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"A Empregada Encontrou Algo Debaixo do Colchão do Chefe da Máfia… E Ele Mandou Trancar a Mansão" Capítulo 1 — O Objeto Sob o Colchão

正文开头

O pequeno aparelho preto caiu no tapete antes que Camila Nogueira pudesse segurá-lo.

Uma luz verde piscou sob a cama de Dante Montenegro.

Camila ficou imóvel, ainda com uma das mãos sustentando o colchão. O quarto principal da mansão, no Jardim Europa, pareceu perder todo o ar.

Na cadeira de rodas, ao lado da cama, Dante ergueu o rosto.

"O que caiu?"

Camila não respondeu imediatamente. Havia aprendido, nos quatro meses em que trabalhava ali, que o chefe da família Montenegro detestava hesitação mais do que detestava piedade.

Ela se agachou e recolheu o objeto usando a toalha limpa que trazia no ombro.

"Parece um gravador. Ou um transmissor."

O maxilar de Dante endureceu.

"Coloque na mesa."

Camila obedeceu. O aparelho era menor que um celular, sem marca, com uma abertura estreita na lateral. A luz verde apagou assim que ela o afastou da estrutura da cama.

Seis meses antes, um tiro atingira Dante na saída de um restaurante nos Jardins. A bala destruíra parte da vértebra T12. Os médicos salvaram sua vida, mas ainda não sabiam dizer quanto movimento ele recuperaria.

Desde então, o homem que fazia empresários do porto de Santos atenderem ao primeiro toque passava grande parte dos dias naquele quarto.

Reuniões, telefonemas, ordens, discussões familiares. Tudo acontecia a poucos centímetros do lugar onde o dispositivo estivera escondido.

"Há quanto tempo isso estava ali?" Camila perguntou.

"Se eu soubesse, não estaria perguntando o que caiu."

A resposta foi cortante, mas sua voz não se elevou. Dante raramente gritava. Não precisava.

Camila voltou a examinar a lateral do colchão. Estava trocando os lençóis quando notara uma costura mais baixa, quase imperceptível. Pensara que fosse apenas tecido preso na madeira.

Agora viu um corte estreito no forro inferior.

"Tem mais alguma coisa."

Dante segurou os aros da cadeira.

"Não toque. Chame Rafael."

Camila deu um passo em direção à porta, mas uma ponta branca surgiu da abertura quando o colchão cedeu.

Era um envelope.

Na frente, escrito à mão, havia apenas um nome.

DANTE.

Ele também viu.

"Espere."

Camila parou.

Dante observou o envelope como se fosse uma arma apontada para ele. Desde a emboscada, ninguém entrava naquele quarto sem passar pelos seguranças. A camareira arrumava a cama, a fisioterapeuta cuidava dos exercícios e Camila o ajudava com banho, roupas e medicação.

Vitória Ferraz, sua noiva, entrava quando queria.

Augusto Montenegro, tio e padrinho de Dante, também.

"Tire o envelope", Dante ordenou.

"O senhor acabou de mandar que eu não tocasse."

Por um instante, os olhos dele encontraram os dela.

"Use a toalha."

Camila puxou o envelope com cuidado e o entregou. Dante rompeu o lacre. Dentro havia uma fotografia, um comprovante bancário e um pequeno cartão dobrado.

A fotografia fora tirada na noite do atentado. Dante aparecia sob o toldo do restaurante, de costas para a rua, segundos antes de caminhar até o carro.

Um círculo vermelho marcava o centro de suas costas.

正文1

Camila sentiu o estômago se contrair.

"Essa foto foi feita antes do tiro?"

"Foi."

Ele virou o papel. No verso, alguém escrevera: "A bala não foi o começo."

Dante pegou o comprovante.

Era uma transferência de R$ 250 mil, realizada três dias antes do atentado. O destinatário aparecia apenas como S. Braga Consultoria. No campo de autorização havia uma assinatura.

Vitória Ferraz.

Camila conhecia aquela assinatura. Vitória deixava bilhetes para a cozinha, autorizava compras e assinava entregas sem olhar para os funcionários.

"É dela?" Camila perguntou.

Dante não respondeu.

Abriu o cartão dobrado.

Havia duas frases.

"VITÓRIA NÃO PAGOU PELO TIRO. PERGUNTE A ELA QUEM DESCOBRIU O PAGAMENTO."

Os dedos de Dante apertaram o papel.

