"A Empregada Encontrou Algo Debaixo do Colchão do Chefe da Máfia… E Ele Mandou Trancar a Mansão" Capítulo 5 — O Homem Que Apontou a Arma
Rafael apontava a arma para o peito de Dante quando Camila se colocou entre os dois.
"Saia da frente", o segurança ordenou.
"Se quiser atirar nele, vai ter que atirar em mim primeiro."
Dante manteve uma das mãos presa ao pulso dela.
"Camila, atrás de mim."
"O senhor está numa cadeira de rodas."
"E ainda sou melhor escudo do que você."
Rafael olhou para os passageiros que começavam a perceber a tensão no corredor da rodoviária. Bruno mantinha a mão próxima da própria arma, esperando um movimento claro.
Então Rafael girou o cano para o teto, retirou o carregador e colocou os dois no chão.
"Se eu quisesse matar Dante, teria feito quando ele dormia sem segurança no hospital."
Bruno recolheu a arma.
"Explique a fotografia", Dante disse.
Rafael mostrou novamente a mensagem com a ameaça à filha.
"Lívia tem nove anos. Augusto sabe a escola, o motorista e os horários da mãe. Há cinco meses ele me envia instruções usando números descartáveis."
"E você obedeceu?" Camila perguntou.
"Apaguei registros. Mudei escalas. Deixei portas sem vigilância por minutos. Nunca entreguei Dante."
"Deixou alguém instalar um transmissor sob minha cama", Dante respondeu.
Rafael baixou o rosto.
"Eu não sabia do aparelho. Augusto mandou liberar a equipe de manutenção da ala norte. Disse que instalariam sensores novos para sua fisioterapia. Quando percebi que não havia ordem técnica, os homens já tinham saído."
"Por que não contou?"
"Na mesma noite recebi uma foto de Lívia dormindo."
O silêncio entre eles durou pouco. O telefone escondido na mochila tocou novamente, desta vez apenas com uma mensagem.
Um endereço em Cubatão.
Uma hora e vinte minutos.
Camila segurou o pen drive verdadeiro.
"Eles querem isso."
Dante entregou a Rafael um dispositivo vazio, idêntico ao original.
"Então receberão o que esperam ver."
O plano foi montado dentro do carro. Camila iria até o galpão com o falso pen drive. Bruno acompanharia por uma entrada lateral. Rafael rastrearia o sinal do telefone. Dante permaneceria no veículo blindado, comandando a comunicação.
"Não", Camila disse. "Dante vai voltar para São Paulo."
Ele a encarou.
"Repita."
"Sua dor está piorando, e esse lugar foi escolhido por pessoas que conhecem suas limitações."
"Minhas limitações não comandam esta operação."
"Mas podem ser usadas contra todos nós."
Dante aproximou a cadeira até os joelhos dela.
"Júlia foi levada porque você encontrou algo destinado a mim. Não vou mandar você entrar sozinha enquanto espero notícias em segurança."
Camila se agachou diante dele para que Bruno e Rafael não ouvissem tudo.
"Se alguma coisa acontecer com o senhor, sua família transformará minha irmã na culpada perfeita."
"Minha família já decidiu que você é descartável. É exatamente por isso que não vou tratá-la da mesma forma."
"Não estou pedindo proteção para mim."
"Eu sei. Está pedindo que eu sobreviva para proteger Júlia. É a primeira ordem sensata que recebi hoje."
Dante retirou do pulso o relógio de ouro e o entregou a Bruno. Dentro da pulseira havia um botão de emergência conectado ao veículo.
"Se perdermos comunicação, pressione duas vezes. O carro bloqueará o portão e enviará nossa posição à polícia rodoviária."
Rafael observou o gesto.
"Seu pai nunca envolveria a polícia."
"Meu pai também estaria andando para dentro do galpão com dez homens. Eu preciso vencer com o corpo e os recursos que tenho, não com a memória dele."
Camila segurou o olhar de Dante. Pela primeira vez, ele não tentava provar que continuava sendo o homem de antes. Estava aprendendo a usar aquilo que ainda possuía.
Camila percebeu que não conseguiria fazê-lo recuar. Limitou-se a ajustar o transmissor preso sob sua gola.
O endereço levava a um antigo frigorífico próximo à Via Anchieta. A fachada estava abandonada, mas uma câmera recente vigiava o portão.
Camila entrou carregando o falso pen drive dentro de uma caixa transparente.
