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"O Filho do Chefe da Máfia Rejeitou Três Herdeiras… E Chamou a Empregada de Mãe" Capítulo 4 — O Broche de Luana

正文开头

Dante levou Elisa diretamente ao escritório da Montenegro Logística, na Avenida Faria Lima.

Bruno reuniu o processo de Lucas Barreto, os registros da Ferraz Segurança e as últimas agendas de Luana. Caio permaneceu na escola, protegido por uma equipe que Dante escolheu fora do círculo de Cecília.

Elisa abriu a primeira pasta.

“Meu irmão foi preso numa blitz.”

“O boletim diz que a polícia encontrou R$ 1,8 milhão no porta-malas”, explicou Bruno. “As notas pertenciam a um carregamento denunciado como roubado pela própria Ferraz Segurança.”

“Lucas não tinha chave daquele carro. Era veículo da empresa.”

Dante examinou a assinatura da confissão.

“Ele dispensou advogado e assumiu tudo em menos de seis horas.”

“Nossa mãe estava internada. Um homem ligou dizendo que ela perderia o tratamento se Lucas não cooperasse.”

“Por que não denunciou?”

“Para quem? O delegado apresentou a confissão e disse que eu seria investigada como cúmplice.”

Dante fechou a pasta.

“Luana recebeu Lucas três dias antes da prisão.”

Bruno projetou a agenda na tela. A entrada não trazia o nome dele, apenas as iniciais L.B. e a palavra “motorista”. No dia seguinte, Luana solicitara uma auditoria de pagamentos feitos pela Ferraz Segurança.

Dois dias depois, retirara Caio da escola mais cedo e guardara documentos num cofre pessoal.

Cinco dias depois, morreu na Rodovia dos Imigrantes.

“A perícia concluiu aquaplanagem”, disse Dante.

“Estava chovendo?”, perguntou Elisa.

Bruno consultou o laudo.

“A pista estava seca.”

Dante permaneceu imóvel.

Durante três anos, aceitara uma palavra técnica que não combinava com o próprio relatório.

“Quem acompanhou a investigação?”

“Um perito contratado pela seguradora Ferraz”, respondeu Bruno.

Elisa sentiu o ar mudar.

“Valentina sabe que Lucas entregou documentos a Luana.”

“E sabe que você pode fazê-lo falar novamente”, concluiu Dante.

O telefone de Bruno tocou. A equipe enviada ao antigo apartamento de Lucas encontrara o local revirado. Alguém procurara alguma coisa atrás de paredes, dentro de móveis e até no forro das roupas.

“Meu irmão disse que entregou cópias”, lembrou Elisa. “Talvez os originais ainda existam.”

Dante ordenou que Bruno solicitasse uma visita ao presídio e preservasse o apartamento.

“Não conseguiremos vê-lo hoje”, alertou o segurança.

“Então descobrimos o que Luana fez com as cópias.”

O cofre pessoal dela permanecia na mansão, dentro de um quarto fechado desde o funeral. Dante não entrava ali havia três anos.

Naquela tarde, ele parou diante da porta com Elisa.

“Você não precisa fazer isso agora”, disse ela.

“Se Luana tentou proteger seu irmão, eu já esperei tempo demais.”

Ele girou a chave.

O quarto conservava vestidos, livros e fotografias de uma vida interrompida. Sobre a penteadeira havia uma caixa vazia para o broche de camélia.

Dante abriu o cofre atrás de um quadro. Encontrou joias, documentos pessoais e uma pasta marcada com as iniciais de Caio.

Dentro havia relatórios de terapia, desenhos infantis e uma carta que Luana escrevera ao filho para ser lida quando ele crescesse.

正文1

Nenhum registro da Ferraz.

Elisa observou os desenhos. Em quase todos, Caio aparecia com os pais diante da casa. No último, feito poucas semanas após a morte da mãe, havia uma mulher de vestido branco junto ao portão.

O rosto fora coberto com lápis preto.

“Quem é ela?”, perguntou Dante.

“Caio talvez saiba.”

Quando voltaram da escola, encontraram o menino construindo uma garagem com blocos. Dante colocou o desenho diante dele sem mencionar Valentina.

“Você lembra desta mulher?”

Caio ficou sério.

“Ela brigou com a mamãe.”

“Você viu?”

“Atrás da porta.”

“O que ela disse?”

“Que mamãe tinha pegado uma coisa do pai dela. Depois falou que gente curiosa sofre acidente.”

Dante se agachou.

