"A Filha da Empregada Abriu a Caixa Proibida do Chefe da Máfia" Capítulo 2 — Ninguém Sai da Mansão
Dante viu Vicente esconder o botão de punho.
Também viu o padrinho perceber que fora observado.
Nenhum dos dois falou. Durante dois segundos, o salão inteiro pareceu esperar que Dante apontasse uma arma, desse uma ordem ou pronunciasse o nome do homem que o criara depois da morte de seu pai.
Em vez disso, ele se voltou para Ícaro.
“Recolha todos os celulares. Separe os convidados dos funcionários e leve a menina para a biblioteca.”
Clara segurou Luna pela mão.
“Ela não vai a lugar nenhum sem mim.”
Dois seguranças olharam para Dante, esperando autorização para afastá-la. Ele examinou Clara por um instante e fez um gesto curto.
“As duas.”
Vicente soltou uma risada discreta, quase paternal.
“Você pretende interrogar uma criança por causa de uma joia que metade dos convidados poderia possuir?”
Dante virou o rosto.
“Metade?”
“É uma figura de linguagem.”
“Meu pai mandou fabricar três pares. Um ficou comigo. Outro foi entregue a Ícaro quando assumiu a segurança da família. O terceiro foi seu.”
Vicente afastou a manga e mostrou o leão dourado.
“Então não precisamos procurar muito. A menina viu um de nós três.”
Ícaro manteve a expressão impassível. Dante usava abotoaduras negras naquela noite. O detalhe transferiu a atenção de toda a mesa para os dois homens restantes.
“Ou viu alguém usando uma peça roubada”, acrescentou Vicente. “É exatamente por isso que decisões tomadas sob emoção costumam destruir famílias.”
A frase atingiu o alvo. Clara percebeu pelo modo como a mandíbula de Dante se contraiu.
“Levem todos”, ordenou ele.
A biblioteca ficava no térreo, atrás de duas portas de madeira escura. Ícaro entrou primeiro, verificou janelas e cortinas, depois permitiu que Clara e Luna passassem.
“Isso é mesmo necessário?”, perguntou Clara.
“Uma gravação escondida por três anos apareceu durante um jantar privado. Sim.”
“Minha filha está com medo.”
Luna ergueu o rosto.
“Não estou.”
Clara apertou a mão dela.
“Está, sim. E não tem problema admitir.”
Ícaro observou a menina, como se tentasse decidir se a coragem era real ou apenas curiosidade infantil.
“Ninguém vai machucar vocês aqui.”
“Isso foi uma promessa?”, perguntou Clara.
“Foi uma informação.”
Ele saiu e trancou a porta pelo lado de fora.
Luna percorreu as estantes com os olhos. A biblioteca era maior que o apartamento onde moravam. Havia escadas móveis, poltronas de couro e retratos de homens Montenegro que pareciam desaprovar até a respiração dos visitantes.
Clara se agachou diante da filha.
“Você precisa me contar tudo desde o começo.”
“Eu já contei.”
“Como saiu da sala dos funcionários?”
Luna puxou do bolso uma presilha de cabelo torta.
“A porta não estava trancada direito. Eu empurrei com isso.”
Clara levou a mão à testa. A menina desmontava brinquedos desde os três anos e descobrira cedo que pequenos objetos abriam fechaduras antigas.
“Por que foi até a ala leste?”
“Ouvi a música.”
“A música da caixa?”
Luna assentiu e começou a cantarolar. Eram as três notas repetidas no salão, mas havia uma continuação: uma sequência suave que subia e terminava em duas notas longas.
Clara parou de respirar.
Conhecia aquela melodia.
Sua mãe a cantava enquanto costurava uniformes na mesa da cozinha. Nunca soubera o nome da canção. Ana dizia apenas que algumas músicas encontravam a pessoa certa quando chegava a hora.
“Onde aprendeu isso?”
“Com você.”
“Eu nunca cantei essa música.”
“Cantou quando ficou triste no hospital da vovó.”
Clara se lembrava daquela noite. Sentara ao lado da cama de Ana, segurando a mão que já esfriava, e murmurara qualquer coisa para preencher o silêncio dos aparelhos. Não percebera que repetia a melodia da infância.
A porta se abriu.
Dante entrou com o gravador dentro de um saco transparente. Dona Celina veio atrás dele, pálida. Ícaro permaneceu do lado de fora.
“Cante de novo”, pediu Dante.
Clara se levantou.
“Ela já respondeu perguntas demais.”
“A música da caixa tem oito compassos. O mecanismo que encontramos tocava apenas o primeiro. Sua filha cantarolou o restante no corredor.”
“Ela ouviu antes de a caixa quebrar.”
