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"A Empregada Entendeu o Que a Mãe do Chefe da Máfia Tentava Dizer Há Nove Anos" Capítulo 2 — A Mulher Que Ainda Estava Lúcida

正文开头

O sinal do celular de Lucas desapareceu quando os carros chegaram à Avenida Angélica.

Rafael ampliou o mapa no tablet. O último ponto permanecia sobre o Hospital Santa Cecília, mas o aparelho já não respondia. Dante ordenou que duas equipes cercassem as saídas e manteve Maya no banco traseiro do carro blindado.

“Meu irmão não escuta”, disse ela. “Se entrarem gritando, ele não vai obedecer a uma ordem que não consegue ouvir.”

“Rafael sabe disso.”

“Sabe porque o senhor contou agora. Quem levou Lucas já sabia antes de tocar nele.”

Dante a observou. Maya ainda usava o uniforme da agência. Havia poeira no avental e uma pequena mancha de sangue no punho, deixada por Beatriz durante o apagão.

“Você acha que foi escolhida para entrar naquela casa.”

“Cecília Prado pesquisou minha família antes de me contratar. A ameaça chegou segundos depois de eu traduzir sua mãe. Não acho. Tenho certeza.”

Rafael estacionou na entrada de serviço. O hospital particular funcionava numa construção antiga, reformada com vidro e metal. Àquela hora, o saguão estava quase vazio. Um recepcionista afirmou que nenhum Lucas Nascimento dera entrada naquela noite.

Maya mostrou a fotografia do irmão.

O homem desviou os olhos.

“Eu já disse que não o vi.”

Ela apontou para a câmera sobre o balcão.

“Então mostre as imagens.”

“Só com autorização da administração.”

Dante colocou o telefone sobre o balcão. Na tela havia o nome da diretora do hospital e uma chamada já conectada.

“A autorização está ouvindo.”

Cinco minutos depois, Rafael encontrou no vídeo uma van branca entrando pela garagem. Lucas aparecia entre dois homens, consciente, com as mãos presas atrás do corpo. Antes de desaparecer pelo corredor técnico, ele olhou diretamente para a câmera e tocou o polegar no queixo.

“Ele fez um sinal”, disse Dante.

“Mentira”, traduziu Maya. “Está dizendo que o lugar para onde o levam não é o que parece.”

O registro mostrava a van saindo sete minutos mais tarde. Ninguém aparecia no banco traseiro, mas a suspensão do veículo continuava baixa.

Rafael seguiu a placa clonada até um estacionamento perto do Minhocão. A van foi encontrada vazia. No chão havia a pulseira de couro de Lucas e um papel dobrado com o logotipo do hospital.

Maya abriu.

ARMÁRIO 317. UMA TROCA.

“Eles ouviram minha tradução”, murmurou.

“Ou alguém no salão transmitiu tudo”, disse Rafael.

Dante ligou para a mansão. Beatriz estava trancada no antigo quarto, protegida por homens que Rafael escolhera pessoalmente. César fora mantido no escritório. Cecília e os convidados continuavam impedidos de sair.

“E Otávio?”, perguntou Dante.

“O carro dele deixou a propriedade pelo portão de fornecedores durante o apagão”, respondeu um segurança. “A autorização usou sua assinatura digital.”

Dante encerrou a ligação sem demonstrar surpresa. Maya percebeu que a raiva dele se tornava mais perigosa quando ficava silenciosa.

“Se alguém pode usar sua assinatura, pode autorizar qualquer coisa em seu nome.”

“Inclusive a internação da minha mãe.”

正文1

Eles voltaram à mansão pouco antes das duas da manhã. Uma médica independente, dra. Renata Peixoto, aguardava no quarto de Beatriz. Dante a trouxera de um hospital em Campinas porque ela nunca trabalhara para a família.

Renata iniciou testes simples. Pediu que Beatriz identificasse objetos, datas e pessoas por meio de cartões. Maya interpretou apenas as perguntas que exigiam Libras; em todo o resto, a médica ofereceu escolhas escritas para evitar que a jovem influenciasse as respostas.

Beatriz acertou o ano, o nome do presidente, a idade de Dante e o endereço da casa onde vivera antes do casamento. Resolveu contas, organizou imagens em sequência e descreveu, por sinais, o jantar interrompido.

Renata retirou os óculos.

“Ela tem dificuldades motoras e afasia grave, mas não vejo sinais compatíveis com a demência avançada descrita nos prontuários.”

Dante ficou imóvel.

“Está dizendo que minha mãe esteve lúcida durante nove anos?”

“Estou dizendo que alguém precisa explicar por que ela recebeu doses elevadas de sedativos que prejudicam atenção, equilíbrio e memória.”

Renata mostrou os resultados do exame rápido de sangue. Havia benzodiazepínicos e outro composto que ela preferia confirmar em laboratório.

Maya sentou-se diante de Beatriz.

“Quem dava o remédio?”