“Era Valentina?”

Caio assentiu.

“Por que nunca me contou?”

“Vovó disse que eu sonhei.”

Elisa viu a dor atravessar o rosto de Dante.

Ele chamara de pesadelo uma lembrança que o filho tentava narrar havia anos.

“Você não sonhou”, afirmou. “Eu acredito em você.”

Caio olhou para Elisa, buscando confirmação. Ela se sentou no tapete.

“Seu pai está ouvindo agora.”

O menino foi até o armário e trouxe o Coelho. Abriu o pequeno bolso costurado na barriga do brinquedo.

“Mamãe mandou guardar a chave.”

Uma chave prateada caiu na mão de Dante. Tinha o número 317 e o símbolo da antiga Estação Júlio Prestes.

Bruno identificou como chave de armário de guarda-volumes. Os registros mostraram que Luana alugara o compartimento dois dias antes da morte.

“Vamos agora”, disse Dante.

Cecília apareceu à porta.

“Não vão a lugar nenhum.”

Ela segurava o tablet com a notícia sobre Lucas Barreto.

“Você trouxe a irmã de um ladrão para perto de Caio e agora pretende seguir uma fantasia infantil até o centro da cidade?”

“Caio acabou de confirmar que Valentina ameaçou Luana.”

“Ele tinha dois anos.”

“Tinha idade suficiente para ter medo.”

Cecília olhou para a chave.

“Entregue isso.”

Caio escondeu-se atrás de Elisa.

Dante ficou entre a mãe e os dois.

“Você sabia que Luana encontrou provas contra os Ferraz?”

“Eu sabia que ela fazia perguntas que colocavam todos em risco.”

“Isso não foi uma resposta.”

“Foi a única que receberá enquanto estiver pensando como um viúvo culpado.”

Dante aproximou-se da mãe.

“Durante três anos, Caio tentou contar que ouviu uma ameaça. Você chamou de sonho.”

“Eu o levei aos melhores especialistas.”

“Especialistas que receberam uma versão escolhida por você.”

Cecília apertou a bolsa.

“Eu estava protegendo uma criança que acabara de perder a mãe.”

“Protegendo de quê? Da lembrança ou do sobrenome Ferraz?”

Ela não respondeu.

Elisa se ajoelhou diante de Caio, que observava a avó com confusão.

“Você fez certo ao guardar a chave”, disse. “Mas agora não precisa carregar o segredo sozinho.”

“O papai acredita?”

Dante tirou a chave da mão e a colocou novamente na palma do filho.

“Acredito. E você decide se quer me entregar.”

Caio fechou os dedos ao redor do metal, pensou e estendeu a mão.

“Eu escolho você.”

Não era a escolha pública que Cecília organizara no salão. Não havia vestidos brancos nem câmeras. Era uma criança devolvendo confiança ao próprio pai.

Dante recebeu a chave como se recebesse algo muito mais pesado.

“Desta vez eu não vou desperdiçar.”

Antes que Dante replicasse, sirenes soaram diante da mansão.

Bruno consultou as câmeras.

“Polícia Civil. Há um mandado de busca e condução contra Elisa.”

“Por qual acusação?”

“Lavagem de dinheiro e associação com Lucas Barreto.”

Elisa foi até a janela. Três viaturas bloqueavam o portão. Um delegado mostrava documentos aos seguranças.

Dante pegou o telefone.

“Acione os advogados.”

“Não impeça a entrada”, pediu Elisa. “Só fará parecer que estou escondida.”

Caio abraçou sua cintura.

“Eles vão levar você?”

Elisa segurou o rosto dele.

“Eu vou responder perguntas. Seu pai sabe onde estarei.”

Dante desceu com ela. Quando o delegado tentou algemá-la diante das câmeras, ele segurou o braço do homem.

“Ela irá acompanhada do advogado e sem espetáculo.”

“O senhor não determina o procedimento.”

“E o senhor não usará meu portão para produzir imagens encomendadas.”

O delegado recuou sob os celulares dos repórteres.

Elisa entrou na viatura sem algemas.

Antes de a porta fechar, Bruno correu até Dante com uma nova informação. A conta apontada no mandado havia recebido R$ 1,8 milhão naquela manhã.

O mesmo valor atribuído ao roubo de Lucas.

E a transferência fora autorizada com a assinatura digital de Elisa.

Mas, no campo de origem, aparecia uma empresa que Dante conhecia muito bem.

Ferraz Segurança Patrimonial.

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