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"A Empregada Salvou o Filho do Chefe da Máfia" Capítulo 4 — A Mão na Fotografia

正文开头

Às seis da manhã, Dante ainda estava acordado.

A fotografia de Gabriel estava ampliada na tela do escritório.

A mão.

O anel.

Caio.

Era tudo que tinham.

Isabela entrou carregando uma xícara de café.

“Teresa disse que você não comeu.”

Dante nem olhou.

“Ela manda em todo mundo nesta casa.”

“Finalmente encontrei alguém que manda em você.”

Dante virou o rosto.

Isabela colocou a xícara na mesa.

“Gabriel dormiu?”

“Dormiu.”

“Com você?”

“No meu quarto.”

“Obrigado.”

“Não precisa agradecer toda vez que eu faço alguma coisa pelo seu filho.”

“Preciso.”

Ela não respondeu.

Aproximou-se da tela.

“Quantas pessoas têm esse anel?”

Dante hesitou.

“Poucas.”

“Quantas?”

“Quatro.”

“Você é uma.”

“Sim.”

“Quem são as outras?”

“Marcelo Ferraz recebeu um quando entrou oficialmente para o conselho do grupo.”

“Ele é família?”

“Não de sangue.”

“Quem mais?”

Dante respirou fundo.

“Ricardo.”

Isabela reconheceu o nome.

“Seu primo.”

“Meu primo e padrinho do Gabriel.”

“E o quarto?”

Dante olhou para uma fotografia antiga sobre a estante.

Um homem mais velho.

“Era do meu pai.”

“Era?”

“Ele morreu.”

“E o anel?”

“Ficou guardado.”

Isabela encarou a foto ampliada.

“Então alguém roubou.”

“Talvez.”

“Ou uma das pessoas que você acabou de citar está mentindo.”

Dante olhou para ela.

“Você sempre fala assim?”

“Assim como?”

“Como se não tivesse medo de ninguém.”

Isabela quase riu.

“Eu tenho medo de muita coisa.”

“De mim não?”

Ela pensou.

“Deveria?”

Dante não respondeu.

Bruno entrou.

“Ricardo chegou.”

Dante se levantou.

“Agora?”

“Assim que soube do que aconteceu.”

Poucos minutos depois, Ricardo Montenegro entrou no escritório.

Quarenta e cinco anos.

Terno cinza.

Cabelo escuro começando a ficar grisalho nas têmporas.

Abraçou Dante.

“Meu Deus. Gabriel está bem?”

“Está.”

“Eu devia ter ficado na festa.”

“Você saiu cedo.”

“Reunião em Campinas. Você sabe.”

Ricardo viu Isabela.

“Ela é…”

“A mulher que salvou Gabriel.”

Ricardo aproximou-se.

“Então eu tenho uma dívida com você.”

Isabela sorriu apenas por educação.

“Não precisa.”

Ricardo olhou para o curativo.

“Fiquei sabendo que foi horrível.”

Dante observava cada movimento dele.

“Ricardo.”

“Sim?”

“Seu anel.”

Ricardo parou.

“O quê?”

“O anel da família.”

Ele levantou a mão.

“Está aqui.”

Dante se aproximou.

O anel Montenegro estava em seu dedo.

Perfeito.

Sem marcas.

Isabela olhou.

Depois para a fotografia.

Algo a incomodou.

“Posso ver?”

Ricardo pareceu surpreso.

Dante assentiu.

Ricardo tirou o anel.

Isabela o segurou.

Virou.

Examinou.

“Algum problema?”

Ela devolveu.

“Não.”

Ricardo colocou de volta.

“Dante, o que está acontecendo?”

Dante mostrou a fotografia.

Ricardo empalideceu.

“Isso foi na festa?”

“Foi.”

“Você acha que fui eu?”

“Eu não disse isso.”

“Não precisava.”

Ricardo caminhou até a tela.

“Marcelo também tem um.”

“Eu sei.”

“E o anel do tio Augusto?”

“Guardado.”

“Tem certeza?”

Dante não respondeu.

Ricardo soltou o ar.

“Você está cercado de gente há anos. Agora alguém tenta te matar e uma funcionária aparece com uma fotografia de um anel.”

Isabela endureceu.

“Eu não apareci com fotografia nenhuma.”

正文1

Ricardo olhou para ela.

“Não quis ofender.”

“Mas ofendeu.”

Dante interferiu.

“A foto é do Gabriel.”

Ricardo perdeu o argumento.

“Entendi.”

Dante caminhou até a porta.

“Bruno vai verificar todos os anéis.”

