniforme.

“Ela trabalhou para os Montenegro?”

“Sim.”

“Por quanto tempo?”

“Quase seis anos.”

“Por que nunca me contou?”

Teresa baixou os olhos.

“Porque saiu daqui acusada de roubo.”

Isabela ergueu a cabeça.

“Minha mãe não rouba.”

“Eu sei.”

“Então por que foi acusada?”

“Essa é a pergunta que nunca consegui responder.”

Isabela virou a fotografia.

Havia uma frase escrita atrás.

**Para Marta. Se alguma coisa acontecer comigo, cante para minha filha.**

Isabela releu.

“Quem escreveu isso?”

“Beatriz Montenegro.”

“Quem é?”

“A mãe de Helena.”

Isabela sentiu a confusão aumentar.

“Mas isso tem mais de vinte anos.”

“Tem.”

“Sofia nem existia.”

“Eu sei.”

“Então de que filha ela estava falando?”

Teresa não respondeu.

Passos surgiram no corredor.

Dante.

Teresa fechou a caixa.

Tarde demais.

Ele entrou.

Seu olhar foi primeiro para Teresa.

Depois para Isabela.

Depois para a fotografia.

“O que vocês estão fazendo aqui?”

Isabela não tentou esconder.

“Descobrindo por que minha mãe aparece nas fotos da sua família.”

Dante pegou a fotografia.

Seu rosto mudou.

“Marta Oliveira.”

“Você conhece esse nome?”

“Conheço.”

“De onde?”

Dante olhou para Teresa.

“Ela foi demitida pelo meu pai.”

“Acusada de roubo.”

“Sim.”

“Ela roubou?”

“Eu tinha quatorze anos. Não sei.”

Isabela apontou para o verso.

“Leia.”

Dante leu.

Sua expressão endureceu.

“Essa letra é da minha sogra.”

“Então explique.”

“Não posso explicar o que não sei.”

“Parece que essa família não sabe muita coisa.”

“Cuidado, Isabela.”

“De novo isso?”

“Você entrou numa área privada sem autorização.”

“Então me demita.”

Teresa arregalou os olhos.

Dante aproximou-se.

“Você precisa desse emprego.”

Isabela congelou.

“Como sabe?”

“Eu verifico quem entra na minha casa.”

“Investigou minha vida?”

“Investiguei.”

“Então sabe da minha mãe.”

“Sei.”

“E mesmo assim acha que pode usar isso para me manter aqui?”

Dante respondeu imediatamente:

“Não.”

Aquilo a surpreendeu.

Ele devolveu a fotografia.

“Se quiser ir embora, Bruno leva você.”

正文1

“E Sofia?”

A mandíbula dele travou.

“Não vou usar minha filha para prender você aqui.”

Isabela olhou para a foto.

Depois para o corredor.

“Eu fico.”

“Por quê?”

“Porque agora quero respostas.”

Na manhã seguinte, Sofia aceitou três colheres de canja.

Isabela não colocou a colher na boca dela.

Deixou-a sobre a mesa.

Sofia pegou sozinha.

Dante assistia da porta.

Na terceira colher, a menina parou.

“Ninguém vai pedir mais”, disse Isabela.

Sofia olhou desconfiada.

“Três está ótimo.”

Dante quase protestou.

Isabela lançou um olhar.

Ele ficou quieto.

Sofia empurrou a tigela.

Depois apontou para um papel.

“Quer desenhar?”

A menina assentiu.

Isabela trouxe lápis de cor.

Sofia desenhou uma casa.

Depois uma mulher de cabelo escuro.

Depois outra figura pequena.

“Mamãe?”

Sofia tocou a primeira mulher.

Depois tocou a pequena.

“Você?”

Ela assentiu.

Isabela sorriu.

“Bonito.”

Sofia pegou o lápis preto.

Desenhou um carro.

As mãos começaram a tremer.

Isabela não fez perguntas.

Sofia desenhou um retângulo prateado.

Parou.

Empurrou o papel.

Isabela olhou.

Parecia uma bandeja.

Então entendeu.

“Você viu uma bandeja naquele dia?”

Sofia ficou pálida.

Isabela recuou.

“Tudo bem. Não precisa falar.”

A menina largou o lápis.

Na porta, Valentina observava.

“Posso entrar?”

Sofia olhou para ela.

Seu corpo ficou rígido.

Isabela percebeu.

Valentina não.

“Trouxe uma coisa.”

Ela mostrou um coelho de pelúcia.

“Era da sua mãe.”

Sofia encarou o brinquedo.

Valentina colocou-o sobre a cama.

“Helena dormia com ele quando era pequena.”

A menina não tocou.

Valentina virou-se para Isabela.

“Ela comeu?”

“Três colheres.”

Os olhos de Valentina se encheram de lágrimas.

“Graças a Deus.”

Ela abraçou Isabela impulsivamente.

“Obrigada.”

Por cima do ombro de Valentina, Isabela viu Sofia.

A menina não estava olhando para o coelho.

Estava olhando para a orelha de Valentina.

Para o brinco de pérola.

Sofia apertou o lápis preto com tanta força que a ponta quebrou.

Naquela tarde, Isabela voltou à Vila Mariana por duas horas.

Marta estava sentada à mesa quando ela entrou.

A fotografia foi colocada diante dela.

Marta perdeu a cor.

“De onde tirou isso?”

“Da casa dos Montenegro.”

“Eu mandei você sair de lá.”

“E eu pedi a verdade.”

Marta levantou-se.

“Não tenho nada para dizer.”

“Você trabalhou seis anos para eles.”

Silêncio.

“Foi acusada de roubo.”

Marta fechou os olhos.

“Eu não roubei.”

“Eu sei.”

“Não sabe.”

“Sei quem você é.”

Marta virou o rosto.

Isabela colocou a fotografia novamente na frente dela.

“Quem era Beatriz?”

Marta sentou.

Parecia vinte anos mais velha.

“Uma mulher que tentou salvar a própria filha.”

“Helena?”

Marta assentiu.

“Salvar de quem?”

“Da família.”

Isabela sentiu um frio subir pelos braços.

“Que família?”

Marta segurou a foto.

“Montenegro.”

“Por que ela escreveu para você cantar para a filha dela?”

Marta ficou imóvel.

“Que frase?”

Isabela virou a foto.

A mãe leu.

Seu rosto se transformou.

“Isso não estava escrito aí.”

“O quê?”

“Quando essa foto foi tirada, não tinha nada atrás.”

Isabela sentiu o coração acelerar.

“Então alguém escreveu depois.”

Marta levantou-se.

“Volte para aquela casa.”

“Você acabou de mandar eu sair de lá.”

“Agora estou mandando voltar.”

“Por quê?”

Marta segurou os braços da filha.

“Porque se Helena escreveu isso antes de morrer, ela estava tentando encontrar você.”

“Eu?”

“Ou a música.”

“Por quê?”

Marta olhou para a filha com medo.

“Porque aquela música nunca foi uma canção de ninar.”

Isabela ficou em silêncio.

Marta continuou:

“Era um aviso.”

O celular de Isabela tocou.

Era Bruno.

Ela atendeu.

“Alô?”

A voz dele veio urgente.

“Volte agora.”

“O que aconteceu?”

“Sofia começou a falar.”

Isabela pegou a bolsa.

“O que ela disse?”

Bruno hesitou.

Então respondeu:

“Seu nome.”

Isabela parou.

“Ela está chamando por você.”

Ao fundo, ouviu o choro de Sofia.

E depois, claramente, a voz da menina:

“Isabela…”

Uma pausa.

“Eu lembrei da mulher.”

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