"A Empregada Encontrou Algo Debaixo do Colchão do Chefe da Máfia… E Ele Mandou Trancar a Mansão" Capítulo 3 — O Quarto Atrás da Parede
Dante foi o primeiro a avançar para o corredor.
Rafael segurou a cadeira antes que ela cruzasse a porta.
"Espere a equipe."
"A pessoa levou a fotografia enquanto estávamos a três metros dela. Não vou esperar que leve o resto."
"Pode ser uma armadilha."
"Então descubra antes de mim."
Rafael soltou a cadeira e fez sinal para Bruno seguir pela frente. Camila permaneceu ao lado de Dante. Vitória ficou na biblioteca, recusando-se a pisar perto do sangue.
A trilha atravessava o corredor norte, uma parte pouco usada desde que a mãe de Dante morrera. Os móveis estavam cobertos, e o cheiro de madeira fechada substituía o perfume constante das flores do quarto principal.
"Volte", Dante disse a Camila.
"A mensagem foi enviada para mim."
"Exatamente por isso."
"Se alguém desta casa me fotografou, quero ver o rosto dele."
Dante olhou para ela por cima do ombro.
"Fique atrás de mim."
Camila quase respondeu que uma cadeira de rodas não era escudo. O modo como ele segurava o aro, porém, deixou claro que seria uma discussão inútil.
A trilha terminava diante de uma estante embutida. Não havia porta, apenas livros antigos e retratos da família Montenegro.
Bruno tocou o sangue com uma haste de teste.
"Continua fresco."
Camila examinou o chão. Uma das marcas não era gota. Parecia o desenho de dedos arrastados até a base da estante.
"Aqui."
Ela apontou para uma pequena ranhura na madeira.
Rafael puxou um volume grosso. Nada aconteceu. Tentou outro.
Dante observou o retrato do pai, colocado na prateleira central.
"O olho esquerdo."
Bruno pressionou o canto da moldura. Um mecanismo estalou, e a estante se afastou alguns centímetros.
Atrás dela havia um corredor estreito.
Camila sentiu um arrepio.
"O senhor sabia disso?"
Dante nunca contara sobre a passagem nem mesmo a Vitória. O pai dizia que uma casa poderosa precisava de rotas de fuga e de lugares onde a verdade pudesse ser ouvida sem convite. Alguém transformara uma lembrança de infância numa arma contra ele.
"Quando criança, eu me escondia aqui para ouvir reuniões que não deveria. A passagem terminava no escritório do meu pai."
"Não termina mais", Rafael disse.
Cabos recentes percorriam a parede. Luzes de equipamento piscavam no fundo.
Bruno entrou primeiro. O espaço escondido fora transformado em uma central de vigilância. Havia monitores, fones, baterias, cópias de chaves e fotografias presas a um painel.
Nenhuma mostrava reuniões de negócios.
Todas mostravam Dante.
Na fisioterapia. Na varanda. Dormindo. Discutindo com Vitória. Recebendo Augusto. Sendo ajudado por Camila durante a transferência para a cama.
Camila desviou o rosto da última imagem. A humilhação no semblante de Dante foi breve, seguida por uma frieza perigosa.
"Desligue tudo", ele disse.
Rafael não obedeceu imediatamente.
"Precisamos copiar os arquivos primeiro."
"Então copie e depois destrua."
Bruno encontrou Nadir caída atrás de uma mesa. A supervisora respirava, mas tinha um corte na testa e os pulsos presos com fio elétrico.
Camila correu até ela.
"Nadir, consegue me ouvir?"
A mulher abriu os olhos com dificuldade.
"Ele estava aqui."
"Quem?"
"Não vi o rosto. Apagou as luzes. Pegou meu cartão."
Nadir tentou levantar, mas gemeu. Camila apoiou sua cabeça e verificou as pupilas.
"Precisamos levá-la ao hospital."
"Os portões continuam fechados", Rafael disse.
Dante virou a cadeira.
"Abra para a ambulância. Dois homens acompanham. Ninguém mais sai."
Enquanto Bruno pedia socorro, Camila notou uma fotografia caída sob a cadeira de Nadir. Abaixou-se e a puxou.
Não era de Dante.
Era dela.
Camila aparecia diante do Hospital Santa Cecília, quatro meses antes de começar a trabalhar na mansão. Ao lado dela estava Júlia, magra, usando máscara após uma sessão de tratamento renal.
No verso havia uma data e uma anotação: "Candidata confirmada."
"Eles me observavam antes de eu ser contratada."
