"O Filho do Chefe da Máfia Rejeitou Três Herdeiras… E Chamou a Empregada de Mãe" Capítulo 2 — A Carta no Avental
A biblioteca foi fechada com quatro pessoas dentro: Dante, Elisa, Cecília e Caio.
Bruno permaneceu do lado de fora. O salão ainda se esvaziava quando o menino se instalou no sofá com o Coelho de pelúcia apertado contra o peito.
Dante colocou a carta de demissão sobre a mesa.
“Quem pediu que você fosse embora?”
Elisa olhou para Cecília.
“Eu tomei a decisão.”
“Não foi o que perguntei.”
“Sua mãe explicou que, depois do casamento, Caio precisaria criar vínculo com a nova esposa. Minha presença atrapalharia.”
Dante virou-se lentamente para Cecília.
“Você a demitiu?”
“Eu apenas descrevi o que aconteceria.”
“Usou o nome de Caio para pressioná-la.”
“Usei bom senso. O menino transformou uma funcionária em substituta emocional porque você não estava presente.”
A frase atingiu Dante, mas não o fez recuar.
“Então o problema começou comigo. Não com ela.”
Cecília pareceu surpresa.
“Não seja ingênuo. Uma mulher na posição de Elisa sabe exatamente o que significa conquistar o afeto de um herdeiro.”
Elisa se levantou.
“Minha posição tem nome. Eu trabalho nesta casa. Isso não significa que cada gesto meu seja um plano.”
“Você estava prestes a sair sem se despedir.”
“Porque a senhora deixou claro que uma despedida tornaria tudo pior.”
Caio acompanhava a discussão em silêncio. Seus dedos apertavam a orelha do Coelho.
Dante percebeu.
“Chega.”
Ele foi até o filho.
“Caio, você ouviu alguém dizer que Elisa iria embora?”
O menino assentiu.
“Quem?”
“A moça do vestido branco.”
“Qual delas?”
“A que cheira forte.”
Elisa quase sorriu apesar da tensão. Valentina usava um perfume reconhecível antes mesmo de entrar em um cômodo.
“O que ela disse?”, perguntou Dante.
“Que, quando fosse minha nova mãe, gente de avental não entraria mais no meu quarto. Disse que Elisa ia voltar para o lugar dela.”
Cecília desviou o olhar.
“E onde é o lugar de Elisa?”, perguntou Dante.
Caio apontou para o espaço ao lado dele no sofá.
“Aqui.”
O silêncio mudou de peso.
Dante se levantou.
“O acordo com os Ferraz está encerrado.”
“Não pode decidir isso com base numa frase infantil”, rebateu Cecília.
“Posso decidir com base no medo do meu filho.”
“Álvaro Ferraz controla rotas que mantêm seus adversários longe do porto.”
“Então encontrarei outras rotas.”
“Seu pai jamais sacrificaria segurança por sentimentalismo.”
“Meu pai morreu cercado de homens que chamava de aliados. Não o use como argumento.”
Cecília pegou a bolsa.
“Quando essa mulher destruir a autoridade que ainda lhe resta, lembre-se de que tentei avisar.”
Ela saiu.
Elisa permaneceu de pé.
“Eu também vou.”
Caio fez menção de levantar, mas Dante segurou seu ombro.
“Espere.”
“Minha carta continua válida”, disse Elisa.
“Depois do que aconteceu?”
“Principalmente depois do que aconteceu. Amanhã meu rosto estará em todos os sites. Vão dizer que seduzi o patrão, manipulei uma criança e destruí um acordo milionário.”
“Eu cuido da imprensa.”
“Não pode ordenar que as pessoas mudem o que pensam.”
“Posso impedir que usem você sem resposta.”
“Isso não muda a diferença entre nós.”
Dante olhou para o uniforme dela.
“Tem razão.”
A concordância a desconcertou.
“Então entende por que preciso sair.”
“Entendo por que não pode continuar como empregada.”
Caio começou a chorar em silêncio.
Dante se ajoelhou diante dele.
“Elisa não vai desaparecer esta noite.”
Ela abriu a boca, mas ele continuou:
“Vou pedir que fique trinta dias como acompanhante de Caio, com contrato separado, horário definido e autoridade para dizer não a qualquer membro desta família.”
“Inclusive a você?”
“Principalmente a mim.”
Elisa olhou para o menino.
“E depois dos trinta dias?”
“Nós preparamos Caio juntos. Sem mentiras e sem sumiços.”
