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"Casei Com o Chefe da Máfia Para Pagar Minhas Dívidas… Na Noite de Núpcias, Descobri Que Até o Corpo Dele Era Uma Mentira" Capítulo 1 — O Corpo Que Não Era Dele

正文开头

Isabela Oliveira Martins ainda usava o vestido de noiva quando percebeu que havia se casado com um homem cujo corpo não conhecia.

Ela parou na porta da suíte.

Por alguns segundos, não conseguiu entrar.

No chão, sobre o tapete claro, havia algo que parecia pele humana.

Uma barriga volumosa.

Dobras grossas.

Parte de um peito.

Uma estrutura que imitava ombros mais largos e pesados.

Tudo vazio.

Isabela levou a mão à boca.

— Meu Deus...

Dante Montenegro estava diante do espelho, de costas para ela.

Sem o paletó.

Sem a camisa.

E sem o corpo que Isabela tinha visto durante os últimos onze meses.

O homem com quem ela acabara de se casar sempre parecera pesado, quase desajeitado. Caminhava devagar. Sentava-se com cuidado. As roupas caras escondiam uma barriga grande e uma silhueta que fazia Dante parecer mais velho.

Agora, porém, havia diante dela um homem alto, atlético, de costas largas e cintura estreita.

O rosto era o mesmo.

Os olhos escuros também.

Mas todo o resto parecia pertencer a outra pessoa.

Dante viu o reflexo dela no espelho.

Não demonstrou surpresa.

— Feche a porta.

Isabela soltou uma risada curta, nervosa.

— Você está brincando comigo?

— Isabela.

— O que é isso no chão?

Dante virou-se lentamente.

— Feche a porta primeiro.

— Não.

Ela recuou um passo.

— Quem é você?

O maxilar dele endureceu.

— O mesmo homem com quem você se casou há duas horas.

— Não.

Isabela apontou para a estrutura caída sobre o tapete.

— Aquele homem estava comigo no altar.

— Meu rosto estava com você no altar.

— E isso deveria me tranquilizar?

Dante permaneceu em silêncio.

Do lado de fora da suíte, a mansão de Jardim Europa finalmente começava a ficar quieta.

Horas antes, havia mais de cento e cinquenta convidados no jardim.

Empresários.

Advogados.

Políticos.

Gente que Isabela conhecia apenas pelas páginas de economia.

Todos tinham assistido à herdeira falida da família Martins se casar com Dante Montenegro.

Para os convidados, parecia um casamento improvável.

Para Isabela, tinha sido a última saída.

Seis meses antes, ela ainda acreditava que conseguiria salvar sozinha o que restava da família.

Então vieram as cobranças.

Depois, os protestos.

Depois, os credores.

O apartamento da mãe quase fora bloqueado.

A antiga casa da família em Higienópolis estava prestes a ser tomada.

Até que Dante apareceu.

Ele comprara as principais dívidas.

E fizera uma proposta simples.

Casamento.

Isabela ainda se lembrava da primeira pergunta que fizera.

— O que você ganha com isso?

Dante respondera:

— Tempo.

Na época, ela não entendera.

Agora entendia menos ainda.

Isabela voltou a encarar a coisa no chão.

— Há quanto tempo você usa isso?

— Quase um ano.

Ela sentiu um arrepio.

— Então desde antes de me conhecer.

— Sim.

— Você dormia com isso?

— Às vezes.

— Jantava comigo usando isso.

— Sim.

— Me beijava usando isso.

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Dante respirou fundo.

— Isabela...

— Não diga meu nome como se eu estivesse exagerando!

A voz dela ecoou pela suíte.

Dante olhou para a porta.

— Fale mais baixo.

— Por quê? Seus convidados podem descobrir que o grande Dante Montenegro usa uma fantasia de corpo inteiro?

Ele deu um passo na direção dela.

Isabela imediatamente recuou.

Dante parou.