Aquilo alterava tudo. Camila não entrara por acaso numa vaga comum: alguém selecionara sua rotina, suas dificuldades financeiras e a doença da irmã. A necessidade que ela considerava uma fraqueza privada fora transformada em porta de entrada para a casa dos Montenegro.
Dante pegou a foto.
"Quem indicou você para a agência?"
"Ninguém. Vi a vaga na internet."
"Quem fez sua entrevista?"
"Uma mulher chamada Sônia. Nunca mais falei com ela."
Rafael digitou o nome no computador oculto. A pasta de funcionários apareceu protegida por senha.
Camila examinou o painel. Entre fotografias de carros e documentos do porto, reconheceu outro rosto.
Seu irmão.
Thiago Nogueira desaparecera havia oito meses. A polícia tratara o caso como abandono voluntário porque ele retirara dinheiro, deixara o celular e enviara uma mensagem dizendo que precisava ir embora.
Camila nunca acreditara.
Na fotografia, Thiago conversava com um homem grisalho perto de contêineres no porto de Santos.
"Esse é Samuel Braga", Rafael disse.
Camila segurou a mesa.
"Como sabe?"
"Eu o investiguei depois que Vitória fez a transferência."
Dante virou-se bruscamente.
"Você sabia do pagamento?"
Rafael percebeu tarde demais o que revelara.
"Sou responsável pela segurança. Eu monitorava as movimentações incomuns."
"Mas não me contou."
"Você foi baleado no dia seguinte. Minha prioridade era encontrar o atirador."
"E encontrou?"
"Não."
Dante o encarou por alguns segundos.
"Copie tudo. Depois entregue seu acesso a Bruno."
Rafael ficou rígido.
"Está me afastando?"
"Estou retirando de você a possibilidade de apagar mais alguma coisa."
A acusação feriu mais do que um grito. Rafael removeu o crachá e o colocou na mão de Bruno.
Camila voltou à fotografia de Thiago. O irmão segurava algo pequeno entre os dedos, uma peça dourada semelhante à chave que ela carregava dentro de um relicário.
Uma semana antes de desaparecer, ele lhe dera o objeto.
"Guarde. Se um dia eu pedir, não entregue a ninguém", dissera.
Camila nunca soubera o que abria.
Ela levou a mão ao pescoço.
O relicário não estava ali.
"Minha chave sumiu."
"Que chave?" Dante perguntou.
Camila explicou rapidamente. Pela manhã, o relicário estava sob o uniforme. Lembrava-se de senti-lo quando se inclinara para levantar o colchão.
Rafael verificou as gravações copiadas. Uma câmera escondida mostrava Camila no quarto, descobrindo o transmissor. Pouco antes de Rafael entrar, a imagem ampliava seu pescoço.
Alguém controlava a câmera em tempo real.
"A pessoa viu a chave", Bruno concluiu.
Um ruído veio do fundo da passagem.
Todos se calaram.
Havia uma segunda saída, parcialmente aberta.
Bruno correu, seguido por Rafael. Do outro lado ficava a antiga capela da família. Uma janela estava escancarada, e a chuva começava a molhar o piso.
No altar, o relicário de Camila repousava aberto.
A chave não estava dentro.
Em seu lugar havia um papel dobrado.
Dante o abriu.
Era um bilhete de guarda-volumes da Rodoviária de Santos, boxe 317.
Na parte inferior, escrito com a mesma letra do envelope, havia uma frase:
"THIAGO DEIXOU A VERDADE. MAS A CHAVE AGORA ESTÁ COM QUEM MANDOU MATAR DANTE."
Camila sentiu as pernas fraquejarem.
O telefone interno da capela tocou.
Bruno atendeu e colocou no viva-voz.
Uma voz masculina distorcida preencheu o ambiente.
"Camila, você tem até amanhã para decidir qual deles quer encontrar vivo. Seu irmão ou Dante Montenegro."
A ligação caiu.
Dante dobrou o bilhete com cuidado.
"Você não vai escolher", disse.
Camila o encarou.
"Como pode prometer isso?"
"Porque agora não é mais uma funcionária que encontrou algo sob minha cama. Você é a única pessoa nesta casa que o inimigo tentou assustar antes de tentar comprar."
Ele se voltou para Bruno.
"Prepare o carro adaptado. Vamos a Santos."
Rafael bloqueou a passagem.
"A chave está com o mandante. Isso é exatamente o que ele quer."
Dante aproximou a cadeira até quase tocar os sapatos do segurança.
"Então ele finalmente vai conseguir minha atenção."
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