"A Empregada Salvou o Filho do Chefe da Máfia" Capítulo 3 — “Ela Fica.”
Isabela respondeu sem pensar.
“Minha mãe.”
Dante esperou.
“Só?”
“A empresa de eventos, obviamente.”
“Amigos?”
“Não.”
“Namorado?”
Ela encarou Dante.
“Isso faz parte da investigação?”
“Pode fazer.”
“Então não.”
Bruno anotava tudo.
Isabela soltou o ar.
“Eu aceitei esse trabalho há quatro dias. A agência ligou porque uma funcionária desistiu.”
“Qual agência?”, Bruno perguntou.
“Eventos Imperial.”
Bruno digitou no telefone.
Dante continuou:
“Quem falou com você?”
“Uma mulher chamada Patrícia.”
“Conhece pessoalmente?”
“Não.”
Bruno ergueu os olhos.
“Eventos Imperial diz que não tem nenhuma Patrícia no quadro de funcionários.”
Isabela sentiu o estômago apertar.
“Então quem me ligou?”
“É isso que vamos descobrir.”
Ela passou a mão pelo rosto.
“Eu quero ir para casa.”
“Não.”
Dante respondeu imediatamente.
Isabela se virou.
“Você precisa parar de dizer isso.”
“E você precisa entender a situação.”
“Eu entendo perfeitamente. Um homem tentou matar você e alguém usou meu nome.”
“Então entende por que não vai sair sozinha.”
“Tenho uma vida fora desta mansão.”
“Bruno manda alguém buscar o que você precisar.”
“Eu não quero seus homens mexendo nas minhas coisas.”
“Então faça uma lista.”
Isabela deu uma risada sem humor.
“Você sempre consegue o que quer?”
“Quase sempre.”
“Deve ser insuportável.”
Bruno baixou os olhos para esconder a reação.
Dante se aproximou.
“Isabela.”
“Não.”
“Tem alguém lá fora que preparou sua identidade para carregar uma tentativa de homicídio.”
“Eu sei.”
“Se sair pelo portão agora, eu não posso garantir sua segurança.”
Ela ficou quieta.
Dante falou mais baixo.
“Você salvou meu filho.”
Aquilo mudou o tom.
“Não vou permitir que alguém machuque você por causa disso.”
Isabela sustentou o olhar dele.
“Não quero dever nada a você.”
“Não deve.”
“Então por que está fazendo isso?”
Dante respondeu sem hesitar.
“Porque eu devo a você.”
Antes que Isabela pudesse responder, uma voz apareceu no corredor.
“Dante?”
Uma mulher entrou.
Alta.
Elegante.
Vestido verde-escuro, joias discretas e o tipo de postura de quem nunca precisara pedir permissão para entrar naquela casa.
Valentina Albuquerque.
Ela olhou primeiro para Dante.
Depois para Isabela.
Depois para o curativo.
“Então é ela.”
Isabela não gostou do tom.
Dante percebeu.
“Valentina.”
“Todo mundo está comentando.”
“Não me interessa.”
“Uma funcionária temporária aparece exatamente na noite em que alguém tenta matar você.”
Isabela cruzou os braços.
“Eu também estou aqui.”
Valentina olhou diretamente para ela.
“Eu sei.”
“Então pode falar comigo.”
Dante interferiu.
“Chega.”
“Estou tentando proteger você.”
“Não preciso.”
Valentina soltou uma risada curta.
“Você nunca precisa.”
Ela olhou novamente para Isabela.
“E agora ela vai dormir aqui?”
“Vai.”
“Dante.”
“Ela fica.”
Duas palavras.
Sem discussão.
Valentina apertou a mandíbula.
“Você conhece essa mulher há algumas horas.”
Dante respondeu:
“Ela se jogou sobre trezentos quilos de cristal para salvar Gabriel.”
Valentina ficou calada.
“Até eu provar o contrário”, ele continuou, “ninguém toca nela.”
Isabela olhou para Dante.
Não esperava aquilo.
Valentina também percebeu.
E não gostou.
“Espero que você saiba o que está fazendo.”
Ela saiu.
Isabela esperou alguns segundos.
“Ela é sua esposa?”
Dante olhou para ela.
“Não.”
“Namorada?”
“Não.”
“Então por que parece que quer me jogar pela janela?”
Bruno tossiu.
Dante lançou um olhar para ele.
“Valentina era amiga da minha esposa.”
Isabela percebeu a mudança.
“Era?”
“Helena morreu há três anos.”
“Desculpa.”
Dante apenas assentiu.
A conversa terminou ali.
Teresa preparou um quarto para Isabela no segundo andar.
Era maior do que o apartamento inteiro em que ela morava com a mãe anos antes.
Isabela não conseguiu dormir.
Às duas da manhã, levantou.
Ouviu um ruído no corredor.
Abriu a porta.
Gabriel estava sentado no chão, abraçado aos joelhos.
“Gabriel?”
Ele ergueu os olhos.
“Eu sonhei com as taças.”
Isabela se abaixou.
“Quer chamar seu pai?”
O menino balançou a cabeça.
“Ele fica triste quando eu tenho medo.”
A frase doeu.
“Seu pai não fica triste com você.”
“Ele acha que precisa consertar tudo.”
Isabela sorriu de leve.
“Isso parece mesmo coisa dele.”
Gabriel se aproximou.
“Posso ficar aqui?”
“Claro.”
Ele entrou.
Sentou na cama.
Depois tirou do bolso um pequeno carrinho vermelho.
“O que é isso?”
“Pra você.”
“Seu carrinho?”
“É.”
“Por quê?”
Gabriel deu de ombros.
“Pra você não ficar com medo.”
Isabela sentiu os olhos arderem.
“Obrigada.”
O menino sorriu.
Então lembrou de alguma coisa.
“Isa.”
“Hum?”
“Eu vi outro homem.”
Ela congelou.
“Que homem?”
“Antes das taças.”
Isabela sentou ao lado dele.
“Gabriel, olha pra mim.”
Ele olhou.
“O homem da cobra estava sozinho?”
Gabriel pensou.
“Não.”
“Quem estava com ele?”
“Um homem de terno.”
“Você viu o rosto?”
“Não.”
“Tem certeza?”
Gabriel assentiu.
“Ele deu alguma coisa pro homem da cobra?”
O menino franziu a testa.
“Não sei.”
Então seus olhos se iluminaram.
“Minha câmera.”
“Que câmera?”
Gabriel pulou da cama.
“Eu tirei fotos!”
Minutos depois, Dante e Bruno estavam no quarto.
Gabriel colocou uma pequena câmera infantil sobre a cama.
Havia dezenas de fotos.
Bolo.
Balões.
Teresa.
Um lustre.
O próprio sapato.
Dante quase perdeu a paciência.
Isabela não.
“Devagar.”
Passou uma foto.
Outra.
Outra.
Então parou.
“Espera.”
Dante se inclinou.
Ao fundo da fotografia, parcialmente escondido por uma coluna, estava Caio.
De frente para outro homem.
O rosto do segundo homem estava fora do enquadramento.
Mas sua mão aparecia perfeitamente.
E naquela mão havia um anel grosso.
O brasão dos Montenegro.
Dante ficou imóvel.
Bruno respirou fundo.
Isabela olhou para ele.
“O que significa?”
Dante não respondeu.
Bruno respondeu por ele.
“Esse anel não pode ser comprado.”
“Por quê?”
“Porque só homens da família Montenegro recebem um.”
Isabela olhou novamente para a fotografia.
A tentativa de assassinato não tinha apenas começado dentro daquela casa.
Tinha começado dentro da própria família.
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