Caio fungou.
“Trinta dias é muito?”
“Para você, quase seis desenhos animados completos”, respondeu Elisa.
“Isso é pouco.”
Dante sentou-se ao lado do filho.
“Então teremos de usar bem.”
Elisa aceitou ficar até a manhã seguinte, sem assinar nada. Levou Caio para o quarto e esperou que ele adormecesse. Quando tentou colocar o Coelho no lado esquerdo da cama, o menino segurou sua mão.
“Valentina não gosta de você.”
“Nem todas as pessoas precisam gostar de mim.”
“Ela disse que você queria dinheiro.”
“E você acreditou?”
“Não. Você recusou o envelope.”
Elisa ficou imóvel.
“Que envelope?”
“O que a vovó colocou na sua bolsa.”
Ela se lembrou da conversa com Cecília, dois dias antes. A matriarca estivera perto de sua bolsa, mas Elisa nunca verificara todos os bolsos.
Depois que Caio dormiu, abriu o armário onde guardava seus pertences. No compartimento interno encontrou um envelope pardo.
Dentro havia um cheque de R$ 500 mil em seu nome.
Junto dele, uma declaração pronta afirmava que Elisa aceitara dinheiro para se afastar voluntariamente de Caio e nunca procurar a família Montenegro.
Ela levou tudo ao escritório de Dante.
Ele leu sem mudar de expressão.
“Você sabia?”, perguntou Elisa.
“Não.”
“Sua mãe preparou uma versão na qual eu pareço ter vendido o carinho do seu filho.”
“Ela vai responder por isso.”
“Não quero guerra com sua família.”
“A guerra começou quando usaram Caio para controlar você.”
Dante rasgou o cheque ao meio.
“Isso não apaga o documento”, disse Elisa.
“Nem pretendo apagar. Bruno fará uma cópia antes de entregarmos ao advogado.”
Ela estudou o rosto dele.
“Você acredita que eu não pedi esse dinheiro?”
“Caio acredita.”
“Ele tem cinco anos.”
“E foi a única pessoa nesta casa que enxergou tudo com clareza esta noite.”
Antes que Elisa respondesse, Bruno entrou sem bater.
“Senhor, o vídeo do salão vazou.”
Dante pegou o tablet.
As imagens mostravam Caio chamando Elisa de mãe, Dante expulsando os convidados e Valentina saindo humilhada. A publicação já tinha centenas de milhares de visualizações.
Mas o título não falava da escolha de uma criança.
Acusava a empregada de ter seduzido o chefe da máfia e manipulado seu filho para receber uma fortuna.
No final do vídeo aparecia uma fotografia do cheque de R$ 500 mil.
Elisa encarou o envelope ainda aberto sobre a mesa.
“A fotografia foi tirada antes de eu encontrar o cheque.”
Bruno confirmou.
“E foi enviada de dentro da mansão.”
Bruno ampliou a imagem do cheque.
“A fotografia contém dados do sistema interno. Foi feita às quinze e quarenta, antes da cerimônia, na sala azul.”
“Minha mãe estava lá”, disse Dante.
“Cecília entrou às quinze e vinte. Valentina, às quinze e trinta e dois. Depois, a câmera ficou fora do ar por onze minutos.”
Elisa sentiu o estômago apertar.
“Valentina já sabia que Caio poderia me escolher.”
“Ou tinha medo suficiente para preparar a acusação”, respondeu Dante.
“Se sua mãe colocou o cheque na bolsa, por que Valentina possuía a foto?”
“Essa é a pergunta que fará as duas pararem de confiar uma na outra.”
Ele pediu que Bruno preservasse os registros e não confrontasse ninguém. Elisa percebeu que Dante não reagia apenas com raiva. Estava construindo uma armadilha.
“Até ontem, eu sabia exatamente quem queria me atingir”, disse ele. “Hoje alguém usou meu filho, minha mãe e você na mesma jogada.”
“Não me transforme em peça para descobrir quem foi.”
“Não vou.”
“Promessas de homens poderosos costumam mudar quando fica conveniente.”
Dante sustentou o olhar dela.
“Então não confie na promessa. Observe o que eu fizer.”
Pela primeira vez, Elisa acreditou que ele compreendia a diferença.
Dante fechou o tablet.
“Então alguém não queria apenas que Elisa fosse embora.”
O olhar dele ficou frio.
“Queria garantir que ela nunca pudesse voltar.”
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