Aquilo pareceu atingi-lo mais do que o grito.

— Eu não vou tocar em você.

— Que gentil.

— Você tem direito de estar com raiva.

— Eu tenho direito de saber com quem me casei.

— Tem.

— Então fale.

Silêncio.

Isabela esperou.

Dante pegou uma camisa preta sobre a poltrona e a vestiu.

— Eu precisava que certas pessoas acreditassem que eu era fisicamente diferente.

— Que pessoas?

— Pessoas que me procuravam.

— Polícia?

— Não.

— Credores?

Um quase sorriso sem humor apareceu no rosto dele.

— Eu não tenho credores.

— Claro que não.

Isabela cruzou os braços.

— Então quem?

Dante olhou diretamente para ela.

— Pessoas ligadas à sua família.

A raiva de Isabela vacilou.

— Minha família?

— Sim.

— Minha mãe?

— Não.

— Meu pai está morto.

— Eu sei.

— Então quem?

Dante não respondeu.

Isabela aproximou-se dele.

— Você me pediu em casamento sabendo das minhas dívidas.

— Sim.

— Você comprou essas dívidas.

— Comprei.

— Disse que ninguém voltaria a cobrar minha mãe.

— E ninguém vai.

— E agora eu descubro que você passou quase um ano escondendo até o próprio corpo.

Ela engoliu em seco.

— Isso tudo começou antes de mim, não foi?

Dante sustentou o olhar dela.

— Sim.

A resposta doeu.

Porque era simples demais.

Isabela tocou a aliança.

— Então eu fui escolhida.

Dante não negou.

— Por quê?

— Não posso explicar tudo hoje.

Isabela soltou uma gargalhada incrédula.

— Hoje?

Ela abriu os braços e apontou para o vestido.

— É a minha noite de núpcias.

— Eu sei.

— Acabei de descobrir que meu marido falsificou a própria aparência durante todo o nosso relacionamento e você quer marcar uma reunião para amanhã?

— Quero impedir que você faça alguma coisa enquanto está em choque.

— Como fugir?

— Como confiar na pessoa errada.

A frase fez Isabela parar.

— Que pessoa?

Dante foi até uma cômoda.

Abriu a última gaveta.

Retirou um envelope amarelado.

Não parecia pertencer àquela suíte moderna.

Parecia antigo.

Guardado havia anos.

Ele o colocou sobre a mesa.

— Isso é seu.

Isabela não tocou.

— O que tem aí?

— A razão pela qual eu me aproximei de você.

O estômago dela se contraiu.

— E por que não me entregou antes do casamento?

Dante demorou a responder.

— Porque eu prometi.

— Para quem?

Ele apenas olhou para o envelope.

Isabela perdeu a paciência.

Pegou-o e rasgou a borda.

Havia contratos.

Comprovantes de transferências.

Anotações.

Uma fotografia.

Ela puxou primeiro a foto.

O mundo pareceu parar.

— Não.

Era o pai dela.

Augusto Martins.

Mais jovem.

Sorrindo pouco, como sempre fazia em fotografias.

Ao lado dele estava um homem de camisa branca e cabelos escuros.

Muito mais jovem.

Mas inconfundível.

Dante.

Sem o corpo falso.

Isabela levantou os olhos.

— Você conhecia meu pai?

— Sim.

— Quando?

— Quatro anos atrás.

— Antes de ele morrer?

— Sim.

A garganta dela fechou.

— Quanto tempo antes?

Dante não respondeu imediatamente.

Isabela bateu a fotografia contra o peito dele.

— Quanto tempo, Dante?

— Três dias.

Ela ficou imóvel.

Dante segurou a fotografia antes que caísse.

— Eu vi seu pai três dias antes da morte dele.

Isabela perdeu a cor.

— E nunca me contou.

— Não.

— Por quê?

Dante colocou a foto sobre a mesa.

— Porque foi ele quem me pediu para encontrar você.

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