"A Empregada Salvou o Filho do Chefe da Máfia" Capítulo 2 — A Abotoadura de Ouro
Caio Nogueira não chegou à porta.
Bruno e dois homens o cercaram antes.
Houve gritos.
Convidados recuaram.
Dante não permitiu que Gabriel assistisse.
“Teresa.”
A governanta entendeu imediatamente.
“Vem comigo, meu anjo.”
“Mas a Isa…”
Gabriel olhou para Isabela.
Dante ouviu.
Isa.
Seu filho conhecia aquela mulher havia poucas horas e já falava dela como se fosse alguém próximo.
“Ela vem depois”, Teresa prometeu.
Gabriel deixou o salão olhando para trás.
Isabela tentou respirar fundo.
A adrenalina começava a desaparecer.
E a dor começava a aparecer.
Sua mão ardia.
O ombro latejava.
“Deixa eu ver.”
Ela se virou.
Dante estava diante dela.
“Não precisa.”
“Não perguntei se precisa.”
Isabela ergueu uma sobrancelha.
“E eu não pedi.”
Bruno, a alguns metros, quase olhou para os dois.
Pouquíssimas pessoas respondiam assim a Dante Montenegro.
Dante baixou os olhos para a mão dela.
Sangue.
“Tem vidro aí.”
“Eu tiro.”
“Você vai piorar.”
“Senhor Montenegro…”
“Dante.”
Ela hesitou.
“Eu trabalho para uma empresa de eventos. Não costumo chamar cliente pelo primeiro nome.”
“Você não trabalha mais para empresa nenhuma esta noite.”
Isabela ficou tensa.
“Está me demitindo?”
Pela primeira vez, alguma coisa quase parecida com um sorriso passou pelo rosto dele.
“Estou mandando um médico cuidar da mulher que acabou de salvar meu filho.”
“Isso é bem diferente.”
“É.”
Ele estendeu a mão.
“Vem.”
Isabela não pegou.
“Antes, eu quero saber o que aconteceu com aquele homem.”
O quase sorriso desapareceu.
“Isso não é problema seu.”
“Virou problema meu quando ele derrubou trezentas taças em cima de mim.”
Dante ficou em silêncio.
Ela tinha razão.
Ele odiava isso.
“Bruno vai cuidar dele.”
“E depois?”
“Depois ele vai falar.”
A forma como Dante pronunciou a frase fez Isabela decidir não perguntar como.
O médico particular dos Montenegro examinou sua mão na biblioteca.
O corte era superficial.
A testa precisou apenas de um curativo pequeno.
Dante permaneceu perto da janela durante todo o atendimento.
“Pode ir”, Isabela disse.
“Minha casa.”
“Seu filho.”
Dante virou o rosto.
Ela continuou:
“Ele passou por uma coisa horrível. Devia estar com ele.”
A frase atingiu Dante.
Ele pegou o telefone.
Antes que pudesse fazer uma ligação, a porta abriu.
Gabriel entrou correndo.
“Isa!”
“Gabriel?”
O menino atravessou a sala e abraçou a cintura dela.
Dante ficou parado.
“Eu falei pra Teresa que precisava ver você.”
Isabela se abaixou.
“Eu estou bem.”
Gabriel tocou cuidadosamente o curativo em sua testa.
“Dói?”
“Só um pouquinho.”
“Foi por minha causa.”
“Não.”
“Foi.”
Isabela segurou o rosto dele.
“Olha pra mim. Você não fez nada.”
Gabriel assentiu.
Dante observava em silêncio.
Havia semanas em que o próprio pai não conseguia fazer Gabriel falar tanto.
Desde a morte de Helena, o menino tinha criado pequenas muralhas.
Isabela atravessara uma delas em menos de uma noite.
Bruno apareceu à porta.
Seu olhar fez Dante se afastar imediatamente.
“O que foi?”
“Precisamos conversar.”
Dante olhou para Gabriel.
“Teresa.”
A governanta entrou e levou o menino.
