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"O Menino Que Reconheceu a Fotografia" Capítulo 9 — A Pessoa em Quem Ela Confiava

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Capítulo 9 — A Pessoa em Quem Ela Confiava

O nome do segurança era Caio Mendes.

Vicente me mostrou a escala da noite da invasão. Caio estava designado para o andar superior. Fora ele quem nos levara ao quarto e dito que trancássemos a porta. Depois alegara ter descido para ajudar na cozinha.

"Ele protegeu vocês", disse Vicente.

"Ou nos colocou exatamente onde Leandro mandou procurar."

Júlia ampliou uma fotografia tirada durante a confraternização dos funcionários da casa. Caio estava ao fundo, com uma tira azul de tecido no pulso esquerdo.

Não era prova de que estivera na escola. Eu precisava de mais.

Ana conseguiu a gravação preservada pela coordenadora. O visitante de boné azul atravessava a portaria com uma caixa de bolo. Virou o rosto para a câmera por menos de um segundo. Não era Caio.

Mostrei a imagem a Tomás sem dizer quem eu esperava encontrar.

"É o moço do suco", ele respondeu.

"É o mesmo que abriu a porta do quarto?"

"Não. O da casa grande estava esperando por ele."

A frase esclareceu o que meu filho tentara contar. Eram dois homens. O visitante da escola havia mencionado Vicente; Caio, na casa, reforçara que Tomás podia confiar no tio.

Perguntei ao meu filho exatamente o que Caio dissera.

"Ele falou: 'Seu amigo do bolo disse que você ia gostar daqui.'"

Tomás achara que os dois se conheciam. Eu também achei.

Vicente chamou Caio ao escritório de uma das transportadoras, sem dizer por quê. Ana pediu que ninguém o ameaçasse ou o prendesse ali. Ela compareceu conosco. Júlia esperou do lado de fora com uma cópia da escala, dos registros de acesso à casa e da gravação da escola.

Caio chegou de uniforme. Ao me ver, perdeu um pouco da cor.

"Tomás está bem?", perguntou.

"Está", respondi. "Como você conhece o homem que foi à escola dele?"

"Não conheço."

"Meu filho ouviu você falar dele."

Caio olhou para Vicente, como se esperasse que o patrão encerrasse a conversa.

"Responda a ela", disse Vicente.

"Recebi uma mensagem. Diziam que uma funcionária traria o filho naquela noite, que o menino ficaria assustado e que eu devia ser gentil."

"De quem era a mensagem?", perguntou Ana.

"Não sei."

"Então por que mencionou o homem do bolo?", perguntei.

Ele apertou a tira azul no pulso.

"Foi o que escreveram."

Júlia entrou com um tablet. Havia encontrado o registro de entrada de um carro de serviço na casa Ferraz, quinze minutos antes dos três veículos pretos. O crachá usado para liberá-lo era o de Caio.

"Esse carro levava quem?", ela perguntou.

Caio não respondeu.

Vicente deu um passo, mas ergui a mão para detê-lo. Gritar faria Caio se calar. Eu queria saber onde estavam as pessoas que tinham usado meu filho.

"Você viu Tomás dormindo no quarto", falei. "Ouviu aqueles homens baterem na porta. Se disser quem entrou com seu crachá, Ana pode registrar também o que fizeram para obrigá-lo."

正文1

Caio fechou os olhos. Quando os abriu, parecia mais velho.

"Meu irmão deve dinheiro a Leandro. Eles o encontraram na terça-feira. Mandaram uma fotografia dele saindo do trabalho."

Ana pediu que mostrasse a mensagem. Caio tirou o telefone do bolso. Havia ameaças, uma foto e a ordem para liberar um veículo pela entrada de serviço. Outra mensagem trazia meu nome e a informação de que eu chegaria com uma criança.

"Quem avisou que eu traria Tomás?", perguntei.

"Não sei. A primeira mensagem chegou antes de você passar pelo portão."

A babá cancelara poucas horas antes. Vicente me chamara de volta antes disso. A informação poderia ter saído de quem vigiava meu prédio, de Neide ou do homem na escola. Eu ainda não podia apontar um nome.

"Você disse a eles qual quarto nos deram", falei.

Caio assentiu.

"Depois tentei voltar. Já havia um homem no corredor. Vicente chegou antes que ele abrisse a porta."

Olhei para a cicatriz recente perto da orelha de Caio. Na noite da invasão, eu a tomara pelo resultado de uma briga para nos proteger. Talvez tivesse sido exatamente isso, depois que ele percebeu o que ajudara a acontecer.

Não lhe ofereci perdão. Também não deixei Vicente decidir sozinho o destino dele.

Ana levou Caio para prestar depoimento com as mensagens e o registro de acesso. Antes de sair, ele contou que recebera outra instrução naquela manhã. Leandro, mesmo detido, ainda tinha gente tentando retirar documentos de um depósito junto ao porto.

"Qual depósito?", perguntou Júlia.

Caio apontou o número numa mensagem. Era o mesmo que aparecia três vezes na folha encontrada no armário da rodoviária.

A transferência anunciada por Leandro não dizia respeito apenas a Rafael. Um contêiner sairia naquela noite com os registros originais escondidos entre equipamentos sem valor. Se o embarque acontecesse, teríamos vídeos, cartas e confissões, mas perderíamos a documentação que mostrava quem recebera o dinheiro.

Ana enviou o número e a mensagem às autoridades. Vicente verificou a programação do terminal: a carga já tinha sido liberada para entrada.

"Podem segurá-la?", perguntei.

"Estão tentando obter a ordem", Ana respondeu. "Precisamos identificar o lacre correto antes que mudem a carga de lugar."

A folha de Rafael trazia três números. Só um correspondia ao embarque daquela noite. O último dígito estava borrado pela água que entrara no armário.

Examinei a fotografia feita por Júlia antes de retirarmos a folha do envelope. Sob outra luz, a marca talvez fosse legível. Ampliei a imagem. Não era um número borrado: Rafael havia escrito um pequeno ponto após os dois primeiros contêineres e um traço sob o terceiro.

Abaixo da lista, quase escondida pela dobra, havia uma frase.

O lacre verdadeiro leva a data em que Tomás nasceu.

Rafael usara uma data que eu saberia reconhecer. Dei a Ana os seis algarismos.

Ela os repetiu ao telefone. Do outro lado da linha, alguém confirmou que um contêiner com aquele lacre acabara de passar pelo portão do terminal.

O embarque estava marcado para dali a menos de uma hora.

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