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"A Filha do Chefe da Máfia Se Recusava a Sobreviver… Até a Babá Pobre Cantar Uma Canção Que Ninguém Deveria Conhecer" Capítulo 3 — A Canção Que Helena Cantava

正文开头

Naquela noite, Isabela não voltou para casa.

Ligou para Marta usando o telefone da cozinha.

“Você vai dormir aí?”

“Só hoje.”

“Isabela.”

“Estou bem, mãe.”

“Quem paga quinze mil reais por uma semana não está oferecendo um trabalho normal.”

Isabela olhou para Bruno, parado a alguns metros.

“É uma família complicada.”

“Família complicada ou família perigosa?”

“Depois conversamos.”

“Não mude de assunto.”

Isabela sorriu cansada.

“Você me ensinou isso.”

Marta ficou em silêncio.

“Qual é o sobrenome?”

Isabela hesitou.

“Montenegro.”

Do outro lado da linha, nada.

“Mãe?”

“Montenegro?”

A voz de Marta havia mudado.

“Sim.”

“Saia daí.”

Isabela franziu a testa.

“O quê?”

“Agora.”

“Por quê?”

“Porque eu estou pedindo.”

“Mãe, você conhece essa família?”

“Não.”

A resposta veio rápido demais.

“Mãe.”

“Volte para casa.”

Antes que Isabela pudesse insistir, uma enfermeira surgiu no corredor.

“Senhorita Isabela!”

Ela se virou.

“Sofia acordou.”

O grito atravessou o segundo andar.

Isabela correu.

Sofia estava no canto da cama, batendo as costas contra a cabeceira.

“Não! Não!”

Era a primeira vez que Isabela ouvia a voz dela.

Dante segurava os braços da filha tentando impedir que ela se machucasse.

“Sofia! Sou eu!”

“Não!”

“Filha!”

“Dante, solte ela!”

Ele nem olhou.

“Ela vai se machucar.”

“Você está assustando ela.”

“Saia.”

Sofia gritou ainda mais.

“Não!”

O monitor disparou.

Henrique entrou atrás deles.

“Precisamos diminuir os estímulos.”

Uma enfermeira preparou medicação.

Sofia viu a seringa.

Seu rosto mudou.

Ela começou a lutar desesperadamente.

“Não!”

Isabela agarrou a mão da enfermeira.

“Espera.”

“Ela precisa—”

“Espera!”

Henrique olhou para o monitor.

“Trinta segundos.”

Isabela virou-se para Dante.

“Saia.”

“Não.”

“Se quer ajudar sua filha, saia!”

Dante encarou Isabela.

Então olhou para Sofia.

Soltou-a.

Deu um passo para trás.

Depois outro.

Saiu.

Henrique retirou a enfermeira.

Isabela permaneceu perto da porta.

Não tentou aproximar-se.

Sofia chorava sem lágrimas, puxando ar rapidamente.

Isabela não sabia o que dizer.

Então não disse nada.

Sentou-se no chão.

Respirou devagar.

Uma lembrança surgiu.

Marta lavando louça numa cozinha pequena.

Isabela criança sentada sobre a bancada.

Uma melodia antiga.

Ela começou a cantarolar.

Muito baixo.

Sem letra no início.

Só a melodia.

Sofia congelou.

Isabela continuou.

Uma frase suave.

Depois outra.

Do lado de fora, Dante ergueu a cabeça.

Teresa deixou cair o pano que segurava.

Dentro do quarto, Sofia parou de chorar.

Seus olhos estavam enormes.

“Continua”, ela sussurrou.

Isabela quase perdeu a voz.

Mas continuou.

Cantou como Marta cantava.

Sem pressa.

Quando terminou, Sofia estava respirando normalmente.

A menina olhou para ela.

“Minha mãe cantava isso.”

Isabela sentiu um arrepio.

“Cantava?”

Sofia assentiu.

Dante abriu a porta.

“Helena?”

A menina imediatamente se encolheu.

Ele parou.

Isabela olhou para ele.

“Não chega mais perto.”

Dante obedeceu.

“Que música é essa?”

“Minha mãe cantava para mim.”

“Qual o nome?”

“Não sei.”

Teresa apareceu atrás dele.

Seu rosto havia perdido a cor.

