"Casei Com o Chefe da Máfia Para Pagar Minhas Dívidas… Na Noite de Núpcias, Descobri Que Até o Corpo Dele Era Uma Mentira" Capítulo 3 — O Casamento Era a Chave
Às nove da manhã, Isabela entrou no escritório de Álvaro Siqueira ainda sem saber se continuava casada.
Trocara o vestido de noiva por uma calça preta e uma camisa branca emprestada por Teresa, a governanta da mansão Montenegro.
Dante caminhava ao lado dela.
Isabela não lhe dirigira uma palavra durante todo o trajeto até a Avenida Paulista.
Álvaro levantou-se assim que os viu.
Tinha sessenta e poucos anos, cabelos grisalhos perfeitamente penteados e o mesmo perfume discreto que Isabela lembrava desde a infância.
— Isabela?
Ele olhou para Dante.
— Vocês deveriam estar viajando.
— Mudança de planos — respondeu ela.
Álvaro percebeu a pasta nas mãos de Dante.
O sorriso desapareceu.
— Onde conseguiu isso?
Isabela observou a reação.
— Então é verdadeiro.
Álvaro fechou a porta.
— Sente-se.
— Prefiro ficar em pé.
— Isabela...
— O Fundo Martins existe?
O advogado olhou para Dante.
— Ele contou?
— Estou perguntando ao senhor.
Álvaro respirou fundo.
— Existe.
A confirmação doeu mais do que ela esperava.
— O senhor cuidou dos assuntos do meu pai durante anos.
— Sim.
— Depois da morte dele, cuidou dos meus.
— Sim.
— E nunca achou importante me dizer que existia um fundo em meu nome?
— Ele não está em seu nome.
Dante observava em silêncio.
Isabela franziu o cenho.
— Então em nome de quem está?
— De uma entidade privada constituída por Augusto.
— E quem é o beneficiário?
Álvaro demorou.
— O descendente reconhecido de Augusto Martins que cumprir as condições estabelecidas.
— Eu sou a única filha dele.
Álvaro desviou os olhos por um instante.
Foi quase nada.
Mas Dante percebeu.
Isabela também.
— O que foi isso?
— Nada.
— Olhe para mim.
Álvaro obedeceu.
— Eu sou a única filha do meu pai?
— Até onde consta oficialmente, sim.
Dante inclinou a cabeça.
— “Oficialmente” é uma escolha interessante de palavra.
— Não vim conversar com você, Montenegro.
— Mas eu vim conversar com o senhor.
Isabela bateu a mão na mesa.
— Chega.
Os dois se calaram.
— Quero entender a cláusula do casamento.
Álvaro abriu a pasta.
Leu algumas páginas.
— Augusto queria impedir que uma única pessoa tivesse controle sobre o fundo.
— Então decidiu que meu marido teria?
— Não.
Álvaro apontou para o texto.
— O cônjuge não se torna proprietário de nada. Funciona como segundo autorizador.
Isabela olhou para Dante.
— Você sabia disso?
— Sim.
— Então você nunca poderia pegar o dinheiro?
— Não.
— Nem transferir os bens?
— Não sem você.
— E eu sem você?
— Também não.
Ela voltou-se para Álvaro.
— Por que meu pai faria uma coisa dessas?
— Porque acreditava que, se algo acontecesse com ele, você poderia ser pressionada.
— Por quem?
— Ele não me disse.
Dante soltou um som seco.
— Conveniente.
Álvaro encarou-o.
— Você estava longe de ser a pessoa em quem Augusto mais confiava.
— Eu sei.
— Ele tinha motivos.
Isabela olhou entre os dois.
— Vocês se conheciam.
Álvaro não respondeu.
— Claro que se conheciam.
Ela começou a andar pelo escritório.
— Todo mundo conhecia meu pai. Todo mundo sabia alguma coisa. Menos eu.
Álvaro se levantou.
— Augusto tentou proteger você.
— Mentindo?
— Às vezes, proteção exige silêncio.
Isabela riu.
— Dante disse praticamente a mesma coisa.