Camila olhou para a porta fechada. Pela manhã, Vitória estivera naquele quarto. Passara perfume, reclamara do atraso do vestido de casamento e pedira que Dante assinasse uma procuração referente a três armazéns no porto.

Quando ele se recusou, ela saíra sem beijá-lo.

"Precisamos chamar a polícia", Camila disse.

Dante soltou um riso sem humor.

"A pessoa que colocou isso atravessou três portões, vinte câmeras e homens que trabalham para mim há mais de dez anos. Antes de chamar qualquer polícia, eu quero saber quem ainda trabalha para mim."

Ele alcançou o celular preso ao apoio da cadeira e ligou para Rafael Moura, chefe da segurança.

"Suba sozinho."

Não explicou mais nada.

Camila recolocou o colchão devagar. Quando se levantou, percebeu que Dante a observava.

"O quê?"

"Você encontrou o aparelho."

"Porque estava trocando o lençol."

"Há quatro meses você troca esse lençol."

A acusação veio calma.

Camila sentiu o rosto esquentar.

"Está dizendo que fui eu?"

"Estou dizendo que, nesta casa, coincidências custam caro."

Ela tirou do bolso do avental o crachá da agência e o colocou sobre a cômoda.

"Então desconte meu turno e chame outra pessoa."

"Eu não mandei você embora."

"Também não vou ficar num quarto onde sou tratada como criminosa."

Dante apoiou as mãos nos braços da cadeira. Seu tronco ainda tinha a força de um homem que transformava fisioterapia em combate. As pernas, cobertas por uma manta escura, não reagiram.

Camila viu a raiva passar pelo rosto dele. Não era raiva dela. Era do próprio corpo, do quarto e da dependência que todos fingiam não perceber.

Mesmo assim, ela não baixou os olhos.

"Se eu tivesse colocado o aparelho", disse, "não teria entregado ao senhor. Teria fingido que não vi."

"Talvez quisesse ser vista encontrando."

"E talvez o senhor esteja tão acostumado a pagar por obediência que não reconheça honestidade quando ela aparece de uniforme."

O silêncio que se seguiu poderia ter encerrado o emprego dela.

Rafael entrou sem bater. Alto, negro, ombros largos sob o terno cinza, ele fechou a porta e avaliou Camila antes de olhar para Dante.

"O que aconteceu?"

Dante apontou para a mesa.

Rafael não tocou no aparelho. Aproximou o rosto, viu a entrada lateral e perdeu parte da cor.

"É um transmissor de curto alcance."

"Você reconhece?"

"Reconheço o tipo. Não esse aparelho."

Dante mostrou a fotografia, mas manteve o comprovante escondido sob a mão.

"Quero as gravações de todos os corredores, a lista de quem entrou neste andar e os registros de manutenção dos últimos seis meses."

"Vou reunir a equipe."

"Não."

Rafael franziu a testa.

"Dante..."

"Se o aparelho está aqui, alguém da equipe falhou ou ajudou. Você fará isso sozinho."

Camila viu uma sombra atravessar o olhar de Rafael. Durou pouco, mas existiu.

Dante também percebeu.

"Algum problema?"

"Nenhum."

Rafael retirou um estojo metálico do bolso e isolou o transmissor. Antes de fechá-lo, a luz verde piscou novamente.

Uma vez.

Duas.

Depois permaneceu acesa.

"Ele foi ativado", Rafael disse.

"Por quem?"

"Ainda não sei."

O celular de Camila vibrou no bolso. Ela pensou que fosse Júlia, sua irmã mais nova, cobrando notícias sobre o pagamento da clínica.

Era uma mensagem de número desconhecido.

Camila abriu.

Uma fotografia apareceu na tela. Ela saindo de seu prédio, na Vila Mariana, naquela manhã.

Abaixo, uma frase.

"VOCÊ NÃO DEVERIA TER LEVANTADO O COLCHÃO."

Camila parou de respirar.

Dante estendeu a mão.

"Mostre."

Ela entregou o celular.

Ele leu a mensagem, depois levantou os olhos para Rafael.

"Feche os portões. Recolha os celulares dos funcionários. Ninguém entra e ninguém sai."

Rafael hesitou.

"Vitória está a caminho do almoço com o pai."

Dante olhou para a assinatura escondida sob sua mão.

"Então ela vai perder o almoço."

No corredor, travas eletrônicas começaram a descer sobre as portas.

Camila ouviu o som metálico cercando a mansão.

E compreendeu que quem a fotografara naquela manhã talvez já estivesse trancado ali dentro com eles.

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