“Não”, disse Dona Celina. “O mecanismo estava danificado havia anos. Nem Beatriz conseguia fazê-lo tocar a canção inteira.”
Luna olhou para a governanta.
“Minha vovó sabia.”
Dona Celina ficou imóvel.
“Qual era o nome de sua avó, querida?”
“Ana Nascimento.”
A governanta apoiou a mão em uma cadeira.
Dante notou.
“Você conheceu essa mulher.”
“Eu conheci muitas funcionárias ao longo dos anos.”
“Não foi o que perguntei.”
Dona Celina baixou os olhos.
“Ana trabalhou no Hotel Imperial, em Santos, antes de Clara nascer. Na época, o hotel pertencia ao seu pai.”
Clara sentiu o chão perder estabilidade.
“Minha mãe dizia que trabalhara em uma lavanderia. Nunca falou da família Montenegro.”
“Talvez tivesse motivos.”
“Que motivos?”
Celina olhou para Dante, pedindo uma permissão que ele não deu.
“Beatriz procurou Ana dois meses antes do acidente”, confessou. “Veio até a cozinha tarde da noite e perguntou se eu sabia onde encontrá-la.”
Dante avançou.
“Você nunca me contou isso.”
“Sua esposa me fez jurar silêncio.”
“Minha esposa morreu.”
“E, depois que morreu, todos nesta casa passaram a ter medo de lhe dizer qualquer coisa que aumentasse sua dor.”
A honestidade da governanta pairou entre os dois.
Dante desviou o olhar primeiro.
Ele colocou o gravador sobre a mesa e acionou a reprodução. A voz de Beatriz encheu a biblioteca mais uma vez. Clara escutou com atenção, ignorando as palavras e buscando o som por trás delas.
Havia estática. Um impacto distante. Depois, quase encoberta pela voz, a mesma melodia tocada em notas frágeis.
“Parem”, disse Clara.
Dante desligou.
“O que foi?”
“A música não vinha da caixa. Estava no lugar onde Beatriz gravou a mensagem.”
Ele reproduziu o trecho novamente. Dessa vez, todos ouviram.
Luna foi até o gravador.
“Não é igual.”
“O que não é igual?”, perguntou Dante.
“A mulher errou a última nota.”
Clara ouviu outra vez. Luna tinha razão. A sequência gravada terminava meio tom abaixo da versão que Ana cantava.
Dona Celina levou os dedos aos lábios.
“Havia um piano automático no salão do Hotel Imperial”, disse. “Ele tocava essa música todas as noites às nove.”
“O hotel foi fechado há dez anos”, afirmou Dante.
“O salão principal, sim. Mas os depósitos do subsolo continuaram sendo usados pela Montenegro Logística.”
Dante tocou o ponto eletrônico.
“Ícaro, quero as imagens da ala leste, a lista de todos que entraram nesta casa nas últimas setenta e duas horas e uma equipe pronta para ir a Santos.”
A resposta veio após uma pausa curta.
“Há um problema. As câmeras da ala leste foram desativadas às dezenove e doze.”
“Por quem?”
“O acesso foi feito com a minha credencial.”
Clara olhou para a porta.
Ícaro entrou devagar e colocou seu botão de punho sobre a mesa.
O pequeno leão dourado estava manchado com tinta azul.
A mesma tinta que cobria o bolso da jardineira de Luna.
Dante encarou o homem que comandava sua segurança havia nove anos.
“Explique.”
Ícaro fechou a porta atrás de si.
“Não posso.”
“Então você não sairá desta biblioteca como meu funcionário.”
“Se eu explicar agora, a pessoa que abriu aquela passagem saberá exatamente o que nós descobrimos.”
Dante avançou até ficar a poucos centímetros dele.
“Nós?”
Ícaro manteve os braços ao lado do corpo.
“Beatriz me pediu para investigar alguém antes de morrer.”
“Quem?”
“Ela nunca disse o nome.”
Dante agarrou a lapela de seu paletó.
“Minha esposa confiou em você e não em mim?”
“Ela tinha medo do que o senhor faria se descobrisse cedo demais.”
“E a tinta?”
Ícaro olhou para Luna.
“Encontrei a menina na passagem. Segurei o braço dela antes que caísse. Depois ouvi alguém vindo do quarto e fui atrás. Quando voltei, Luna e a caixa tinham desaparecido.”
“Por que não avisou?”
“Porque o homem que persegui entrou na área reservada aos convidados. Eu precisava ver com quem ele falaria.”
“E viu?”
Ícaro tirou do bolso um cartão de memória.
“Vi mais do que isso.”
Ele colocou o cartão ao lado do leão dourado.
“Três anos atrás, Ana Nascimento entrou na garagem desta mansão na noite em que Beatriz morreu.”
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4