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"A Empregada Encontrou Algo Debaixo do Colchão do Chefe da Máfia… E Ele Mandou Trancar a Mansão" Capítulo 2 — Ninguém Sai da Mansão

正文开头

Vitória Ferraz tentou abrir a porta principal três vezes antes de perceber que Dante mandara bloquear a mansão.

"Abra agora", exigiu, encarando Bruno, o segurança postado diante do painel. "Meu pai está esperando."

Bruno não se moveu.

"Ordem do senhor Montenegro."

Vitória girou sobre os saltos e encontrou Camila no alto da escada, empurrando a cadeira de Dante. O rosto elegante da noiva mudou quando viu a empregada atrás dele.

"O que ela fez?"

Camila sentiu a pergunta como uma bofetada. Não "o que aconteceu", mas "o que ela fez".

Dante levantou dois dedos. Camila parou a cadeira no último degrau da plataforma adaptada.

"Venha para a biblioteca, Vitória."

"Tenho um compromisso."

"Não tem mais."

Os funcionários reunidos no hall desviaram os olhos. Dante usava calça preta, camisa escura e o mesmo relógio de ouro que vestia antes do atentado. A cadeira de rodas não diminuía a autoridade de sua voz.

Vitória acompanhou os dois até a biblioteca.

Rafael já estava lá, diante de seis telas de segurança. Sobre a mesa, o transmissor permanecia dentro do estojo isolante. A fotografia da noite do tiro estava virada para baixo.

Dante fechou a porta por controle remoto.

"S. Braga Consultoria", disse. "O que significa esse nome para você?"

Vitória ficou completamente imóvel.

Foi resposta suficiente.

"Onde encontrou isso?"

"Debaixo do meu colchão."

Ela olhou para Camila.

"Foi ela quem colocou."

"Foi ela quem encontrou."

"É a história que contou."

Camila deu um passo à frente, mas Dante ergueu a mão sem olhar para ela.

"Quem é Braga?"

Vitória cruzou os braços.

"Um consultor."

"Consultores não recebem R$ 250 mil por uma empresa sem endereço comercial."

"Você investigou minhas contas?"

Dante colocou o comprovante sobre a mesa.

"Alguém fez isso antes de mim. Três dias antes de levarem minha coluna, você transferiu esse dinheiro."

Vitória encarou a própria assinatura. Seu rosto não revelou culpa. Revelou medo.

"Eu posso explicar."

"Comece."

Ela caminhou até a janela. Lá fora, homens de Rafael verificavam carros, jardins e dependências de serviço.

"Samuel Braga era investigador particular. Eu o contratei porque alguém acessava informações da Montenegro Logística antes das reuniões do conselho. Propostas, rotas, valores. Tudo chegava aos concorrentes."

"Por que não me contou?"

"Porque Samuel disse que o vazamento vinha da sua família."

Rafael levantou os olhos das telas.

Dante continuou impassível.

"Qual pessoa?"

"Ele ainda não sabia. Pediu dinheiro para montar uma equipe e acompanhar os depósitos no porto. Dois dias depois do seu atentado, desapareceu."

"E você ficou calada por seis meses?"

"Você estava entre a vida e a morte. Depois acordou desconfiando de todos."

"Com razão."

Vitória respirou fundo.

"Samuel me mandou uma mensagem na noite do tiro. Dizia que tinha encontrado uma transferência ligada à emboscada. Quando tentei ligar, o número já não existia."

"Mostre a mensagem."

"Apaguei."

Dante bateu uma vez no braço da cadeira.

"Conveniente."

"Meu telefone foi copiado. Samuel me avisou para destruir qualquer contato."

正文1

Camila observava Vitória com atenção. A mulher parecia ofendida, mas apertava o polegar contra a palma da mão repetidamente. Era o mesmo gesto que fizera pela manhã, quando pedira a procuração dos armazéns.

"Por que queria que ele assinasse os papéis do porto hoje?" Camila perguntou.

Vitória virou-se devagar.

"Ninguém pediu sua opinião."

"Eu perguntei", Dante disse.

O choque de Vitória foi rápido, porém visível.

Camila explicou o que ouvira naquela manhã. A procuração permitiria que Augusto Montenegro representasse Dante em decisões sobre três armazéns de Santos por noventa dias.

Vitória lançou a Dante um olhar duro.

"Seu tio disse que era necessário. A diretoria não pode esperar sua recuperação."