A mulher sinalizou médico. Depois apontou para uma fotografia de Otávio sobre a cômoda.

“Ele obrigava a senhora?”

Beatriz tocou o pescoço, imitou uma injeção e apontou para a porta. Maya entendeu: quando recusava, Otávio aplicava e a mantinha isolada.

Dante virou o rosto. Durante anos, ele aceitara as explicações do médico. Visitava a mãe, fazia perguntas e recebia apenas olhares vagos. Convencera-se de que insistir aumentava o sofrimento dela.

“Pergunte por que ela nunca escreveu.”

Beatriz estendeu a mão. Os dedos se curvaram com rigidez.

Renata examinou as articulações.

“Há sinais de lesão repetitiva e tratamento inadequado. Escrever por muito tempo deve causar dor.”

Beatriz mostrou também que seus cadernos eram retirados. Cada vez que tentava desenhar o que acontecera, Otávio levava as folhas e aumentava a medicação.

Maya então lembrou o gesto atrás da orelha.

Renata afastou os cabelos grisalhos. Encontrou uma pequena elevação sob a pele. Rafael usou um detector portátil, que emitiu um alerta agudo.

“Transmissor”, disse ele. “Baixa potência. Alguém próximo recebe o sinal.”

Dante examinou o quarto. Havia flores frescas, livros, uma televisão e uma poltrona. Nada parecia ameaçador.

Rafael abriu a base do abajur. Dentro dela encontrou um receptor do tamanho de uma moeda.

“Tudo que aconteceu aqui foi ouvido.”

Maya olhou para a porta. A ameaça contra Lucas não fora enviada porque alguém adivinhara o significado dos sinais. A conversa com Beatriz já estava sendo transmitida.

Dante arrancou o receptor e o esmagou no chão.

“Não”, disse Maya. “Eles precisam acreditar que ainda escutam.”

Rafael concordou. Substituiu o aparelho por outro e manteve o original ligado dentro de uma caixa acústica, onde uma gravação repetiria ruídos do quarto.

Enquanto trabalhavam, Dalva entrou com uma bandeja. Ao ver Renata, parou junto à porta.

正文2

“O doutor Otávio proibiu outros médicos.”

“Otávio não dá mais ordens nesta casa”, respondeu Dante.

Dalva deixou a bandeja. Maya notou que a governanta apertava um molho de chaves.

“A senhora sabe onde fica o armário 317?”

A bandeja tremeu.

“Não.”

Beatriz bateu na cama e sinalizou subsolo, estação, Vicente.

“Ela diz que fica numa estação”, traduziu Maya. “E que pertenceu ao marido.”

Dalva começou a chorar.

“Eu prometi que nunca contaria.”

Dante aproximou-se.

“Prometeu a quem?”

“Ao seu pai.”

Dalva explicou que Vicente mantinha um armário na antiga Estação da Luz, numa área de guarda-volumes usada por funcionários ferroviários. Na noite de sua suposta morte, ele lhe entregara uma chave numerada e mandara escondê-la. Otávio revistou os quartos no dia seguinte, mas Dalva já colocara a chave dentro da barra de uma cortina.

Ela retirou do bolso uma pequena chave de latão com o número 317.

“Por que guardou isso por nove anos?”, perguntou Dante.

“Porque seu pai disse que só deveria entregar quando Beatriz conseguisse contar a verdade. Depois disseram que ela tinha enlouquecido.”

Maya pegou a chave. No verso havia duas letras gravadas: V.M.

O celular de Rafael vibrou. A equipe que procurava Lucas encontrara novas imagens. Ele mostrou o vídeo: a van estacionava perto da Estação da Luz. Dois homens levavam Lucas para dentro do prédio antigo.

“Eles querem a chave”, disse Maya.

“Querem que você a leve”, corrigiu Dante.

Beatriz fez um sinal urgente. Maya aproximou-se.

A mulher indicou que o armário não guardava apenas documentos. Guardava a prova de que Vicente não morrera na noite registrada em sua certidão.

“Seu pai saiu vivo do carro”, traduziu Maya.

Dante parou de respirar.

Beatriz continuou: Vicente fora levado para um lugar chamado Instituto Albertus. César pagara para mantê-lo escondido, e Otávio assinara os relatórios.

“Por quanto tempo?”, perguntou Dante.

Beatriz ergueu três dedos, fez o sinal de mês e apontou para o presente.

Maya precisou repetir para ter certeza.

“Ela diz que seu pai ainda estava vivo três meses atrás.”

Naquele instante, o telefone de Maya recebeu um vídeo. Lucas aparecia amarrado diante de fileiras de armários metálicos. Um homem fora do enquadramento segurava uma arma junto à cabeça dele.

Na porta atrás do jovem, o número 317 estava pintado em vermelho.

Uma voz distorcida deu a ordem:

“Traga a chave sozinha. Se Dante aparecer, seu irmão morre antes que o armário seja aberto.”

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