"O Milionário Humilhou a Empregada Diante de Todos… Até Ela Revelar o Segredo Costurado no Vestido de Sua Mãe" Capítulo 9 — A Empregada na Sala do Conselho
Ninguém falou durante alguns segundos.
Isabela continuava segurando a página.
Leu novamente.
Depois uma terceira vez.
O nome estava ali.
**Helena Oliveira Martins.**
E logo abaixo:
**Na ausência da beneficiária, os direitos serão transferidos aos seus descendentes legais.**
Isabela levantou os olhos.
“Isso quer dizer o quê?”
Henrique respirou fundo.
“Primeiro precisamos confirmar a autenticidade.”
“E se for autêntico?”
“Significa que Beatriz destinou parte dos direitos patrimoniais vinculados ao Fundo Vasconcelos à sua mãe.”
“Quanto?”
“Não sei.”
Marcelo soltou uma risada.
“Claro que sabe.”
Todos olharam para ele.
“É isso que ela queria desde o começo.”
Isabela virou devagar.
“O quê?”
“Dinheiro.”
Dante bateu a mão na mesa.
“Chega.”
Marcelo apontou para Isabela.
“Uma empregada aparece na sua casa. Reconhece um vestido. Encontra uma carta. Depois surge uma joia. Depois um cofre. E agora descobrimos que ela pode ter direito a dinheiro.”
Isabela caminhou até ele.
Marcelo sorriu.
“Conveniente demais.”
Ela colocou a folha diante dele.
“Minha mãe morreu sem saber se algum dia limpariam o nome dela.”
“Você não sabe o que ela sabia.”
“Se ela quisesse dinheiro, teria vendido o broche.”
Marcelo ficou quieto.
“Se ela quisesse dinheiro, teria vendido as cartas.”
Mais um passo.
“Se ela quisesse dinheiro, não teria passado vinte anos fazendo barra de calça e ajustando vestido de noiva num apartamento pequeno na Vila Mariana.”
Marcelo perdeu o sorriso.
“Então não use a pobreza da minha mãe para explicar a sujeira da sua família.”
Um dos conselheiros abaixou os olhos.
Dante permaneceu em silêncio.
Não porque não quisesse defendê-la.
Porque Isabela não precisava.
Henrique recolheu os documentos.
“Vou solicitar perícia imediata.”
Marcelo tentou pegar a pasta.
Valentina puxou primeiro.
“Não.”
Ele a encarou.
“Você não faz ideia do que está fazendo.”
“Faço.”
“Seu pai vai perder tudo.”
Valentina empalideceu.
“Então ele responde pelo que fez.”
Marcelo riu.
“Você acha que Dante vai salvar sua família depois disso?”
Valentina olhou para Dante.
“Não estou pedindo que salve.”
Pela primeira vez, Isabela viu alguma dignidade naquela mulher.
Henrique interrompeu.
“Precisamos suspender a reunião.”
Dante negou.
“Não.”
“Dante…”
“Marcelo queria discutir controle. Vamos discutir.”
Ele caminhou até a cabeceira da mesa.
“Durante décadas, o Grupo Montenegro apresentou Augusto como único responsável pela construção deste patrimônio.”
Alguns conselheiros se mexeram.
“Agora existem documentos mostrando que isso não é verdade.”
Marcelo cruzou os braços.
“Você vai destruir o nome do seu pai publicamente?”
Dante olhou para ele.
“Se a verdade destrói o nome dele, não sou eu quem está destruindo.”
Isabela sentiu um arrepio.
Era a primeira vez que Dante dizia aquilo sem hesitar.
Henrique pediu acesso ao sistema.
Projetou os registros encontrados.
Herança de Beatriz.
Transferências.
Participações.
Pagamentos.
O fundo.
As assinaturas.
E a carta.
Durante quase duas horas, ninguém saiu.
No final, o conselho aprovou uma auditoria independente.
Marcelo foi afastado temporariamente.
Dante permaneceu no cargo, mas qualquer alteração patrimonial relacionada aos ativos de Beatriz seria suspensa até a conclusão da análise.
Marcelo levantou.
“Você acha que ganhou.”
Dante respondeu:
“Isso não é jogo.”
“Tudo é jogo quando existe dinheiro suficiente.”
Ele olhou para Isabela.
“Pergunta para sua mãe.”
Isabela avançou.
“Minha mãe está morta.”
Marcelo parou.
“Exatamente.”
Dante segurou o braço dele.
“Que diabos isso significa?”