Gabriel segurou a mão de Isabela até o último segundo.
Quando a porta fechou, Bruno colocou uma pasta sobre a mesa.
“Caio Nogueira.”
“Esse é o nome dele?”
“Documento falso.”
“Quem contratou?”
“Essa é a parte interessante.”
Bruno abriu a pasta.
“Ele entrou pela equipe terceirizada de segurança. Credencial aprovada hoje às dezesseis e quarenta.”
“Por quem?”
“Ainda estou verificando.”
Isabela olhou para os dois.
“Ele falou alguma coisa?”
Bruno a encarou.
“Só uma.”
Dante cruzou os braços.
“Qual?”
“Disse que encontrou a abotoadura no banheiro.”
“Mentira.”
Foi Isabela quem respondeu.
Os dois homens olharam para ela.
“Como sabe?”, Bruno perguntou.
“A torre.”
Ela levantou.
Foi até a mesa.
Pegou uma folha e uma caneta.
Desenhou rapidamente a posição do salão.
“Gabriel estava aqui.”
Fez um círculo.
“Dante estava aqui.”
Outro.
“O homem mexeu na base e subiu para o mezanino.”
Bruno acompanhava.
“Se ele encontrou a abotoadura no banheiro, por que ela estava exatamente entre os cacos?”
Silêncio.
“Alguém colocou ali”, Dante concluiu.
“Para você encontrar”, Isabela respondeu.
“Ou para a polícia encontrar”, Bruno acrescentou.
Dante encarou o desenho.
Era uma mensagem.
Alguém queria que a tentativa de assassinato parecesse ligada a ele próprio.
“Tem mais”, Bruno disse.
“Fala.”
“As câmeras.”
Dante ergueu os olhos.
“Que câmeras?”
“Sete minutos desapareceram.”
“Desapareceram?”
“Do sistema principal, dos backups e do servidor externo.”
Dante ficou imóvel.
“Quem consegue fazer isso?”
Bruno demorou a responder.
“Eu.”
Dante esperou.
“Você.”
Outro silêncio.
“E mais três pessoas.”
“Quais?”
“Marcelo Ferraz. Ricardo Montenegro. E o administrador técnico.”
Isabela não conhecia nenhum daqueles nomes.
Mas conhecia a expressão de Dante.
Pela primeira vez, ele não parecia furioso.
Parecia traído.
“Quero os três localizados.”
Bruno assentiu.
“E ninguém sai da propriedade.”
Isabela se levantou.
“Eu preciso ir.”
Dante virou-se.
“Não.”
“Como assim, não?”
“Você fica.”
“Eu não faço parte da sua família.”
“Exatamente.”
Ela cruzou os braços.
“Isso não faz sentido.”
Bruno fechou a pasta.
“Talvez faça daqui a alguns minutos.”
“Por quê?”
O telefone dele vibrou.
Bruno leu a mensagem.
Seu rosto mudou.
“Acharam o registro da credencial.”
Dante se aproximou.
“E?”
Bruno mostrou a tela.
Isabela viu seu próprio nome.
**ISABELA OLIVEIRA MARTINS.**
Ela empalideceu.
“Não.”
Bruno continuou:
“Caio Nogueira entrou nesta casa usando uma segunda credencial emitida no seu cadastro.”
Isabela olhou para Dante.
“Eu nunca vi esse homem.”
“Eu sei.”
“Como pode saber?”
Dante fechou a pasta.
“Porque se você estivesse trabalhando com ele, teria deixado meu filho morrer.”
Isabela ficou em silêncio.
“Então eu posso ir?”
“Agora menos ainda.”
“Está me prendendo?”
“Estou mantendo você viva.”
Dante aproximou-se.
“Alguém tentou me matar usando meu filho.”
Olhou para a credencial.
“E escolheu você para levar a culpa.”
Isabela sentiu um frio percorrer as costas.
Dante então fez a pergunta que transformou aquela noite em algo muito maior.
“Quem sabia que você trabalharia aqui hoje?”
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