Dante percebeu.

“Teresa?”

“Eu…”

A governanta recuou.

“Não é nada.”

Sofia apontou para o copo azul sobre o criado-mudo.

正文1

Isabela pegou.

“Quer?”

A menina hesitou.

Depois estendeu as duas mãos.

Dante parou de respirar.

Sofia levou o copo aos lábios.

Um gole.

Pequeno.

Depois outro.

Henrique cobriu a boca com a mão.

Valentina, que acabara de chegar ao corredor, começou a chorar.

Dante permaneceu imóvel.

Sofia devolveu o copo.

Isabela sorriu.

“Chega?”

A menina assentiu.

Ninguém comemorou.

Isabela tinha pedido silêncio.

Mas Dante virou o rosto.

E Isabela percebeu que ele estava chorando.

Uma hora depois, Sofia dormia.

Dante encontrou Isabela na cozinha.

Colocou um envelope sobre a bancada.

“O que é isso?”

“Seu pagamento.”

“Já?”

“Você conseguiu em algumas horas o que ninguém conseguiu em quatro dias.”

“Ela bebeu dois goles.”

“Para mim, hoje, isso vale mais do que qualquer coisa.”

Isabela empurrou o envelope de volta.

“Pague quando eu fizer meu trabalho.”

Dante olhou para ela.

“Todo mundo aceita dinheiro.”

“Eu também. Preciso muito.”

“Então pegue.”

“Não desse jeito.”

Ele estudou o rosto dela.

“Por que precisa?”

“Isso não é problema seu.”

Um quase sorriso apareceu no canto da boca dele.

“Agora você entende como é irritante ouvir isso.”

Isabela percebeu.

“Está se vingando?”

“Talvez.”

Por um instante, ele não parecia o homem dos rumores.

Só um pai exausto.

Então Teresa apareceu.

“Isabela.”

A voz dela estava tensa.

“Preciso falar com você.”

Teresa levou Isabela até a despensa.

Fechou a porta.

“Cante.”

“Como?”

“A música.”

“Agora?”

“Por favor.”

Isabela cantarolou os primeiros versos.

Teresa levou a mão à boca.

“Meu Deus.”

“O que foi?”

“Quem ensinou isso para você?”

“Minha mãe.”

“Nome.”

“Marta Oliveira.”

Teresa segurou a prateleira.

“Oliveira…”

“Você conhece minha mãe?”

Teresa não respondeu.

“Teresa.”

“Quantos anos você tem?”

“Vinte e seis.”

“E sua mãe?”

“Cinquenta e cinco.”

A governanta fechou os olhos.

“É ela.”

“Ela quem?”

Antes que Teresa respondesse, a porta se abriu.

Valentina estava do outro lado.

“O que vocês estão fazendo?”

Teresa se assustou.

“Nada.”

Valentina olhou para Isabela.

Depois para Teresa.

“Dante está procurando você.”

Isabela saiu.

Mas, ao passar, percebeu algo.

Valentina também parecia ter reconhecido a melodia.

Mais tarde, Isabela conseguiu ligar novamente para Marta.

“Preciso que você me diga a verdade.”

“Sobre o quê?”

“Helena Montenegro.”

Silêncio.

“Mãe?”

“Eu não conhecia Helena.”

“Então por que você mandou eu sair quando ouviu o sobrenome?”

“Porque todo mundo sabe quem são os Montenegro.”

“Teresa Nogueira conhece você.”

A respiração de Marta falhou.

“Teresa ainda trabalha lá?”

Isabela fechou os olhos.

“Você acabou de responder.”

“Isabela…”

“Você trabalhou aqui?”

“Volte para casa.”

“Trabalhou?”

“Não mexa nisso.”

“Mãe!”

A ligação caiu.

Isabela tentou novamente.

Nada.

Quando se virou, Teresa estava no corredor.

Nas mãos, segurava uma pequena chave.

“Venha comigo.”

“Para onde?”

“Para um lugar que Dante não abre desde que Helena morreu.”

Teresa conduziu Isabela até uma porta no final do corredor.

Abriu.

Era o antigo closet de Helena.

“Se Marta realmente é sua mãe”, disse Teresa, “há uma coisa aqui que você precisa ver.”

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