Marcelo sorriu.
“Nada.”
“Você sabe alguma coisa sobre a morte de Helena?”
O sorriso desapareceu.
“Não seja ridículo.”
“Então explica.”
“Ela morreu de causas naturais. Até você sabe disso.”
Isabela sentiu o peito apertar.
Helena tivera um infarto.
Não havia mistério.
Mesmo assim, a forma como Marcelo falara era calculada.
Antes que Dante insistisse, Bruno entrou.
“Polícia.”
Marcelo ficou tenso.
Dois investigadores aguardavam no corredor.
O incêndio no arquivo já não era apenas assunto interno.
Marcelo saiu acompanhado.
Quando a porta fechou, Isabela soltou o ar.
Dante se aproximou.
“Você está bem?”
“Não sei.”
“Sobre o documento?”
“Sobre tudo.”
Ela olhou para a sala.
Mesa de madeira escura.
Vidros enormes.
São Paulo aos pés deles.
Naquela mesma semana, ela estivera servindo bebidas para pessoas como aquelas.
Agora seu nome aparecia em documentos capazes de mudar uma disputa de centenas de milhões.
“Eu não quero isso.”
Dante franziu a testa.
“Não sabe nem o que é.”
“É justamente isso.”
Henrique se aproximou.
“Isabela, uma coisa precisa ficar clara. Se houver direito legal, ele pertence a você e Lucas. Ninguém pode obrigá-los a abrir mão.”
“Também não pode me obrigar a querer.”
“Não.”
“Minha mãe nunca falou disso.”
Henrique assentiu.
“Talvez porque não considerasse aquilo dela.”
Isabela pensou.
Aquilo combinava com Helena.
Naquela noite, voltou para a Vila Mariana.
Lucas estava esperando.
Ela contou tudo.
Ele ficou cinco minutos em silêncio.
“Então estamos ricos?”
Isabela olhou para ele.
Lucas riu.
“Brincadeira.”
“Não tem graça.”
“Tem um pouco.”
Depois ficou sério.
“Você quer o dinheiro?”
“Não sei se existe dinheiro.”
“Você sabe o que eu quis dizer.”
Isabela olhou para a fotografia da mãe na estante.
“Eu queria que ela estivesse aqui para explicar.”
Lucas sentou ao lado dela.
“Ela nunca gostou dos Montenegro.”
“Ela nunca falava deles.”
“Exatamente.”
Isabela lembrou.
A mãe mudava de assunto sempre que a televisão mostrava eventos da família.
Nunca parecia raiva.
Parecia medo.
Lucas levantou.
“Tem uma coisa.”
Foi até o quarto.
Voltou com um envelope.
“Encontrei hoje.”
“Por que não mostrou antes?”
“Porque está escrito seu nome.”
A letra era de Helena.
**Para Isabela, quando eu não puder mais explicar.**
As mãos dela começaram a tremer.
Abriu.
A carta era curta.
“Filha, se algum dia alguém vier procurar você por causa de Beatriz, não aceite nada antes de saber toda a verdade.”
Isabela parou.
Lucas se aproximou.
Ela continuou.
“Há dinheiro que parece presente, mas foi criado para comprar silêncio. Beatriz nunca quis comprar o meu. E eu nunca vendi.”
Mais abaixo:
“Se os documentos chegarem até você, procure a última página do livro azul.”
Isabela ficou imóvel.
“O livro azul está com Henrique.”
Ligou imediatamente.
Henrique atendeu.
“Preciso da última página.”
Silêncio.
“Isabela…”
“O quê?”
“O livro azul não tem última página.”
“Como assim?”
“Ela foi arrancada.”
Isabela fechou os olhos.
Outra peça desaparecida.
“Quem ficou sozinho com ele?”
Henrique pensou.
“Valentina.”
Isabela ligou.
Nenhuma resposta.
Outra vez.
Nada.
Na terceira tentativa, alguém atendeu.
Mas não era Valentina.
Marcelo.
“Está procurando alguma coisa?”
Isabela gelou.
“Onde está Valentina?”
“Segura.”
“Marcelo.”
“Pergunte ao Dante o que a mãe dele fez com Helena.”
A ligação terminou.
Isabela correu para pegar a bolsa.
Lucas tentou impedir.
“Isa.”
“Liga para Dante.”
“Você vai onde?”
Ela olhou para a última mensagem enviada pelo celular de Valentina.
Um endereço.
Um antigo galpão de tecidos no Bixiga.
E uma frase:
**A última página está comigo.**
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