O advogado olhou para o marido dela.
— Então talvez vocês sejam mais parecidos do que gostaria.
— Não faça isso.
Isabela aproximou-se da mesa.
— Quero ativar o fundo.
Dante imediatamente virou-se para ela.
— Não.
— Você não decide.
— Você não sabe o que acontece quando fizer isso.
— Nem você.
— Exatamente.
Álvaro levantou a mão.
— Tecnicamente, vocês podem solicitar a ativação.
— Hoje?
— Sim.
— Então faça.
Dante aproximou-se.
— Isabela.
— Você queria minha assinatura, não queria?
— Eu nunca pedi sua assinatura.
— Porque já tinha meu casamento.
— Não é a mesma coisa.
— Para mim é.
Ela estendeu a mão para Álvaro.
— Onde eu assino?
O advogado permaneceu parado.
— Não aqui.
— Onde?
— Existe um protocolo.
— Quanto tempo?
— Quarenta e oito horas para localizar os documentos originais e validar os dois autorizadores.
Dante estreitou os olhos.
— Localizar?
— Os originais não ficam neste escritório.
— Onde ficam?
— Sob custódia.
— De quem?
Álvaro fechou a pasta.
— Isso faz parte do protocolo.
Dante deu um passo à frente.
— Augusto morreu há quatro anos e o senhor continua escondendo documentos da filha dele.
— E você passou quase um ano usando uma prótese corporal para esconder sua identidade.
Álvaro sorriu friamente.
— Talvez não seja a pessoa certa para falar de transparência.
Isabela sentiu a tensão crescer.
— Por que Dante comprou uma dívida da minha família antes da morte do meu pai?
Álvaro congelou.
Dante olhou para ela.
— De onde veio isso?
— Uma mensagem.
— Mostre.
— Não.
— Isabela.
— Responda.
Dante respirou fundo.
— Seu pai pediu.
Ela ficou imóvel.
— O quê?
— Augusto sabia que alguém estava tentando concentrar as dívidas.
— Então pediu para você comprar uma?
— Pediu que eu interceptasse qualquer contrato que conseguisse.
— Dois meses antes de morrer.
— Sim.
Isabela olhou para Álvaro.
— O senhor sabia?
— Não.
Dante soltou uma risada sem humor.
— Curioso.
— O que está insinuando?
— O advogado pessoal de Augusto não sabia de um movimento financeiro que envolvia a principal empresa dele?
Álvaro se levantou.
— Cuidado.
— Com o quê?
— Com acusações sem provas.
Isabela sentiu o celular vibrar no bolso.
Outro número desconhecido.
Desta vez, uma fotografia.
Era Dante entrando em um restaurante em São Paulo.
Data registrada na imagem:
**Três dias antes da morte de Augusto.**
A segunda fotografia mostrava Augusto entrando no mesmo local.
Isabela ergueu o aparelho.
— Foi essa a última vez que você viu meu pai?
Dante não tentou negar.
— Sim.
— O que ele entregou a você?
Álvaro virou-se rapidamente.
Dante percebeu.
— Uma lista.
Isabela apertou o celular.
— Lista de quê?
— Nomes.
— Onde está?
— Sumiu.
— Como?
— Na noite em que seu pai morreu.
O silêncio tomou o escritório.
Então chegou outra mensagem.
**“Seu pai morreu três dias depois dessa reunião.”**
Outra.
**“Pergunte a Dante onde ele estava na noite do acidente.”**
Isabela ergueu lentamente os olhos.
— Onde você estava?
Dante olhou para Álvaro antes de responder.
— Seguindo um homem.
— Quem?
— Marcelo Ferraz.
Álvaro perdeu a cor.
E Isabela percebeu.
— O senhor conhece esse nome.
Álvaro fechou a pasta com força.
— Isabela, vá para casa.
— Não.
— Agora.
— Quem é Marcelo Ferraz?
Dante respondeu antes dele.
— O homem cujo carro eu vi perto da Serra da Cantareira na noite em que seu pai morreu.
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