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"Minha Nora Destruiu Meu Bolo de 65 Anos… Mas Não Imaginava o Que Eu Descobriria Sobre Meu Próprio Filho" Capítulo 3 — R$ 92 Mil Sumiram da Minha Conta

正文开头

Na manhã seguinte, Helena acordou às cinco e quarenta.

Não tinha dormido nem duas horas.

Ficou deitada olhando para o teto.

Durante trinta e oito anos de casamento, Augusto dormira do lado direito da cama.

Três anos depois da morte dele, Helena ainda ocupava apenas o lado esquerdo.

Velhos hábitos.

Velhas lealdades.

Talvez esse fosse seu problema.

Às seis e quinze, levantou.

Tomou banho.

Vestiu uma calça bege e uma camisa branca.

Depois foi até a cozinha.

Camila entrou vinte minutos depois.

“Tem café?”

Helena bebeu o seu.

“Tem pó no armário.”

Camila parou.

“Como?”

“A cafeteira está ali.”

“Você sempre faz.”

“Fazia.”

Camila ficou olhando.

Helena terminou o café.

Subiu.

Pegou três caixas de papelão no depósito.

Entrou no banheiro social que Camila havia transformado praticamente em camarim.

Cremes.

Perfumes.

Maquiagem.

Secador.

Chapinha.

Tudo foi para as caixas.

Quando Camila percebeu, gritou do corredor:

“O que você está fazendo?”

“Organizando minha casa.”

“Essas coisas são minhas!”

“Eu sei.”

Helena fechou a última caixa.

“Por isso vou colocar na frente do seu quarto.”

Camila segurou seu braço.

“Você não pode tocar nas minhas coisas.”

Helena olhou para a mão.

“Solta.”

Camila soltou.

Rafael apareceu.

“O que aconteceu?”

“Sua mãe enlouqueceu.”

Helena pegou a caixa.

“Bom dia, Rafael.”

“Mãe, precisamos conversar sobre ontem.”

“Vamos.”

“Agora?”

“Não.”

Helena deixou a caixa no corredor.

“Hoje tenho compromissos.”

Camila riu.

“Que compromissos?”

Helena olhou para ela.

“Meus.”

Às oito, o chaveiro chegou.

Helena trocou as fechaduras do quarto, do escritório de Augusto e do pequeno cômodo onde guardava documentos.

Rafael assistiu.

“Mãe, isso é necessário?”

“É.”

“Eu nunca mexi nas suas coisas.”

Helena parou.

Queria acreditar.

“Espero que não.”

O telefone tocou.

Era Camila.

Ela estava no andar de cima.

Helena recusou a chamada.

Saiu de casa.

Seu primeiro destino era a agência bancária no Itaim Bibi.

Não fora por causa da mensagem anônima.

Pelo menos foi o que tentou dizer a si mesma.

Precisava revisar aplicações e atualizar alguns dados.

Fazia isso duas vezes por ano.

Patrícia Nogueira a recebeu.

“Dona Helena!”

A gerente levantou-se.

“Feliz aniversário atrasado.”

“Obrigada.”

“Como foi a festa?”

Helena pensou no bolo no chão.

“Memorável.”

Patrícia sorriu.

“Vamos ver suas aplicações?”

“Vamos.”

Sentaram.

A gerente abriu o sistema.

Seu sorriso desapareceu.

Helena percebeu.

“Algum problema?”

“Um momento.”

Patrícia aproximou-se da tela.

Digitou.

Abriu outra página.

“Dona Helena, a senhora fez algumas retiradas da conta de reserva?”

“Que retiradas?”

Patrícia não respondeu imediatamente.

“Quanto?”

“Vou imprimir.”

O barulho da impressora pareceu alto demais.

Patrícia colocou as folhas diante dela.

Helena leu.

R$ 4.800.

R$ 7.300.

R$ 2.450.

R$ 11.000.

Compras.

Transferências.

Restaurantes.

Uma clínica de estética.

Uma loja no Shopping Cidade Jardim.

Mais transferências.

Helena sentiu frio nas mãos.

“Isso está errado.”

Patrícia permaneceu séria.

“Quais transações?”

“Quase todas.”

A gerente respirou fundo.

“Precisamos verificar imediatamente.”

Helena continuou somando.

Não conseguiu.

“Quanto?”

