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"A Mulher Que Ele Chamava Pelo Nome de Outra" Capítulo 7 — O Primeiro Pagamento

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Capítulo 7 — O Primeiro Pagamento

O nome no comprovante era

Marília Lins

.

“Você transferiu dinheiro para ela na véspera de Renata me levar à clínica”, eu disse.

André estendeu a mão para o documento. O advogado pediu que ele esperasse e terminou de ler.

“A Marília está grávida”, André respondeu. “Eu pago as despesas dela.”

“É uma explicação possível”, Clara disse. “Por isso solicitamos que a transferência seja examinada junto com as mensagens e os outros pagamentos.”

Ele se voltou para mim.

“Você trouxe minha vida pessoal para uma reunião de divórcio.”

“Ela passou a fazer parte da minha vida quando você levou minha família à casa dela.”

André abriu a boca. Seu advogado tocou seu braço antes que ele respondesse.

A transferência, sozinha, não dizia por que Marília recebera aquele valor. Mas André havia acabado de afirmar que não existia pagamento algum ligado à pressão para que eu assinasse. Pedi que o advogado registrasse sua explicação por escrito na proposta seguinte.

“Não há necessidade”, ele disse.

“Então não assino nada hoje.”

Clara fechou a pasta. O advogado tentou nos manter ali com a promessa de rever a quantia oferecida. Eu me levantei.

André me alcançou no corredor.

“Você está ouvindo a Clara mais do que ouve a mim.”

“Durante cinco anos, fiz o contrário.”

Ele olhou para a porta da sala, verificando se o advogado nos escutava.

“Você vai acabar sem nada se insistir em discutir a herança dos meus pais.”

“Eu não disse que sua herança é minha. Quero saber por que paguei suas contas enquanto você dizia que estava juntando dinheiro para nós.”

“Eu não obriguei você a fazer transferências.”

Aquilo era verdade de uma maneira que me deixou sem resposta por um instante. Eu as fizera porque acreditava nele.

“Também quero saber quem publicou o vídeo da clínica”, falei.

“Não fui eu.”

“Então não terá problema se encontrarmos a gravação completa.”

Clara saiu da sala, e André se afastou de mim. No elevador, ela esperou as portas se fecharem antes de falar.

“Ele tem razão sobre uma coisa: a origem do patrimônio importa. Vamos separar o que ele herdou do que foi adquirido depois, identificar suas contribuições e conferir os documentos do imóvel. Não vou lhe prometer uma parte de algo que ainda nem examinamos.”

“Foi por isso que não aceitei a proposta.”

“Eu sei.”

No estacionamento, meu telefone recebeu uma mensagem de um número desconhecido.

André não me contou que ainda estava casado quando compramos o apartamento.

A fotografia do perfil mostrava Marília diante de uma janela enorme.

Respondi:

Você viu minha certidão na clínica.

Eu sabia de um divórcio em andamento. Não sabia que ele ainda morava com você.

Pensei no vídeo da festa. Minha mãe e Patrícia estavam lá. Marília também podia ter feito perguntas a qualquer uma delas.

E as duas foram à sua festa

, escrevi.

Os três pontos apareceram e sumiram várias vezes.

正文1

Ele disse que sua família preferia você longe dele.

Guardei o celular sem responder. Ela podia estar mentindo. André mentia com tanta facilidade que também era possível que tivesse contado a cada uma de nós uma versão conveniente.

Na casa de Clara, organizei as novas mensagens numa pasta separada. Não queria misturar o que Marília dizia agora com o que eu conseguia demonstrar.

Renata voltou a me escrever naquela noite.

Você colocou a Marília contra ele. Agora ninguém vai receber nada.

Li a frase duas vezes. Era a primeira vez que ela falava do pagamento como uma expectativa compartilhada, não apenas como uma oferta distante.

Quem é “ninguém”?

, perguntei.

Renata apagou a mensagem seguinte antes que eu pudesse abri-la.

Fiz uma captura da notificação que ainda aparecia na tela bloqueada. Só dava para ler as primeiras palavras:

Patrícia já recebeu a parte dela...

Mostrei a Clara.

“Pode ser um blefe”, ela disse. “Mas temos um nome e uma sequência para investigar.”

Na manhã seguinte, chegaram os documentos que a imobiliária concordara em fornecer sobre a proposta antiga da qual eu participara. Não eram os papéis da compra recente. Mostravam, porém, que André e eu tínhamos visitado juntos aquele apartamento e que meu nome aparecera na negociação inicial.

A corretora também confirmou por escrito que André voltara a procurá-la anos depois. Ao ser perguntada por que eu não estava nas tratativas, ela recebera a resposta que eu já vira no e-mail: ele resolveria minha situação em breve.

Fiquei olhando para aquela expressão.

Minha situação.

Não era uma pessoa com quem ele precisava conversar. Eu era o problema que pretendia retirar do caminho antes de concluir uma compra.

À tarde, Clara recebeu retorno da clínica. A administração confirmara que havia preservado as imagens da área comum e iniciado uma apuração sobre como um trecho chegara à internet. A gravação completa não seria entregue a nós naquele momento; havia procedimentos a cumprir.

“Pelo menos ela ainda existe”, falei.

Clara concordou. Depois apontou para a data da resposta.

A clínica recebera um pedido de André para apagar o vídeo publicado em seu perfil pessoal. Ele afirmava que a gravação expunha Marília sem consentimento.

“Ele quer proteger a imagem dela”, eu disse.

“E sabe que existe uma gravação maior.”

Antes de dormir, abri a fotografia antiga em que Renata aparecia atrás de mim na universidade. Ampliei o canto da imagem. Ela segurava o celular na horizontal, voltado para mim.

Não provei com aquilo que filmara a cena da clínica. Mas percebi que ela me observava havia muito mais tempo do que sua confissão no carro sugeria.

Escrevi numa nota:

Perguntar a Renata quando André começou a falar em dinheiro.

Dessa vez, eu não lhe enviaria a pergunta antes de saber o que fazer com a resposta.

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