"O Milionário Humilhou a Empregada Diante de Todos… Até Ela Revelar o Segredo Costurado no Vestido de Sua Mãe" Capítulo 4 — A Ladra
Dante chegou à Vila Mariana em vinte e três minutos.
Henrique veio atrás.
Isabela colocou o broche sobre a mesa da cozinha.
Ninguém falou durante alguns segundos.
Henrique foi o primeiro a tocar nele.
Usou luvas.
Virou a peça.
Examinou o fecho.
“Parece ser o mesmo.”
“Parece?”, Isabela perguntou.
“Preciso confirmar a numeração da joalheria.”
Dante olhava para o broche como se fosse uma arma.
“Por que Helena guardaria isso?”
“Talvez porque tenha roubado”, Lucas respondeu, amargo. “É isso que vocês querem ouvir?”
“Não”, Dante disse.
Lucas pareceu surpreso.
“Então não diga.”
Henrique encontrou uma pequena gravação na parte traseira.
“B.V.M.”
Beatriz Vasconcelos Montenegro.
Isabela sentou.
A mãe realmente possuíra a joia.
Mas por quê?
No dia seguinte, Henrique confirmou a autenticidade.
O broche fora comprado por Beatriz em 1997.
Desaparecera oficialmente no ano seguinte.
A acusação contra Helena surgira três dias depois.
Dante mandou digitalizar todos os documentos.
Foi assim que perceberam a primeira inconsistência.
O boletim de ocorrência dizia que o broche desaparecera no dia 18 de setembro.
Mas uma fotografia encontrada no arquivo de Beatriz mostrava Helena usando a joia no dia 21.
Ao lado de Beatriz.
As duas sorriam.
“Se ela roubou”, Isabela disse, “por que sua mãe tiraria uma foto com ela usando o broche três dias depois?”
Henrique concordou.
“Não faz sentido.”
Dante olhou para Teresa.
Ela fora chamada à mansão naquela manhã.
“Você estava lá?”
Teresa observou a fotografia.
“Sim.”
“Então fala.”
“Beatriz deu o broche para Helena.”
Isabela levantou.
“Você sabia?”
“Eu vi.”
“E deixou Augusto acusar minha mãe?”
Teresa começou a chorar.
“Eu não sabia que ele tinha feito uma denúncia.”
“Mas sabia que o broche era dela!”
“Beatriz pediu que eu não falasse.”
“Por quê?”
Teresa balançou a cabeça.
“Eu não sei.”
Dante bateu a mão na mesa.
“Chega de ‘não sei’!”
Teresa se assustou.
“Minha mãe passou anos viva. Você sabia. Helena foi destruída. Você sabia parte disso. Toda vez que alguém pergunta alguma coisa nesta família, a resposta é medo.”
“Porque seu pai fazia as pessoas terem medo!”
“Ele está morto!”
“Mas as coisas que ele fez não morreram com ele!”
Silêncio.
Dante respirou fundo.
Henrique voltou a examinar o broche.
“Tem algo estranho.”
“Quê?”
“Ele é pesado demais.”
O advogado pressionou uma pequena saliência atrás da esmeralda.
Nada aconteceu.
Tentou novamente.
Um compartimento minúsculo se abriu.
Dentro havia um pedaço de papel dobrado.
Isabela levou a mão à boca.
Henrique retirou.
Não era uma carta.
Era uma sequência de números.
E o nome de uma instituição bancária que já não existia.
“Parece número de cofre”, ele disse.
Dante imediatamente pediu uma pesquisa.
O antigo banco fora comprado por outra instituição.
Registros físicos anteriores a 2005 tinham sido transferidos para um arquivo em São Paulo.
Henrique levou dois dias para conseguir acesso.
Durante esses dois dias, a história de Isabela mudou completamente.
Dante suspendeu o contrato da empresa terceirizada que a colocara na mansão.
Ela pensou que estava sendo demitida.
“Você não vai servir minha família enquanto investigamos o que ela fez com a sua.”
“Então eu fico sem salário?”
Dante parou.
Isabela cruzou os braços.
“É fácil tomar decisões morais quando quem perde o pagamento é outra pessoa.”
Ele fechou os olhos.
“Você tem razão.”
“De novo.”
“Não se acostume.”
Dante providenciou que a empresa mantivesse o salário e a transferisse temporariamente para outro posto.
Isabela recusou qualquer pagamento pessoal dele.
A relação entre os dois permanecia difícil.
Mas já não era igual.
Dante começara a escutá-la.
E Isabela começara a perceber que o homem arrogante do jantar também era um filho descobrindo que quase toda a infância fora construída sobre uma mentira.