"Minha empresa esperou três gerações para chegar às minhas mãos. Pode esperar eu ler um documento."

Rafael interrompeu.

"Encontrei uma coisa."

Ele ampliou a planta digital da mansão. Um ponto vermelho pulsava no segundo andar.

"O transmissor não envia para fora da propriedade. O alcance é limitado. Quando a luz acendeu, alguém ativou um receptor a menos de cento e cinquenta metros."

"Dentro da mansão?" Camila perguntou.

"Ou no jardim, na garagem, na casa de segurança."

Dante olhou para Vitória.

"Você trouxe algum aparelho?"

"Meu celular está com Bruno, como o de todos."

Rafael trocou a imagem. A tela mostrou o corredor do quarto de Dante ao longo dos meses. Camareiras, fisioterapeuta, médicos, familiares. Camila aparecia diariamente.

"A gravação mais antiga disponível é de noventa dias", Rafael disse. "O sistema apaga o restante automaticamente."

"Quem administra os arquivos?"

"Eu."

"E quem pode apagá-los manualmente?"

Rafael demorou um segundo além do normal.

"Eu e o administrador técnico."

"Nome."

"Leandro Pires. Está de folga hoje."

Bruno surgiu no interfone.

"Senhor, encontramos um celular escondido na lavanderia do segundo andar."

Rafael abriu a porta e recebeu o aparelho dentro de um saco transparente. Era antigo, sem chip, preso por fita atrás de uma máquina industrial.

Na tela havia apenas um aplicativo aberto.

Áudio ao vivo.

O quarto de Dante.

Camila ouviu a própria voz repetida com atraso: "O quarto de Dante."

Vitória recuou.

"Isso não é meu."

Rafael desligou o aparelho da rede.

"Alguém o deixou conectado ao wi-fi dos funcionários."

Camila aproximou-se. A capa plástica tinha uma mancha azul no canto, como tinta de caneta. Ela reconheceu aquela marca.

"Eu vi esse telefone antes."

Todos olharam para ela.

"Onde?" Dante perguntou.

"Na mão de Nadir, a supervisora da lavanderia. Ela usa um aparelho igual para controlar as entregas de roupa."

Nadir trabalhava na mansão havia doze anos. Conhecia os horários, as passagens de serviço e até o código usado para levar roupas limpas ao quarto de Dante sem cruzar as visitas. Se alguém escolhera seu telefone, não fora por acaso. O aparelho dava acesso e, ao mesmo tempo, oferecia uma culpada perfeita.

Rafael chamou Nadir pelo rádio.

Nenhuma resposta.

Bruno verificou a área de serviço. A supervisora não estava na lavanderia, no refeitório nem no dormitório dos funcionários.

Os portões continuavam fechados. Seu carro permanecia no estacionamento.

"Procurem em todos os cômodos", Dante ordenou.

Vitória olhou para o relógio.

"Isso é absurdo. Você vai manter vinte pessoas presas porque uma funcionária sumiu?"

"Vou manter todos aqui até saber quem gravava meu quarto."

"E se ela já saiu antes do bloqueio?"

"O carro dela está aqui", Camila respondeu.

Vitória a encarou.

"Você parece saber muito sobre os hábitos da casa."

"Funcionários enxergam coisas que os donos não consideram importantes."

Dante voltou-se para Camila.

"Como a marca no telefone."

Não soou como acusação dessa vez. Soou como reconhecimento.

Bruno retornou quinze minutos depois. Trazia um molho de chaves e um lenço manchado de sangue.

"Encontramos isto na escada de serviço."

Camila reconheceu o lenço. Nadir usava um igual preso ao cabelo naquela manhã.

"Sangue fresco", Rafael disse.

Uma das telas da biblioteca piscou. A imagem do corredor norte desapareceu, substituída por estática.

Depois outra câmera apagou.

E mais outra.

O apagão avançava em direção à biblioteca.

Rafael levou a mão ao paletó.

"Alguém está derrubando o sistema por setores."

As luzes se apagaram.

Vitória soltou um grito curto.

No escuro, Camila ouviu o ruído da cadeira de Dante e depois um som metálico perto da porta.

Quando as luzes de emergência acenderam, a fotografia do atentado havia desaparecido da mesa.

O transmissor continuava no estojo.

O comprovante de Vitória também.

Mas a porta, que Dante havia trancado, estava aberta.

E no corredor, além da soleira, uma trilha de sangue seguia em direção à ala antiga da mansão.

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