Ricardo encarou o primo.

“Até o meu?”

“Principalmente o seu.”

Ricardo assentiu lentamente.

“Faça o que precisar.”

Quando saiu, Isabela continuou olhando para a porta.

Dante percebeu.

“O quê?”

“Já vi aquele anel.”

“O de Ricardo?”

“Sim.”

“Agora?”

“Não.”

Ela fechou os olhos.

Tentou reconstruir a festa.

Bandejas.

Taças.

Convidados.

Mãos.

Uma memória voltou.

Ricardo segurando uma taça de champanhe.

Conversando com Valentina.

Isabela passando entre eles.

O anel estava muito perto.

Ela tinha reparado porque quase bateu sua bandeja nele.

“Na festa.”

Dante se aproximou.

“O que você viu?”

“O anel dele.”

“E?”

“Não era igual.”

Dante ficou imóvel.

“Explica.”

“Havia uma marca.”

Isabela pegou a fotografia de Gabriel.

Ampliou a mão.

Apontou.

No metal escuro do anel havia uma linha fina atravessando a lateral do brasão.

Um risco.

“Isso.”

Bruno aproximou-se.

“O anel que Ricardo está usando agora não tem risco nenhum.”

“Exatamente.”

Dante pegou a fotografia.

“Você tem certeza?”

“Absoluta.”

Bruno já estava no telefone.

“Vou mandar verificar quando esse anel foi restaurado.”

“Não foi restaurado”, Isabela disse.

Os dois olharam para ela.

“Por quê?”

“Porque o desgaste também é diferente.”

Ela mostrou a borda na fotografia.

“O anel da festa era antigo.”

Depois apontou para a porta.

“O que ele acabou de mostrar parece novo.”

Dante sentiu o maxilar endurecer.

“Ele trocou.”

“Ou alguém trocou por ele.”

Antes que Bruno respondesse, Gabriel apareceu na porta.

Estava descalço, ainda de pijama.

“Pai?”

Dante imediatamente guardou a fotografia.

“Que foi, filho?”

Gabriel entrou.

“Cadê a Isa?”

Isabela sorriu.

“Estou aqui.”

Ele correu até ela.

Dante observou os dois.

“Você devia estar dormindo.”

“Eu acordei.”

Gabriel segurou a mão de Isabela.

“Quero mostrar uma coisa.”

“O quê?”

“Uma coisa da mamãe.”

Dante mudou de expressão.

“Gabriel.”

O menino ignorou.

Puxou Isabela pelo corredor.

“Vem.”

“Gabriel, espera.”

Dante foi atrás.

O menino parou diante de uma porta no fim do corredor.

Isabela percebeu imediatamente que era diferente.

Madeira escura.

Sem funcionários.

Sem decoração.

Gabriel colocou a mão na maçaneta.

Dante falou atrás deles:

“Não.”

Gabriel olhou para o pai.

“Mas ela precisa ver.”

“Ver o quê?”

O menino não respondeu.

Abriu a porta.

Era o escritório particular de Dante.

Isabela ficou parada.

Havia fotografias de Helena Montenegro por toda parte.

No centro de uma estante, isolada dos outros objetos, estava uma antiga caixa de música.

Gabriel apontou.

“É aquilo.”

Dante ficou pálido.

“Gabriel, não toca.”

Mas o menino já tinha entrado.

Isabela segurou sua mão.

“Seu pai disse não.”

Gabriel olhou para ela.

“Mas a mamãe escondia coisas aqui.”

Dante parou.

“O que você disse?”

Gabriel apontou para a caixa.

“A mamãe falou que tinha um segredo.”

Ninguém se mexeu.

Durante três anos, nenhum funcionário havia tocado naquele objeto.

Nem Teresa.

Nem Bruno.

Nem Dante.

Gabriel soltou a mão de Isabela.

Caminhou até a estante.

E pressionou um pequeno botão escondido na parte inferior da caixa.

“Clique.”

Um compartimento secreto se abriu.

Dentro dele havia uma pequena chave de metal.

Dante perdeu a cor do rosto.

Isabela olhou para ele.

“Você sabia disso?”

Dante demorou vários segundos para responder.

“Não.”

Pegou a chave.

Havia um número gravado nela.

E o nome de um banco privado de São Paulo.

Gabriel olhou para o pai.

“Era da mamãe.”

Dante fechou a mão em torno da chave.

Helena estava morta havia três anos.

Mas, de repente, parecia que ela tinha acabado de deixar uma mensagem.

E talvez soubesse, muito antes de todos eles, quem queria destruir a família Montenegro.

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