Valentina não gostou da mudança.
“Você passa mais tempo com essa empregada do que comigo.”
Dante estava no escritório.
“Ela tem nome.”
“Agora você vai defendê-la?”
“Estou corrigindo uma coisa.”
Valentina riu.
“Você não corrige pessoas, Dante. Você resolve problemas.”
“Talvez esse seja o problema.”
Valentina ficou em silêncio.
Naquela noite, ela ligou para Marcelo.
“Ele está mudando.”
Marcelo respondeu:
“Então faça ele parar.”
“Como?”
“Descubra o que Henrique encontrou.”
Valentina desligou sem perceber que Dona Célia, a governanta, estava no corredor.
Dois dias depois, Henrique reuniu todos no escritório.
Tinha conseguido localizar o cofre.
O registro estava em nome de Beatriz Montenegro.
Mas havia uma segunda pessoa autorizada.
Helena Oliveira Martins.
Isabela sentiu as pernas fraquejarem.
“Minha mãe?”
“Sim.”
Foram ao banco naquela tarde.
Depois de horas de procedimentos jurídicos, o compartimento foi aberto.
Não havia dinheiro.
Nem joias.
Havia três cadernos contábeis.
Uma fita cassete.
Um envelope com documentos societários.
E uma pasta azul.
Dante olhou para Isabela.
“O livro azul.”
Ela abriu.
As primeiras páginas continham registros de investimentos feitos por Beatriz antes do casamento.
Valores transferidos para o primeiro hotel comprado por Augusto.
Henrique folheou rapidamente.
“Isso muda a origem de parte do capital do grupo.”
Dante ficou sério.
“Quanto?”
“Preciso calcular.”
Isabela encontrou um envelope menor.
Na frente, a letra de Beatriz:
“Para Helena.”
Ela abriu.
Havia apenas uma folha.
“Helena, se Augusto descobrir o que fizemos, ele vai tentar transformar você em criminosa. O broche prova que fui eu quem o entregou. Nunca venda. Nunca devolva a ele.”
Isabela precisou sentar.
A mãe guardara a joia não porque roubara.
Guardara porque era a única prova de sua inocência.
Dante abaixou a cabeça.
“Eu vou limpar o nome dela.”
Isabela não respondeu.
Continuou lendo.
A última frase dizia:
“Se algum dia Dante descobrir tudo, entregue a ele a gravação. Mas só quando tiver certeza de que Maurício não poderá destruí-la.”
Dante franziu a testa.
“Maurício?”
Henrique ficou pálido.
“Ferraz.”
Isabela levantou os olhos.
“Pai do Marcelo?”
Henrique assentiu.
Maurício Ferraz fora diretor financeiro de Augusto Montenegro durante quase trinta anos.
Morrera havia cinco.
Dante pegou a fita cassete.
Na etiqueta estava escrito:
**18 de setembro de 1998.**
Henrique encontrou um aparelho antigo no arquivo do banco.
Colocaram a fita.
Chiado.
Depois, a voz de Beatriz.
“Helena, está gravando?”
Uma mulher respondeu.
Isabela fechou os olhos.
Era a voz da mãe.
Mais jovem.
Mas era Helena.
“Está.”
Beatriz respirou.
“Se alguma coisa acontecer comigo, proteja meu filho.”
Outro ruído.
Passos.
Uma porta abrindo.
Então surgiu uma voz masculina.
“Beatriz, você não deveria ter copiado esses documentos.”
Dante ficou rígido.
Henrique também.
Não era Augusto.
Isabela olhou para eles.
“Quem é?”
Dante não respondeu imediatamente.
Porque reconhecera o sobrenome antes mesmo de o homem dizer:
“Seu marido confiou em mim para resolver isso.”
A gravação chiou.
Beatriz respondeu:
“Você não está protegendo Augusto, Maurício. Está ajudando a roubar meu filho.”
O áudio terminou abruptamente.
Ninguém falou.
Dante ainda segurava a fita.
Na porta do arquivo, um funcionário apareceu.
“Dr. Montenegro?”
Dante se virou.
“O senhor Marcelo Ferraz acabou de chegar.”
Isabela sentiu frio.
“Como ele sabia que estávamos aqui?”
Ninguém tinha contado a Marcelo.
Dante olhou novamente para a fita.
Então para a porta.
E finalmente entendeu.
Talvez o segredo enterrado pelos Montenegro não pertencesse apenas aos mortos.
Alguém ainda estava protegendo aquilo.
E esse alguém acabara de chegar.
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