Patrícia usou a calculadora.

O silêncio durou poucos segundos.

正文1

Pareceu um minuto.

“R$ 92.180.”

Helena encostou-se na cadeira.

Noventa e dois mil cento e oitenta reais.

“Não.”

“Vamos bloquear movimentações.”

“Quem fez isso?”

“Algumas transações foram feitas por cartão adicional.”

“De quem?”

Patrícia verificou.

“Rafael Duarte.”

Helena fechou os olhos.

O filho tinha acesso à conta desde a internação de Augusto.

Naquela época, Helena mal conseguia pensar.

Rafael cuidava de boletos.

Farmácia.

Hospital.

Ela nunca retirara a autorização.

“E as transferências?”

“Também foram realizadas por um acesso autorizado.”

“Rafael?”

“Sim.”

Helena sentiu náusea.

Patrícia virou a tela.

“Há outra coisa.”

Uma sequência de pagamentos aparecia repetidamente.

**ES Consultoria Patrimonial Ltda.**

“Conhece?”

“Não.”

“Há R$ 31 mil transferidos para essa empresa em quatro operações.”

Helena pegou o celular.

Pesquisou o nome.

O resultado apareceu.

Responsável legal:

**Eduardo Salles.**

Ela parou.

O nome parecia familiar.

Então lembrou.

Na noite anterior, depois que todos foram embora, Helena assistira novamente ao vídeo de Camila.

No final, quando Camila encerrava a ligação, a tela do telefone ficara visível por um instante.

**Eduardo.**

Helena sentiu o sangue gelar.

“Patrícia, bloqueie tudo.”

“Tudo?”

“Cartão adicional. Autorizações digitais. O que for possível.”

“Vou precisar que a senhora confirme algumas coisas.”

“Faço o que precisar.”

Patrícia assentiu.

“Também recomendo trocar todas as senhas.”

“Vou trocar.”

Quando Helena saiu do banco, havia sete chamadas de Rafael.

Três de Camila.

Não respondeu.

Ligou para Lúcia.

“Você pode me encontrar?”

A amiga percebeu o tom.

“Onde?”

“Na padaria perto de casa.”

“Estou indo.”

Vinte minutos depois, Helena colocou os extratos sobre a mesa.

Lúcia ficou branca.

“Noventa e dois mil?”

Helena assentiu.

“Rafael?”

“Pelo acesso dele.”

“Meu Deus.”

“Tem mais.”

Helena mostrou o nome da empresa.

“Eduardo Salles.”

Lúcia franziu a testa.

“Quem é?”

“O homem com quem Camila estava falando.”

“Tem certeza?”

“Não.”

Helena respirou.

“Mas vou descobrir.”

Lúcia segurou sua mão.

“Vai chamar a polícia?”

Helena olhou pela janela.

“Primeiro eu quero ouvir meu filho.”

“E se ele mentir?”

Helena ficou alguns segundos em silêncio.

“Então vou descobrir que perdi muito mais que noventa e dois mil reais.”

Quando chegou em casa, Rafael esperava na sala.

Camila estava ao lado.

“Onde você estava?”

Helena colocou a bolsa sobre a mesa.

“No banco.”

O rosto de Rafael mudou.

Só por um segundo.

Mas mudou.

Helena viu.

Camila também.

“Mãe…”

Helena tirou os extratos da bolsa.

Colocou sobre a mesa.

“Você quer me explicar?”

Rafael não tocou nos papéis.

“Explicar o quê?”

“R$ 92.180.”

O silêncio foi absoluto.

Camila olhou para o marido.

Rafael sentou.

Helena entendeu antes mesmo de ele falar.

Ele sabia.

“Rafael.”

“Mãe, eu posso explicar.”

Helena sentiu os olhos arderem.

“Então explica.”

Camila interrompeu:

“Foi empréstimo.”

Helena virou lentamente.

“Eu não perguntei para você.”

“Mas eu sei o que aconteceu.”

“Ótimo.”

Helena puxou uma cadeira.

“Então talvez você possa explicar outra coisa.”

Mostrou uma das transferências.

Camila olhou.

Sua expressão endureceu.

Helena apontou para o nome.

“Quem é Eduardo Salles?”

Rafael ergueu a cabeça.

Camila não respondeu.

Helena percebeu que acabara de acertar exatamente onde doía.

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