"Trouxe o que vocês querem. Mostrem minha irmã."
Uma voz saiu de um alto-falante.
"Coloque no chão e afaste-se."
"Primeiro Júlia."
Uma porta de metal abriu no fundo. Júlia estava sentada numa cadeira, pálida, mas consciente. Um homem de boné mantinha a mão em seu ombro.
Camila colocou a caixa no piso.
"Deixe que ela venha até mim."
O homem empurrou Júlia. A jovem deu dois passos antes de perder o equilíbrio. Camila correu para segurá-la.
No mesmo instante, outro homem surgiu atrás das caixas e pegou o pen drive.
"Agora", Dante disse pelo ponto eletrônico.
As luzes do galpão se apagaram. Bruno entrou pela lateral, e Rafael bloqueou a saída dos fundos. Não houve disparos. O primeiro sequestrador fugiu por uma passagem, mas o segundo foi derrubado quando tentou alcançar uma motocicleta.
Camila protegeu Júlia com o próprio corpo até Bruno anunciar que o espaço estava seguro.
"Você está machucada?"
"Não", Júlia respondeu, chorando. "Eles sabiam tudo. A clínica, seu trabalho, o nome do médico."
Dante entrou pelo portão em sua cadeira motorizada. O piso irregular fazia o corpo dele tremer, mas sua expressão permanecia controlada.
Júlia o reconheceu.
"Foi por causa dele?"
Camila segurou a mão da irmã.
"Foi por causa de pessoas que têm medo da verdade."
O homem capturado chamava-se Gustavo Leme. Rafael reconheceu-o como antigo prestador de segurança da Costa Sul.
No bolso dele havia um celular com conversas apagadas, fotografias de Rafael e instruções assinadas por AM-01.
Uma imagem mostrava Rafael seguindo Gustavo na semana anterior ao atentado.
"Foi por isso que esconderam a fotografia", Rafael disse. "Eu estava tentando descobrir quem o contratara."
"E não me contou porque Augusto já ameaçava sua filha", Dante concluiu.
Rafael assentiu.
"Eu achei que conseguiria resolver sozinho."
"Homens que tentam resolver tudo sozinhos costumam entregar vantagem a quem trabalha em grupo", Camila disse.
Dante lançou a ela um olhar breve.
"Está falando de nós dois?"
"De todos os homens desta família."
Bruno conseguiu recuperar parte das mensagens do aparelho. Uma delas continha o comprovante de pagamento feito a Gustavo: R$ 1,2 milhão, dividido entre quatro contas.
O dinheiro saíra de uma empresa chamada VF Eventos e Participações.
Vitória Ferraz era a única proprietária registrada.
Camila olhou para Dante.
"O primeiro comprovante era para Samuel. Este é para o homem ligado ao atentado."
Dante não demonstrou surpresa. Isso a assustou mais do que raiva.
"Pode ser uma empresa clonada", Rafael sugeriu.
"O documento tem certificado digital", Bruno respondeu. "Autorização vinculada ao CPF dela."
Gustavo começou a rir no chão.
"A noiva pagou para derrubar o rei e depois ficou cuidando do trono. Bonita história."
Dante aproximou a cadeira.
"Quem deu a ordem?"
"O dinheiro respondeu."
"O dinheiro fala o que mandam que fale. Quero o nome."
Gustavo fechou a boca.
O celular vibrou com um arquivo agendado. Era um vídeo gravado por Samuel Braga. A data indicava dois dias antes do atentado.
Samuel aparecia dentro de um carro.
"Se estiverem vendo isto, significa que usaram a empresa de Vitória. A conta foi aberta com os documentos dela, mas ela não sabe quem controla o acesso. Eu sei. E, se Dante sobreviver, a única pessoa que poderá provar será Camila Nogueira."
Camila ficou sem reação.
Ela nem conhecia Samuel naquela época.
O vídeo continuou.
"Vitória pagou para manter Dante vivo. Outra pessoa transformou o pagamento numa sentença de morte."
A gravação terminou antes de revelar o nome.
No mesmo instante, Bruno recebeu uma ligação da mansão.
Vitória desaparecera do quarto trancado.
Sobre a cama, deixara apenas o vestido de noiva e uma frase escrita no espelho:
"SE DANTE QUISER A VERDADE, DEVE PERGUNTAR POR QUE CAMILA FOI ESCOLHIDA."
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