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"Casei Com o Chefe da Máfia Para Pagar Minhas Dívidas… Na Noite de Núpcias, Descobri Que Até o Corpo Dele Era Uma Mentira" Capítulo 4 — Três Dias Antes da Morte

正文开头

Isabela passou quatro anos acreditando que o pai morrera por dirigir rápido demais numa estrada molhada.

Agora havia um carro.

Um homem.

Uma lista desaparecida.

E Dante.

Sempre Dante.

Ela saiu do escritório de Álvaro sem esperar o elevador e entrou pela porta da escada.

— Isabela!

Dante veio atrás.

Ela desceu dois lances antes de parar.

— Não chegue perto.

Ele parou.

— Tudo bem.

— Quero a história inteira.

— Aqui?

— Aqui.

Dante olhou para a câmera de segurança no teto.

— Não.

— Claro. Mais um segredo.

— Não é segredo. É bom senso.

Isabela soltou uma risada amarga.

— Você sabe o que é mais assustador?

— O quê?

— Estou começando a não saber a diferença entre os dois quando você fala.

Ela voltou ao corredor.

Quarenta minutos depois, estavam na mansão Montenegro.

Dante levou Isabela para o escritório.

Bruno Almeida estava junto à porta.

Alto, negro, de terno escuro, ele trabalhava com Dante havia anos.

— Ninguém entra — ordenou Dante.

— Certo.

Isabela observou Bruno fechar a porta.

— Ele sabe?

— Parte.

— Existe alguém que saiba menos do que eu?

Dante não respondeu.

Abriu um cofre.

Retirou um celular antigo.

Depois, um pen drive.

— Três dias antes da morte do seu pai, Augusto me chamou para um restaurante no Itaim Bibi.

— Por quê?

— Disse que tinha descoberto quem estava usando as empresas.

— Marcelo?

— Ele acreditava que Marcelo estava envolvido.

— Quem é ele?

— Na época, diretor de uma consultoria financeira que prestava serviços para várias empresas do seu pai.

— E agora?

— Sócio de um fundo de investimentos.

— Vértice?

— Não oficialmente.

Isabela sentou-se.

— Continue.

Dante colocou o celular sobre a mesa.

— Augusto me entregou uma lista com dezessete nomes.

— E você perdeu.

— Roubaram.

— De onde?

— Do meu apartamento.

— Alguém invadiu a casa de Dante Montenegro?

— Naquela época eu ainda não era tão difícil de alcançar.

— E meu pai?

Dante ficou sério.

— Três dias depois, recebi uma ligação dele às onze e quarenta e dois da noite.

— O que ele disse?

— Nada.

— Como assim?

— A ligação durou sete segundos. Ouvi respiração e depois caiu.

Isabela sentiu os braços arrepiarem.

— Você retornou?

— Várias vezes.

— E então?

— Eu já estava seguindo Marcelo.

— Por quê?

— Um dos nomes da lista trabalhava para ele.

Dante conectou o pen drive ao computador.

Uma fotografia apareceu.

Um sedã escuro.

— Esse era o carro de Marcelo.

Outra fotografia.

Uma estrada.

Vegetação.

Faróis ao longe.

— Eu o segui até a Cantareira.

Isabela ficou imóvel.

— Na mesma noite.

— Sim.

— Você viu o acidente?

— Não.

— Viu meu pai?

— Não.

— Então o que viu?

Dante mudou a imagem.

O sedã aparecia parado a algumas centenas de metros de onde, mais tarde, o carro de Augusto seria encontrado.

正文1

— Isso.

Isabela levou a mão à boca.

— Você entregou isso à polícia?

— Entreguei.

Ela olhou para ele.

— E?

— Marcelo afirmou que estava visitando uma propriedade na região.

— E acreditaram?

— Não havia prova ligando o carro dele ao acidente.

— Meu pai morreu naquela estrada!

— Eu sei.

— E esse homem estava lá!

— Eu sei.

— Pare de dizer que sabe!

Isabela levantou-se.

As lágrimas vieram antes que pudesse impedir.

— Você sabia de tudo isso enquanto eu enterrava meu pai achando que ele tinha perdido o controle do carro.

Dante ficou em silêncio.

— Você me viu passar quatro anos culpando meu pai.

— Eu não conhecia você naquela época.

— Mas depois conheceu.

Ele baixou os olhos.

— Sim.

— E continuou calado.

— Porque, quando cheguei até você, alguém já estava comprando suas dívidas.

— Então?

— Se eu dissesse que Augusto podia ter sido assassinado, você teria feito exatamente o que está fazendo agora.

— Procurado a verdade?

— Procurado sozinha.

A frase a enfureceu.

— Você não tinha o direito de decidir.

— Eu sei.

— Não, você não sabe.

Isabela pegou a bolsa.

— Para onde vai?

— Embora.

— Não saia sozinha.

— Não me dê ordens.

— Não é uma ordem.

— Parece.

Ela atravessou o hall.

Bruno levantou-se ao vê-la.

Dante veio atrás.

— Bruno, prepare o carro.

— Não preciso do carro dele.

Isabela abriu a porta principal.

— Isabela.

Ela se virou.

— Se tentar me impedir, eu chamo a polícia.

Dante parou.

— Eu não vou impedir.

— Ótimo.

— Mas leve Bruno.

— Não.

— Então outro segurança.

— Não.

— Tem alguém mandando mensagens para você.

— Talvez seja a única pessoa que esteja me contando a verdade.

