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"A Filha da Empregada Abriu a Caixa Proibida do Chefe da Máfia" Capítulo 5 — Quando Luna Desapareceu

正文开头

Dante ligou para a mansão antes que o áudio terminasse pela segunda vez.

Dona Celina atendeu no primeiro toque.

“Onde está Luna?”

“Comigo, na suíte interna.”

“Coloque-a na linha.”

Houve passos rápidos e um ruído de tecido. Então a voz da menina surgiu, sonolenta.

“Você já devolveu a chave?”

Dante fechou os olhos por um instante.

“Ainda não. Seu telefone está com você?”

“Está na mesa. O tio Vicente trouxe porque a mamãe podia ligar.”

Clara arrancou o aparelho da mão de Dante.

“Luna, escute. Não fique sozinha com ninguém. Nem com quem você conhece. Entendeu?”

“Até com a Dona Celina?”

“Fique com ela. Não abra a porta.”

A menina percebeu o medo na voz da mãe.

“Você vai voltar?”

“Estou voltando agora.”

Clara encerrou a chamada e encarou Dante.

“Vicente colocou o telefone perto dela.”

“Ou alguém quer que pensemos que foi ele.”

“Minha filha recebeu uma ameaça dentro da sua casa. Não me importa qual dos seus homens está tentando confundi-lo.”

Dante ordenou ao motorista que voltasse para São Paulo. Durante todo o percurso, manteve contato com Bruno e com a equipe que cercava a suíte. Ao chegarem, encontrou Luna dormindo no colo de Dona Celina, sem qualquer ferimento.

Clara a tomou nos braços e não permitiu que ninguém se aproximasse.

Vicente aguardava no corredor.

“Fui informado de que meu nome voltou a surgir”, disse.

Dante mostrou o áudio.

“Por que levou o telefone à menina?”

“Porque a mãe poderia ligar. Foi o que expliquei a Celina.”

“Tocou no aparelho?”

“Coloquei sobre a mesa.”

“Tempo suficiente para programar um envio.”

Vicente soltou o ar, decepcionado.

“Seu pai também confundia prudência com perseguição quando estava ferido.”

“Não use meu pai para escapar de uma pergunta.”

“E não use uma criança para sustentar uma acusação sem prova.”

Dante aproximou o rosto.

“Amanhã, no jantar da fundação, levarei a chave.”

Clara se virou.

“Não levará Luna.”

“A mensagem exige a chave, não a menina.”

Vicente observou os dois e ajeitou o paletó.

“Então transformará um evento beneficente em armadilha.”

“Se está preocupado, não compareça.”

“Beatriz criou a fundação. Eu nunca faltei a uma homenagem.”

Quando ele saiu, Clara enfrentou Dante.

“Minha filha e eu iremos embora esta noite.”

“A pessoa que enviou a mensagem sabe onde vocês moram.”

“E aqui ela atravessa paredes, desliga câmeras e usa os telefones que quiser.”

“Por isso vocês ficarão numa residência protegida.”

“Protegida por quem? Ícaro está preso, Bruno quase morreu conosco e o seu padrinho pode ser um assassino.”

Dante não tinha uma resposta que não soasse como outra ordem.

Clara entrou na suíte e fechou a porta.

Na manhã seguinte, a perícia confirmou que o áudio fora programado por um aplicativo instalado durante os seis minutos em que o telefone ficara fora do alcance de Dona Celina. As impressões digitais de Vicente estavam na capa, mas também as de quatro funcionários.

Dante decidiu manter o jantar.

正文1

O evento anual da Fundação Beatriz Montenegro ocorreria no próprio salão da mansão. Cancelá-lo alertaria o responsável. Mantê-lo permitiria reunir conselho, administradores e antigos funcionários sob vigilância.

Clara se recusou a servir.

“Ficarei com Luna no apartamento seguro.”

“Você é a única pessoa que reconhece as costuras de Ana”, disse Dante. “Se alguém trouxer os documentos, precisarei de você.”

“Está me pedindo ou me convocando?”

Ele demorou antes de responder.

“Pedindo.”

Foi a primeira vez que Clara o ouviu usar aquela palavra.

Ela aceitou com uma condição: Luna permaneceria em uma sala protegida, acompanhada por Dona Celina e dois agentes que não pertenciam à equipe da mansão. Dante contratou uma empresa externa e entregou a Clara o controle da fechadura.

Antes de se trocar, Clara encontrou Luna sentada no tapete, desenhando três pessoas diante de uma casa sem janelas. A figura maior vestia preto. A menor segurava uma caixa marrom.

“Quem é esse?”, perguntou Clara.

“O Dante.”

“Por que ele está conosco?”

Luna escolheu um lápis cinza.

“Porque ele não sabe ficar sozinho.”

Dante ouviu da porta. Trazia um pequeno aparelho de emergência, programado para acionar diretamente sua equipe.

“Isto é para você”, disse à menina. “Se alguém tentar tirá-la do quarto, aperte aqui.”

Luna examinou o botão.

“Você vem?”

“Onde quer que eu esteja.”

“Mesmo se estiver mandando em alguém?”

“Mesmo assim.”

Ela colocou o aparelho no bolso e mostrou o desenho.

“Faltam janelas”, observou Dante.

“Minha mãe diz que janela também vira saída.”

Ele olhou para Clara. A frase simples atingiu os dois: aquela criança já estava aprendendo a transformar todos os lugares em possíveis fugas.

“Depois desta noite”, prometeu Dante, “vocês não precisarão procurar saídas.”

Clara não agradeceu.

“Não faça promessas que seu poder talvez não consiga cumprir.”

Dante sustentou seu olhar.

“Então vou cumprir antes de voltar a prometer.”

Às oito da noite, os convidados ocuparam o salão. Fotografias de Beatriz decoravam painéis dourados. No palco, a caixa de música restaurada parcialmente permanecia dentro de uma redoma de vidro.

Dante carregava uma réplica da chave 214. A verdadeira estava presa sob o forro do uniforme de Clara.

Vicente chegou sorrindo, usando abotoaduras lisas de prata.

“Escondeu os leões?”, perguntou Dante.

“Você já os havia condenado.”

Ícaro também apareceu, escoltado. Dante o libertara apenas para observar as reações dos suspeitos. Sem arma e sem acesso aos sistemas, ele se posicionou perto do palco.

O jantar avançou sob uma tensão disfarçada por música e taças. Clara circulava entre as mesas, atenta às mangas, aos olhares e a qualquer pessoa tentando alcançar o corredor onde Luna estava.

Às nove e quinze, Dante subiu ao palco.

“Minha esposa criou esta fundação para proteger trabalhadores que costumavam ser invisíveis para pessoas sentadas em salas como esta.”

Vicente abaixou os olhos.

“Ontem descobri que alguém usou justamente esses trabalhadores para esconder dinheiro. Também descobri que Beatriz sabia.”

Murmúrios atravessaram o salão.

Dante ergueu a réplica.

“Esta chave abre o lugar onde ela guardou as provas.”

Um garçom junto à saída tocou discretamente o ouvido. Outro homem abandonou a mesa e avançou para o corredor. Ícaro percebeu e o interceptou.

Naquele instante, todas as caixas de som estalaram.

A voz de Beatriz surgiu sem que ninguém tocasse no equipamento.

“Ele quer que pareça um acidente.”

Dante se virou para a cabine técnica.

Outra voz respondeu na gravação. Masculina, baixa, mas reconhecível.

“Então faça parecer um acidente. Corte os freios e destrua os originais.”

Vicente ficou de pé.

O salão inteiro reconheceu sua voz.

“Isso foi montado!”, gritou. “Dante, desligue!”

As luzes se apagaram.

Mulheres gritaram. Cadeiras caíram. Dante saltou do palco enquanto os seguranças acionavam lanternas. Clara correu para o corredor, usando a parede como guia.

A fechadura da sala protegida piscava em vermelho.

“Luna!”

Ela digitou o código. Nada aconteceu.

Dante chegou atrás dela e atirou contra o mecanismo. A porta se abriu com o impacto.

Dona Celina estava caída perto da mesa, consciente, mas atordoada. Um dos agentes externos tinha sangue na testa. O outro desaparecera.

A janela permanecia fechada.

A porta secundária estava aberta.

Luna não estava no quarto.

No chão, Clara encontrou uma das pequenas sapatilhas amarelas da filha.

Ao lado dela, a caixa de música jazia novamente quebrada.

Dante se abaixou e tocou o sangue que manchava a borda de madeira.

O telefone dele vibrou.

Uma fotografia acabara de chegar.

Luna aparecia em um corredor escuro, abraçada aos próprios joelhos. Atrás dela, uma mão masculina segurava a verdadeira chave 214.

Clara olhou para o rasgo no forro de seu uniforme.

A chave havia sido retirada sem que ela percebesse.

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