A frase atingiu Dante.

Isabela percebeu.

Mesmo assim, saiu.

Do lado de fora, o sol da manhã iluminava o jardim onde, menos de vinte e quatro horas antes, ela tinha se casado.

Os restos da festa ainda estavam ali.

Flores brancas.

Mesas sendo desmontadas.

Uma placa com as iniciais **I & D**.

Isabela sentiu vontade de arrancá-la.

Então um carro preto parou diante do portão.

Ela congelou.

Bruno imediatamente levou a mão ao rádio.

Dante saiu da mansão.

— Isabela, volte para dentro.

— Não.

A porta traseira do carro abriu.

Um homem de aproximadamente cinquenta anos saiu.

Terno cinza.

Cabelos escuros com fios prateados.

Nenhuma pressa.

Bruno mudou de postura.

— Sr. Montenegro...

Dante já o havia reconhecido.

— Marcelo.

Isabela olhou para ele.

— Marcelo Ferraz?

O homem sorriu.

— Finalmente.

Dante avançou.

— Você não foi convidado.

— Não vim falar com você.

Marcelo tirou um envelope do paletó.

— Vim dar um presente de casamento à sua esposa.

Dante bloqueou o caminho.

— Vá embora.

Marcelo olhou por cima do ombro dele.

— Isabela, pergunte ao seu marido por que ele tem tanto medo de você ler isto.

正文2

— Não pegue — disse Dante.

Isabela sentiu a raiva voltar.

— Não mande em mim.

Ela passou por Dante.

Pegou o envelope.

Marcelo recuou imediatamente.

— Leia a data.

Isabela abriu.

Era um contrato de cessão de crédito.

O nome de uma antiga empresa do pai aparecia no topo.

Mais abaixo:

**Montenegro Participações Ltda.**

Ela procurou a data.

Parou de respirar.

Dois meses antes da morte de Augusto.

— Dante disse que meu pai pediu que ele comprasse isso.

Marcelo sorriu.

— É claro que disse.

— Está dizendo que é mentira?

— Estou dizendo para você fazer uma pergunta melhor.

Dante ficou tenso.

— Marcelo.

O homem ignorou.

— Pergunte quando Dante descobriu a cláusula do casamento no Fundo Martins.

Isabela virou-se para o marido.

— Quando?

Dante não respondeu.

Marcelo soltou uma risada baixa.

— Está vendo?

— Cale a boca — disse Dante.

Isabela ergueu a voz.

— Quando você descobriu?

Dante finalmente respondeu.

— Antes da morte do seu pai.

O papel tremeu nas mãos dela.

— Quanto antes?

— Na última reunião.

— Meu pai contou?

— Sim.

Marcelo balançou a cabeça.

— Metade da verdade continua sendo mentira.

Dante avançou.

Bruno entrou imediatamente entre os dois.

Marcelo não pareceu assustado.

— Mostre a ela a gravação, Montenegro.

Dante ficou imóvel.

Isabela percebeu.

— Que gravação?

Ninguém respondeu.

Ela olhou para Marcelo.

— Que gravação?

— A última conversa entre seu pai e seu marido.

Isabela sentiu o chão desaparecer.

Virou-se para Dante.

— Você gravou meu pai?

Dante fechou os olhos por um segundo.

— Sim.

— E ainda tem?

— Tenho.

Isabela caminhou até ele.

— Quatro anos.

A voz dela saiu baixa.

— Você guardou a voz do meu pai por quatro anos.

Dante não se defendeu.

— Quero ouvir.

— Isabela...

— Agora.

Marcelo sorriu discretamente.

Dante percebeu.

— É isso que ele quer.

— Não me importa.

— Deveria.

— Quero ouvir meu pai.

Dante ficou alguns segundos em silêncio.

Então voltou para dentro da mansão.

Isabela o seguiu.

No escritório, ele abriu um arquivo de áudio.

A data estava ali.

Três dias antes da morte de Augusto.

Dante apertou o play.

Primeiro veio o ruído do restaurante.

Depois a voz de Augusto Martins.

Isabela levou a mão à boca.

Quatro anos.

Quatro anos sem ouvir aquela voz.

“Se alguma coisa acontecer comigo, não deixe Isabela assinar nada.”

Silêncio na gravação.

Então a voz mais jovem de Dante:

“Nem mesmo o fundo?”

Augusto respondeu:

“Principalmente o fundo.”

Isabela olhou para Dante.

A gravação continuou.

“Eles acham que minha filha é a única chave.”

Dante perguntou:

“Ela não é?”

Houve uma longa pausa.

Então Augusto disse algo que fez Dante, no presente, perder a cor.

“Não.”

Outro ruído.

Uma cadeira se movendo.

E Augusto completou:

“Isabela não é minha única filha.”

A gravação terminou.

Isabela permaneceu imóvel.

— O quê?

Dante olhou para a tela como se também estivesse ouvindo aquela frase pela primeira vez.

— A gravação não terminava aí.

Ele clicou no arquivo.

Tentou avançar.

Nada.

Os minutos seguintes haviam sido apagados.

Isabela encarou o marido.

Depois o computador.

Depois a porta por onde Marcelo havia desaparecido.

Pela primeira vez desde a noite de núpcias, o corpo falso de Dante deixou de ser o maior segredo daquele casamento.

Porque Augusto Martins acabara de revelar algo muito pior.

Em algum lugar, havia outra filha.

E alguém tinha passado quatro anos garantindo que Isabela nunca soubesse disso.

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